29.4.05

Narcisismo em estado bruto

As vezes fico curioso se as pessoas realmente entendem quem eu sou. Tipo assim, alguem - fora Mateus, que deve ter um senso de humor quase tão ridículo quanto o meu - entende que quando escrevo "Encontrei Marina na entrada e a sessão ficou um pouco mais gostosa" é só para associar as palavras Marina e gostosa?

Será possível que dois anos seguidos a pessoa faça declarações de imposto de renda de terceiros antecipadamente e deixe a sua para o último dia? Pior, acorde às 3 horas da manhã de uma sexta-feira e encontre a mensagem: Manutenção impede contribuinte de fazer declaração das 3h às 7h. Ano passado fiz umas três do pessoal da Prefeitura e domingo passado fiz a de Julia (hiper complicada). A minha que é simplinha e tem só uma fonte de renda, vou ter que fazer de tarde.

Tudo bem que a maioria dos leitores desse blog nunca acessou o site da Receita Federal. Mas tem um amigo meu que tá grávido e eu gostei pra caramba de saber. Assim, a minha geração vai ganhando responsabilidades.

Tive uma conversa com Rosinha sobre exposição/narcisismo/blog. Se a pessoa parar para pensar realmente morga esse negócio de escrever sobre si mesmo. Mas como são cinco horas da manhã espero que ela perdoe mais esse post.

28.4.05

Machuca

Fazia tempo que não assistia a um bom filme. Encontrei Marina na entrada e a sessão ficou um pouco mais gostosa. Depois não consegui falar da sensação que tive, mas venho aqui tentar explicar.

O filme chileno é sobre o conflito entre duas crianças, uma pobre e outra rica, que se conhecem durante o Governo Allende. Quando morava no Rio escrevi uma história que tinha esse mesmo enredo, no contexto da violência crescente no Brasil.

Eles se conhecem quando um padre inglês abre um colégio aristocrático para meninos das comunidades próximas. O riquinho ruivo e o índio gordinho (Pedro ?Peter? Machuca) têm uma empatia imediata e ainda dividem uma paquerinha infantil.

O filme é dedicado a um padre que realmente dirigiu o Colégio Saint Patrick na época em que se passa o filme. Mas tem toda uma aura de fantasia, com os meninos correndo das passeatas nacionalistas para as comunistas para vender bandeirinhas.

A história é boa. Bem contada. Consegue entrar em territórios de múltiplas sensações. Acho que as pessoas podem gostar do filme por diversos motivos diferentes. O namoro das três crianças. A Política. A infância bem vivida. A linda Santiago. A violência policial...

Para mim, o que mais reverberou foi a sensação forte de machucado por sentir falta de lutas no nosso País. Tanta coisa evoluiu! Mas as pessoas estão deixando passar porque quem veste a camisa vermelha hoje são os perseguidores no Brasil.

Cadê aquele povo que jogava torta na cara dos tucanos?

25.4.05

Teoria e prática

Escrevi um negócio grande da porra sobre a distância entre teoria e prática na regulação de energia, mas perdi. Queria ver o que Paulinho ia achar. Mas agora não vou conseguir reproduzir. O resumo da ópera: os "donos" da Aneel têm mandato e por isso são facilmente corrompidos, a empresa ideal que a Agência cria é uma lenda (os custos e perdas da Celpe acabam sendo levados em conta), as regras da Aneel não levam em conta contribuições que poderiam ser dadas por exemplo pelos Procons (maior número de reclamações em Pernambuco é para quem? Celpe - Grupoo Neoenergia), fantasias criadas pelas empresas viram custos nas contas dos contribuintes ("o aumento na perda de energia foi gerado pela violência em Pernambuco", Roberto Alcoforado, presidente da Iberdrola, Celpe, Termopernambuco. Sei lá, é tudo o mesmo monopólio). Os juízes que vão julgar o aumento, depois de autorizado pela Celpe (sei lá, Aneel), já foram devidamente comprados. Por sinal, foi a Veja que divulgou uma viagem desse pessoal para a Cidade Maravilhosa paga pelo nosso dinheiro e repassado para a Celpe através das contas de energia elétrica. E o pior é que lá no Sítio os fios (que eram para ser de energia) são todos de telefone.

31.3.05

Um bom registro

De tempos em tempos encontro uma pessoa que supera todos os problemas da Poder Público e faz um trabalho bonito. Isso é quase impossível. Hoje, ouvi o depoimento de Brenda Braga e fiquei impressionado com o que aquela mulher vem realizando no Projeto Renascer. Depois perguntei a minha mãe sobre ela, Inalda disse que ela era toda a mulher bonita e brilhante que eu tinha visto e ainda tinha senso de humor.

Difícil explicar tudo que ela mostrou com suas palavras. Tentativas de desburocratizar as operações para possibilitar a captação de recursos por pessoas com pouca formação do meio rural; realização de seleção para ocupação dos cargos (todo lugar que vejo as indicações são políticas); busca de apoios em entidades como o Tribunal de Contas e o Ministério Público para solucionar problemas sérios; a defesa do princípio de que aquele trabalho social realmente não pode virar politicagem e precisa seguir critérios técnicos (para a platéia ávida pelos votinhos que as pontes, banheiros, cisternas e poços poderiam lhes dar); e especialmente a capacidade demonstrada de solucionar os problemas que ela encontrou no órgão.

Pedro Eurico levou um show!

E está 1 X 0 para Jarbas em 2005.

