6.2.08

Evoluções carnavalescas


Já era Quarta-feira e o cansaço de fim de Eu acho é pouco não chegava. A dor das pernas, que tinham corrido Olinda de trás pra frente mais uma vez, ficou para trás ao encontrar Chico novamente. Levei ele para dentro do córdão.

- Você não que está sem camisa. (Paulinho)

Não queria fazer nenhuma confusão. Vim encostar ao lado da casa para assistir as evoluções do pirralho no estandarte do Eu acho é pouquinho. Quando a bateria mandou todo mundo abaixar, acertei um beijo na testa dele.

- Vai lá menino. Se fosse meu filho eu já estava derretendo de choro. (Ciara)

O pirralho tem um estilo próprio de evolução. Toma a brincadeira como obrigação. Meio que pra provar que no meio do Coutinho tem um Amorim. Ou que na pura desorganização tem um sentido. Uma evolução.

- Toma minha camisa Dado. Vai que isso tu não pode perder não. (Clemente)

Procurei seguir o estilo dele. Com as carreiras e paradinhas. Passos certos, sempre passando por trás de quem segura o estandarte do Eu acho é pouco. E fui jogando o vermelho e amarelo cada vez mais alto. Olhando para aquele menino que era só um projeto a tão pouco tempo.

- Agora sou eu que vou com Anna. (Luciana)

Fui encontrar Clemente que estava com minha camisa do Laço Branco, como quem diz que não precisa nem devolver o que era dele. Dessa vez, não teve palavras. Apenas um longo e carinhoso abraço de fim de Carnaval.

E lágrimas. Faço suas minhas gotas de felicidade. E vamos à vida que ela corre! Mas antes disso passei no Recife Antigo para ver o Patafu e bater cabeça com Xandinho e Raquel ouvindo Nirvana e um som totalmente de quando éramos adolescentes.
Foi um Carnaval bem vivido. Ainda bem que a tristeza veio no sábado para chegar na Quarta em êxtase.

31.1.08

Avec

No Carnaval de Pernambuco

Você acha que seu tempo de folião acabou depois que vieram as crianças? Então não conhece o Carnaval de Recife. A capital pernambucana e a vizinha cidade histórica de Olinda têm uma série de atrações que encantam desde bebês até os mais experientes. Para melhorar, quando bate o cansaço a gente ainda pode aproveitar para tirar um dia de folga nas praias de Calhetas, Porto de Galinhas ou mesmo na famosa Boa Viagem.

SÁBADO

O roteiro de diversão para quem vai curtir a farra com os filhos começa pelas ladeiras da Cidade Alta. Os pernambucanos são unânimes em dizer que o sábado é o melhor dia da festa em Olinda. Com as ruas de Recife lotadas pelo Galo da Madrugada, sobra espaço e sombra para quem quer começar a esquentar as baterias, acompanhando blocos anárquicos como o Trinca de Ás, que tem uma das melhores orquestras de frevo do Estado e sai todos os anos pelas ladeiras de Olinda no mesmo horário em que o maior bloco do mundo ocupa o Centro da Capital. Fique atento em Olinda às saídas de blocos infantis como o Eu acho é pouquinho, Patusquinho e Ceroulinha.

As programações das festividades tanto de Olinda como de Recife são distribuídas em locais específicos, tente lembrar de pegar no Aeroporto ou compre um dos principais jornais do Estado. Quando bater o cansaço vale a pena disputar uma mesa na Oficina do Sabor. A casa, comandada pelo chef Cesar Santos, é conhecida pelas suas abóboras recheadas com camarão, lagosta, charque e outras delícias. O restaurante faz parte da rede da Boa Lembrança, que distribui um prato pintado por um artista para os turistas levarem para casa, mas a melhor memória de lá é com certeza a imperdível caipirosca de frutas tropicais. Feita com a mistura certa de vodca e açúcar, para que a gente coma os pedaços de pitanga, laranja cravo, limão, acerola e frutas da época.

Uma dica: se você está com criança só arrisque o Galo da Madrugada em um excelente camarote. Meu preferido é o da Prefeitura do Recife. Mesmo os táxis que são o melhor veículo para o Carnaval do Recife deixam os foliões há pelo menos meia hora de caminhada, na hora da brincadeira os pequenos vão estar querendo sombra e água fresca. Na volta, colo.

DOMINGO

Se deu tudo certo no primeiro dia, então não deixe de colocar uma fantasia de super herói nas crianças. O Enquanto isso na Sala da Justiça é atualmente uma das maiores atrações do Carnaval de Olinda e sai todos os domingos, com concentração a partir das 9h, no Alto da Sé. Vale a pena subir a Ladeira da Misericórdia bem cedinho e comer uma tapioca enquanto você acompanha a multidão de gente fantasiada chegando. Então, não esqueça as roupas de Super Homem, Mulher Maravilha, Homem Aranha ou do Quarteto Fantástico, mas também vale o improviso.

Quando as duas orquestras levarem a multidão de super-heróis para curtir as ladeiras de Olinda, talvez seja a hora de dar uma última olhadinha na melhor vista que temos da Capital pernambucana. Se a criançada estiver sem agüentar, talvez seja a hora de dar uma parada no Pátio de Santa Cruz. No Centro do Recife, o antigo mercado, tem alguns restaurantes de comida típica e recebe shows de grupos eruditos e populares.

Precisando de uma folga? Se você tem passado o protetor solar direitinho a melhor folga durante o Carnaval de Pernambuco é passar um dia em uma das melhores praias do Estado. Calhetas fica no vizinho Município do Cabo de Santo Agostinho e tem uma vista belíssima, além de barezinhos com petiscos deliciosos. Já Porto de Galinhas é um pouco mais longe, são cerca de 40 minutos de distância pela mesma BR-101 Sul, que leva para essas duas praias e também para as mais distantes, porém tão belas e mais tranquilas, praias de Maragogi (São Bento, Japaratinga e Ponta de Mangue são lindíssimas, mas suas pousadas já estão bastante concorridas nesta época do ano).

