21.2.05

Aos caros leitores

Informo que dada a completa incompreensão do cenário Político local, internacional e nacional esse site passa, ainda mais, a ser um blog de uso exclusivamente pessoal. Tem o que comentar da vitória de Severino Cavalcanti? Alguém tem saco de ler mais lamúrias sobre essa Prefeitura do Recife? George Bush ainda tem quanto tempo de reinado?

A verdade é que Pedro voltou para a França e Tuti e eu falhamos como grupo terrorista. Com isso, a temporada de visitas carnavalescas finalmente deu-se por encerrada e os últimos seres humanos que ainda se iludiam têm que tomar conta de suas vidas.

Emagrecer,
Voltar à natação,
Fazer análise (será que dá para voltar do estado de loucura terminal?),
Receber resultados que continuam sendo protelados,
Ganhar dinheiro para ir à Paris,
Fazer projetos para ganhar dinheiro para ir à França,
Visitar Graça e Pedro,
Fazer mestrado só para poder passar uns mesezinhos viajando pela Europa.

São algumas das prioridades. Censurei a parte sobre meu emprego.

14.2.05

Eu acredito em sonhos

Tive um sonho que passava no Vestibular!? O pior é que comemorava com duas repórteres lá do Jornal do Commercio (Ciara e Roberta). Eu sabia que já era formado, mas por algum motivo estava fazendo a prova novamente. É muito estranho mas no sonho fazia algum sentido, porque eu me lembro de pensar na lógica que tinha cursar o mesmo curso que fiz na Católica na Federal. Como meu Horóscopo diz que vou colher os frutos do meu investimento acho que alguma coisa boa está por vir. Só não sei o quê?

Imagem do Carnaval

Na Quarta-feira de Cinzas como todos os dias da minha vida fui o primeiro a acordar. Fiquei na varanda da casa de Ivaldevan olhando a chuva cair. Os caminhões passavam cheios de trabalhadores. As barracas com algumas pessoas dormindo, esperando a hora de voltar para casa (será que aquelas pessoas passam o Carnaval todo acampadas?). Alguns foliões tentando viver mais um dia de folia louca, mas eu acho que naquele momento é tentar tapar o sol com a peneira.

Eu sei que fiquei ali, sem tristeza. Apenas rememorando um Carnaval bem vivido. É teve tudo que a gente espera! Mas vim aqui falar da minha última imagem de Olinda: Um toró danado caía e eu estava impressionado como alguém já tinha passado para tirar toda aquela sujeira que acumula diariamente (toda noite tem limpeza, por incrível que pareça). De repente notei um caminhão de lixo e três homens levantando com as mãos um tanto de lixo enorme, muito papelão e plástico das caixas de cerveja, imagine aquilo tudo molhado e os caras estavam sem capas (luvas talvez, mas não tenho certeza).

Tenho certeza que eles não ganharam nenhuma quantia enorme para fazer aquilo, só posso acreditar que os caras estavam trabalhando daquele jeito porque estavam com o mesmo gosto doce de um prazer muito próximo. Fiquei olhando ali, seria ridículo ir dizer que estava admirado com o trabalho dos caras, mas agora que passou fiquei com vontade de ir lá pagar uma cerveja para os caras. Talvez assim eu aprenda a brincar a Quarta-feira de Cinzas! Ficou para 2006.

Resuminho potiguar do Carnaval pernambucano

10.2.05

Quem sambou o samba da Juliana?

Encontros

Os detalhes de um Carnaval são indecentes, por mais doce que tenha sido vivê-los.

Eu gostaria de escrever sobre o que realmente foi importante para mim, os encontros e os desencontros, mas acho que quem lê isso aqui sabe o que é a delícia e a loucura de um Carnaval bem vivido. E se não sabem precisam saber. Quer uma dica: assim como Paulinho, acredito na tese de que o de Recife (e desse maravilhoso apêndice chamado Olinda) é imbatível e por isso só vou testar algum outro em um caso de extrema necessidade.

O Resumo? Briguei, amei, chorei, provei, fervi, gozei, apaixonei, dancei, beijei, conversei (até isso foi do caralho?!), troquei, dei, emprestei, bebi, fumei, encaretei, comi, salvei, meti, pulei e só resta agradecer a todos os que participaram da festa, que fizeram ela acontecer (estar por dentro da máquina faz você perceber a dificuldade) e aos que me ensinaram a gostar dela.

Sou muito chato e não entendo porque comecei a gostar de Carnaval, mas acho que essa história passa por meu pai, Paulinho, Carla e principalmente Julia.

Já estou no trabalho

Depois falo das coisas que importam. Agora vou apenas dizer duas coisas: quem diz que nenhum jornal presta não sabe ler jornal; quem diz que o Jornal do Commercio é melhor do que o Diario de Pernambuco não lê a coluna de Sebastião Nery.

Carnaval foi demais. Como sempre fica a impressão de ter sido o melhor de todos? Rafa e Amelia, desculpa ter ligado. Paulinho, Rosa e Jampa fiquem feliz por não ter feito o mesmo (mas não era para fazer inveja, era vontade de estar junto). Já escrevi uma matéria sobre essa festa então fico por aqui mesmo: http://publica.recife.pe.gov.br/pr/secfinancas/emprel/publica/index.php?GrupoCodigo=15&UltEdi=15241&GrupoCodigoMateria=15#UltEdi

1.2.05

Trabalho, Trabalho, Velho Trabalho... Trabalho

A verdade é essa, vou trabalhar no Carnaval. Ainda espero que seja só no domingo (odeio a Sala da Justiça mesmo). Mas pode ser que esteja cancelada minha intenção de ir pro Galo da Madrugada e que até na terça-feira tenha de aparecer no Recife Antigo. Meu consolo (que num é nenhum vibrador de 20 centímetros) é que dá para chegar em Olinda na saída do Eu acho é pouco.

