O basquete masculino do Brasil perdeu sua principal chance de chegar às Olimpíadas. Liderou o placar durante a maior parte do tempo na semi-final contra a Argentina e acabou deixando os hermanos vencerem em partida que pouco importava aos portenhos. Para nós, o jogo era chave porque os argentinos pouparam suas principais estrelas, inclusive o craque Ginnobili. Eles sabiam que estariam nos Jogos Olímpicos, pois são um dos quatro principais centros do esporte no mundo. Mas o Brasil foi vencido por Luís Scola e mais que isso pelos seus próprios erros.
O exemplo do basquete é um sintoma.
O Brasil tem um histórico de vitórias e de formar grandes atletas na modalidade. Oscar Schimidt, mesmo sem nunca ter ido aos palcos da NBA, é considerado um dos maiores jogadores da história. Paula e Hortência marcaram dois países ao serem elogiadas por Fidel Castro.
Depois de um marasmo de quase uma década, contamos com uma geração extremamente privilegiada no basquete masculino. Nenê e Leandrinho são jogadores de destaque na NBA. Mas temos outros que buscam espaço na liga americana: Alex, Baby, Marquinhos, Thiago Splitter e Anderson Varejão.
O pivô pernambucano JP Batista e Marcelinho Machado foram buscar um espaço na Ucrânia. Os times que os dois defendem decidiram o torneio local, com vantagem para o do ala-armador. Outros atletas se espalham por torneios fortes que são disputados na Espanha e Italia.
Durante o torneio, muita ciumeira entre os atletas. Marquinhos foi cortado e deu entrevista dizendo que o treinador não sabia explorar o potencial do elenco e privilegiava Nenê e Leandrinho. Nezinho, principal jogador da Universo, equipe campeã do Brasileiro, chegou a se negar a entrar em quadra.
Pior que isso, o Campeonato Nacional continua esvaziado. O time daqui de Brasília foi campeão sem nem conseguir empolgar a Capital Federal. E a Liga, que o craque Oscar tentou organizar, até agora não pegou.
Nos clubes, é dirigente cobrando percentual de jogador. É treinador virando dublê de empresário. As escolas sem nenhum programa sério de formação de cidadãos com uma vivência séria da prática esportiva, que além de gerar renda, diverte e melhora a qualidade de vida das pessoas. E são poucas as universidades que investem na formação de equipes profissionais ou semi-profissionais.
Por sinal, o basquete é uma modalidade onde isso parece ser uma idéia muito interessante.
Talvez cinco ou seis universidades mantendo grupos fortes em Pernambuco e levando os seus principais atletas para uma Liga Nacional, quem sabe defendendo as cores de times do futebol, poderiam criar um esquema mais fixo.
A Universo investe bastante e em vários centros, mas isso ainda é muito pouco. Nem para isso a febre de faculdades particulares serve?
Soltei a âncora mais uma vez. Vim passar um ano morando em Nova Orleans e quero contar para os amigos algumas histórias sobre minhas pedaladas aqui na América do Norte. Sou geminiano, então pode esperar tudo menos uniformidade!
30.8.07
9.8.07
"Só os alienados são felizes"
"O negócio é ganhar dinheiro e não se preocupar com nada".
Meu vizinho aqui de andar da Câmara dos Deputados ganhou na Megasena. Distribuiu R$30 mil para cada colega de gabinete e foi embora viver em Rondônia. Disse que não ia voltar a ser assessor no Congresso Nacional. Fica no ar a possibilidade dele voltar como parlamentar. Se não for para isso porque ele apareceu no Fantástico? Arrumou uma boa maneira de explicar como ficou rico e vai virar agora lobbista aqui em Brasília. Dizem que com mandato o cara ganha muito nessa profissão.
O pior é que fico pensando: "minhas chances acabaram, duas vezes no mesmo lugar o raio não cai". Mas no fundo acho que aqui nenhum raio cai por coincidência.
Meu vizinho aqui de andar da Câmara dos Deputados ganhou na Megasena. Distribuiu R$30 mil para cada colega de gabinete e foi embora viver em Rondônia. Disse que não ia voltar a ser assessor no Congresso Nacional. Fica no ar a possibilidade dele voltar como parlamentar. Se não for para isso porque ele apareceu no Fantástico? Arrumou uma boa maneira de explicar como ficou rico e vai virar agora lobbista aqui em Brasília. Dizem que com mandato o cara ganha muito nessa profissão.
O pior é que fico pensando: "minhas chances acabaram, duas vezes no mesmo lugar o raio não cai". Mas no fundo acho que aqui nenhum raio cai por coincidência.