Boa Viagem é outra opção, mas deixe bem claro para as crianças que os avisos de risco de ataque de tubarão são reais. O melhor da praia hoje em dia são as opções de petiscos. Amendoim assado e cozinhado, caldinho de feijão e para as crianças que não gostam de peixe, vale oferecer uma porção de agulhinha frita. Essa delícia, pode ser um ponto a mais para quebrar o preconceito infantil com as comidas do mar.

SEGUNDA

Depois de dois dias de folia em Olinda, vai ser necessário quebrar um pouco o ritmo. Para quem quer continuar curtindo o Carnaval, uma boa opção é dar uma passada no hora bucólico bairro de Casa Forte. Um passeio pelas ruas do Poço da Panela, com uma parada na frente da Igreja histórica e uma olhadinha no Rio Capibaribe, podem ser interrompidos no máximo por uma pequena troça ou Urso. Vale a pena!

Quando o sol for começando a baixar é hora de finalmente ir conferir o Carnaval do Recife Antigo. Na Praça do Arsenal fica o Pólo Infantil, de lá saem vários blocos só de crianças. Tem até maracatu com batucada infantil, o Nação Erê de Brasília Teimosa, que até já gravou um disco com a trupe do Palavra Cantada - responsável por uma coleção de discos infantis que já rendeu três prêmios Sharp ao currículo da empresa.


Se está querendo provar a variedade de comidas típicas nordestinas uma opção é o Parraxaxá. O restaurante funciona apenas como self service e tem dois endereços, em Boa Viagem (Rua Baltazar Pereira, 32. 34637874) e Casa Forte (Av. 17 de Agosto, 807. 32684169). Vale a pena pela variedade e por oferecer opções que vão, com certeza, agradar a adultos e crianças.

TERÇA

Fuja de Olinda durante o dia. O mela-mela está liberado. Suas crianças não merecem ser deseducadas.

Uma boa opção de passeio é pegar um carro e ir curtir o colorido dos maracatus na Mata Sul pernambucana. Na terça-feira, o Município de Nazaré da Mata recebe o maior encontro desses tradicionais grupos em todo o Estado. O caminho pela BR-408 é agradável e vale a pena uma paradinha na Acerolândia, o local é conhecido por ser uma espécie de laboratório de novas plantações (o dono do lugar teria sido o primeiro a plantar a frutinha que dá nome à sua fazenda) e pelos deliciosos picolés de frutas com mel. Ninguém vai resistir.

Se você não agüenta imaginar o seu último dia de Carnaval longe dali, deixe as crianças com alguém e vá aproveitar a última saída do Eu acho é pouco. O bloco vermelho e amarelo coloca seu dragão na rua a partir das 18h e, além de uma famosa batucada de samba, conta com os acordes da Orquestra de Merinho, um dos mais experientes maestros do Carnaval pernambucano. Levar os pequenos para o último dia de Olinda? É no mínimo uma prova de coragem. Mas se eles chegarem ao encerramento desse bloco pode ter certeza que já serão verdadeiros foliões.

O encerramento é em clima familiar, na frente da casa dos organizadores do bloco, a batucada não pára antes da meia-noite. O sambão fica rolando até o último fio de vigor físico e quando o dragão é recolhido é difícil não ficar com uma ponta de saudosismo. “Oh, quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar...”. O Bacalhau do Batata é a opção para quem ainda não aceitar o fim da folia. Quer uma dica: escolha uma praia e vá curtir as memórias que no próximo ano tem mais.

28.1.08

Minha, sempre

Foi a primeira vez que a vi daquele jeito. Falamos pouco aquela noite. Mas reconheci em todos os seus poros a novidade. Eu a puxei para a cama e fizemos amor. Sua sobrancelha desarrumada. Os movimentos da boca. E especialmente quando senti o suor entre as suas pernas. Ela achou que eu estava com raiva. Senti isso enquanto ela prendia os lábios com os dentes. Só pensei que poderia mostrar para ela como poderia ser mais gostoso ainda. Ou não. Ela não gozou, e disse que o problema era dela. Penso, não nos encontramos nem em pensamentos. Por mais que nossos corpos estivessem entrelaçados. Ou quase isso. Dormimos e ela roubou o lençol. Quase nada. Continuamos juntos por meses ou anos à fio. A coisa hoje se perde na minha mente. Mas sinto que deixamos naquela noite uma centena de quilos da nossa leveza. Dali em diante, eu a estava enganando. Evitei que a dor se espalhasse pelas minhas entranhas. Mesmo assim não consigo decepar esse pedaço de mim. Minha vadia. Linda, sempre.




Ps: Fiz pensando no de Julieta. www.vacatussa.com

26.1.08

Tirei


Crédito: Gilberto Marcolino/Diacolor
Giba,


A foto já foi devidamente tirada do post sobre o aniversário de Paulinho, em 2004. E ai. Vai rolar uma grana pelo merchandising gratuito do seu site profissional? Para ver se vale alguma coisa estou colocando de novo a foto aqui na página do dia.


Um abraço

Dado

24.1.08

What about cocaine?

Eu juro que não gosto de cocaína. Mas o filme de Selton Mello tem no mínimo um excelente ritmo. O cara ir cheirado ver aquilo deve dar uma travação louca. Saí do cinema no maior ritmo, no banheiro uns adolescentes cheiravam umas carreiras. Um deles ainda tirou onda com os outros quando percebeu que eu tinha visto os três saindo juntos: "o cara vai pensar que nós somos um bando de gays".

