1.8.06

Mandra Brasa

Querem ler algo engraçado. Entrem no blog de Mandrey. www.mandrey.blogspot.com.

6.6.06

Perdi o texto

Faltam três dias para a Copa do Mundo. Parece aquele momento em que o cara se veste para finalmente sair com a paixão que estava guardada no fundo do armário sentimental. Eu já até perdi esse texto que estava quase todo feito. Mas mesmo assim vou escrever alguma coisa para não perder a viagem.

Fico com uma saudade danada do tempinho que trabalhei no JC, caderno de Esportes. Meus domingos de folga eram um verdadeiro tormento.

- Para de pensar no teu trabalho uma vez na vida!

É que sempre dei azar de folgar em dia de Clássico das Multidões.

Na Copa passada estava no Rio. Assisti quase todos os jogos do torneio em minha casa da Vila Isabel. Feliz tempo de desempregado. Acabou a competição, o Brasil ganhou e logo voltaram as angústias. Quando passou o primeiro turno da eleição desisti da minha empreitada carioca, foi mais fácil voltar para o Recife.

Tio Armando também estava no Rio. Teve o azar de não ser chamado para a cobertura no Japão e na Coréia. Ficou dirigindo o programa da SporTV do Rio de Janeiro mesmo. Tomara que dessa vez ele esteja comendo bem muito chucrute, afinal até Juninho Pernambucano está nessa Copa.

Tomara que ele tenha o direito de gritar Vasco quando o reizinho fizer mais um gol de falta. Ele foi o único flamenguista do mundo que me ligou para comemorar quando Juninho foi campeão pelo Vasco. Mas no Rio de Janeiro é muito mais difícil demonstrar essa paixão enrustida.

Promessas de 2006. Acho que nunca gostei tanto de um time do Brasil.

Não assistir jogo do Brasil na casa de Mateus. 98 bastou. E ainda deixou meu irmão Pedro sem gostar de futebol.

Não falar mais nenhuma vez que não me lembro da Copa de 82. Por que essa não é a Seleção que pretende substituir a de Zico e Falcão.

Assistir a final com Tuti. Por que a coisa mais bonita que me lembro do futebol é ver Tuti chorando na final de 1994.

É mais fácil isso do que ir para a casa de uns amigos, com Paulinho e Rosinha, lá na Urca.

A Copa de 90 acompanhei muito pouco. Estava em Gravatá. Lembro que reclamava da ausência de Romário e Bebeto, minha dupla de ataque dos sonhos.

De 86, lembro da tensão pré Brasil e França. Fiquei encolhidinho na varanda do quarto de mamãe, rezando para Careca fazer um golzinho. Só me lembro de voltar aquele lugarzinho no dia que meu pai morreu. Bem, não deve ser um bom lugar para fazer nenhum pedido a Deus. Ainda mais sendo ateu.

Toda Copa do Mundo eu sempre reclamo de alguma coisa na Seleção. A dupla de ataque devia ser Romário e Bebeto. O melhor meia de ligação do Brasil é Bismarck (tá, alguma vez eu tinha que estar errado). Edmundo está em melhor fase do que Ronaldinho, imagina que fiquei feliz quando vi o cara escalado no dia da final contra a França. Mas nessa Copa só torço para Juninho virar titular.

8.5.06

Pesquisas

Folha de Pernambuco:
Mendonça - 28%
Humberto - 19%
Eduardo - 17%

Jornal do Commercio:
Mendonça - 29%
Eduardo - 23%
Humberto - 21%

A eleição vai ser destrutiva. Acho as chances de Humberto boas. Mas a verdade é que muita gente acha ruim deixar o PT com o Poder Federal, Estadual e Municipal. O apoio de Lula vai ser fundamental. Ele que vai dizer para onde Armando Monteiro (que tem 8%) vai pender. Acho mais provável o presidente da CNI apoiar o neto de Arraes e colocar José Queiroz para senador. Silvio Costa fica para a próxima, ninguém vai para o enfrentamento com Jarbas agora não. E só fica a dúvida de quem serão os candidatos a vice. Quase não se fala nisso ainda.

As chapas: Mendonça e Jarbas; Humberto e Luciano; Eduardo e José Queiroz. O melhor para Lula é ter o PSB no Segundo Turno, com um vice ligado ao PTB de Armando Monteiro, para ter uma segurança de campanha forte no Segundo Turno em Pernambuco. Humberto enfraquece a campanha dele, pois trabalhistas e arraesistas ficarão bem mais distantes.

Minha razão de viver

Título lindo. O livro de Samuel Wainer, sobre sua própria biografia é bem mais pé no chão. Conta a história do Última Hora. Jornal carioca que chegou a ter versões impressas nas principais cidades do País (São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife...).

Pena que ele, quando escreveu, pouco se empolgasse com a questão jornalística. Ele só fala no caderno de Esportes, para dizer que um concorrente nunca fez sucesso porque era pouco popular, nunca tendo investido em áreas como o futebol.

Mas, por outro lado, é incrível a sinceridade como o jornalística disseca a política da época. Chega tive vontade de botar o título do post: O Mensalão de Getulio. Mas seria injusto com Jango e JK, se só falasse do primeiro presidente.

Samuel Wainer conta as dezenas de vezes que, para financiar o Ultima Hora, foi levado por presidentes a procurar banqueiros, empreiteiros... E, estou falando desse jornal tido como esquerdista, que lançou caras como Nelson Rodrigues e Paulo Francis (só para ficar nos que tornaram-se direitistas históricos).

No mesmo dia que acabei com a leitura, li a entrevista de Silvio Pereira: "essa coisa de mala de dinheiro do PT para o PTB é mentira. Isso é coisa..." do tempo de Getulio completaria eu, se não desconfiasse que tem gente que ainda usa os métodos antigos.

Fico triste de ver que 30 anos depois os dois lados da Política continuam financiados pelos mesmos grupos econômicos? Não. Fico feliz de saber que tem gente que contesta isso. Por que a realidade é essa mesma.

Agora talvez tão ruim quanto isso é não haver um jornal diário que represente algum tipo de contestação a essa imprensa marrom, que vive de receber um ou outro anúncio governamental. Décadas se passaram e a Imprensa sim. Só piorou.

