16.3.14

Mídia Capoeira e a Copa em Pernambuco


Sou jornalista esportivo e me emocionei com as conquistas para o Brasil da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016. Mas desde que comecei a cobrir com mais atenção a preparação para o Mundial de 2014 no Recife sinto falta de uma discussão mais crítica em relação ao torneio no meu Estado.

Após a Copa das Confederações, em 2013, fui convidado pelo Observatório das Metrópoles para apresentar na Universidade Federal de Pernambuco minha experiência na cobertura do torneio preparatório. Ao mesmo tempo, passei a acompanhar com mais atenção as ações em defesa dos milhares de desapropriados pelo Comitê Popular da Copa. As coisas foram se sucedendo e passei a participar também das discussões da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa.

Desde então, venho tentando mobilizar amigos e colegas de profissão para olharem para os problemas das populações de Cosme e Damião (Camaragibe), Loteamento São Francisco, Santa Mônica, de Boa Viagem (Via Mangue), Olinda, Jaboatão e dos removidos de São Lourenço da Mata.
Finalmente, nesse início de 2014, decidi retomar o meu blog para contar as histórias dessas pessoas e criar um espaço de discussão de problemas e soluções que podem ser desenvolvidas para ajudar as pessoas que tiveram mais impacto da Copa do Mundo em Pernambuco. Inicialmente, a idéia é escrever basicamente sobre as obras, os gastos, os impactos e as repercussões do maior torneio de futebol na Região Metropolitana do Recife.

Com isso, o blog que se chamava Horóscopo desde sua criação e vinha parado nos últimos anos ganha um novo nome: Mídia Capoeira. Uma brincadeira com os #mídianinja. Com a idéia de fazer uma luta com as armas que temos à mão. Com o subúrbio onde estão sendo desapropriadas a maioria das famílias vítimas das obras de mobilidade em Pernambuco. E com o esporte mais legitimamente brasileiro que existe.

Espero que esse blog sirva para aumentar a reflexão sobre o Mundial em Pernambuco. E quem sabe siga escrevendo depois da Copa do Mundo. Com um pouco de sorte com o Brasil hexacampeão mundial. Mas, muito mais importante que isso, espero que encerremos esse período com uma idéia mais real dos gastos feitos na realização do torneio, dos impactos nas contas públicas e especialmente ajudar a sensibilizar a sociedade e os governantes sobre a situações das centenas de famílias vítimas de desapropriações. 

Estudante protesta na Conde da Boa Vista, durante manifestações da Copa das Confederações


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