1.8.07
Responsabilidades
Cheguei aqui na Câmara dos Deputados e estava a gaúcha do P-Sol, Luciana Genro, defendendo a divulgação dos diálogos entre os pilotos do vôo 3054 e a torre de controle. Achei aquilo surreal e subi para o meu gabinete.
Quando liguei a Globonews estava ela e mais outro parlamentar tentando ler um texto técnico em inglês, que resumia os diálogos. Será que existe forma mais irresponsável de se aparecer? Honestamente, era melhor ela aparecer no plenário fumando um baseado, bater uma siririca olhando putaria no laptop e cuspir na cara do Renan Calheiros.
A irresponsabilidade da imprensa de tentar resumir em uma manchete a culpa do acidente agora será dividida pelos deputados. É para se cobrar responsabilidades. Acho muito válido o que o Estado de S. Paulo está fazendo, pelo menos hoje, a edição vem com muita informação do que será feito e cobra as ações. É triste o show de irresponsabilidades iniciado por Veja e Folha de S. Paulo e coroado com uma manhã de palhaçadas na CPI do Apagão Aéreo.
Ganham as manchetes notícias absolutamente parciais. A alavanca estava na posição errada (segundo os controles eletrônicos). A responsabilidade é dos pilotos (Putz! Cabe agora aos profissionais iniciarem uma greve pelo respeito à memoria dos colegas. Fodam-se! Ninguém voa mais no Brasil. Alguém se esqueceu das condições em que esses profissionais estavam: pista curta, molhada e escorregadia; avião com equipamento danificado e próximo do limite de peso; pressão da empresa para não mudar o local do pouso...).
Spoiler, flap, reverso, ranhuras. Honestamente isso precisa de conhecimento técnico para ser avaliado. Com certeza tudo deu errado. Mas tudo continua sendo feito errado. Desse jeito estabanado com certeza os acidentes são inevitáveis.
Quando liguei a Globonews estava ela e mais outro parlamentar tentando ler um texto técnico em inglês, que resumia os diálogos. Será que existe forma mais irresponsável de se aparecer? Honestamente, era melhor ela aparecer no plenário fumando um baseado, bater uma siririca olhando putaria no laptop e cuspir na cara do Renan Calheiros.
A irresponsabilidade da imprensa de tentar resumir em uma manchete a culpa do acidente agora será dividida pelos deputados. É para se cobrar responsabilidades. Acho muito válido o que o Estado de S. Paulo está fazendo, pelo menos hoje, a edição vem com muita informação do que será feito e cobra as ações. É triste o show de irresponsabilidades iniciado por Veja e Folha de S. Paulo e coroado com uma manhã de palhaçadas na CPI do Apagão Aéreo.
Ganham as manchetes notícias absolutamente parciais. A alavanca estava na posição errada (segundo os controles eletrônicos). A responsabilidade é dos pilotos (Putz! Cabe agora aos profissionais iniciarem uma greve pelo respeito à memoria dos colegas. Fodam-se! Ninguém voa mais no Brasil. Alguém se esqueceu das condições em que esses profissionais estavam: pista curta, molhada e escorregadia; avião com equipamento danificado e próximo do limite de peso; pressão da empresa para não mudar o local do pouso...).
Spoiler, flap, reverso, ranhuras. Honestamente isso precisa de conhecimento técnico para ser avaliado. Com certeza tudo deu errado. Mas tudo continua sendo feito errado. Desse jeito estabanado com certeza os acidentes são inevitáveis.
31.7.07
Meu companheiro inseparável
Ele é novinho. Pele lisinha. Todo branquinho. Brilha no sol de Brasília. Completamente em forma. A chama dele é de um azul límpido. Acho que é porque o gás aqui é encanado. A única qualidade especial é a marca que rima. Dako é bom!
A gente está naquela fase de reconhecimento. Ele chegou e eu estava em São Paulo. Mas prometi que não ia fazer um carneiro em outro fogão. Cheguei aqui e fui logo chamando um pediatra para cuidar dele. Fiquei admirando.
Tudo pronto, mas no primeiro encontro não passei de um cuscuz com ovo e salsicha. Poxa, realmente faltou romantismo. Se pelo menos tivesse saído uma carne de sol com macaxeira, nesse retorno às origens nordestinas.
Parece que ele está nessa fase de comida típica. O que mais saiu agora foram coisas de milho. Já marcamos uma ida à feira do Guará. Quem sabe eu não consigo umas lagostas e faço uma coisa realmente especial quando vier do Recife. Ou meu arroz de polvo preferido!
Para piorar a história tinha um salmão no meio do caminho. Chamei Lili e Pedro, mas era na casa de Bruna. Ele ficaria com ciúme. Lá o fogão é embutido. Fica assim não, a chama é forte mas nem forno tem. Fiquei foi com saudade de você.