Poderia empatar dizendo que João Paulo finalmente tirou as famílias da Vila do Vintén, aqui do lado do Plaza Casa Forte, mas isso é só a repetição de Brasília Teimosa. Então só empato quando a Urb mandar começar a obra viária para desafogar o trânsito de Casa Forte. Ou então quando Hommer Boy chegar no ouvido do prefeito e contar a esperiência existente no Rio de Janeiro de trabalho social (Favela Bairro?), que é tudo que a gestão precisa em termos de conceito para vender o trabalho em Brasília Teimosa. Que agora poderia ser feito no Coque, por exemplo.

Saudades

Estou no trabalho mais indicado para mim no campo da Política. Milhões de dilemas a enfrentar, mas pelo menos trabalho com gente que está afim de discutir algumas coisas e sempre respeitando aqueles princípios fundamentais que são tão raros nos dias de hoje (não só na vida pública, diga-se de passagem).

Agora, a verdade é que isso me torna ainda mais órfão de um jornal. Poxa, fazem quatro anos que saí do Jornal do Commercio. Sinto falta de tudo aquilo que os melhores repórteres reclamam depois que passam os três meses iniciais de euforia: excesso de responsabilidades, falta de estrutura, pouco tempo, pautas sobre assuntos absolutamente extraterrestres...

Engraçado que algumas pessoas têm bem menos perfil de jornalista, do que eu, e se enquadram e estão ralando em uma das três empresas de Pernambuco. Ainda bem! Sentei do lado de um amigo hoje, na CPI do Campo, vi que ele continuava o mesmo punk questionador da época de Católica (isso é um comentário 100% elogioso a um cara de quem nunca fui muito próximo). Como é que ele consegue continuar na Folha?

A única resposta que imagino é a necessidade. Imagino que é capaz de todo dia ele acordar com uma decepção nas costas: manchetes distoantes, textos decapitados, inserção de erros na edição, falhas do repórter vistas à posteriori (nem sempre por sua culpa, muitas vezes causadas por falta de condições de trabalho mesmo)...

Bem, mas pelo menos fico feliz que haja espaço para essas pessoas ainda no Jornalismo pernambucano. É muito fácil se enquadrar no esquema se você escreve bem. Para qualquer empresa é bom ter um Marcelo Pedroso (só para citar outro cara), só que são poucos os que ficam brigando para que cada texto seja um pouquinho mais verdadeiro, todos os dias da semana, quase o ano todo (ninguém tem saco para ser assim 24 X 365).

Acho que todo mundo para ficar numa dessas três empresas tem que fazer um pouco de malabarismo (ia dizer cavanismo só pra arretar Julio). Será? Eu sei que é um aprendizado do caramba aprender a conviver. Mas é especialmente importante não esquecer dos seus ideais.

Tanta coisa para escrever, mas não acho esse blog um veículo para assuntos do Mundo. Pelo menos para os meus dilemas ele tem um bom espaço. Infinito.

28.3.05

Viajar é preciso

Por que eu passei dez anos sem ir para Natal?

Realmente não há explicação. É a cidade realmente bonita mais barata que tenho notícia que se possa ir daqui do Recife.Uma prainha paradisíaca não pode ser considerada cidade, por mais que tenha reconhecimento formal para isso (óbvio!). Perderia todo o charme.

Puxa vida, a primeira conclusão é que todo mundo que investe em turismo no Recife vive de ilusão. É claro que esse mercado nunca vai passar da fase que vive atualmente: Carnaval, eventos e visitas familiares. Quem quiser realmente escolher um lugar para visitar sempre vai ter outras opções no Nordeste.

Ah, porque Recife tem uma cultura efervescente! Salvador também tem, as coisas são mais organizadas lá e a cidade ainda tem um litoral bonito.

Ah, porque o casario de Olinda e as igrejas são um diferencial! Realmente um décimo dos turistas acima de noventa anos realmente devem acreditar nisso. Os outros 90% ficarão decepcionados, pensando porque não passaram uns três dias a mais em Natal conhecendo todas aquelas praias lindas.

Ah, porque o artesanato... Sem explicações. Todo mundo sabe que em todas as capitais nordestinas é vendido o mesmo "crap".

Ah, porque Recife fica próxima de Porto de Galinhas, que é a um pulo de Japaratinga. Realmente, dá para pegar uma van direto do Aeroporto para um monte de praias que valem a pena. Finalmente achei um motivo para esse mega-aeroporto.

23.3.05

Arte no Muro



Fotografia: Maria Rosa

22.3.05

Antes do anoitecer

Finalmente fui assistir. Era o filme que estava faltando na minha lista de quando fui pro Rio, no ano passado.

A cena de ínicio é muito legal, assim como o final. A trilha sonora é uma das melhores coisas do filme. O debate não cansa, apesar de ter sentido falta de um pouco mais de carne na tela.

Julie Delpy continua tão linda como dez anos atrás. Julia ficou tirando onda da roupa de Ethan Hawke (como se escreve esse nome?), mas eu não tinha notado. Deve ser mesmo gréia com americano. Por sinal, é muito bom existir um filme que fica fazendo piada com os estadunidenses.

Fui assistir com Julia. Não sei se é a melhor condição. É um filme para relembrar relacionamentos perdidos. Passei uns quinze minutos para me recuperar das lembranças trazidas e acho que ela deve ter ficado na mesma situação.

Meia hora depois a gente já estava combinando uma viagem para a França. Paris é o principal personagem desse filme. Porra, é muito fácil ser um casal feliz frequentando aqueles cafés, ouvindo Nina Simone e vivendo num apartamento daqueles.

Depois tivemos de enfrentar a difícil realidade. Vamos comer onde? Anjo Solto? Boteco? Acabamos indo no Pin Up, pelo menos era uma coisa que a gente não tinha ido ainda. Muito caro para ter ketchup de sachê, mas o lugar tem uma comida boa. Recomendo principalmente o wafle.