Muito sensível pela maneira como retrata a relação de um traficante com a figura amada de seu pai. Mostra o Rio de Janeiro maravilhoso. Mostra o Rio de Janeiro marginal. Tudo bem que não tem cidade mais batida, mas tem senso de humor na maneira que faz isso. Uma história do meu tempo muito bem retratada. E mesmo passando um tempão mostrando ele na cadeia, o processo que ele enfrentou e a doença do pai dele o filme não perde o ritmo.

Meu nome não é Johny

22.1.08

A política e a contracepção

A Prefeitura do Recife promete distribuir em 2008 um milhão de camisinhas. Levando em conta que só no Galo da Madrugada teremos mais de um milhão de foliões diria que o número é pequeno. Todo mundo merece gozar o Carnaval em sua plenitude. De preferência os quatro dias. Diante disso, vou fazer minha parte e comprar as minhas. As que me derem no Aeroporto eu prometo guardar, porque quem está ali tem melhores condições financeiras que eu ou pelo menos um endividamento semelhante.

Mas o que me chamou mesmo a atenção foi que agora a gestão inova ao implantar um sistema de distribuição de pílulas do dia seguinte. Uma idéia fantástica no sentido de lembrar às pessoas que dá para transar sem camisinha e durante a ressaca recorrer a um coquetel de toxinas para o organismo dela. Para um cara (ou menina) que odeia camisinha é só esquecer o medo de morrer de Aids e a festa está garantida. Por sinal, ridículo como a mídia nunca trata das mulheres que não gostam de camisinha.

Quem gosta?

21.1.08

Tá chegando a hora

Cheguei em Brasília e nem parece que já é Carnaval. Vou guardar segredo por aqui. Nada de contar que sábado o Poço da Panela estava tomado de gente. Nada de zombar da cueca de Joelson ou de contar a cara de felicidade que Lenine estava ao tocar no fim da minha rua. (O show do Guaiamum Treloso foi em pleno Sítio de Zé Donino!!!). Diversão em família também pode ser absolutamente perfeito devia estar pensando aquele cidadão da Urca. Ou então fui eu que pensei isso mesmo.

Só sei de uma coisa, tomara que demore bem muito para chegar o show de Marisa Monte. Essa sensação de daqui a pouco é Carnaval é uma das melhores coisas. Por enquanto vou cuidar da vida que antes do Marco Zero tenho que dar uma passadinha no TSE.

22.12.07

Candomblé é Freud em garrafinha

Quando ouvi falar de Peões e Entreatos não tive a menor dúvida que o mais interessante seria o segundo filme. Eduardo Coutinho nunca tinha pego na minha veia. Assisti aos dois filmes no Cine Odeon e na saída, depois de um debate com os diretores, me lembro de ter pensado o quanto ter visto a obra de João Moreira Salles tinha valido a pena, porque tinha sido difícil aguentar o sono para ver aqueles conhecidos de Lula discorrendo sobre a juventude quando o petista ainda tinha sonhos e a realidade não tinha carcomido os nossos ideais. Os bastidores da eleição fizeram um dos melhores documentários da minha vida.


Jogo de Cena também e me fez ter vontade de rever Cabra marcado para morrer.

O novo filme de Eduardo Coutinho é puro teatro. A confusão entre realidade e ficção. Os depoimentos emocionados. Uma hora, ele pergunta para uma atriz se ela tinha preparado o choro e ela honestamente responde que tentou imitar a dona do depoimento, mas simplesmente não conseguiu evitar as lágrimas. Me faz pensar em o Alienista, somos todos mentirosos também além de loucos. E mesmo naquela tristeza toda que são as vidas das mulheres do filme, conseguimos rir e nos divertir.

Um dos melhores filmes que assisti em 2007. Fiquei impressionado com uma história sobre o candomblé. A atriz conta que foi para a casa de uma mâe de santo, que era sua tia hoje falecida. Passou a noite numa camarinha, cheia de galinhas mortas e ratos. Quando acordou foi levada para fora junto com uma pomba branca e ficou com medo que fossem matar o pássaro. "Entenda, estou lhe tirando da morte e essa é você", disse a velha deixando o bicho voar. Candomblé é Freud em garrafinha e tem filme que é puro condimento para nossos pensamentos.

20.12.07

O roubo no Masp

Passei uma tarde no Masp na última vez que fui a São Paulo. Sozinho, tive bastante tempo para ficar pensando na vida. E nas coisas que estava observando. Como não sou nenhum teórico das artes plásticas, tive tempo também de ficar pensando na estrutura do museu.

Não é um museu do tamanho das grandes instituições européias. Não falo do Louvre ou do Reina Sophia. É bem menos estruturado que alguns museus de Berna, Barcelona e que o (meu preferido) Museu D`Orsay.

Não falo do acervo. A estrutura mesmo, não me pareceu tão boa quanto deveria ser. Pouca gente nos andares de cima, muita gente na exposição temporária do subterrâneo. Os seguranças todos cansados de guerra.

Me lembro de ter pensado em um assalto naquele local. A exata frase de resumo seria: se os caras forem profissionais eles conseguem. Mas isso não é nenhuma crítica ao museu. Putz, estou cansado de ouvir falar de assaltos a obras de arte nos principais museus europeus.

Vem um babaca da Usp dar declaração de que agora vai ser mais difícil trazer exposições internacionais para o Brasil. É o que Bernardo cansa de falar sobre o espírito brasileiro, a gente sabe que assalto a obras de arte por quadrilhas especializadas acontecem no mundo inteiro, mas precisa dizer que aqui é pior.