A Política talvez tenha melhorado. Aqui na Assembléia Legislativa há espaço para gente como Augusto Coutinho e Roberto Leandro. Gente que, falo sem conhecer a realidade do pefelista, pelo menos questiona as fontes de financiamento. O resto é resto.

Mais do mesmo

Quem continua lendo esse blog tem que gostar muito de mim mesmo. Por que a pessoa só atualizar quando alguém reclama como estou fazendo é muita falta de vergonha. A verdade é que tenho estado com a cabeça voltada para o trabalho, e estava tentando fazer um blog apolítico. Afinal, minhas idéias de campanha "à moda antiga" não seriam muito bem encaradas pelos companheiros petistas. É que tudo que disser pode ser usado contra Roberto Leandro, que já tem gente demais para detonar a imagem dele.

Já pensou eu escrevendo aqui minha idéia pouquissimo original de (AUTO-CENSURADO)

Bem, isso até causa uma ou outra piada, mas pode ser muito mal interpretado. Mas a verdade é que diante da minha crescente empolgação com as próximas eleições estou pensando em voltar a escrever sobre eleições. Talvez ajeitar o visual desse site, destruído por mim mesmo a quase um ano. E voltar a ficar escrevendo com mais constância.

Bem, vejamos se esse teste tem alguma reação.

18.4.06

Lá na beira do mar
Vou jogar uma rede
Pra poder descansar

Lá, onde o tempo parou
Procurar a certeza
Pra poder voltar

Engraçado como Jorge Cabeleira conseguiu fazer uma música sensível?

12.4.06

Quando eu morrer, me enterre na latinha, time de fresco, é aquele da Cobrinha

Eu não quero missa de Sétimo Dia.

Quero que Mateus se lembre de mim num beco escuro de Paris.
Que Rafa quebre uma lança-perfume de tanto cheirar nas ladeiras de Olinda.
Que Julia durma tranquilamente no quentinho de uma rede numa praia bem deserta.
Que Dani ria de uma roubada maior ainda do que a que já meti ele.
Que Julio aumente dez vezes o quanto ia falar mal de alguém em minha homenagem.
Que Chico faça um filho mais bonito que o do pai dele.
Que Bruna tome banho na água mais verde que Olinda possa ter.
Que Paulinho fique tratando uma belota enorme para fumar sozinho e sem pressa.

E eu vou estar com as pernas em cima da mesa, comendo uns pãezinhos de queijo, esperando o prato preferido do meu pai, lá no Marruá do Centro de Convenções. O céu existe!

29.3.06

Narizinho quebrado

São Francisco de Assis era feliz?
Dona Raquel era feliz?
Minha mãe ainda pode ser feliz?

Pensava aquilo ali. Deitada na cama. Felizmente o último cliente estava indo embora. Por que alguns caras demoram tanto? Parece que ficam procurando um ombro para se encontrar. Ops, encostar. Acho que já bebi demais hoje. Seis caras, nenhuma trepada boa, pelo menos o primeiro era um cara super inteligente. Pena que conversa não faz a gente gozar. Tive que descer para fazer o babaca ir embora da minha casa. Gordo, feio e o pau dele ainda é fino! Queria distância logo.

Ele pelo menos me ofereceu carona. Eu tenho carro, respondi. Só que resolvi ir andando ali comer alguma coisa. Sei lá, acho que foi pressentimento mesmo, pois nunca faço isso. E logo que entrei na padaria vi aquele menino e fui sentar na mesa dele. Gostei de deixar ele errado. Encontrar a puta que você nem conseguiu comer ontem, indo para a padaria junto de casa não é o sonho de nenhum dos meus clientes. Mas até que o estranhamento dele me causou um certo interesse.

- Estou indo para o trabalho.
- Estou saindo do meu.
- Eu nunca tinha feito isso.
- Você não precisa me explicar.
- Sou casado... Para você isso deve ser super comum.
- Para dizer a verdade eu apenas não sei.
- Evita perguntar né?
- Nem isso. Você tem filhos?
- Só ela.

Eu sei que vai parecer ridículo dizer isso, mas ver Maria com a fardinha do Instituto Capibaribe me deixou louca para conhecer aquele cara. A menina era bem diferente de mim. Despachada. Nada haver com a pirralhinha queridinha de Dona Raquel, que fez questão de fazer primeira comunhão só para não decepcionar a velhinha. Mentira, né? Pelo menos, eu ganhei uns super presentes no meu batizado. Mas é como se tivesse sido corrupção bem feita, tráfico de influência sem que ninguém tenha falado no assunto. Não disse ao meu queridinho que tinha estudado no Capibaribe. Só fiquei ali espiando a filhinha dele.

- Olha, quando estiver afim é só ligar.

Essa foi foda. O cara brocha e ainda recebe um vale. Não podia ter me saído pior. Mas era que também não ia ficar ali conversando com o pai da menina na frente dela.

6.3.06

Amigos

O bom é que eles são para todas as horas.
Para tomar 10 ou 12 saideiras.
Para perder de você mesmo jogando melhor.
Para ouvir suas merdas mesmo que não façam sentido.
Para rir da sua desgraça.
Para chorar com o nosso prazer.
Para dizer que tem vários caminhos.
E para te ajudar a seguir o seu coração.

1.3.06

As mais ricas cinzas

Uma flor na mão dela;
Marca a chama que não se apaga.

A neve que cai devagarinho;
Aquece uma paixão dividida.

Uma foto na hora exata;
Lembrança do amor passageiro.

Até o furo que nunca fiz;
É saudade do proibido.

A leveza da trapezista;
Faz dos opostos parecidos.

18.2.06

Queixada, Gregório e o James Dean parisiense

João Victor (www.vigiadanatureza.blogger.com.br) tem um post muito engraçado sobre a estátua de Ademir de Menezes, que fica na Praça da Bandeira. Para falar a verdade, nunca prestei atenção nessa estátua, apesar de falar muito do artilheiro, que é um dos maiores símbolos da união das torcidas do Vasco e do Sport. É que essa parceria foi a forma que meu pai encontrou para me fazer torcer pelo time de Roberto Dinamite.