Life sometimes sucks!

28.1.05

Sem medo de mudar de assunto

O cara ficar divulgando esquema de trânsito do Galo da Madrugada é a coisa mais morgante e ao mesmo tempo estigante do Carnaval. Por um lado é um saco ficar pensando em tantos atropelos. Por outro é fantástico pensar que por quatro dias não vou me preocupar com nenhum dos engarrafamentos (ia dizer atropelamentos, mas ficava meio feio. Depois era a vó de alguém na reta) que acontecerão em toda a Região Metropolitana do Recife.

Só para dizer que fui na Fundarpe hoje e no caminho tudo era festa. O cara que me vendeu o mate, no mesmo lugar que eu tomava quando era do JC, estava cantando "Eu vou esse ano pra lua". Na Guararapes estava tocando outra música e até os vendedores do sebo estavam com um CD de frevo nas alturas. Foi praticamente o repertório que canto para Chico dormir inteiro. Caralho, o cara fica enfurnado trabalhando e a festa não entra pelos seus poros.

É Carnaval! E que essa discussão cabeça se exploda!

Ps: Parabéns Joãozinho! A gente comemora quando você chegar.
Ps2: Esse post é meio mentira porque vou trabalhar pelo menos um dia durante o Carnaval, mas será no Terminal Marítimo e totalmente despreocupado.
Ps3: O único bloco moral desse fim de semana chama-se Cabeça de Touro. Que nome?!

25.1.05

Novatos desprezam clichês de identidade

Se cada geração de artistas cresce em diferentes contextos de formação cultural, é natural que sua produção carregue características próprias e específicas ao longo das épocas. Em Pernambuco, essas diferenças entre as várias cenas sempre foi bastante evidente, já que a trajetória artística do Estado sempre foi marcada por ciclos, grupos ou movimentos, como o cinema mudo da década de 1920, o frevo de 1930, a arte social de 1950, o armorial, o rock udigrudi e o super 8 de 1970 ou o cinema van-retrô, as pinturas e gravuras olindenses de 1980, entre muitos outros exemplos. Depois da auto-estima em relação às raízes locais estimulada pelo mangue beat nos anos 90 (repercutida também em outras linguagens como o cinema e a dança), neste início de novo século surge uma ninhada de jovens cineastas, atores, designers, artistas plásticos e músicos livres dessa afirmação da pernambucanidade, expressão em crise nesse novo contexto.

Todos só têm a agradecer aos mangueboys, principalmente por causa do exemplo e pelo espaçoaberto, mas a influência trazida desde a infância pela overdose de internet, videogames e televisão fala mais alto no conteúdo dos filmes, vídeos, peças e discos produzidos por essa nova geração, que, com exceções, ainda não chegou aos 30 anos de idade. Eles não têm nada contra falar sobre a própria terra, mas às vezes até procuram fugir ou ironizar esse tipo de preocupação. Simplesmente fazem o que gostam, cada um com seu estilo, sem se preocupar com aqueles discursos de afirmação comuns há uma década atrás.

Independência - Se encaixariam nessa ascendente cena (palavra que menosprezam) produtoras de cinema e vídeo como a Trincheira, a Ruptura, a Telephone Colorido, a Colônia e a Símio Filmes, companhias de teatro como a Escambo, estilistas como Melk-Z-Da, artistas plásticos como os grupos Mamãe, Aleph e Valdisney e bandas como Mombojó, Rádio de Outono, Mellotrons, Volver, Suvaca di Prata, Vamoz!, Retrovisores, Diversitrônica, Johnny Hooker, Le Bustier en Decadence e Superoutro, além de pessoas isoladas. Impulsionando essa produção estariam núcleos estratégicos, entre eles o bar Garagem, o projeto Coquetel Molotov, o Espaço Laboratório, o Espaço Branco do Olho, o museu MAMÃE, o Cineclube Barravento e o site Recife Rock, todos ainda funcionando com independência e pouquíssimo apoio oficial.

A independência é uma das palavras-chave neste atual ambiente, como lembra Cristiana Tejo, coordenadora de artes Plásticas da Fundação Joaquim Nabuco: "Essa ladainha dos artistas de se lamentar sobre a falta de incentivo é saudade do clientelismo. O estado não tem a obrigação de sustentar espaço de artista. O que ele pode fazer, já está fazendo: criando eventos de formação, de discussão, bolsas de pesquisa teórica e artística, abrindo brechas para ajudar artistas com passagens para exposições e etc." Mesmo assim, apesar de pequeno, já há apoio vindo de quem está no poder. Entidades como Paulo André Pires (Abril Pro Rock), Gutie (Rec Beat) e Governo do Estado e Prefeitura do Recife já demonstram sinais de aceitação e interesse.

Afinidades - Essas questões se confirmam nos trabalhos dos artistas mais jovens do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, como Rodrigo Braga, Lourival Batista, Augusto Japiá, Bruno Vieira e Juliana Notari, na exposição ao mesmo tempo em que shows das bandas Chambaril, Profiterolis, Mombojó, Surpresa de Uva e 3ETs acontecem nas festas do evento. No último Festival de Vídeo do Recife, a participação da Símio Filmes, Telephone Colorido e Trincheira (além de outros videastas ligados a eles) foi de peso considerável. O Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, entretanto, parece fechar os olhos e mantém-se anacrônico ao privilegiar folclorismos e nomes consagrados. "Participei da comissão do Funcultura durante duas seleções e digo que a grande maioria dos projetos se baseiam em clichês da Pernambucanidade, da folclorização. É impressionante", pondera Cristiana.