Salmão frito não é a mesma coisa. O pessoal elogiou, mas isso porque foi tudo ao molho de larica. Quem já viu salmão ao molho de camarão? Realmente, parece coisa de novo rico. Nada especial, pensado, apenas algumas coisas caras juntas. Vamos e venhamos, assim é muito fácil.
Ontem foi dia de reencontro. Passei na feira e trouxe um gorgonzola. Ele é meio luxento. Massa, molho de gorgonzola, tudo bem. Mas nem um filezinho mal passado para abrilhantar esse jantar? Não tive muita desculpa, tive que apelar para a falta de grana.
A verdade está muito clara. Faz tempo. A saudade chega estava esquecida no fundo da gaveta. E, por mais que a mão se lembre dos movimentos, a cabeça não tem certeza das receitas. Talvez tenha que voltar aos primórdios: sobremesa de sonho de valsa.
Reinventar uma lasanha de couve-flor com bacon. Tentar todos de novo para depois perceber que meu forte realmente não são os peixes. É que peixe bom é peixe fresco. Feito uma cavala sequinha que fiz com Amelia em Japaratinga.
Promessas. Vou trazer, mesmo de longe, camarão, polvo, lula, arraia, caranguejo e todos os meus preferidos. Cebola, no máximo um pouquinho de vinho, sal, pimenta e essa turma fica deliciosa. Mas ele é esperto e não acredita nos meus sonhos.~
Tá certo, o que gosto de fazer mesmo são as carnes. Para começar, um filé mal passado. Depois talvez arrisque um rosbife de Eunice. Então, vou abrir o Bourdain na página que ele fala das carnes duras. E ai sim vai começar a brincadeira.
A gente está naquela fase de reconhecimento. Ele chegou e eu estava em São Paulo. Mas prometi que não ia fazer um carneiro em outro fogão. Cheguei aqui e fui logo chamando um pediatra para cuidar dele. Fiquei admirando.
Tudo pronto, mas no primeiro encontro não passei de um cuscuz com ovo e salsicha. Poxa, realmente faltou romantismo. Se pelo menos tivesse saído uma carne de sol com macaxeira, nesse retorno às origens nordestinas.
Parece que ele está nessa fase de comida típica. O que mais saiu agora foram coisas de milho. Já marcamos uma ida à feira do Guará. Quem sabe eu não consigo umas lagostas e faço uma coisa realmente especial quando vier do Recife. Ou meu arroz de polvo preferido!
Para piorar a história tinha um salmão no meio do caminho. Chamei Lili e Pedro, mas era na casa de Bruna. Ele ficaria com ciúme. Lá o fogão é embutido. Fica assim não, a chama é forte mas nem forno tem. Fiquei foi com saudade de você.
Salmão frito não é a mesma coisa. O pessoal elogiou, mas isso porque foi tudo ao molho de larica. Quem já viu salmão ao molho de camarão? Realmente, parece coisa de novo rico. Nada especial, pensado, apenas algumas coisas caras juntas. Vamos e venhamos, assim é muito fácil.
Ontem foi dia de reencontro. Passei na feira e trouxe um gorgonzola. Ele é meio luxento. Massa, molho de gorgonzola, tudo bem. Mas nem um filezinho mal passado para abrilhantar esse jantar? Não tive muita desculpa, tive que apelar para a falta de grana.
A verdade está muito clara. Faz tempo. A saudade chega estava esquecida no fundo da gaveta. E, por mais que a mão se lembre dos movimentos, a cabeça não tem certeza das receitas. Talvez tenha que voltar aos primórdios: sobremesa de sonho de valsa.
Reinventar uma lasanha de couve-flor com bacon. Tentar todos de novo para depois perceber que meu forte realmente não são os peixes. É que peixe bom é peixe fresco. Feito uma cavala sequinha que fiz com Amelia em Japaratinga.
Promessas. Vou trazer, mesmo de longe, camarão, polvo, lula, arraia, caranguejo e todos os meus preferidos. Cebola, no máximo um pouquinho de vinho, sal, pimenta e essa turma fica deliciosa. Mas ele é esperto e não acredita nos meus sonhos.~
Tá certo, o que gosto de fazer mesmo são as carnes. Para começar, um filé mal passado. Depois talvez arrisque um rosbife de Eunice. Então, vou abrir o Bourdain na página que ele fala das carnes duras. E ai sim vai começar a brincadeira.
30.7.07
Maconha
Fui sugerir a Paulo Rubem que defendesse mais fortemente a liberação da maconha.
- Você quer dizer descriminalização...