Seria legal se aparecessem depois uns ladrões italianos presos pela Polícia Federal brasileira. O que seria ruim é que se deixasse de investir no museu e de tentar trazer coisas de fora por conta de um assalto. Mas tenho certeza que o melhor museu brasileiro seria figurante em qualquer cidade de grande porte europeu. Temos muito a investir.

12.12.07

Na tribuna do Senado, Simon critica Sarney e Lula

O Senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou de forma veemente o ex-presidente e atual senador pelo Amapá, José Sarney (PMDB), e o atual presidente Lula. De acordo com o gaúcho, os dois são responsáveis pelo fato de ele, Simon, não ter sido indicado pelo partido para a presidência do Senado. “Esse PMDB [de Sarney] não é o meu”. “Dr. Sarney passa, o PMDB fica”, complementou, ao justificar por que não deixará o partido.Pedro Simon também ressaltou que o presidente Lula interveio de forma “grosseira” e “vulgar” na sucessão da presidência do Senado.

O parlamentar subiu à tribuna, inicialmente, para felicitar a eleição de Garibaldi Alves (PMDB-RN). O peemedebista gaúcho era um dos candidatos do PMDB à presidência do Senado. No entanto, por 13 votos a seis, o partido escolheu Garibaldi Alves para substituir o também peemedebista Renan Calheiros (AL).

De acordo com Simon, apesar de ter sido lançado por senadores de diversos partidos, o seu nome não foi referendado pelo PMDB para suceder Renan porque ele é considerado “imprevisível” pelo governo Lula. “Eu sou previsível. Mas Vossa Excelência [Lula] não foi fiel ao seu passado”.O senador gaúcho, no entanto, considerou “positivo” o fato de ter sido registrado em ata da reunião do PMDB que o senador José Sarney não será candidato à presidência do Senado em 2009.

DO CONGRESSO EM FOCO

O Franciscano

Dar sua cara à tapa. Oferecer a outra face. Não acredito mais em sair apanhado e satisfeito. Mesmo assim, fico feliz com o que fez o senador Pedro Simon. Mesmo ele tendo levado uma pisa.

Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy e José Nery começaram um movimento para indicar o gaúcho para a presidência do Senado. Queriam um homem público respeitável que começasse a refazer a imagem do Congresso Nacional, mais derrubada do que nunca após o apogeu do paulista Chinaglia e dos "severinos" Calheiros e Sarney.

O senador segurou até o último momento a sua vontade de assumir um papel relevante em Brasília. Mas acabou assumindo a candidatura, para uma derrota eleitoral por 13X6 dentro da Bancada do PMDB. Foi derrotado pela força do Governo Federal, que teme qualquer sinal de independência. E pela união de Calheiros e Sarney, que preferiram colocar um peixe morto na cadeira para guardarem a vaga deles para a próxima eleição.

O franciscano expôs mais uma vez sua situação: "tenho sido discriminado no PMDB nos últimos dez anos. Recebi um manifesto de apoio, com a assinatura de 34 senadores, que o partido nem sequer levou em consideração. Sou discriminado pelo Lula, pelo líder do partido e pelo Sarney". Teimo em acreditar que seria interessante uma voz na Presidência do Senado a trazer novos assuntos e levantar questões esquecidas pela "mão em que falta uma falange".

Apanhou. Mas registrou nos anais do Senado, no Estadão e aqui no blog agora a fantástica frase do Sarney: "Não serei candidato a nada na minha vida. Nem daqui a um ano, nem nunca mais na minha vida". Se fosse verdade teria sido pelo menos uma vitória parcial.

Se...

4.12.07

Frase do Dia

"Ficar rico não vai, mas pode ter certeza que você vai pro céu! Aguentar essa pocilga não é para qualquer um", João Pedro Stedille (MST), após saber da absolvição de Renan Calheiros em plena Câmara dos Deputados.

3.12.07

Julgamento

Por mais que vá me estressar para caramba, fiquei feliz de o PT ter entrado com pedido de cassação contra Paulo Rubem. É o momento de julgar tudo que eu passei nos últimos anos. Da vitória de João Paulo, o convite que eu não cheguei a aceitar para começar aquela gestão, depois de participar de um momento em que as coisas estavam mudando e da decepção de sair com as piores impressões possíveis daquela gestão. Da entrada em um mandato relativamente independente, a luta para tomarmos posicionamento livre, as dificuldades impostas pelo isolamento e a derrota eleitoral. Depois assumir uma assessoria de imprensa de um parlamentar histórico do PT, como Paulo Rubem, e participar diretamente da decisão de sair do partido. Tendo sido derrotado na idéia de ir para o P-Sol.

Se perdermos o País perde um bom parlamentar. Se ganharmos o PT ficará com um carimbo do TSE dizendo que abandonou o seu histórico de lutas. O risco vale a pena.

Domingo na família dos outros

Fui passar o domingo na casa de um fotógrafo colombiano. Típico cara que vira meu amigo automaticamente. Filho de bolivianos, apaixonado pela Argentina, cozinheiro de primeira, pandeirista amador, casado com uma linda negra de raiz sambista, artesão e pai de uma menina lindíssima: Sofia.

Durante a cervejada minha paquerinha tinha dito. Nunca vi um cara que tivesse tanta saudade do seu filho. No meu chopp noturno com Bira veio a pergunta. Por que a fixação por crianças? Tinham duas, a pirralha tem dois anos e tinha também Pedro, que é um pouco mais velho que Chico.

Acho que as coisas que passamos realmente fazem a gente se fortalecer para as decisões que tomamos. Fui dormir ontem tranquilo. Com certeza de que não dá para perder a maioria dos domingos com Chico. As respostas, para perguntas que as vezes eu esqueço de me fazer, aparecem nas situações mais inusitadas.

27.11.07

Vou passar minhas férias com o pirralho.



E esse AP vai estar livre.








Frente e verso.