Paulo André Pires coordenou, no fim de 2004, o concurso Microfonia, voltado para bandas de estudantes, que recebeu 400 inscrições. Das 12 selecionadas para as finais, apenas duas usavam instrumentos de percussão (algo que era quase um regra na época do mangue) e quatro chegavam ao ponto de cantar em inglês, numa descarada demonstração de independência cultural, beirando a provocação. Mas provocativa mesmo é a postura de bandas como a The Playboys, que assumidamente satiriza os mangueboys, o fanzine Pau no Cxx da Humanidade, que ataca a intelectualidade cultural, e a comunidade do orkut Bumba-Meu-Ovo, que tem 133 membros (incluindo dezenas de artistas acima citados) unidos em nome da ironia à valorização do folclore.

Saudável discussão...

Marcelo Campello, da banda Mombojó:

"Eu acho que esse movimento todo pode ser interpretado até mesmo como um gesto de anarquia. É uma reação de um grupo contra um patriotismo exacerbado e distorcido, que surgiu paralelamente a uma verdadeira e coerente valorização das raízes. O Estado também se contaminou com esse oportunismo e tentou se aproveitar, chegando ao ponto de a bandeira de Pernambuco hoje estar com a imagem banalizada."

Gustavo Albuquerque, da banda Surpresa de Uva:

"Fred 04 se transformou em uma caricatura de si mesmo."

Gutti, organizador do Rec Beat:

"O que pode estar acontecendo é simplesmente uma busca pela diferença. Uma geração sempre nega a anterior para sentir que está fazendo algo novo. É natural, portanto, que os tambores estejam agora sendo deixados de lado, porque aquilo virou clichê. Muita coisa virou clichê. Se você assistir a uma entrevista antiga com Chico Science, pode achar tudo meio ultrapassado, mas o cara era pioneiro dizendo aquilo. Fred 04 e Renato L, bem antes de escreverem o manifesto do mangue, já foram punks de camisas pretas. Nunca dá pra imaginar o que vai acontecer depois, não é que as coisas estão ficando ultrapassadas. Acima de tudo, não podemos construir cercadinhos ao redor do que é nosso, porque se não vamos perder nossa essência que é a diversidade. (...) Toda geração tem um gênio, mas ainda é cedo para especular ou eleger os nomes dessa nova."

Cristiana Tejo, curadora da Torre Malakoff e coordenadora de Artes Plásticas da Fundaj:

"A pernambucanidade é uma formulação que caducou. A jovem produção artística contemporânea de hoje proclama justamente a não-identidade e não responde ao panorama internacional com a fusão de elementos locais e internacionais, mas justamente por não diferenciar o dentro e o fora, transita por linguagens e procedimentos que não possuem referencialidade com um espaço e temporalidade localizados. Volto a repetir, isso não é exclusividade de Pernambuco. Cada vez fica mais difícil afirmar a procedência da jovem produção. A produção está sintonizada com as questões da contemporaneidade, que justamente aponta para a desterritorialidade, para a contaminação, para o livre arbítrio, para a pluralidade."

Moacir dos Anjos, diretor

do Mamam:

"Não vejo um corte tão abrupto, do ponto de vista conceitual e de procedimento, entre a produção cultural pernambucana de meados da década passada e a atual. Creio que é possível fazer uma leitura menos simplista e localizada do "mangue". Mais do que apenas uma proposta de renovação musical, o mangue é uma postura de criação, onde o que importa é o ponto de vista, o lugar a partir do qual se fazem as articulações entre as informações diversas que os criadores possuem no mundo contemporâneo. Não é necessariamente a representação de ícones populares ou o entoar de loas que faz a arte produzida aqui ser reconhecida como diferente, mas sim a maneira particular de articular as imagens, os sons e os símbolos vindos de cantos diversos. Não é também o caso de louvar essa articulação como necessariamente melhor do que as feitas em outras partes (nunca é demais estar atento contra excessos de auto-estima), mas sim de reconhecer a sua diferença. Se quiserem, que morra e enterrem o mangue. Apenas para que ele viva mais plenamente."

Paulo André Pires, organizador do Abril Pro Rock:

"Eu vejo isso como uma evolução da cena musical pernambucana. Isso reflete um amadurecimento dos músicos, que agora deixam de ficar afirmando o discurso para se concentrarem na consistência de seus trabalhos. São jovens que assistiram a uma segunda fase do mangue e fazem seu som sem precisar pegar carona. Se eu recebo um release de uma banda que use palavras como fusão ou mistura, eu já desconfio e acabo descartando. O microfonia serviu para mapear o que está surgindo e comprovou que bandas assim hoje são minoria. Já abri espaço no Abril Pro Rock e pretendo abrir ainda mais, pois acompanho e reconheço o crescimento desse meio indie."

Daniel Bandeira, da Símio Filmes:

"A pernambucanidade chegou a esconder casos graves de falta de talento.Ela chegou a um radicalismo que beirou a xenofobia, que pode ter chegado a isolar a visão para o resto do Mundo. Com o tempo, essa necessidade de afirmação acabou se distanciando de suas intenções iniciais. Essa nova geração de agora está se permitindo adotar novas referências e influências e está alcançando uma maior liberdade de criação. As informações que você recebe aqui são as mesmas que chegam a outros países e a diferença está na maneira como elas são trabalhadas. Uma nova pernambucanidade se caracterizaria pelas formas de criação, e não por ícones específicos."