Mas acho interessante que ela exista. Assim como o fato de João Paulo ter criado a Ponte Gregório Bezerra. Me incomoda muito o quanto somos completamente analfabetos sobre a história do lugar onde moramos. Minha mãe é a pessoa que conheço que mais sabe a história do Recife. Se você pedir ela conta com detalhes a história de como umas mulheres de Casa Forte foram para as janelas, com panelas e assim impediram que o engenho fosse destruído pelos (holandeses? portugueses?).

Bem, como dá para notar, sou ignorante mesmo. Mas explico. As palavras dela daqui a 50 anos vão morrer. Placa na Praça de Casa Forte não tem, nem em nenhum outro lugar que lembre isso. Talvez o nome Avenida 17 de Agosto seja uma referência a esse momento histórico, mas eu não sei nenhum livro em que eu possa ter certeza disso? Quer dizer, como é que podemos viver num País tão sem memória?

Me lembrei disso porque na França fomos na casa onde Graça morou quando era adolescente. Tinha uma placa sobre o pai do amigo dela, que segundo ela era um James Dean do cinema francês dos anos 60, que morreu perto dos 30 anos. É mais ou menos como ir na casa de Dona Jaci e ter na frente uma placa dizendo: "Aqui viveu o ministro da Agricultura, Oswaldo Lima Filho, que foi deposto pela Ditadura Militar e teve sua vida dedicada ao homem do campo nordestino. Tendo sido também deputado federal constituinte e recebido nota 10 por avaliação de entidades sindicais em 1989".

Simples né? Ninguém fez. Os livros sobre ele existem, mas são burocráticos.

Mas isso não é o pior. Como é que se passa na pracinha em frente ao Ibama e não existe nada para homenagear Gregório Bezerra. Quantas histórias lendárias o CPOR viveu, por conta desse homem que era analfabeto até os 18 anos. E quantos outros caras têm histórias tão importantes ou menos importantes. E todos, ou quase, com poucas ou nulas referências que nos lembre dele.

Isso é só para explicar que queria muito fazer um mestrado em história. 2007 vem ai.

15.2.06

Latinidade européia

Desci em Barcelona no dia 17 de janeiro. Andei todos os metrôs do mundo com um montão de malas. Váarias pessoas se ofereceram para me ajudar. Quando cheguei no prédio de Helena já estava adorando o lugar, nem tanto pelo elevador (que me salvou de um colapso de cansaço), mas principalmente pelo calor humano: "Leninha, todas as mulheres dessa cidade estão dando em cima de mim!". Ela me mandou ter calma, não é bem assim mesmo não.

A cidade me lembra o Rio. Um povo sem frescura que adora tomar uma clara, que não chega para conversar do nada tanto quanto os espanhois (eles são catalães), mas que demonstra muito carinho e vontade de viver. As belezas naturais somadas com as arquitetônicas se não batem pelo menos equilibram com o que vi na capital fluminense (claro, sou muito mais de natureza do que arquitetura). Parque Gwell, Montjuic, Bairro Gótico, o Porto, Barceloneta, as Ramblas, Praça Real, La Pedrera, Sagrada Família. Muita gente vai achar que é a cidade mais bonita do mundo. Eu mesmo tenho uma certa tendência a achar isso.

Achei que meus amigos estavam morando muito bem em Barcelona. Fiquei fã totalmente de Lela e Pedro, porque de repente são pessoas tão calmas e estão fazendo uma vida super cheia. Depois de morar na Italia, estarem vivendo e trabalhando e estudando com tanto gosto na Catalunha. E ainda são um casal que parece se gostar pra caramba. O resto do povo não fique com ciúme, tenho meus motivos para me identificar com aqueles dois.

A noite de Barcelona seria o atrativo principal para a maior parte dos meus amigos. Como eu descobri que realmente não tenho nenhum gosto pela vida noturna, só fiquei achando aqueles barezinhos uma coisa muito do caralho. Fui numa boite com Miguel e a gente se divertiu pra caramba, saímos de lá de manhã. Tinha também um bar de jarra de cerveja. E, claro, adorei sair ponteando em barezinhos, bebendo cerveja e comendo uma ou duas tapas em cada porta.

Pena que tinha de ir logo para Madri. Mas Miguel me animou: "a noite de lá é muito melhor do que a daqui!" Como pode? Bem, eu realmente não sou a melhor pessoa para avaliar. Meu território de interesses é bem diferente da maioria dos caras de 27 anos (maio está chegando). Wendy estava meio doente quando eu cheguei. Em compensação já estava adorando andar naquelas cidades sozinho (em Paris, as vezes queria ficar fazendo as coisas com Mateus. Forçando a barra. Mas depois descobri que os interesses de cada um são muito diversos).

De repente podia parar para comer um bocadillo de calamares quando bem entendesse. Delícia! Ou então ir no Santiago Bernabéu fazer uma visita e resolver comprar o ingresso para o jogo que ia acontecer naquela mesma noite. Real Madrid x Betis. Tive que adiar minha ida para Lisboa por um dia, mas valeu a pena. No fim Wendy ainda ficou melhor e pôde fazer um passeio pela cidade comigo e eu ainda conheci a Escola de Teatro.

Lisboa compete com Barcelona para ser a melhor cidade para um brasileiro morar na Europa. Tudo bem, tem tanto brasileiro que o povo português deve mesmo ter um pouco de preconceito (apesar de eu não ter sentido em nenhum momento, ao contrário do que aconteceu na Suiça). Mas é linda. Tem um povo muito simpático. Que fala português (cansa estar falando a língua dos outros). É uma puta capital (com cinemateca e tudo, como faz falta uma coisinha dessas). Mas tem um clima super tranquilo.

Lisboa foi só festa. Felicidade de ver João. A saudade de Chico já estava perto de terminar. Os amigos de Johny foram todos super legais comigo, parecia que eu já fazia parte daquilo tudo. Só me arrependi de não ter passado uma madrugada colando cartazes com Pedro. Nevou quando fomos comer um pastel de belém. Histórico! Trouxe o jornal: "Há 50 anos não nevava assim", dizia a manchete.