24.11.07

Olinda

Sexta, depois do expediente.

Ele me chamou para tomar uma cerveja. Quando estávamos na segunda teve coragem de dizer que ela estava vindo passar uns dias. Percebi que chegaria a qualquer momento.

O reencontro foi de um silêncio espantoso.

Primeiro ele a abraçou carinhosamente. Amelia então colocou a cabeça no ombro de Júlio e o apertou. Quando eles finalmente se beijaram as lágrimas já escorriam no rosto dela. Me levantei e saí sem dizer nada. Guardando comigo aquela cena, que só eu presenciei e deixando as duas cervejas para ele pagar.

- As vezes a dor é tão aguda que mesmo sem saber o quê é preciso gritar.

No dia seguinte ele me acordou dizendo um monte de coisas. Tinham passado uma noite maravilhosa de sexo. Eu não podia entender de que aquele cara se queixava tanto.

Mandei ele entrar no banho.

- As vezes tenho vontade de deixar a água bater no meu corpo por horas para deixar os sentimentos escorrerem. A verdade é que comigo não funciona. Também já tentei correr e as vezes nem isso funciona.

Passaram o fim de semana quase sem se ver. Não puxei assunto. Ele me pareceu realmente transtornado com aquela situação. Mas ela continuava com o mesmo sorriso brilhante. Só se queixou dele ter lhe apresentado a alguém como sua amiga.

Sempre achei que seria bom para ele ir viver um mercado de trabalho maior. Mas ele nunca admitiu abandonar seu escritório. Afinal, eram anos de investimento. Um publicitário sabe bem o que vale a marca que ele mesmo desenvolveu.

A distância foi apenas a primeira barreira daqueles dois. Ele já tinha se apaixonado. Ela tinha tido alguns casinhos também. O reencontro na nossa cidade havia sido planejado por semanas. Mas eles só ficaram juntos de novo no domingo de noite.

Quando acordei na segunda-feira notei um bilhete deixado em cima do sofá.

Na semana seguinte juntei as coisas dele e comecei a arrumar. Ele deixou tudo que era mais importante jogado pelo apartamento. Não tinha nem mesmo se dado ao trabalho de dobrar as camisas do varal.

Coloquei o disco de Chet Baker, o meu preferido dos dele, como trilha sonora para aquela despedida. E acabei de ler o livro que Júlio havia me emprestado e eu nunca tinha passado do primeiro capítulo.

No dia do aniversário dele eu mandei tudo para o Rio de Janeiro. Guardei só o bilhete que ele havia deixado para me explicar tudo.

“Ela é a mulher da minha vida”.

6.11.07

Vergonha para o PT

José Neves Cabral não é muito ligado em Política. Mas esse notinha eu tirei do blog dele (http://www.arquibancada.blog.br/). É assim mesmo que se deve fiscalizar os nossos representantes.

"Dois deputados pernambucanos caíram no lóbi da CBF e retiraram suas assinaturas do requerimento da CPMI, cujo objetivo é abrir uma investigação sobre a lavagam de dinheiro no Corinthians.São eles Maurício Rands e Fernando Ferro, ambos do PT. Votei em Ferro na última eleição e estou tão decepcionado quanto devem estar seus milhares de eleitores.Ferro sempre teve uma história de lutas na política. Mas, pela decisão, saiu do rumo do bom combate e virou mais um a se perder na poeira. A lista com os nomes de todos os deputadores que repetiram o gesto de Rands e Ferro foi publicada pelo jornal O Estado de São Paulo esta semana e está no Blog do Juca, link abaixo.Só me resta dizer que os dois deputados petistas envergonharam Pernambuco".

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

29.10.07

Sexo e futebol

O melhor filme sobre o futebol brasileiro ainda é Garrincha, Alegria do Povo. Assisti recentemente a um outro que retrata a vida do ponta-direita do Botafogo. Interessante, mas deixa uma caricatura meio boba do cara que só pensa em sexo e é usado pelas mulheres.

Esse floreio dai de cima foi só para dizer que estou meio puto com a realidade.

O Sport jogou tudo que podia ontem.

Levou um pênalti e o centroavante bateu de um jeito indefensável. A bola tocou na trave direita e entrou.

Contou com a sorte, Everton desviou uma bola forte, cabeceou a bola alta, à queima-roupa, dentro da pequena área.

Depois o melhor jogador rubro-negro, Romerito, bateu uma falta com maestria, o goleiro abriu um canto, ele invés de bater no óbvio tentou pegar o contra-pé, inverteu a bola todinha.

Pois num é que em dois desses três lances Rogério Ceni mostrou porque é o que é:

Puta que pariu!
É o melhor, goleiro do Brasil!
Rogério!!!!!!!!

O grito dos sete mil são paulinos está custando a sair da minha cabeça e de muitos dos mais de 30 mil rubro-negros que estavam ontem na Ilha do Retiro.

Pois é. O que era para ser um glorioso 3X2 virou um honroso e sofrido 1X2, dentro de casa. E a gente não pode nem dizer que faltou esforço. O time deu tudo, mas era pouco para o São Paulo. E pronto.

Não deu nem para lembrar aquele cara que quando a menina acaba com ele fica triste porque respeitou demais. Fomos com tudo. Metemos pressão até onde podíamos. Se não tinha KY, fomos no cuspe. Sem violência, que a gente sabia o valor da coisa. Não tenho dúvidas. O Sport foi até onde podia. E perdeu.

Que venha uma lourinha vestida de vermelho em Porto Alegre para a gente chamar de Barbie. E meter com força. Tem que tentar a vitória. Lá e cá, sempre.