Valéria Vicente, da Escambo

Cia de Criação:

"Não se trata de negar a história recente da cultura local ou negar a importância da cultura popular na nossa realidade, talvez seja ampliar o debate sobre a cultura, pois a violência, a solidão e a busca de prazer são tão parte da nossa realidade quanto o carnaval e o São João. A Escambo vem refletindo através do teatro e da dança sobre o Mundo contemporâneo e a situação humana porque esses são temas que unem seus integrantes."

Ângela Prysthon, professora e pesquisadora do Departamento de Comunicação da UFPE

"Sobre essa pergunta da pernambucanidade, ou melhor, de uma rejeição a essa "pernambucanidade", tenho a impressão de que é resultado de um movimento de oscilação bem natural. Oscilação que ocorre não só na cultura pernambucana, mas na cultura brasileira. Viemos de uma década (os anos 90) na qual era impossível não afirmar a identidade local, na qual era regra aludir a uma certa "diferença cultural", à cor local. Essa afirmação, por sua vez, apareceu em parte como reação à cultura internacionalizada dos anos oitenta. Era preciso mostrar as peculiaridades locais para se inserir num mercado de cultura global. Passada a euforia da "diferença" (e reconhecendo, inclusive, os limites da "diferença" também), há o retorno aos modelos metropolitanos, a um ideal internacional, ou universal. Nesse sentido, acredito que a busca por padrões mais cosmopolitas, mais internacionais e mais distantes do modelo mangue (na verdade, quase opostos) seja uma volta quase previsível do pêndulo."

Bruno Vieira, artista plástico

"O único sentido íntimo da nossa geração é que ela não tem sentido nenhum, não acredito numa regionalização na atualidade sem que ela esteja impregnada de globalização, de cultura de massa, porque nunca vi, nunca presenciei. Em minha opinião, cada pessoa tem um traço cultural do lugar de origem dentro de si, isto é, uma força superior extraída do subconsciente humano que tem o poder de modificar os destinos da vida de cada um. Tento acreditar na valorização das raízes culturais pernambucanas, pois para mim e para muitos, ela pode servir como 'Objeto' de apego nas horas de necessidade, de se 'entender' dentro da cultura desse lugar, acredito que se pode depositar esperanças dentro dessa nova geração de artistas para superarmos a situação correspondente desse momento de incertezas, de rupturas. A verdadeira crise está refletida nessas rupturas do nosso tempo, em concepções de pessoas cegas que defendem uma regionalização exacerbada e se recusam em receber e perceber as novas situações."

24.1.05

Pernambucanidades

Julio Cavani fez, finalmente, a matéria que ele imagina há mais de um ano. "Novatos desprezam clichês de identidade". A matéria é boa apesar de fazer pensar que antes da "nova geração" todo mundo era pernambucanidade. Será que o cara esqueceu do Paulo Francis vai pro Céu?

Ô Ariano, Suassuna
Não ligue a televisão
Pois pode estar passando, Paulo Francis
E você morrer do coração (repete)

Mas só que o PFVPC já segue uma tradição, não sei se cultural ou familiar, da ironia e sarcasmo pernambucanos. Assim como todas essas bandas que fazem escracho hoje em dia. Nada é fruto direto, mas a verdade é que há num sei quantos anos Ivaldevan criou um bloco chamado Língua Ferina justamente para estravazar esse sentimento. E essa porra, hoje em dia, se chama Eu acho é pouco: não tem a mesma qualidade nas críticas, mas faz umas festas legais.

Sabia que Rodolfo Mesquita faz aqueles quadros com a mesma identidade "contemporâneo globalizado" desde a Década de 60? Mas isso são apenas detalhes, a matéria é muito boa o ridículo é o tipo de afirmação de quem quer aparecer: "A pernambucanidade é uma formulação que caducou".

Existe pernambucanidade? Não. Existe cultura local, uma coisa altamente instável e mutante, que felizmente está sendo aproveitada de forma menos forçada por essa geração. Agora a reportagem foi muito interessante em abrir espaço para gente feito Marcelo Campello (que aprendeu o que é música com os malas do samba e choro pernambucanos) e Valeria Vicente, que comeu muito cuzcuz na casa dos Madureira para chegar a ser vizinha de Mestre Salustiano e finalmente entrar numa companhia de teatro contemporâneo.

Esse post é só para dizer que Amarelo Manga é mais do caralho (na minha humilde opinião e sentimento, claro) porque a mulher aparece com a buceta de fora e a camisa do Santa Cruz e pronto - e olha que sou rubro-negro. Se fosse do Real Madrid não seria a mesma coisa para mim. E duvido que o Mombojó cuspa no pandeiro que os ensinou, ou que Valeria vomite o coco que dançou.

Agora eu digo: aquela exposição do Museu do Estado "contemporâneo globalizado" é qualidade zero. Por que assim como existe aproveitamento da cultura local de forma não forçada, existe também arte contemporânea chula em qualquer lugar do mundo.

O pior é que se eu dissesse que cuspo naquela exposição virava uma instalação. Por sinal, não sei quem me contou dessa obra de arte: um monte de tomate podre para ser jogado numa parede?

É foda gente que se fantasia de inteligente.

16.1.05

Eu acho é pouco, Fred Amorim e saudade

No único livro que escrevi tem uma crônica sobre o Eu acho é pouco. Pena que não tenha ficado com uma cópia. Me lembro muito pouco do que era o arrebatamento dos meus 11 anos. Ficou só a lembrança vaga de Debora Suassuna prevendo o escritor que eu viria a ser um dia. Da discussão criada porque o desenho da capa tinha umas suásticazinhas roza, vermelha e amarelas (salve Leda Telles que me salvou dessa roubada). Da emoção da professora, sobrinha de Ariano, ler um texto meu para a turma e dizer "essa parte aqui me deixa toda arrepiada". E do último Eu acho é pouco que fui levado por meu pai e que me faz chorar toda vez que relembro.