Bacalhau, arroz de polvo, vinho barato pra caramba, a melhor mostra de vinhos grátis do mundo (na Praça do Comércio, o cara sai bêbado se tomar tudo o que a galera oferece). Bem, é muito mais barato que na França e pelo menos tão bom quanto a comida de lá. Me desculpem os franceses. A da Espanha fez minha cabeça pela desorganização, tudo é um grande petisco. Na Suiça, só provei mesmo fondue e raclete (um queijo que se derrete na mesa, antes de botar no pão ou batata).

A Feira da Ladra é muito legal. Tão bom passear naquelas ruas. De repente você acha uma livraria de livros infantis, em cima da Alfama, do lado do Castelo de São Jorge, onde se fala português e uma mulher lia um livro para umas trinta crianças. Uma coisa muito mais linda do que a do filme de Meg Ryan. E olha que uma livraria daquelas já seria apaixonante.

A noite de Lisboa é tão boa quando a da Espanha. E ainda tem a vantagem de que a língua oficial é o português. Mas isso eu digo porque... Vocês já sabem. No meu último dia lá, era aniversário de João. A italiana que mora com ele, Francesca, desbancou a minha promessa de fazer uma muqueca e fez uma massa (que eu ajudei a preparar). Por sinal, são três meninas lindas que moram com o cara. Marta é da Colombia e Libb do Mexico. João está bem pra caralho! Só ele ainda não tem certeza disso. Nuria também é outra menina muito especial. Enfim, vou parar de dizer que o cara está com a vida que pediu a Deus. Até porque sei que tem muitas dificuldades também.

Saí de casa e o motorista tentou me enganar, mas português é foda: esperou aparecer a placa de aeroporto para dar o arrudeio. Eu fui bem claro: "prefiro ir pelo caminho que está sinalizado". ELe obedeceu. Peguei o avião e no mesmo dia estava em Recife. Quando cheguei no Aeroporto as malas demoravam e minhas pernas tremiam de saudade de Chico. Que bom estar de volta. A vida chama. O sonho é bom porque dura pouco. Vou trabalhar.

13.2.06

Um inesquecível janeiro

Nunca fui de veranear. Meu único veraneio inesquecível foi um janeiro em Ponta de Mangue, quando aprendi a velejar. Pena que quando tive chance eu não repeti a dose. Agora também tenho um inverno que não vou esquecer nem tão cedo.

Fomos para o apartamento de Graça na Rua Oberckampf no dia 2 de janeiro. Eu, Julio e Mateus. O lugar é absolutamente lindo, tem uma entrada que parece o cenário da cena de Antes do Pôr do Sol em que Julie Delpy leva Ethan Halke (sei que esse nome está errado) para conhecer o apartamento dela.

O apartamentinho é todo transado, mas nem fizemos tanta coisa nele. Um dia recebemos Mauricio Silva e enchemos a cara de vinho, para depois o vizinho de baixo ficar reclamando. Outro dia cozinhei uma coisa gostosa pra caramba. Mateus dormiu pra caralho, como sempre. E Julio Cavani infelizmente perdeu a chance de comer uma gatinha ali.

Museus, museus, museus. Tudo bem, me sentia um ignorante tábua rasa com todas as informações que Mateus tinha sobre aqueles quadros. Julio e João ainda dava para eu enrolar, com um pouco de sensibilidade. Mas pelo menos perdi o medo de ser um ignorante completo que odeia exposições. Pontos altos: Big Bang (no Pompidou), Vienna 1900 (Grand Palais) e a visita ao acervo do Musée D`Orsay (Degas e todos os impressionistas... Fuderoso!). O Louvre é gigante, impressionante, mas eu não consegui desvendá-lo em minhas sete/oito horas de visita (ponto alto foram uns quadros gigantes renascentistas. E o ponto baixo foram dez euros gastos em um retalho de pizza massudo e uma coca-cola choca).

Saídas na noite parisiense? Para dizer a verdade ficou entre eu não gosto de noite e a gente não teve sorte em Paris. O mais engraçado foi ver a cara de Julio Cavani depois de ser barrado em duas boites: Dado, você á mais bonito, tenta entrar nessa ai. Eu pago. Quanto é? 20 euros. Paga ai Julio. Passamos 20 minutos e voltamos para casa. Noite merda da porra. Como ensinou Mauricio é melhor comprar uns vinhos e beber com alguém, mas só fiz isso uma vez na casa de Carol Barreto. Uma outra saída foi bem legal, mas eu nem conto quanto eu gastei. Juro que não bebi nenhum cerveja de seis euros, que é o preço básico nas boites.

Depois que os meninos foram embora ainda fui para Nanteuil. Queria ter passado mais tempo lá, com Graça, Pedro e Patrice. Mas foi legal. Próxima vez vou até Chantilly de bicicleta. Dou uma volta de cavalo com Graça. Convenço Patrice a me deixar cozinhar um dia. Enfim, tem várias coisas a realizar ainda. Além de levar Chico no Parque Asterix, La Villete, alugar um barquinho a vela miniatura nos jardins de Luxembourg, ir no Castelo de Versailles com os pirralhos de Maurício e Anne...

Despedida histórica. New Morning, um dos maiores templos do jazz parisiense. Valia só pelas fotografias naquela parede. O show de Aldo Romano e Andrea Cicarelli (evento do início do ano em Paris, dizia o Liberation) foi um plus muito legal. Trouxe uma coleção de jazz antigo comprada lá, que queria ter dado de presente a minha mãe, mas dei bobeira (achei que ela não ia gostar...). Como é que a pessoa descobre o presente ideal, e fica inseguro depois?

Está ficando gigante. Depois conto como foram meus dias de Península Ibérica.

11.2.06

40 dias de um macaco tomando vinho

Há nove anos, era Carnaval e eu já sonhava em ir para a Europa. Não é possível escrever todas as historinhas dessa viagem em um post, mas vou me esforçar para escrever pelo menos aquelas mais óbvias que quem está me encontrando aqui em Recife já cansou de ouvir. O título está meio trash, mas é que na estação de esqui (Murren) nos Alpes suiços me senti isso mesmo. Comer um fondue naquele lugar, a três metros de altitude, não é uma coisa que eu faça no meu dia-a-dia.