9.3.05

Notícias da semana

Severino Cavalcanti passou pelo Recife?
Foi aprovada alguma Lei que fala sobre células tronco?
Humberto Costa continua cai não cai?
Rubinho continua em segundo lugar?
A Saúde em Pernambuco não tem como piorar?

Pois eu só prestei atenção mesmo nas fotos de Chico Buarque com uma mulher bem bonita num mar azul-verde lindíssimo do Leblom. Pois bem, não existe nada proibindo publicar fotos de gente na praia. Mas eu sou moralista velho. Quanto mais me interesso em olhar aquelas imagens, mais acho que não deviam ter sido publicadas e mais vejo o quando foram manipuladas de maneira a parecerem bem mais do que realmente deve ter acontecido. A única solução são processos muito bem estruturados que causem mega-indenizações. Na minha vida, ainda vou ser contratado para dar minha visão sobre esse tipo de cobertura. Que peça é essa dentro de um processo? Contendo a opinião de um especialista sobre um assunto. Outra coisa, sem nenhuma relação, a mulher pode ser linda, mas junto de Chico ela virou uma deusa.

28.2.05

Mudança de endereço profissional

Só para registrar que amanhã passo a trabalhar na assessoria de imprensa do deputado estadual, Roberto Leandro.

Continuo no mesmo ambiente petista, mas agora com um pouco mais de idealismo (espero e acredito!).

Não será nenhuma grande evolução financeira e a vantagem principal será ter um pouco mais de tempo livre para nadar, ficar com Chico, ir pro cinema, namorar...

Aos que ficarem iludidos de que vou ganhar bastante dinheiro ou trabalhar quase nada já deixo clara que ambas as idéias são precipitadas.

Não sei se vai dar para atualizar esse site na Assembléia Legislativa, mas espero em breve ter Internet à cabo em casa.

Para quem não conheçe esse deputado é aquele que vem devolvendo o jeton desde o início do mandato e tem um projeto de lei, junto com Tereza Leitão, para extinguir essa verba. É presidente da Comissão de Cidadania da Assembléia e foi presidente do Sindicato dos Bancários. Ano que vem a gente vê se ele vai estar mais conhecido do público pernambucano ou não.

25.2.05

Bolsas do Salão de Artes

Fernando Perez rules! O cara teve cunhão pra caramba de levantar o questionamento ao vivo, no Sopa Diario. Agora, duvido que ganhe qualquer coisa do Governo de Jarbas novamente. Mas tudo bem, 2006 vem ai. E em 2007 o Carnaval de Pernambuco já pode ser Multicultural.

A polêmica está grande, leiam as matérias de Julio e Diana. Quando é que essas curadorias vão aprender que realmente têm que tomar todos os cuidados imagináveis para distribuir verba pública? Mas o pior é que a coisa tem que ser discutida com respeito para não acabar causando uma decisão mais drástica da Secretaria de Cultura.

22.2.05

Juventude de Esquerda

Trechos de texto de Cristovam Buarque:

Enquanto não tiver responsabilidade de mais velhos, o jovem não deve ser o castrador de seus sonhos. Deve lutar por ele, enfrentar as resistências, mesmo que tenha que se submeter depois à lógica dos velhos.

O mais grave deste envelhecimento precoce que se percebe nos jovens militantes da esquerda brasileira, como forma de defender o nosso governo, é que a sociedade fica sem a vanguarda sonhadora que deve caracterizar a sociedade. Este é um imenso risco que corremos atualmente.

Na verdade porém, o problema talvez esteja menos na falta de sonho, do que no corporativismo como os jovens sonham hoje em dia. Se se falasse em federalizar o ensino superior, era capaz de os jovens aceitarem a idéia e lutarem por ela. Mas, como se trata de beneficiar as crianças, os sonhos são cortados pelos jovens militantes.

Não importa se por corporativismo ou por conservadorismo, a sociedade não muda, quando a juventude militante perde o gosto pelos sonhos mais radicais.

21.2.05

Aos caros leitores

Informo que dada a completa incompreensão do cenário Político local, internacional e nacional esse site passa, ainda mais, a ser um blog de uso exclusivamente pessoal. Tem o que comentar da vitória de Severino Cavalcanti? Alguém tem saco de ler mais lamúrias sobre essa Prefeitura do Recife? George Bush ainda tem quanto tempo de reinado?

A verdade é que Pedro voltou para a França e Tuti e eu falhamos como grupo terrorista. Com isso, a temporada de visitas carnavalescas finalmente deu-se por encerrada e os últimos seres humanos que ainda se iludiam têm que tomar conta de suas vidas.

Emagrecer,
Voltar à natação,
Fazer análise (será que dá para voltar do estado de loucura terminal?),
Receber resultados que continuam sendo protelados,
Ganhar dinheiro para ir à Paris,
Fazer projetos para ganhar dinheiro para ir à França,
Visitar Graça e Pedro,
Fazer mestrado só para poder passar uns mesezinhos viajando pela Europa.

São algumas das prioridades. Censurei a parte sobre meu emprego.

14.2.05

Eu acredito em sonhos

Tive um sonho que passava no Vestibular!? O pior é que comemorava com duas repórteres lá do Jornal do Commercio (Ciara e Roberta). Eu sabia que já era formado, mas por algum motivo estava fazendo a prova novamente. É muito estranho mas no sonho fazia algum sentido, porque eu me lembro de pensar na lógica que tinha cursar o mesmo curso que fiz na Católica na Federal. Como meu Horóscopo diz que vou colher os frutos do meu investimento acho que alguma coisa boa está por vir. Só não sei o quê?