23.10.07

Shakespeare and Company

Andar pelas ruas de Paris e encontrar uma livraria com alma. É um sonho para qualquer viajante, que tenha algum gosto por livros. Lembro que queria dar um livro a Patrice durante toda a minha estadia na França e andando pelo Quartier Latin entrei em uma lojinha bem pequena. Perguntei pelo autor: Anthony Bourdain. A menina me trouxe o livro rindo porque o título em francês de Cozinha Confidencial é algo como O Chef Maluco (trocadilho intraduzível em sua plenitude). Mandei embrulhar para presente e tive a maior surpresa pois o lugar só tinha livros sobre comida. Fiquei ali conversando e olhando os livros e lembro até que quando saí Mateus elogiou o meu francês, que ficou esquecido naquela minha meia hora de vida.

Não cheguei na parte do meu guia de Paris que falava da Shakespeare and Company. Uma livraria cheia de autores residentes, poetas não-publicados e que nem aceitava cartão de crédito. Tudo isso, a poucos metros da Sacre Couer. Muito perfeita a imagem. Gosto de imaginar as teias de aranha por trás das estantes. O velho dono meio rabugente com saudade de sua filha e esperando preencher o seu vazio a cada novo visitante que lhe bate a porta pedindo abrigo. Sempre uma linda menina no caixa, para deixar qualquer um apaixonado. E um ou dois caras tentando mostrar que têm organização e podem deixar o lugar até mais organizado do que se o próprio George ainda estivesse tomando conta de toda a loja.

Olhando bem a foto da capa do livro que acabei de ler, fico imaginando que passei na frente daquele lugar. Ou estaria só sendo enganado pela imagem dos livros em pequenas mesas expostos no meio da calçada? Bem, fico feliz que de qualquer maneira eu não fui mais um turista bobo que passou ali para levar para casa algumas imagens digitais. Pode não ter sido muito poético entrar no bar ao lado e tomar uma cerveja com todas as francesas do local dando em cima da gente, para logo depois todas nos abandonarem. E finalmente notarmos que estávamos sendo confundidos com um casal gay. E que estávamos inadvertidamente em um bar de strip masculino. Mas que foi divertido isso com certeza nem Mateus vai negar.

O livro é uma imagem singela dessa livraria no início dos anos 90. Jeremy Mercer viveu ali por alguns meses, enquanto a Shakespeare and Company ainda tentava se definir entre o que tinha sido e o que viria a ser. Paris já estava totalmente tomada pela invasão de turistas. Os jovens se aproximavam dos velhos. As vezes até aprendiam alguma coisa e em troca acabavam abrindo algumas portas também. As meninas se aproximavam dos caras, ou mesmo de outras garotas se achassem mais interessante. A maioria dos escritores pouco fazia para sair dos cadernos escritos ou das páginas em branco e os que conseguiam publicar algo provavelmente pulavam fora daquele agitação. Mas ali ainda se tentava fazer algo mais longo e duradouro que um vídeo de telefone celular.

Agora me lembrei do ritual do meu pai. Recife também já teve uma livraria e até loja de disco cheias de charme. Meu programa de sábado era passear pela Sete de Setembro. Lembro de ficar ouvindo sem entender nada as discussões sobre Chet Baker, Miles Davis, Dizzie Gillespie, Coltrane e cia. Saudade. Dizem que essa palavra também é intraduzível?

16.10.07

São Bento, Japaratinga e Maragogi

Frases do fim de semana:

"Pai, vamos na casa daquele seu amigo super-legal que me bota nas ondas para surfar". Ao acordar.

"Chiiico!", "Chicooo", "Chico!!!". Ao chegar na casa de Rodolfo. Recepção da pirralhada.

"Vai pra banheira Leleco. Teu lugar é do lado da barra". Durante o show de futebol na beira da praia.

"Lagostinha?". Antes de ver a maravilha.

"Nunca comi uma coisa tão gostosa na vida!". No durante.

"Caralho, pensei que tu não ia aparecer mais...". Ao chegar atrasado para ajudar Zenzi a cozinhar carangueijo, peixe e agulhinha frita.

"Tive meus motivos". Resposta que deixaria invejosa a galera que não comeu lagostin.

"Dona Elsinha, eu te amo!". Agradecendo a Julio e à famosa dona da casa em que nos hospedamos, durante o aguardado almoço da galera.

"Meu barco é movido a escravo". Presidente de empresa de trânsito admitindo que está cansado do transporte veicular sobre rodas.

"Vamos tomar um vinho". Depois de tudo isso ainda tinha um vinho para coroar?

"Dado, os meninos todos já tomaram banho e teu filho tá aqui abandonado". 'As 20h30.

"Não. Deixa ele ficar mais aqui. Por favor". Ao pegar o menino.

"Obrigado por me acompanhar". Eu é que agradeço (a todos).

Ps: Fiquei com inveja porque não podia comentar nos fotologs da galera então botei isso aqui.

9.10.07

Teste



http://www.paraquedismo.org/tropadeelite/

Gostei do filme. Vejam. O teste eu achei interessante. Não tenho o perfil de nenhum dos policiais. Então veio o chefe do tráfico no morro. Pelo menos num veio uma das meninas da ONG. Façam o teste depois de assistir Tropa de Elite.

8.10.07

Baixio das Bestas

Todo mundo me disse que não era um bom filme. Mas eu adorei Amarelo Manga. Na verdade tinha obrigação de ir assistir e colocar aqui minha opinião. Gosto do visual. Tem umas cenas interessantes. Tome cana-de-açúcar. Passa uns três minutos mostrando Caio Blat e Matheus Nachtergale nus. Achei interessante aquilo. Meio gay, a cena me agradou. Engraçado Claudio Assis filmar um filme cheio de nuances homossexuais.