A história é a mesma que se repete todos os anos nas ladeiras de Olinda e se você for bom em fechar os olhos pode viver até no Recife Antigo. Só que é a minha. Chegar em Olinda e procurar o bloco no aperto das ruazinhas lotadas. Descer a ladeira da Prefeitura e sentir o aconchego do espaço quando a gente chega na frente do Eufrasio Barbosa. No Bêbado e o equilibrista papai me deu o primeiro porre de lança-perfume da vida. Mas naquele ano o que me chocou mesmo foi uma discussão no pé da Misericórdia: sobe ou não soube? "Criança sobe de ré!". Desde então minhas cores são vermelho e amarelo. Paixão e sabedoria, sempre com muita ironia.

Por que quem parte deixa saudade.

15.1.05

Só para quem gosta de comédia romantica

Eu agradeci em um comentário a Jampa por ser o que ele foi na minha vida. Na verdade eu tinha pensado um post sobre o quanto os amigos influenciam a minha história, mas agora esqueci como ia fazer isso de maneira bem humorada e só sobrou o piegas. A Julia por me completar. Francisco por ultrapassar. Joao e Rafa pelo desafio e troca. Daniel e Marina pela sutileza. Ton, Romero, Bernardo e tantos outros por acreditarem. Paulinho e Rosa por saberem aproveitar. Pedro e Graça pela distância compartilhada. Carlos, Joelson e Rodolfo porque o caminho é torto mesmo. Elton pelo descobrimento do liderar. Mateus pela diferença e Tuti pela semelhança. Marta pelo começo de tudo. Selin por ter acreditado mais. Jesse porque derrota também é bagagem. As outras mulheres da minha vida pelos momentos vividos. E aos que esqueci, por me cobrarem (e somente se fizerem isso). Estendo esse obrigado a todos os que lêem esse negócio aqui.

11.1.05

Satisfaction

O título não tem nada haver com o que vou escrever. É só porque tentei pensar na primeira coisa que achasse prazerosa. A imagem foi essa música. Muito tesuda. Foi uma forma de buscar forças para escrever aqui.

A coisa que mais meu pai gostava de fazer (segundo ele próprio) era comer. Ele era um cara namorador pra caramba e tal (mamãe reclama até hoje), tinha uma vida Política intensa, tinha uma paixão incrível por jazz, mas me lembro muito bem dele dizendo isso na mesa do Marruá. Por sinal, deveria fazer uma homenagem a ele antes desse Carnaval e ir comer os melhores pães de queijo do Recife (já que aquela carne flambada eles não fazem mais mesmo).

Eu não. Gosto muito de comer, tenho um prazer enorme em escrever e criar, gosto de viajar e de conhecer gente nova como a maioria e acho que até vivi alguns amores (se não dois, pelo menos um com certeza). Mas tenho certeza que escrever dois ou três livros e fazer meia duzia de filmes, ou trabalhar a vida toda num puta jornal mesmo como Ombudsman ou cargo ainda mais importante, não me daria a realização de entregar uma vida para o bem público.

Caralho, Política é outra coisa e eu continuo acreditando. Agora dá uma vontade da porra de querer basear sua realização numa coisa mais simples. É muito fácil ser ator João Lima! Como eu queria ter como adversário um piano ou a direção de um ônibus. Mas vou seguindo esse caminho acreditando que essa minha geração ainda aprende a se organizar. Afinal, já diria Chico Science...

Satisfação Zero deveria ser o título desse post.

27.12.04

Cozido Bomba Meu Ovo

É acabou tendo. Foi legal como todos os anos. Toda vez a gente fica com a impressão de que foi o melhor, parecido com Carnaval. Mesmo que tenha sido improvisado ou principalmente porque foi feito de última hora.

Chegada mais esperada
Evidentemente Paulinho e Rosinha, do mesmo jeito de sempre.

Chegada surpresa
Mariana Lacerda em visita pré-nupcial

Chegada estarrecedora
Luciana Queiroga (sem comentários!)

Chegada Bomba Meu Ovo
Brenda e seus amigos "quem são vocês?"

Chegada revitalizada
Amelia Paes, depois de um mês em Olinda, finalmente vista no Recife

Chegada tentadora
Gabriela: a pirralha de Maria e Marquinhos é linda demais

Chegada mais duradoura
Keops Ferraz, que saiu da festa direto para a de Luciana

21.12.04

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE TRABALHAR EM ASSESSORIA DE IMPRENSA CAUSA CÂNCER, INFARTO DO MIOCÁRDIO, PEDRA NOS RINS E IMPOTÊNCIA SEXUAL.

Julio Cavani e Bernardo Jurema estão intermediando os contatos de uma das mais queridas bandas do circuito musical pré-pós-indie pernambucano com o único produtor cultural que nunca recebeu um não na vida: eu. Como as cifras são astronômicas e os artistas prezam pela descrição acredito que ainda não seja prudente divulgar detalhes do negócio. A verdade é que estou querendo voltar à vida in(dependente)teligente.

20.12.04

Minha lista de fim de ano

Incrível
Consegui repetir o feito do Jornal do Commercio e ultrapassar a marca de um ano no mesmo trabalho, na Prefeitura do Recife.

Pena
Não tenho nenhuma grande produção cultural para me orgulhar. Ano passado era a exposição de Rodolfo Mesquita. 2005 será diferente!