Imagem do Carnaval

Na Quarta-feira de Cinzas como todos os dias da minha vida fui o primeiro a acordar. Fiquei na varanda da casa de Ivaldevan olhando a chuva cair. Os caminhões passavam cheios de trabalhadores. As barracas com algumas pessoas dormindo, esperando a hora de voltar para casa (será que aquelas pessoas passam o Carnaval todo acampadas?). Alguns foliões tentando viver mais um dia de folia louca, mas eu acho que naquele momento é tentar tapar o sol com a peneira.

Eu sei que fiquei ali, sem tristeza. Apenas rememorando um Carnaval bem vivido. É teve tudo que a gente espera! Mas vim aqui falar da minha última imagem de Olinda: Um toró danado caía e eu estava impressionado como alguém já tinha passado para tirar toda aquela sujeira que acumula diariamente (toda noite tem limpeza, por incrível que pareça). De repente notei um caminhão de lixo e três homens levantando com as mãos um tanto de lixo enorme, muito papelão e plástico das caixas de cerveja, imagine aquilo tudo molhado e os caras estavam sem capas (luvas talvez, mas não tenho certeza).

Tenho certeza que eles não ganharam nenhuma quantia enorme para fazer aquilo, só posso acreditar que os caras estavam trabalhando daquele jeito porque estavam com o mesmo gosto doce de um prazer muito próximo. Fiquei olhando ali, seria ridículo ir dizer que estava admirado com o trabalho dos caras, mas agora que passou fiquei com vontade de ir lá pagar uma cerveja para os caras. Talvez assim eu aprenda a brincar a Quarta-feira de Cinzas! Ficou para 2006.

Resuminho potiguar do Carnaval pernambucano

10.2.05

Quem sambou o samba da Juliana?

Encontros

Os detalhes de um Carnaval são indecentes, por mais doce que tenha sido vivê-los.

Eu gostaria de escrever sobre o que realmente foi importante para mim, os encontros e os desencontros, mas acho que quem lê isso aqui sabe o que é a delícia e a loucura de um Carnaval bem vivido. E se não sabem precisam saber. Quer uma dica: assim como Paulinho, acredito na tese de que o de Recife (e desse maravilhoso apêndice chamado Olinda) é imbatível e por isso só vou testar algum outro em um caso de extrema necessidade.

O Resumo? Briguei, amei, chorei, provei, fervi, gozei, apaixonei, dancei, beijei, conversei (até isso foi do caralho?!), troquei, dei, emprestei, bebi, fumei, encaretei, comi, salvei, meti, pulei e só resta agradecer a todos os que participaram da festa, que fizeram ela acontecer (estar por dentro da máquina faz você perceber a dificuldade) e aos que me ensinaram a gostar dela.

Sou muito chato e não entendo porque comecei a gostar de Carnaval, mas acho que essa história passa por meu pai, Paulinho, Carla e principalmente Julia.

Já estou no trabalho

Depois falo das coisas que importam. Agora vou apenas dizer duas coisas: quem diz que nenhum jornal presta não sabe ler jornal; quem diz que o Jornal do Commercio é melhor do que o Diario de Pernambuco não lê a coluna de Sebastião Nery.

Carnaval foi demais. Como sempre fica a impressão de ter sido o melhor de todos? Rafa e Amelia, desculpa ter ligado. Paulinho, Rosa e Jampa fiquem feliz por não ter feito o mesmo (mas não era para fazer inveja, era vontade de estar junto). Já escrevi uma matéria sobre essa festa então fico por aqui mesmo: http://publica.recife.pe.gov.br/pr/secfinancas/emprel/publica/index.php?GrupoCodigo=15&UltEdi=15241&GrupoCodigoMateria=15#UltEdi

1.2.05

Trabalho, Trabalho, Velho Trabalho... Trabalho

A verdade é essa, vou trabalhar no Carnaval. Ainda espero que seja só no domingo (odeio a Sala da Justiça mesmo). Mas pode ser que esteja cancelada minha intenção de ir pro Galo da Madrugada e que até na terça-feira tenha de aparecer no Recife Antigo. Meu consolo (que num é nenhum vibrador de 20 centímetros) é que dá para chegar em Olinda na saída do Eu acho é pouco.

Life sometimes sucks!

28.1.05

Sem medo de mudar de assunto

O cara ficar divulgando esquema de trânsito do Galo da Madrugada é a coisa mais morgante e ao mesmo tempo estigante do Carnaval. Por um lado é um saco ficar pensando em tantos atropelos. Por outro é fantástico pensar que por quatro dias não vou me preocupar com nenhum dos engarrafamentos (ia dizer atropelamentos, mas ficava meio feio. Depois era a vó de alguém na reta) que acontecerão em toda a Região Metropolitana do Recife.

Só para dizer que fui na Fundarpe hoje e no caminho tudo era festa. O cara que me vendeu o mate, no mesmo lugar que eu tomava quando era do JC, estava cantando "Eu vou esse ano pra lua". Na Guararapes estava tocando outra música e até os vendedores do sebo estavam com um CD de frevo nas alturas. Foi praticamente o repertório que canto para Chico dormir inteiro. Caralho, o cara fica enfurnado trabalhando e a festa não entra pelos seus poros.

É Carnaval! E que essa discussão cabeça se exploda!

Ps: Parabéns Joãozinho! A gente comemora quando você chegar.
Ps2: Esse post é meio mentira porque vou trabalhar pelo menos um dia durante o Carnaval, mas será no Terminal Marítimo e totalmente despreocupado.
Ps3: O único bloco moral desse fim de semana chama-se Cabeça de Touro. Que nome?!