O primeiro dia de Paris já foi lindo. É ridículo a pessoa conhecer um lugar superficialmente, mas tem lugares como o Rio e Paris e Barcelona que vale a pena se for sua única opção. Se tiver chance indico que a pessoa more um tempo em qualquer uma dessas cidades. Tinha visto recentemente Os Sonhadores de Bertolucci e fui ver a vista da Torre Eifell justamente do Trocadeiro (a antiga Cinemateca). O Louvre é gigante. As ruas são lindas. Sensação de irmandade com Pedro. Enfim, foi bom sentir o cheiro da França.

No dia seguinte fomos para a ceia de Natal dos Rabaroux. Tive a minha segunda experiência com a mais típica piada francesa: 1 (no aeroporto) - vejo o cara dizendo que não sabe falar inglês, me aproximo e pergunto em francês macarrônico pela minha mala, ele me responde em perfeitamente intendível língua de Shakespeare. 2 (no jantar) - a mãe de Patrice me dá as boas vindas e tal, "não sabe falar francês... Mas com certeza fala inglês." Com ar de desdem. Tenho culpa se os americanos têm o triplo do PIB da França e ainda habitam um certo continente chamado América? Bem, dei meu troco, semanas depois faria um cordeiro no curry bem melhor do que o que comi naquele dia e vou repetir assim que tiver um carro para ir comprar a carne no Mercado da Madalena (viu Simone/Mateus, foi mal a promessa antecipada, mas um dia sai).

Nancy, Strasboug, Berna. Uma rápida viagem para a Suiça. Em família, eu, Graça, Pedro e Patrice ficamos na casa de um casal suiço que tem três filhos. Uma família linda, que mora perto de Interlaken (uma das principais áreas de esqui da Europa). Aquele País é todo um cartão postal. Fica mais ridículo ver os restaurantes de Gravatá depois de estar ali... A história típica: derrubei uma alemã esquiando, a cinco quilômetros por hora. Ela botou para gritar em alemão. Queria me processar. Eu só entendia o BREZILIEN, mas dei meus contatos e ela foi retirada de helicóptero. Não teve nada, era só esparro de uma saudosa compatriota de Hitler (um amigo meu disse que eu devia ter perguntado se ela estava com saudade do Nazismo, quando contei essa história toda).

A história mais típica de todas. Caramba, juro que essa é a última vez que conto isso. Reveillon. 31 de dezembro. Na frente da Sacre Couer. Eu e Pedro encontramos João (que saudade!), Clarinha, Julio, Mateus e mais uma galera. Cachaça, cerveja, vinho, champanhe e uma smirnoff ice. Depois de meia noite a gente ainda estava perdendo em gritaria para os italianos, mas Pedro começou a fazer o maior sucesso. Bonne Anne! Duas horas da manhã, estava completamente embriagado. Vamos voltar para casa. Os meninos seguiram o passeio. Entramos no metrô (Garre do Nord). Nego sendo preso adoidado. Enfrentando a polícia para se fuder. E tropa de choque é a mesma coisa em qualquer canto. Bate primeiro para depois perguntar. Depois de ver umas quinze prisões, finalmente conseguimos entrar num RER que nos levaria para perto de Nanteuil (o trem só sairia de 9h). Quando começou a andar um negão do meu lado grita: Seus otários, bando de corno, nem me pegaram! Para quê? Entraram uns trinta policiais metendo porrada no cara e tiraram ele do trem. Meia hora depois Graça pegou a gente em Mitry Claye. Coitada!

Depois faço outro post contando como foi meu primeiro mês de 2006.

7.2.06

O ano da virada

Na minha Sexta Série eu fiz um livrinho lindo, que tinha suásticas coloridas na capa e foi assunto de muita discussão entre as professoras do Instituto Capibaribe. É que além da capa tinha uma uma redação que foi super elogiada, e lida em voz alta na frente da turma, por Débora Suassuna e uma outra sobre o Carnaval de Olinda.

Eu sempre ia passar os Carnavais da minha infância nas casas que minha mãe alugava. Um saco! Eram os pirralhos (Tuti e os irmãos Cavani) brincando de boneco e eu meio ali perdido. O que mais odiava era quando Inalda ou Ana Simões vinham me obrigar a participar de algum bloco, Tereza era a única que não tinha esse tipo de atitude.

Naquele ano, 1989, não sei porque motivo acabei ficando o Carnaval com meu pai. Ele não era um cara de se programar. Muito menos de pensar coisas para fazer com os filhos. Muito menos numa Terça-feira de Eu acho é pouco. Fomos juntos. Deve ter sido um saco para ele, mas para mim criou todo o prazer mítico de viver esses quatro dias.

Me lembro de procurar o bloco pelas ruas de Olinda. Parecia uma coisa tão importante. Correr para pegar a chegada no Bêbado e o Equilibrista. Tomar meu primeiro porre de lança, das mãos do meu pai. Me interessar pela primeira vez por uma menina que não se chamava Helena Marques (e que anos depois veio me dar um beijo num Sábado de Zé Pereira, como será o nome dela?).

Mas na minha redação o que mais me chamava a atenção era uma disputa que houve. Sobe ou não sobe a Misericórdia? Claro que sobe. "Criança sobe de ré!", me ensinou papai. E a frase parece que acabou virando uma tradição familiar (ou já era?). Com certeza estava muito mais fresca do jeito que escrevi no meu livrinho, mas a memória continua me dando muito prazer. E o bloco também. Apesar de só ter entrado na festa de 3 horas da manhã, dada a falta de ingressos. Eu acho é pouco.

2.2.06

Desorganizando posso me organizar




Viajar é preciso








Umas poucas fotos da segunda parte da viagem. Barcelona, Madrid e Lisboa. E uma foto do pirralho que eu estava mais morrendo de saudade, com a roupinha que eu Graça e Pedro demos para ele.