Viagem
Rio de Janeiro. Se eu dissesse Porto de Pedras ia ser muita babação com Julia, mesmo tendo sido tão bom para mim também.

Filme
Demorou que só para eu ver. Todo mundo já tinha falado. Superou minhas expectativas e foi o primeiro que vi no Rio. Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Livro
O que emprestei para Amelia: Em busca do prato perfeito. Anthony Bourdain rules. O grande prazer das simples descobertas.

Evento social
Lançamento do livro de Dendeco. Fiquei muito feliz de encontrar todo mundo, mais ainda de Maurício Targino ter escrito e lançado seu livro. Estou na fila.

Post
O de minha mãe falando sobre as eleições em Glória de Goitá, Lagoa do Itaenga, Pombos... Eita vidinha dura danada.

Comentário
O de Paulinho quando eu fiz o post de aniversário dele. Sei lá, achei muito massa. E o melhor de qualquer blog são sempre os comentários.

Eleição
Nenhuma em particular. Poderia até falar de Fortaleza, mas nem isso me empolga. Talvez os 1.055 votos de João Baltar. Romero, Pablo, Eu, preciso de um candidato.

Despedida
Vai ser eternamente falada a de Mauricio Silva. O cara ligar do Aeroporto para dar tchau para a galera que tinha organizado e já festejava a despedida...

Roubada
O dia em Niteroi foi limpeza, apesar da andada excessiva, do filé de merluza mais caro da história... Mas agüentar o bom humor de Ton e Hommer só rindo.

Show
Profiteroles. Sem muitas explicações. Não entendo muito de música, apenas detecto as coisas que gosto ou não. Eles são muito bons.

Disco
Nadadenovo. Tá bom, comprei em 2003. Mas não tem como negar que ouvi durante os 12 meses deste ano.

Descoberta
As lojas de brinquedos educativos e artesanais do Flamengo. Eu quero uma Arte de Brincar para mim! Francisco pode até achar um saco, mas eu adoro.

Mulher
Julia Coutinho Costa Lima. Por que é bom demais a gente redescobrir e inventar novos grandes prazeres nas nossas vidas construídas com tanto carinho.

Filho
Só Francisco mesmo. Por mais que eles insistam. A situação não vai mudar nem tão cedo. Talvez depois de Londres, 2006 já está pertinho.

Desejo
Esse é um eterno copy and paste, continuam os mesmos 20 quilos me separando das antigas belas atuações futebolísticas.

16.12.04

Ressaca

Putz, vou antecipar logo uma das minhas definições de fim de ano: só tomo cerveja (whisky e outras coisas mais) quando puder acordar no outro dia pelo menos de 10 horas. A vontade era escrever meio-dia, mas sou um conformado.

A festa de João Paulo com os jornalistas foi regada à muito whisky e agora sinto as agruras do PT rico. Por sinal, estou meio alcoólico porque minha temporada de festejos começou em novembro, com minha viagem para o Rio de Janeiro.

Ton chegou. Encontrei ele e Karla no Shopping Tacaruna, que eu saiba é a primeira pessoa a aportar. Rafa chega dia 19, João Lima só dia 5 de fevereiro, Paulinho e Rosa no Natal e o resto das pessoas eu não estou lembrado.

O incrível é que bebi as mesmas cinco doses ontem, como fiz na festa do Eu acho é pouco. Mas na festa do bloco eu estava ótimo até sete horas da manhã, nem fiquei bêbado e não tive ressaca. Agora pense tudo invertido.

E ainda estando no trabalho...

13.12.04

Uma boa história

O livro O dia em que resolvi me casar com uma puta parte de uma boa história. É o mais importante. A leitura é divertida, mas Maurício ainda pode evoluir muito como escritor. Apesar da história ser boa e deixar o leitor curioso durante as 80 páginas do livro, em alguns momentos fica clara a condição de escritor estreante. Explico, as descrições de transas não são herotizadas como eu gostaria (será que sou mesmo uma boa referência? Minha leitura preferida é punheta - de psicótico - pura: Bukowski, Pedro Juan). Fora isso, há duas coisas que diria a Dendeco em uma conversa particular, mas como havia prometido já estou adiantando aqui, em alguns momentos os diálogos poderiam ter sido melhor elaborados e de uma forma geral acho que nos próximos textos ele deveria descrever mais e explicar menos. Como diria Raimundo Carreiro: o leitor quer ter a descoberta e não receber as sensações já analisadas. Por um outro lado, a história é bem interessante. Um homem que conhece uma garçonete, descobre que ela é prostituta e se casa com ela mesmo assim. A maior parte do texto é com o casal já formado e é interessante ver a relação dos dois. Ela tem o controle da situação e parece muito mais resolvida. Ele é um cara querendo aprender a viver com o amor e a monogamia, ou fazer um menage à trois de vez em quando. No fim a história me surpreendeu. Espero que as pessoas gostem como eu.

11.12.04

O dia em que resolvi me casar com uma puta

O melhor presente de natal do ano é o livro de Mauricio Targino. O cara tem um nome da porra, mas só consigo pensar nele como Dendeco. É verdade que ainda não li todo. Ao contrário de Julia, que pegou e traçou ontem à noite. Minha opinião seria antecipada, fica para depois. Mas são oitenta páginas de contracultura, com diagramação do mestre Bob, uma foto linda na capa e tudo por apenas R$7,00 (menos de dez centavos por página e olha que ele não teve apoio nenhum. Por sinal, uma salva de palmas para Mauricio e todos que fazem arte sem Lei de Incentivo e que se foda a categoria dos produtores culturais). Foi muito legal o lançamento. Uma pena que apareceu pouca gente do Marista, até eu sair só vi Andreza. Mas a verdade é que Ton é quase doutor, Valeria é uma mega hiper trabalhadora, eu sou esse funcionário público hipócrita, Jampa e Erico estão na Europa, Camarão foi viver a Biologia no Mexico, mas quem já tem um livro para mostrar aos seus filhos é o menino de Paulo Afonso. Por sinal, quem tem o e-mail do cara?