25.1.05

Novatos desprezam clichês de identidade

Se cada geração de artistas cresce em diferentes contextos de formação cultural, é natural que sua produção carregue características próprias e específicas ao longo das épocas. Em Pernambuco, essas diferenças entre as várias cenas sempre foi bastante evidente, já que a trajetória artística do Estado sempre foi marcada por ciclos, grupos ou movimentos, como o cinema mudo da década de 1920, o frevo de 1930, a arte social de 1950, o armorial, o rock udigrudi e o super 8 de 1970 ou o cinema van-retrô, as pinturas e gravuras olindenses de 1980, entre muitos outros exemplos. Depois da auto-estima em relação às raízes locais estimulada pelo mangue beat nos anos 90 (repercutida também em outras linguagens como o cinema e a dança), neste início de novo século surge uma ninhada de jovens cineastas, atores, designers, artistas plásticos e músicos livres dessa afirmação da pernambucanidade, expressão em crise nesse novo contexto.

Todos só têm a agradecer aos mangueboys, principalmente por causa do exemplo e pelo espaçoaberto, mas a influência trazida desde a infância pela overdose de internet, videogames e televisão fala mais alto no conteúdo dos filmes, vídeos, peças e discos produzidos por essa nova geração, que, com exceções, ainda não chegou aos 30 anos de idade. Eles não têm nada contra falar sobre a própria terra, mas às vezes até procuram fugir ou ironizar esse tipo de preocupação. Simplesmente fazem o que gostam, cada um com seu estilo, sem se preocupar com aqueles discursos de afirmação comuns há uma década atrás.

Independência - Se encaixariam nessa ascendente cena (palavra que menosprezam) produtoras de cinema e vídeo como a Trincheira, a Ruptura, a Telephone Colorido, a Colônia e a Símio Filmes, companhias de teatro como a Escambo, estilistas como Melk-Z-Da, artistas plásticos como os grupos Mamãe, Aleph e Valdisney e bandas como Mombojó, Rádio de Outono, Mellotrons, Volver, Suvaca di Prata, Vamoz!, Retrovisores, Diversitrônica, Johnny Hooker, Le Bustier en Decadence e Superoutro, além de pessoas isoladas. Impulsionando essa produção estariam núcleos estratégicos, entre eles o bar Garagem, o projeto Coquetel Molotov, o Espaço Laboratório, o Espaço Branco do Olho, o museu MAMÃE, o Cineclube Barravento e o site Recife Rock, todos ainda funcionando com independência e pouquíssimo apoio oficial.

A independência é uma das palavras-chave neste atual ambiente, como lembra Cristiana Tejo, coordenadora de artes Plásticas da Fundação Joaquim Nabuco: "Essa ladainha dos artistas de se lamentar sobre a falta de incentivo é saudade do clientelismo. O estado não tem a obrigação de sustentar espaço de artista. O que ele pode fazer, já está fazendo: criando eventos de formação, de discussão, bolsas de pesquisa teórica e artística, abrindo brechas para ajudar artistas com passagens para exposições e etc." Mesmo assim, apesar de pequeno, já há apoio vindo de quem está no poder. Entidades como Paulo André Pires (Abril Pro Rock), Gutie (Rec Beat) e Governo do Estado e Prefeitura do Recife já demonstram sinais de aceitação e interesse.

Afinidades - Essas questões se confirmam nos trabalhos dos artistas mais jovens do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, como Rodrigo Braga, Lourival Batista, Augusto Japiá, Bruno Vieira e Juliana Notari, na exposição ao mesmo tempo em que shows das bandas Chambaril, Profiterolis, Mombojó, Surpresa de Uva e 3ETs acontecem nas festas do evento. No último Festival de Vídeo do Recife, a participação da Símio Filmes, Telephone Colorido e Trincheira (além de outros videastas ligados a eles) foi de peso considerável. O Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, entretanto, parece fechar os olhos e mantém-se anacrônico ao privilegiar folclorismos e nomes consagrados. "Participei da comissão do Funcultura durante duas seleções e digo que a grande maioria dos projetos se baseiam em clichês da Pernambucanidade, da folclorização. É impressionante", pondera Cristiana.

Paulo André Pires coordenou, no fim de 2004, o concurso Microfonia, voltado para bandas de estudantes, que recebeu 400 inscrições. Das 12 selecionadas para as finais, apenas duas usavam instrumentos de percussão (algo que era quase um regra na época do mangue) e quatro chegavam ao ponto de cantar em inglês, numa descarada demonstração de independência cultural, beirando a provocação. Mas provocativa mesmo é a postura de bandas como a The Playboys, que assumidamente satiriza os mangueboys, o fanzine Pau no Cxx da Humanidade, que ataca a intelectualidade cultural, e a comunidade do orkut Bumba-Meu-Ovo, que tem 133 membros (incluindo dezenas de artistas acima citados) unidos em nome da ironia à valorização do folclore.

Saudável discussão...

Marcelo Campello, da banda Mombojó:

"Eu acho que esse movimento todo pode ser interpretado até mesmo como um gesto de anarquia. É uma reação de um grupo contra um patriotismo exacerbado e distorcido, que surgiu paralelamente a uma verdadeira e coerente valorização das raízes. O Estado também se contaminou com esse oportunismo e tentou se aproveitar, chegando ao ponto de a bandeira de Pernambuco hoje estar com a imagem banalizada."

Gustavo Albuquerque, da banda Surpresa de Uva:

"Fred 04 se transformou em uma caricatura de si mesmo."

Gutti, organizador do Rec Beat:

"O que pode estar acontecendo é simplesmente uma busca pela diferença. Uma geração sempre nega a anterior para sentir que está fazendo algo novo. É natural, portanto, que os tambores estejam agora sendo deixados de lado, porque aquilo virou clichê. Muita coisa virou clichê. Se você assistir a uma entrevista antiga com Chico Science, pode achar tudo meio ultrapassado, mas o cara era pioneiro dizendo aquilo. Fred 04 e Renato L, bem antes de escreverem o manifesto do mangue, já foram punks de camisas pretas. Nunca dá pra imaginar o que vai acontecer depois, não é que as coisas estão ficando ultrapassadas. Acima de tudo, não podemos construir cercadinhos ao redor do que é nosso, porque se não vamos perder nossa essência que é a diversidade. (...) Toda geração tem um gênio, mas ainda é cedo para especular ou eleger os nomes dessa nova."