Os personagens não me agradam. Excelentes atores parecem desperdiçados naquela violência gratuita toda. Muita fala para poucos silêncios. Não fiquei verdadeiramente chocado com nada. Apenas achei uma redução meio boba da juventude classe média da Zona da Mata os personagens de Caio Blat, Samuel e China. A miséria? Não, o filme não fala sobre os miseráveis. O principal núcleo é um grupo de jovens que não têm muito o que fazer naquela cidadezinha e usa um cinema desativado e um puteiro como locais de divertimento (fuga?).

A história tem mais começo, meio e fim do que Amarelo Manga. Talvez por isso fiquem mais evidenciadas as fraquezas. De bom mesmo, acho a experiência de ver o povo falando com sotaque verdadeiramente pernambucano. Ninguém faz essa leitura melhor. Dá saudade em quem está longe a tempo. Vale a pena assistir? Claro que sim. Mas não não me parece um filme de quem conhece a miséria da Zona da Mata.

Prostituição. Violência. Ignorânica. Prostituição. Violência. Para mim, faltou farinha e o pirão ficou ralo.

3.10.07

Eu vou esse ano pra lua

Apesar da minha insônia crônica, ou talvez justamente pela minha intimidade com o tema, sempre me achei muito bom de colocar criança para dormir.

Com meu filho passei por algumas fases engraçadas, ele era super difícil logo que nasceu. Lembro que quando completou três meses alguém me disse que a partir dali ele passaria a dormir mais, foi um alívio grande ouvir aquilo.

Desde que nasceu ele me esperava para que eu o colocasse para dormir. E olha que eu chegava da faculdade quase de 11 da noite. Minha primeira tática que funcionava era coloca-lo no carrinho de bebê e sair pelas ruas das Graças, quando passava por um lugar esburacado perto do Rio Capibaribe eu acelerava bem rápido e ele sempre adormecia. Não faz sentido? Mas é assim mesmo.

Mas os problemas mesmo eram as madrugadas em casa. Minha primeira técnica era balançar o pirralho bem forte. Botava no braço e ninava ele bem rápido mesmo e na mesma técnica estranha ele pegava no sono.

Depois comecei a cantar e olha que minha voz é péssima. Bossa nova era o meu preferido. O sonho de colocar uma criança para dormir antes do fim da introdução de Wave... "Vou te contar, meus olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho". (Sempre achei isso a frase mais perfeita para se dizer a um filho. Para um amor é um típico e lindo exagero.)

Mas acaba que a vida não é bem como a gente espera não. Passei uma fase em que cantava uns sambas de Chico Buarque. Lembro que cantava Vai passar e Samba do Grande Amor inteiras e de repente o pirralho acabava cansando de tanto esperar aquelas letras enormes. Mas a única coisa que realmente tive noção de que dava certo eram os frevos. Não sei se era o ideal para Chico dormir, mas pelo menos o pirralho decorou todas as letras mais bonitas do Carnaval de Olinda. Com os erros a que eu me acostumei a cantar, claro!

Engraçado que hoje em dia só sei cantar algumas músicas em ordem. Para me lembrar da introdução do hino do Ceroula (Eu vou esse ano pra lua...), canto primeiro o do Galo da Madrugada. Uma coisa mais ou menos assim.

Mas acho que esse momento é meio como fazer amor com uma pessoa. Mais do que falar o importante é estar sentindo o momento. Tocando um no corpo do outro e sabendo conduzir a dança. E, mesmo que em algum momento a paciência tenha desaparecido, saber não estragar o trabalho que estava sendo construído. Uma fala fora de hora e tudo volta à estaca zero. Como no sexo.

27.9.07

A pintura

As pessoas gostam de colocar placas nos estádios para lembrar dos gols bonitos. O quarto gol do Brasil contra os Estados Unidos, na final da Copa do Mundo merecia mais que isso. Um belo quadro cairia bem. Só assim para mostrar o lampejo, o calcanhar, a malícia, o drible seco, a pontaria certeira e a feminilidade. Devem existir placas para gols feitos por mulheres, mas a número 10 do Brasil (como é bom encher a boca para dizer que temos um(a) jogador(a) para vestir essa camisa) merecia inaugurar uma nova tradição. Assim como existem bonitas estátuas dos grandes craques na frente dos estádios, gostaria de ver um belo quadro em um local estratégico para lembrar aquela pintura, pois se o futebol não é arte ao menos merece ser retratado plenamente de vez em quando.

Qualquer que seja o resultado da final, o futebol feminino brasileiro impôs respeito, pois têm momentos que são tão importantes quanto um torneio inteiro.

26.9.07

Do lado de lá

Tenho impressão que todo repórter de Política deveria passar pela experiência da assessoria de imprensa. Estar do outro lado é uma das poucas maneiras de passar a entender como funciona a mente dos gestores e parlamentares.

Já trabalhei com gente muito diferente e a convivência menos conturbada com os parlamentares me faz entender bem direitinho como algumas pessoas se relacionam com a mídia e com o público.

Byron Sarinho por muito tempo foi um modelo que admirei. Trabalhava demais. Em excesso. Não sei como arranjava tempo para namorar e ainda ficar tomando uma na sua cadeira preferida do Dom Pedro. E não tinha nenhum interesse demasiado pelo que diziam dele, queria ser reconhecido sem ir atrás dos jornalistas. No máximo mantinha contatos com pessoas de quem era fonte há anos.

Mas o comunista não era nenhum bonachão. Eu já fui assessor de um cara que fazia atos heróicos dentro de uma gestão complicada e não deixava que eu divulgasse. Era engraçado mesmo o perfil dele, vai ver por isso não prosseguiu na política.

O inverso é muito fácil de identificar. Raul Jungman, Silvio Costa são pessoas que vão fazer o que puderem para chamar a atenção dos jornalistas certos. Engraçado é notar a dificuldade que alguns parlamentares têm quando saem da província e chegam no Congresso, ao perceberem que as muitas lentes têm sempre os mesmos focos.