16.1.06

Duas historias

Odeio escrever sem assento. Estou saindo da França amanha. As minhas férias agora seguem para Barcelona, Madrid e Lisboa. Rapidamente vou estar de volta ao trabalho. Carnaval e tudo mais...

Estou sem muita poesia para escrever. So para dizer que viajar é a melhor coisa do mundo e que cada vez mais vejo coisas que queria fazer com Chico por aqui.

20.12.05

Férias

Ainda queria falar sobre a morte de Tiago João da Silva. Um cara de 18 anos. Conhecido desde os 11 pelo apelido de Menino-Aranha. Adorava sair em jornal. Foi assassinado pouco tempo depois de sua cara ser divulgada pelo Diario de Pernambuco. O Jornal do Commercio ainda resistiu a tentação. Não acho que tenha sido coincidência. Para mim, os 17, 20 ou 24 tiros poderiam ter sido evitados com um pouco de responsabilidade editorial. Lógico que o Estado também tem sua responsabilidade, até maior, por não conseguir ressocializar ninguém (e falo isso depois de ter ido em quase todas as unidades da Fundac em Pernambuco). Mas é triste ver que a burrice da Lei só não é maior que a nossa ganância pelo lucro (!?) fácil.

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Mas esse blog entra definitivamente de férias a partir desta quinta-feira. No fim de janeiro estou de volta. Paris, Nancy, Bernna, Paris, Nanteuil, Barcelona, Madri, Lisboa. Quem sabe não consigo botar uma foto aqui.

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Aos que eu não consegui falar tudo de bom. Nada de devagar e sempre. Prazer em doses cavalares é necessário. Bom Natal e Feliz 2006!

29.11.05

Crônica de uma tragédia

ARTIGO

Nasci em 52, mas estive na final de 50

Publicado em 29.11.2005 no Jornal do Commércio do Recife

ANTONIO AZEVEDO

Finalmente, sei o que sentiram os 200.000 brasileiros que estavam no Maracanã, em 1950. Vivo no Recife há cinco anos e aqui redescobri o ambiente de futebol que vivi em São Paulo nos anos 60, e como bom santista não tenho outro time a não ser o meu. Entretanto, pelo ambiente familiar que reina nas ruas e nos estádios daqui, vou freqüentemente aos jogos dos times locais. No sábado optei pelo jogo dos Aflitos. Provavelmente eu era o único entre os 21.950 torcedores do Náutico que não vestia a camisa alvirrubra, os outros 50 vestiam a do Grêmio. Sem entrar em maiores detalhes da partida, conhecidos por todos, eis o que presenciei: durante os 25 intermináveis minutos de paralisação: os torcedores rezavam, andavam de um lado para o outro, sentavam, levantavam e vibravam a cada nova expulsão. Eu torcia para que houvesse mais uma e acabasse o drama, sim, o drama, pois via os jogadores do Náutico se portando como os torcedores e temia pelo desfecho, pois o técnico, como todos lá presentes, também sem controlar as suas emoções, em nenhum momento reuniu a equipe e montou uma estratégia para os 10 minutos restantes, para usar com a vantagem de quatro jogadores.

De repente, pegaram a minha mão esquerda, era um menino de nove anos, que me disse que daria sorte. Quase simultaneamente um senhor fez o mesmo com a minha mão direita, a corrente espalhou-se pelo estádio, e quando olhei para a área do Náutico, o zagueiro Batata, o goleiro e mais outro jogador estavam ajoelhados e também de mãos dadas, rezando, quando houve a defesa do pênalti, Kuki e outros jogadores se jogaram ao chão em desespero.

Mas o time e a torcida prepararam-se psicologicamente para uma decisão naquele pênalti, esquecendo que ainda havia preciosos 10 minutos a jogar, com 11 alvirrubros contra sete gremistas. Logo a seguir, a torcida foi tomada por um sentimento de desespero, impotência e frustração jamais vista por mim em nenhuma outra situação: vi vovôs, vovós, garotos, garotas e crianças chorando copiosamente, sem saber o que fazer, vi inúmeros torcedores falando sozinhos, clamando a Deus o porquê daquilo, gente na rua, que de repente, dava meia-volta em direção ao estádio, como se fosse possível voltar o tempo, vi gente andando e sem mais nem menos, de repente, parar, sentar no meio-fio e começar a chorar, vi inúmeros amigos amparando outros em tentativas inúteis de consolo e, sem sucesso, juntavam-se num abraço sofrido e vi muitos outros alvirubros sentados e sem força para sair do estádio, pois não sabiam para onde ir e nem o que fazer...

Eu que tanto li e ouvi a respeito da comoção do Maracanã e que, na década de 60, na minha primeira visita a esse estádio sentei na arquibancada vazia e fiquei imaginando aquele fatídico dia, hoje posso afirmar: eu, que nasci em 1952, também estive naquela final de 1950 !

Antonio Azevedo é paulista

27.11.05

Só sendo

Tudo deu errado.

Me fudi.

Num tinha mais o que fazer.

Comecei a me desesperar.

Nem fugindo.

Fudeu!

Ai me lembrei:

Podia ter nascido alvirrubro.

Comecei a rir...

Ps: Juro que torci mais do que muitos torcedores do Nautico, mas foi a coisa mais surreal que já vi no futebol.

24.11.05

Diálogo recente

- Meu irmão você num tem vergonha não. Mentiu o suficiente para uma vida inteira dizendo que as passagens iam baixar com a saída das kombis.

- Caralho! Tu não vais mais para o céu não.

- Eu só escrevia porque o meu chefe mandava.

- E eu acreditava naquele papo do prefeito.

- Eu tô ligado... Preocupado com todas as pessoas do Recife que vão procurar emprego a pé...

- Quantas vezes eu não coloquei aqueles índices no papel?

- A gente tinha tudo decorado. Ainda bem que já esqueci tudinho.

Só ficou mesmo o sentimento de um esforço enorme feito em vão.

Eu aprendi.

22.11.05

R$ 0,15 centavos

Eu que pego ônibus todo dia acho que não faz diferença nenhuma o aumento das passagens.

Isso de achar que o povo está preocupado com as moedas é coisa de maluco do PSTU.