Cristiana Tejo, curadora da Torre Malakoff e coordenadora de Artes Plásticas da Fundaj:

"A pernambucanidade é uma formulação que caducou. A jovem produção artística contemporânea de hoje proclama justamente a não-identidade e não responde ao panorama internacional com a fusão de elementos locais e internacionais, mas justamente por não diferenciar o dentro e o fora, transita por linguagens e procedimentos que não possuem referencialidade com um espaço e temporalidade localizados. Volto a repetir, isso não é exclusividade de Pernambuco. Cada vez fica mais difícil afirmar a procedência da jovem produção. A produção está sintonizada com as questões da contemporaneidade, que justamente aponta para a desterritorialidade, para a contaminação, para o livre arbítrio, para a pluralidade."

Moacir dos Anjos, diretor

do Mamam:

"Não vejo um corte tão abrupto, do ponto de vista conceitual e de procedimento, entre a produção cultural pernambucana de meados da década passada e a atual. Creio que é possível fazer uma leitura menos simplista e localizada do "mangue". Mais do que apenas uma proposta de renovação musical, o mangue é uma postura de criação, onde o que importa é o ponto de vista, o lugar a partir do qual se fazem as articulações entre as informações diversas que os criadores possuem no mundo contemporâneo. Não é necessariamente a representação de ícones populares ou o entoar de loas que faz a arte produzida aqui ser reconhecida como diferente, mas sim a maneira particular de articular as imagens, os sons e os símbolos vindos de cantos diversos. Não é também o caso de louvar essa articulação como necessariamente melhor do que as feitas em outras partes (nunca é demais estar atento contra excessos de auto-estima), mas sim de reconhecer a sua diferença. Se quiserem, que morra e enterrem o mangue. Apenas para que ele viva mais plenamente."

Paulo André Pires, organizador do Abril Pro Rock:

"Eu vejo isso como uma evolução da cena musical pernambucana. Isso reflete um amadurecimento dos músicos, que agora deixam de ficar afirmando o discurso para se concentrarem na consistência de seus trabalhos. São jovens que assistiram a uma segunda fase do mangue e fazem seu som sem precisar pegar carona. Se eu recebo um release de uma banda que use palavras como fusão ou mistura, eu já desconfio e acabo descartando. O microfonia serviu para mapear o que está surgindo e comprovou que bandas assim hoje são minoria. Já abri espaço no Abril Pro Rock e pretendo abrir ainda mais, pois acompanho e reconheço o crescimento desse meio indie."

Daniel Bandeira, da Símio Filmes:

"A pernambucanidade chegou a esconder casos graves de falta de talento.Ela chegou a um radicalismo que beirou a xenofobia, que pode ter chegado a isolar a visão para o resto do Mundo. Com o tempo, essa necessidade de afirmação acabou se distanciando de suas intenções iniciais. Essa nova geração de agora está se permitindo adotar novas referências e influências e está alcançando uma maior liberdade de criação. As informações que você recebe aqui são as mesmas que chegam a outros países e a diferença está na maneira como elas são trabalhadas. Uma nova pernambucanidade se caracterizaria pelas formas de criação, e não por ícones específicos."

Valéria Vicente, da Escambo

Cia de Criação:

"Não se trata de negar a história recente da cultura local ou negar a importância da cultura popular na nossa realidade, talvez seja ampliar o debate sobre a cultura, pois a violência, a solidão e a busca de prazer são tão parte da nossa realidade quanto o carnaval e o São João. A Escambo vem refletindo através do teatro e da dança sobre o Mundo contemporâneo e a situação humana porque esses são temas que unem seus integrantes."

Ângela Prysthon, professora e pesquisadora do Departamento de Comunicação da UFPE

"Sobre essa pergunta da pernambucanidade, ou melhor, de uma rejeição a essa "pernambucanidade", tenho a impressão de que é resultado de um movimento de oscilação bem natural. Oscilação que ocorre não só na cultura pernambucana, mas na cultura brasileira. Viemos de uma década (os anos 90) na qual era impossível não afirmar a identidade local, na qual era regra aludir a uma certa "diferença cultural", à cor local. Essa afirmação, por sua vez, apareceu em parte como reação à cultura internacionalizada dos anos oitenta. Era preciso mostrar as peculiaridades locais para se inserir num mercado de cultura global. Passada a euforia da "diferença" (e reconhecendo, inclusive, os limites da "diferença" também), há o retorno aos modelos metropolitanos, a um ideal internacional, ou universal. Nesse sentido, acredito que a busca por padrões mais cosmopolitas, mais internacionais e mais distantes do modelo mangue (na verdade, quase opostos) seja uma volta quase previsível do pêndulo."

Bruno Vieira, artista plástico

"O único sentido íntimo da nossa geração é que ela não tem sentido nenhum, não acredito numa regionalização na atualidade sem que ela esteja impregnada de globalização, de cultura de massa, porque nunca vi, nunca presenciei. Em minha opinião, cada pessoa tem um traço cultural do lugar de origem dentro de si, isto é, uma força superior extraída do subconsciente humano que tem o poder de modificar os destinos da vida de cada um. Tento acreditar na valorização das raízes culturais pernambucanas, pois para mim e para muitos, ela pode servir como 'Objeto' de apego nas horas de necessidade, de se 'entender' dentro da cultura desse lugar, acredito que se pode depositar esperanças dentro dessa nova geração de artistas para superarmos a situação correspondente desse momento de incertezas, de rupturas. A verdadeira crise está refletida nessas rupturas do nosso tempo, em concepções de pessoas cegas que defendem uma regionalização exacerbada e se recusam em receber e perceber as novas situações."