8.12.04

Mamerto

É gíria colombiana, se alguém for ao dicionário terá dificuldade de encontrar. Mas vai ver diversas aparições no Google. Assim como saudade, para nós brasileiros, é uma palavra que causa certo orgulho por não ter tradução em outras línguas. Fiquei tentando: traidor, hipócrita, cu frouxo. Vem de um sobrenome, então deve ter sido usado inicialmente em referência a algum cavalheiro daquela civilizada nação. Quem sabe um governante. Mas pode até ter sido sindicalista. Ou mesmo jogador de futebol (um zagueiro qualquer, desses que morre depois de fazer gol contra). O que sei é que o País se orgulha da ironia, assim como os cariocas gostam de falar por serem os mais malandros. E os brasileiros de antigamente colocavam em um pedestal essa nossa placidez amoroso-letárgica-bossanovista. Eu não tentei, mas acho que meu amigo ia ficar calado se tivesse falado Lulismo.

6.12.04

10.000 VISITAS

Passou né. Eu devia estar no Rio. Sei lá, foi uma época que isso aqui estava meio abandonado. Mas acho que vou passar a atualizar com mais frequencia novamente. Valeu!

Volta ao trabalho

Sem dramas,
Fui almoçar com Chá,
Já me enchi de coisas,
Mas estou sem ritmo.

As pessoas falam e não consigo achar as coisas importantes.
Vai ver é porque não é, né?

Jamerson tá fazendo o curso de cinema que queria ter feito.
É que começou quando eu estava no Rio.
Minha intenção era fazer um filme de um minuto no Lixão.
A imagem vai se aproximando do ambiente e o som de violência vai aumentando. Cenas cotidianas do Lixão da Muribeca e uma mulher sendo espancada. Violência familiar e falta de condições de humanidade. Quando entra num barraco o som é de um parto. O homem que gritava coisas grosseiras é o marido que segurou o bebê.

Por hoje foi isso.

4.12.04

Sandy & Junior

Fica mais difícil voltar a trabalhar segunda-feira depois desses R$480 mil. Num podia ter sido gasto num show de Chico Buarque? Seria sem noção, mas eu pelo menos me auto-enrolaria. A melhor resposta é que nada pode ser provado. Beleza, que eu saiba ninguém prova que o dólar foi mantido em um patamar absurdo para garantir a reeleição de FHC, nem que houve compra de votos para que a emenda que possibilitava essa manobra fosse aprovada no Congresso Nacional. Eleição é um negócio muito bom.

25.11.04

Peões e Entreatos

Eduardo Coutinho (Edifício Master e Peões) e João Moreira Salles (Notícias de Uma Guerra Particular e Entreatos) parecem assustados com a repercussão política de seus dois filmes sobre o presidente Lula. ?Não tenho idade para acreditar em utopia. Por isso estou pouco frustrado?, diz o primeiro. ?Como botafoguense não tenho grandes ilusões?, reafirma o irmão de Walter Salles.

A verdade é que fica difícil avaliar a recriação do estilo minimalista de Eduardo Coutinho diante da oportunidade de ouvir as expectativas dos companheiros de luta sindical do presidente, antes dele ocupar o cargo mais importante do Brasil. Ainda menos importantes são as qualidades técnicas de Entreatos, um filme realizado sem tripé e que não teve iluminação artificial.

Ao sair dos filmes o que toca a maioria dos expectadores é o conteúdo. O senador Eduardo Suplicy espia sozinho, na última cena de Entreatos, Lula ser engolido por uma montanha de fotógrafos e jornalistas em busca da primeira fala do presidente eleito. E a imagem explica um velho jargão do jornalismo ?a solidão do poder?.

Pequenos trechos do filme dirigido por João Moreira Salles poderiam ser usados pela imprensa para causar grandes escândalos nacionais. Numa hora, por exemplo, o candidato fala de brincadeira sozinho ao telefone: Duhalde nós queremos devolver o Favre. E de repente o pernambucano mostra o sentimento que derrotou (agora não dá mais para negar) Marta Suplicy na eleição para prefeito de São Paulo.

Por outro lado, Entreatos traz de volta o presidente que o Brasil aprendeu a admirar. Com alguns ingredientes que são novidade para a maioria da população. É de admirar que o candidato previa e respeitava a posição crítica do PT em relação ao seu futuro Governo. Assim como é difícil imaginar um outro candidato eleito a presidente de um País importante que poderia abrir mão totalmente de sua privacidade no período pré-eleitoral?

João Moreira Salles é só elogios ao garantir que não houve interferência nenhuma do Governo Federal e dos personagens. ?Entregamos uma cópia um pouco maior desse filme à equipe do Palácio do Planalto em dezembro, mas até agora não tivemos retorno algum?, garante revelando certa ansiedade para saber a opinião dos petistas sobre o filme.

Evidentemente a equipe de filmagem não teve acesso a todos os momentos da campanha. No filme, o nome do diretor é assinado sobre uma porta fechada. José Dirceu pergunta ?quem é esse tal de João Salles?? e pouco depois a imagem é cortada. Mas Salles afirma que não imaginava que teria tanto acesso aos momentos cruciais da campanha.