Se pessoas sérias como o prefeito João Paulo e o governador Jarbas Vasconcelos aprovaram eu tenho mais que dar com prazer as moedinhas.

Aliás, eu nem dou. Deixo de receber.

Tudo bem que sempre tem aquela surpresa. Cadê? Com o um real que eu tinha eu poderia voltar, se... O velho se?

Mas para que voltar para casa de ônibus. Estou tão fora de forma, preciso mesmo de umas caminhadas.

Dá para fazer os 12 quilômetros entre o trabalho e minha residência em pouco menos de três horas.

Eu acho até que o prefeito zen deveria dar uma declaração mostrando o valor que a caminhada tem.

E talvez Jarbas podesse dar o exemplo e ir e voltar para sua casa, tão pertinho do Centro, caminhando.

Ele ainda poderia comprovar a segurança transmitida pela Secretaria de Defesa Social dispensando os oficiais que fazem sua segurança particular.

Agora absurdo é um monte de desordeiros virem agredir o Batalhão de Choque e destruir a propriedade privada.

E, crime mais grotesco ainda, muitos eram meros cidadãos travestidos de estudantes. Afinal, só quem tem direito a andar de ônibus são os alunos que possuem Passe Fácil.

Talvez a lógica seja essa mesma. Proibir através do preço a utilização do transporte público pela população adulta, claramente fora de forma e precisando de exercício físico.

Eu não vou nem falar em Privatização. Regulação. Corrupção. Quilômetro rodado. Fabricação de números. Financiamento eleitoral.

Eu só queria mesmo achar um paralelepípedo para jogar na cabeça de nego (sem conotoção racista, por favor).

11.11.05

Release de engenheiro

Não conheço muitos assessores de imprensa que gostem da profissão. Devem existir. Mas a maioria acha o trabalho desnecessário e chato. Afinal, para que escrever uma coisa de forma agradável se o repórter vai pegar nos seus calos na hora de fazer a matéria. E se é para contar com um jornalista comprado seria melhor para o assessorado pagar o ?jabá? diretamente para quem está na redação.

Bem, de vez em quando a gente se pega lendo uma coisa que lhe leva a pensar um pouco diferente. Veja o mal que o corte de custos as vezes causa a uma empresa. Vejam esse e-mail que recebi hoje (detalhe, não sou usuário e nunca comprei nenhum produto da Jinx):

Caros usuários,

O FutSim foi lançado em abril de 2003 e já está perto de completar três anos (NÃO COMPLETOU NEM O PRIMEIRO MANDATO). Isso se não contarmos os três anteriores ao lançamento (período de desenvolvimento (QUE DUROU MAIS DO QUE A EXISTÊNCIA DO PROJETO).

Nesse período, a Jynx Playware passou por uma série de mudanças estruturais e estratégicas. A empresa, que inicialmente nasceu para desenvolver o projeto, em 2004 encontrou um nicho de mercado muito mais rentável do que o do FutSim.

(JÁ QUE SÓ TEMOS COMPROMISSO COM O LUCRO FÁCIL...) Desde então, naturalmente a empresa foi mudando seu foco de negócios e acabou
entrando definitivamente no mercado de jogos sérios (CARALHO! ESSA FOI DEMAIS! JOGOS SÉRIOS! DEVEM SER MAIS CHATOS QUE O FUTSIM! E O PRODUTO DELES NÃO ERA SÉRIO POR QUE MESMO? CONTRAVENSÃO? IMORALIDADE?), onde hoje está estabelecida e em constante crescimento.

Nesse meio tempo, o processo natural de ?envelhecimento? do FutSim foi acontecendo. Hoje, chegamos ao ponto onde precisamos focar nossos esforços em outros projetos mais alinhados ao nosso planejamento para o futuro e não temos recurso para deixar o FutSim rodando estável e implementar novidades (OU SEJA, O JOGO É UMA MERDA MESMO).

Por esses motivos, é com pesar que anunciamos que o jogo será descontinuado a partir do dia 31/11/2005. A todos que efetuaram pagamento de assinatura (inclusive os que não chegaram a ter as contas liberadas), estaremos devolvendo a quantia proporcional ao tempo restante, contando do dia primeiro de novembro até o final do prazo. Para isso, cada pessoa deverá seguir um procedimento
simples, descrito no último tópico desta mensagem. (COMO EMPRESA FILHA DA PUTA EXIGIREMOS UM PROCEDIMENTO DESNECESSÀRIO PARA QUE VOCÊ SEJA RESSARCIDO PARCIALMENTE, QUANDO POR DIREITO DEVERIA SER PLENAMENTE RESSARCIDO. ASSIM, ESPERAMOS LUCRAR UM POUCO MAIS COM OS OTÁRIOS QUE NÃO SE TOCAREM QUE PAGARAM POR UM PRODUTO QUE NÃO RECEBERÃO PLENAMENTE).

É importante ressaltar que a partir de hoje não estaremos mais fazendo cobranças e não estaremos dando suporte técnico (DEIXOU DE DAR SUPORTE AUTOMATICAMENTE), relacionado ao jogo, por e-mail ou telefone. Apenas estaremos esclarecendo dúvidas e gerenciando o processo de ressarcimento das assinaturas, através do e-mail encerramento@futsim.com.br.

Agradecemos a todos os (OTÁRIOS) que estiveram conosco todo esse tempo. Esperamos, em breve, poder estar juntos novamente.

Abraços,
Equipe FutSim.

3.11.05

O jardineiro fiel

Fazia tempo que queria ir ver esse filme. Mas estava meio sem saber o que esperar. Claro que não é um filme brasileiro. É mais um filme de Hollywood. Só que tem um diretor brasileiro. Para mim isso é muito. Torço por brasileiro na NBA, futebol europeu... Por que não torceria por um diretor de cinema que entrou no mundo do cinemão.

U$ 25 MILHÕES. É HOLLYWOOD DA PESADA!

Agora o que achei. Acho muito parecido com a trama de O Informante. É o mesmo jogo de intrigas. Falam muito de um tom social, próximo das favelas africanas (tinha escrito européias). Exagero do caralho!

Fernando Meirelles sempre foi o riquinho mesmo.