24.1.05

Pernambucanidades

Julio Cavani fez, finalmente, a matéria que ele imagina há mais de um ano. "Novatos desprezam clichês de identidade". A matéria é boa apesar de fazer pensar que antes da "nova geração" todo mundo era pernambucanidade. Será que o cara esqueceu do Paulo Francis vai pro Céu?

Ô Ariano, Suassuna
Não ligue a televisão
Pois pode estar passando, Paulo Francis
E você morrer do coração (repete)

Mas só que o PFVPC já segue uma tradição, não sei se cultural ou familiar, da ironia e sarcasmo pernambucanos. Assim como todas essas bandas que fazem escracho hoje em dia. Nada é fruto direto, mas a verdade é que há num sei quantos anos Ivaldevan criou um bloco chamado Língua Ferina justamente para estravazar esse sentimento. E essa porra, hoje em dia, se chama Eu acho é pouco: não tem a mesma qualidade nas críticas, mas faz umas festas legais.

Sabia que Rodolfo Mesquita faz aqueles quadros com a mesma identidade "contemporâneo globalizado" desde a Década de 60? Mas isso são apenas detalhes, a matéria é muito boa o ridículo é o tipo de afirmação de quem quer aparecer: "A pernambucanidade é uma formulação que caducou".

Existe pernambucanidade? Não. Existe cultura local, uma coisa altamente instável e mutante, que felizmente está sendo aproveitada de forma menos forçada por essa geração. Agora a reportagem foi muito interessante em abrir espaço para gente feito Marcelo Campello (que aprendeu o que é música com os malas do samba e choro pernambucanos) e Valeria Vicente, que comeu muito cuzcuz na casa dos Madureira para chegar a ser vizinha de Mestre Salustiano e finalmente entrar numa companhia de teatro contemporâneo.

Esse post é só para dizer que Amarelo Manga é mais do caralho (na minha humilde opinião e sentimento, claro) porque a mulher aparece com a buceta de fora e a camisa do Santa Cruz e pronto - e olha que sou rubro-negro. Se fosse do Real Madrid não seria a mesma coisa para mim. E duvido que o Mombojó cuspa no pandeiro que os ensinou, ou que Valeria vomite o coco que dançou.

Agora eu digo: aquela exposição do Museu do Estado "contemporâneo globalizado" é qualidade zero. Por que assim como existe aproveitamento da cultura local de forma não forçada, existe também arte contemporânea chula em qualquer lugar do mundo.

O pior é que se eu dissesse que cuspo naquela exposição virava uma instalação. Por sinal, não sei quem me contou dessa obra de arte: um monte de tomate podre para ser jogado numa parede?

É foda gente que se fantasia de inteligente.

16.1.05

Eu acho é pouco, Fred Amorim e saudade

No único livro que escrevi tem uma crônica sobre o Eu acho é pouco. Pena que não tenha ficado com uma cópia. Me lembro muito pouco do que era o arrebatamento dos meus 11 anos. Ficou só a lembrança vaga de Debora Suassuna prevendo o escritor que eu viria a ser um dia. Da discussão criada porque o desenho da capa tinha umas suásticazinhas roza, vermelha e amarelas (salve Leda Telles que me salvou dessa roubada). Da emoção da professora, sobrinha de Ariano, ler um texto meu para a turma e dizer "essa parte aqui me deixa toda arrepiada". E do último Eu acho é pouco que fui levado por meu pai e que me faz chorar toda vez que relembro.

A história é a mesma que se repete todos os anos nas ladeiras de Olinda e se você for bom em fechar os olhos pode viver até no Recife Antigo. Só que é a minha. Chegar em Olinda e procurar o bloco no aperto das ruazinhas lotadas. Descer a ladeira da Prefeitura e sentir o aconchego do espaço quando a gente chega na frente do Eufrasio Barbosa. No Bêbado e o equilibrista papai me deu o primeiro porre de lança-perfume da vida. Mas naquele ano o que me chocou mesmo foi uma discussão no pé da Misericórdia: sobe ou não soube? "Criança sobe de ré!". Desde então minhas cores são vermelho e amarelo. Paixão e sabedoria, sempre com muita ironia.

Por que quem parte deixa saudade.

15.1.05

Só para quem gosta de comédia romantica

Eu agradeci em um comentário a Jampa por ser o que ele foi na minha vida. Na verdade eu tinha pensado um post sobre o quanto os amigos influenciam a minha história, mas agora esqueci como ia fazer isso de maneira bem humorada e só sobrou o piegas. A Julia por me completar. Francisco por ultrapassar. Joao e Rafa pelo desafio e troca. Daniel e Marina pela sutileza. Ton, Romero, Bernardo e tantos outros por acreditarem. Paulinho e Rosa por saberem aproveitar. Pedro e Graça pela distância compartilhada. Carlos, Joelson e Rodolfo porque o caminho é torto mesmo. Elton pelo descobrimento do liderar. Mateus pela diferença e Tuti pela semelhança. Marta pelo começo de tudo. Selin por ter acreditado mais. Jesse porque derrota também é bagagem. As outras mulheres da minha vida pelos momentos vividos. E aos que esqueci, por me cobrarem (e somente se fizerem isso). Estendo esse obrigado a todos os que lêem esse negócio aqui.

11.1.05

Satisfaction

O título não tem nada haver com o que vou escrever. É só porque tentei pensar na primeira coisa que achasse prazerosa. A imagem foi essa música. Muito tesuda. Foi uma forma de buscar forças para escrever aqui.