O filme de Eduardo Coutinho não trará tantas polêmicas. Tem momentos muito engraçados, como uma cena em que uma ex-metalúrgica explica que o seu maior prazer é gritar, dar esporro. O expectador parece entender um pouco mais quem é Lula depois dessa explicação e de muitas outras. Mas Peões é essencialmente um documento sobre uma categoria profissional em extinção. Metalúrgicos que participaram de um momento importante da história brasileira demonstram solidão, tristeza, orgulho e na maioria das vezes esperança. Só para lembrar, com uma administração que ainda estava para começar. No mínimo Peões é um passo importante para a democratização das informações no Brasil, pois é tão importante o povo conhecer os poderosos, quanto os governantes ouvirem as pessoas comuns.

Não deixa de ser um sopro de novos ares para o Governo Federal. Quem sabe não inspira os personagens do outro filme? Se os diretores dos dois longa-metragens agora são unânimes em dizer que não têm grandes utopias, pelo menos os entrevistados parecem discordar. E que outras demonstrações de esperança das platéias do Brasil nos façam acreditar que a arte explica melhor a realidade do que as opiniões dos seus autores.

20.11.04

Variados

Vou para o Rio segunda.
Finalmente assisti Kill Bill. É a pior bombação de ovo que existe. Nível Changeman.
Preciso voltar a falar inglês em 15 dias?!
Tentei atualizar o blog umas três vezes mas nunca chego ao fim do post.
Alice devia ir pro Rio próximo fim de semana. Muitas atrações...
Férias passa muito rápido. Só estou pensando em virar vagabundo.
Alguém arruma um bilhete premiado da Megasena? 34 milhões resolve meus problemas.
Má Educação é o filme mais gay de Almodovar. MUITO BOM!!!
Daniel tá se escondendo de mim ou de Julia?
Porto da Rua é a próxima Muro Alto. Ou eu acampo lá logo ou próxima vez já vai estar cheio de resorts.

11.11.04

Explicações

Está difícil atualizar. Estou de férias, mas tenho pouco acesso a computador e estou tentando me ocupar bem. Esse texto ai de baixo é sobre a derrubada de uma praça em Gloria de Goitá. Foi na mesma semana do aniversário de João Paulo. Duas coisas tão desproporcionalmente longínquas dentro desse mesmo PT. Gostei de conversar com o irmão de Micheline sobre a Secretaria de Cultura, depois chegou Peixe. Tadeu me explicou o trabalho dele na Operação Trabalho, depois chegou Chico Oliveira. Falei com Ricardo Dantas Barreto sobre a denúncia publicada na Folha de Pernambuco, mas não tive coragem de pedir explicações ao secretário Djalma Paes. Tem explicação? A mãe dele derrubou uma obra pública, revoltada com a derrota eleitoral e ele ficou calado. Uma vergonha!

Inalda me mandou também um texto sobre a beleza do aniversário, vou ver se encontro para postar depois...

É isso, o PT?

Sexta feira, dia 29, tivemos a formatura da 3a. turma dos ADLs. O Serta e o Projeto Aliança com o Adolescente formaram 101 novos agentes de desenvolvimento
local. Uma festa bonita. Reunimos cerca de 500 pessoas no Campo da Sementeira.

No mesmo momento, em Glória do Goitá, a Folha de Pernambuco fazia a cobertura das demolições de duas imponentes obras em construção - o Parque das Acácias e a quadra poli-desportiva. Elas seriam o cartão postal do município, na entrada da cidade, às margens da PE 50. Era um feito para quem as construía e uma conquista para a população. As pessoas já se viam fazendo caminhadas, as crianças brincando, árvores (seriam acácias?) crescendo, florindo, campeonatos em curso. Os glorienses se orgulhariam de dispor de tão preciosos equipamentos.

Mas o candidato de D. Fernanda, a prefeita, perdeu em todas as urnas da cidade. Perco, mas não perco só! A marreta, a serra, baixou feio. Saiu do parque um caminhão completo dos meios-fios que delineavam a pista de cooper (até caiados já estavam!). E as grades pintadinhas de azul caíram serradas uma a uma. Derrubaram a quadra polidesportiva. Doeu no coração o silêncio das pessoas, a conivência de outras.

Sexta-feira, dia de formatura para os jovens e para todos nós quando a nossa perplexidade se traduziu em indignação e juntos procuramos o Ministério Público e a Imprensa. O Serta, o Centro das Mulheres de Glória do Goitá, o Sindicato dos Servidores Municipais, a Câmara Municipal, lideranças e os jovens deram um importante passo na construção da sua participação cidadã. Reafirmamos a cidade quando o seu braço conservador tentava demoli-la. Agimos com autonomia quando a marreta nos lembrava submissão. Fizemos soar a nossa voz com clareza e argumentos para nos contrapor às retaliações mal dissimuladas no som da serra. Marcamos posição contra quem tem sido aliado, parceiro e colaborador ao longo de todo o projeto Aliança com o Adolescente, mas que um dia precisa aprender os limites que as boas regras do jogo democrático nos impõe.


Inalda

2.11.04

Época X Reginaldo Muniz

Bernardo me enviou o link da entrevista de Reginaldo Muniz na Época.

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT833531-1666,00.html

Eu ainda acho pouco. É longa, mas faltou a capa. É um marco para o que estamos acostumados, mas merece processo ainda. O certo é negociar com todas as empresas o direito de resposta e depois entrar em vias judiciais.

Você faz um processo e diz que a indenização vai para a Rede Andi e bota pra fuder nos malas. Magno Martins pode falar de Newton Carneiro? Não. São da mesma laia.