Mas isso não importa. O filme é excelente. Me surpreendeu em vários momentos. Joga com várias informações ao mesmo tempo. No meu complexo de corno do caralho fiquei com uma pena do caralho de Ralph Phienes até o meio do filme.

A minha única raiva é da propaganda do World Food Program. O mercado da charity agradece (isso é uma piada interna, que infelizmente Inalda não vai ler). Mas nisso eu já estou voltando para analisar a Política por trás da película.

Num tenho jeito.

Para alguns, talvez o casal negro e branca pareça um pouco idealista demais. E o diplomata é passivo em excesso para minha visão latina. Mas o interessante é que o esquema de corrupção que aparece é muito real. E, quem não é burro, se diverte.

Aula para quem viveu ou viverá assistindo negociatas.

27.10.05

Homo Sapiens

?As pessoas acham que hoje vivem mais para o prazer do que no passado, mas isso é uma grande ilusão. Todo mundo trabalha como louco, chega em casa moído, não tem tempo para nada e vive obcecado com a busca do prazer instantâneo em doses cada vez mais altas?, resume o psicanalista Jurandir Freire Costa.

Se "as pessoas" diz respeito aos Homo Sapiens Sapiens eu estou fora.

21.10.05

Pandemia

Jornalista é uma raça incompetente mesmo. Faz mais de uma semana que ouço falar na gripe aviária diariamente. Sempre se usa a palavra Pandemia, mas ainda não sabia o que isso significava. Sempre ficava esperando um aposto explicativo, mas ele nunca vinha. Então fui no dicionário:

Pandemia é uma epidemia que atinge num curto período de tempo as populações de numerosos países.

É bastante grave, não dá nem para pensar que os caras não explicam para causar mais medo ainda nos leitores/ouvintes/telespectadores. Ou seja, é incompetência muita mesmo. Agora eu acho que a quantidade de matérias sem aprofundamento que tenho lido só pode ser uma tentativa de fazer com que as pessoas pensem que o mundo vai acabar.

A Gripe Aviária tabela com a Febre Aftosa, mete na esquerda para a corrupção sistêmica, que recua para a gripe, cruzou, de cabeça, e a Febre Aftosa acabou o mundo. É gooooooooooooooooooool!

18.10.05

Viajar é preciso

Passei 24 horas em Petrolina. O que conheci foram as delegacias e penitenciárias. Mas achei muito legal o que vi no caminho.

Do avião a gente vê as formas geométricas da agricultura irrigada. Círculos de uva, retangulos de manga, diversas formas diferentes de melão.

Tudo bem que aquela riqueza toda pouco chega para o cidadão comum. Mas só daquela terra estar sendo aproveitada já acho muito bonito.

A cidade não é nenhuma jóia. Só não tem a sujeira toda de Recife, Caruaru. Mas também não é organizada como as cidades mais bonitinhas do Nordeste.

Voltei com um primo meu que trabalha exportando frutas. Maior empolgação com a safra de uva. É muito bom produzir.

Fico pensando na ironia de João Lima. "Esse negócio de arte, não está com nada. O negócio é trabalhar em café e comer bem".

É muito legal produzir arte, mas o saco é ficar andando em círculos. Falta, falta, falta. Dinheiro, dinheiro, condições.

Com a Política não é muito diferente. Aliás, as faltas da arte são em grande parte fruto das dificuldades do resto da vida.

Mas a verdade é que eu fiquei com a maior vontade de plantar mais e mais. Meus 100 pés de maracujá são tão pouquinho...

4.10.05

Volta às origens

Gosto de contar uma anedota que parece só ter graça para mim. Ia passando pela mesa dos mais velhos no aniversário do professor Marcos Lima quando me interessei por uma história que Dona Jaci, a viúva do saudoso ministro Oswaldo Lima Filho, contava:

- O maior ladrão que já passou por Pernambuco chamava-se Julio Maranhão.

- Meu bisavô Dona Jaci..!

Me parece que houve um momento de silêncio.

- Esse cara concorda com as piores coisas que você disser mamãe, salvou-me o aniversariante.

Infelizmente, o respeito familiar prevaleceu e Dona Jaci acabou sem contar mais nada. Fiquei sem ter o depoimento que viria a seguir. Mas ontem, em pleno ano de 2005, tive uma visão que me parece ser bastante semelhante ao que acontecia na época de Doutor Julio Maranhão à frente da Usina Jaboatão.

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Visita da Comissão de Defesa da Cidadania à Usina Salgado, em Ipojuca. Passamos a tarde lá. No ônibus os deputados Soldado Moisés e João Fernando Coutinho, ambos do PSB, iam mangando um pouco de Roberto Leandro.

- Essa estrela no teu peito parece mais um sol.

Fomos logo a uma pequena comunidade. Sítio Pistola. Por que será que tem esse nome?

Um trator derrubava algumas árvores para plantar cana-de-açúcar. Um morador, que estava no local há "apenas" 16 anos, contou o prejuízo que teve: foram 145 mangueiras, 80 coqueiros, sem contar os pés de macaíba, azeitona rocha, etc. A fonte de água que ficava a uns 20 metros de sua casa também foi aterrada.

- Não estamos derrubando nenhuma residência, a casa dele foi preservada. Explicou o empresário Marcos Queiroz, que mudou na semana passada do PT para o PSB e deve ser candidato a deputado federal.

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Conversei com uma liderança que é filho de um senhor de 91 anos. Nasceu no Sítio Zépojuca. A Usina Salgado reclama a posse das terras. Quem tem direito é quem tem o papel ou quem plantou uma árvore há 80 anos?

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Eu não vou mais me encher de contar essa história. Me envergonha que ainda estejámos vivendo o tempo de Doutor Julio Maranhão. Me envergonha a falta de jornalistas que tenham sensibilidade para um drama tão chocante. Salve Bianca Carvalho e a Rede Globo. Me envergonha a classe política. Salve os que continuam lutando dentro do PT e os que criarem novas alternativas.

Minha matéria está no site da Assembléia mas também não dá o sentido todo da coisa: http://www.alepe.pe.gov.br/inicio.php?secao=377&doc=021395DE882613BB032570900003860E