A coisa que mais meu pai gostava de fazer (segundo ele próprio) era comer. Ele era um cara namorador pra caramba e tal (mamãe reclama até hoje), tinha uma vida Política intensa, tinha uma paixão incrível por jazz, mas me lembro muito bem dele dizendo isso na mesa do Marruá. Por sinal, deveria fazer uma homenagem a ele antes desse Carnaval e ir comer os melhores pães de queijo do Recife (já que aquela carne flambada eles não fazem mais mesmo).

Eu não. Gosto muito de comer, tenho um prazer enorme em escrever e criar, gosto de viajar e de conhecer gente nova como a maioria e acho que até vivi alguns amores (se não dois, pelo menos um com certeza). Mas tenho certeza que escrever dois ou três livros e fazer meia duzia de filmes, ou trabalhar a vida toda num puta jornal mesmo como Ombudsman ou cargo ainda mais importante, não me daria a realização de entregar uma vida para o bem público.

Caralho, Política é outra coisa e eu continuo acreditando. Agora dá uma vontade da porra de querer basear sua realização numa coisa mais simples. É muito fácil ser ator João Lima! Como eu queria ter como adversário um piano ou a direção de um ônibus. Mas vou seguindo esse caminho acreditando que essa minha geração ainda aprende a se organizar. Afinal, já diria Chico Science...

Satisfação Zero deveria ser o título desse post.

27.12.04

Cozido Bomba Meu Ovo

É acabou tendo. Foi legal como todos os anos. Toda vez a gente fica com a impressão de que foi o melhor, parecido com Carnaval. Mesmo que tenha sido improvisado ou principalmente porque foi feito de última hora.

Chegada mais esperada
Evidentemente Paulinho e Rosinha, do mesmo jeito de sempre.

Chegada surpresa
Mariana Lacerda em visita pré-nupcial

Chegada estarrecedora
Luciana Queiroga (sem comentários!)

Chegada Bomba Meu Ovo
Brenda e seus amigos "quem são vocês?"

Chegada revitalizada
Amelia Paes, depois de um mês em Olinda, finalmente vista no Recife

Chegada tentadora
Gabriela: a pirralha de Maria e Marquinhos é linda demais

Chegada mais duradoura
Keops Ferraz, que saiu da festa direto para a de Luciana

21.12.04

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE TRABALHAR EM ASSESSORIA DE IMPRENSA CAUSA CÂNCER, INFARTO DO MIOCÁRDIO, PEDRA NOS RINS E IMPOTÊNCIA SEXUAL.

Julio Cavani e Bernardo Jurema estão intermediando os contatos de uma das mais queridas bandas do circuito musical pré-pós-indie pernambucano com o único produtor cultural que nunca recebeu um não na vida: eu. Como as cifras são astronômicas e os artistas prezam pela descrição acredito que ainda não seja prudente divulgar detalhes do negócio. A verdade é que estou querendo voltar à vida in(dependente)teligente.

20.12.04

Minha lista de fim de ano

Incrível
Consegui repetir o feito do Jornal do Commercio e ultrapassar a marca de um ano no mesmo trabalho, na Prefeitura do Recife.

Pena
Não tenho nenhuma grande produção cultural para me orgulhar. Ano passado era a exposição de Rodolfo Mesquita. 2005 será diferente!

Viagem
Rio de Janeiro. Se eu dissesse Porto de Pedras ia ser muita babação com Julia, mesmo tendo sido tão bom para mim também.

Filme
Demorou que só para eu ver. Todo mundo já tinha falado. Superou minhas expectativas e foi o primeiro que vi no Rio. Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Livro
O que emprestei para Amelia: Em busca do prato perfeito. Anthony Bourdain rules. O grande prazer das simples descobertas.

Evento social
Lançamento do livro de Dendeco. Fiquei muito feliz de encontrar todo mundo, mais ainda de Maurício Targino ter escrito e lançado seu livro. Estou na fila.

Post
O de minha mãe falando sobre as eleições em Glória de Goitá, Lagoa do Itaenga, Pombos... Eita vidinha dura danada.

Comentário
O de Paulinho quando eu fiz o post de aniversário dele. Sei lá, achei muito massa. E o melhor de qualquer blog são sempre os comentários.

Eleição
Nenhuma em particular. Poderia até falar de Fortaleza, mas nem isso me empolga. Talvez os 1.055 votos de João Baltar. Romero, Pablo, Eu, preciso de um candidato.

Despedida
Vai ser eternamente falada a de Mauricio Silva. O cara ligar do Aeroporto para dar tchau para a galera que tinha organizado e já festejava a despedida...

Roubada
O dia em Niteroi foi limpeza, apesar da andada excessiva, do filé de merluza mais caro da história... Mas agüentar o bom humor de Ton e Hommer só rindo.

Show
Profiteroles. Sem muitas explicações. Não entendo muito de música, apenas detecto as coisas que gosto ou não. Eles são muito bons.

Disco
Nadadenovo. Tá bom, comprei em 2003. Mas não tem como negar que ouvi durante os 12 meses deste ano.

Descoberta
As lojas de brinquedos educativos e artesanais do Flamengo. Eu quero uma Arte de Brincar para mim! Francisco pode até achar um saco, mas eu adoro.

Mulher
Julia Coutinho Costa Lima. Por que é bom demais a gente redescobrir e inventar novos grandes prazeres nas nossas vidas construídas com tanto carinho.

Filho
Só Francisco mesmo. Por mais que eles insistam. A situação não vai mudar nem tão cedo. Talvez depois de Londres, 2006 já está pertinho.

Desejo
Esse é um eterno copy and paste, continuam os mesmos 20 quilos me separando das antigas belas atuações futebolísticas.