Tem gente que realmente só se torna fonte por relação de confiança. Recentemente, almocei com um deputado. Ele começou falando como vinha de uma elite histórica pernambucana. Esse tipo eu tenho papo certo, aprendi com o grande Wilson Campos, ainda nos tempos de Jornalismo esportivo. Contei as histórias da minha bisavó e da força da mulher pernambucana. Ela chegou a eleger dois deputados quando o combinado pelo meu avô era deixar uma vaga para a oposição. Quando o deputado descobriu que eu era neto do prefeito Novais Filho, passou a me tratar como se fossemos de uma mesma grande família.

24.9.07

Meu primeiro assalto à mão armada

O pior para mim é o depois.

Hoje eu nem botei meu filho para dormir. Mesmo assim, voltei da casa dele achando que todo mundo tinha uma arma escondida na cintura.

Ridículo, entre a Praça de Casa Forte e o Hospital Agamenon Magalhães atravessei a rua umas três vezes para desviar dos suspeitos. Ainda bem que encontrei um cara que adoro no meio do caminho.

Quando eu era pirralho e fui roubado pela primeira vez passei um tempo morrendo de medo de andar na rua. Me achava super medroso, levaram uma bicicleta de mim sem nem mostrar uma arma. Eu não gostava mesmo daquela Cruiser vermelha.

Agora tenho um pouco de raiva. Não consigo evitar o pensamento que tive na hora. Devia ter pulado em cima dele, tive muita certeza disso, mas ai apareceu outro cara que estava dando cobertura. A arma do primeiro não me passou muita confiança, parecia antiga. Já o outro cara parecia bem mais mala e tinha um 38.

O ódio é por não ter reagido na frente do seu filho. Por mais que eu tenha dito a ele: "Chico ainda bem que você estava aqui, senão eu poderia ter morrido nesse assalto", quando vi que tinha um outro fazendo a segurança.

Passou. Agora é refazer a agenda. Pagar o prejuizo. Comprar outro celular. E tirar os documentos perdidos. O carro já foi consertado.

13.9.07

Putz

Agora que vi, o Brasil ganhou do Mexico. Assisti ao jogo em um bar aqui em Brasília, mas depois da absolvição de Renan Calheiros eu simplesmente nem notei. O jogo passou sem eu ver. Para mim, a derrota foi tão grande que nem deu para ver o outro lado. Por sinal, devia ter perdido.

12.9.07

Vergonha

Trabalhar no Congresso Nacional não é nada fácil.

Olha, as pessoas chamam um monte de coisas de pragmatismo. Mas é contra qualquer lógica 40 deputados pragmaticamente votarem pela absolvição de Renan Calheiros. Se vier amanhã ou depois a confirmação da renúncia à Presidência do Senado e de um acordo com o Governo Federal não será surpresa.

Espero que acabe logo minha ligação com o PT.

Mas a verdade é que vou continuar trabalhando aqui. Engraçado que as pessoas que gosto mesmo aqui são dos gabinetes de Chico Alencar e do Ivan Valente. Mas, mesmo eles, se incomodam com o peso do ambiente. Ninguém está imune a ficar achando que o vizinho de mesa de almoço é conivente com o desvio de verbas na merenda das escolas de SP, PE, RS.

Existe limite para tudo no mundo.

Me lembro com um prazer enorme de fazer silk screen com Paula no Poço da Panela. A camisa vermelha ganhava uma marca de paixão. Pois eu quero poder mostrar a meu filho a Praça de Casa Forte em dia de eleição e dizer que a gente pode acreditar em quem está de amarelo. E depois dizer que uns são melhores e outros piores, mas que eles discutem entre si.

Contradições vão continuar existindo.

Me lembro de perguntar ao meu pai se era melhor Tancredo ou Maluf. E ele me disse muito claramente que nenhum dos dois prestava. Mas dentro disso ai quem é melhor? Ele não devia saber fazer política. Eu não sei. Conversei com Carlos Wilson hoje e fiquei feliz de não apertar a mão de Paulo Maluf. Uma sobrada não é um murro...

Será que tenho chance como vendedor de sanduíche natural?

11.9.07

It is a long way

São Paulo-Recife em 18 horas. Muito bom fazer isso. Só não faço a próxima viagem de bicicleta porque ficaria sem condições de ir anotando as minhas elocubrações.

As mudanças da paisagem. As laranjeiras estavam cheias de frutas. O enormes eucaliptos vinham com um out-door: Chamex: crescer com responsabilidade é o nosso papel! Em Ribeirão Preto a cana parece uma outra planta, de tão bem cuidada.

Os conjuntos habitacionais de São Paulo. Parece que eles nunca vão acabar de aparecer. Mas é legal que em geral vêm com uma grafitagem. Dá até um certo charme periférico aos Cingapuras da vida.

Escrevi uma carta. Duas para ser mais sincero.

Algumas ligações do trabalho, para lembrar da vida.

- Não Joana, o deputado está reunido com a assessoria em Recife (e eu em algum lugar de Minas Gerais)

Depois um texto de abertura para um projeto a ser apresentado. Só falta mandar Chico passar para a letrinha dele e scannear. Acabei pensando em um outro para apresentar na TV Câmara.

No meio resolvi tirar algumas fotos. Só não cedi à tentação de assistir aos Goonies. O laptop ficou dentro da mala como pensado desde o início.

Recomendo a Rodoviária de São Paulo, tem uma baguete maravilhosa. Quando fui comprar a minha tinham duas senhoras e uma delas dizia com água na boca: Ele adorava essa de frango com bacon...

Chegar em casa. Sensação boa. Acho que preciso ir trabalhar. Seize the day!