Depois recebi as reprimendas de Bernardo e Lili. "Isso não se fala assim no elevador da Câmara dos Deputados". Tá certo, as vezes tenho que ter mais timing para escolher quando falar as coisas. Mas é que acho isso a coisa menos polêmica do mundo.
Tenho vontade que alguém venha discutir isso comigo desde que deixei de ser traumatizado porque não gosto de maconha. É, na minha adolescência, achava que para ser cool a pessoa tinha que ser maconheira e isso me incluia.
Depois de algumas dezenas de tentativas finalmente cheguei à conclusão. Desligado eu já sou, um baseado tem dois efeitos em mim: sono e fome. Sinceramente, para um cara que nunca está satisfeito com o seu corpo é melhor ficar dormindo mal mesmo.
Dito isso, finalmente chego ao que queria dizer. Como é que uma droga tão sem graça é proibida e causa mortes, gera renda para que os criminosos entrem em outros tipos de negócios e motivos para que os "filhinhos de papai" paguem propina aos policiais que os pegaram com a mão na massa?
Realmente não entendo. Aos amigos, só resta dizer que quando for legalizada eu trago um pouquinho para eles de Recife. Por enquanto plantem.
- Você quer dizer descriminalização...
Depois recebi as reprimendas de Bernardo e Lili. "Isso não se fala assim no elevador da Câmara dos Deputados". Tá certo, as vezes tenho que ter mais timing para escolher quando falar as coisas. Mas é que acho isso a coisa menos polêmica do mundo.
Tenho vontade que alguém venha discutir isso comigo desde que deixei de ser traumatizado porque não gosto de maconha. É, na minha adolescência, achava que para ser cool a pessoa tinha que ser maconheira e isso me incluia.
Depois de algumas dezenas de tentativas finalmente cheguei à conclusão. Desligado eu já sou, um baseado tem dois efeitos em mim: sono e fome. Sinceramente, para um cara que nunca está satisfeito com o seu corpo é melhor ficar dormindo mal mesmo.
Dito isso, finalmente chego ao que queria dizer. Como é que uma droga tão sem graça é proibida e causa mortes, gera renda para que os criminosos entrem em outros tipos de negócios e motivos para que os "filhinhos de papai" paguem propina aos policiais que os pegaram com a mão na massa?
Realmente não entendo. Aos amigos, só resta dizer que quando for legalizada eu trago um pouquinho para eles de Recife. Por enquanto plantem.
23.7.07
Crise aérea X Sanidade mental
Me orgulhava de, nesse ano que estou passando na ponte aérea Recife-Brasília, não ter ficado horas e horas em filas enlouquecedoras de aeroportos. Até ontem. Cheguei no Aeroporto de Guarulhos às 9 horas e desci em Brasília por volta das 19h. Mais ou menos o tempo que eu levaria para fazer o percurso de carro, só que com muito mais estresse. O relato não é muito diferente do de muitas outras pessoas, mas seguem alguns diálogos.
Entrei no check in acompanhado de Chico e Anna (7 e 9 anos), que viajariam sozinhos para Recife. Fui para a ponte 17, esperando o avião deles. Lá, a pessoa da Gol que deveria ficar com as crianças simplesmente desapareceu. Quando finalmente um funcionário da empresa voltou para o local, onde eu não podia acompanhar o meu vôo, fui falar com a menina.
- Boa tarde! (já passava de 12 h)
- Boa tarde senhor.
- Olha, eu estou acompanhando meu filho e uma prima, que deveriam ter embarcado às 10h. Mas meu vôo era previsto para 13h para Brasília e a pessoa que deveria colocar as crianças em um aviâo para Recife desapareceu.
- Como assim?
- Ela estava aqui, supostamente cuidando deles, só que foi embora e não voltou mais.
- Isso é um absurdo!
- Realmente.
- Mas não se preocupe, com certeza o seu vôo está atrasado também.
Coloquei os meninos no avião e fiquei sabendo que o meu vôo só iria sair por volta das 15h. Me aproximei do balcão para perguntar se a Gol ofereceria almoço, sabia que para o meu caso seria difícil, mas como tinha gente em situações piores fiquei na expectativa de entrar no bolo. A primeira pessoa que vi já foi uma mulher chorando.
- Estou nessa desde ontem de noite, a Gol não me diz nem onde estão minhas malas, estou a 24 horas sem escovar os dentes. (o relato comoveu um cara do meu lado e vários outros que falavam ao mesmo tempo)
- Isso é um absurdo. A gente deveria é quebrar esses computadores todos. Hoje seria um caos total, mas pelo menos eles fariam alguma coisa depois. (o funcionário da Gol nem mudou a cara sorridente de adolescente, mas foi contundente ao telefone)
- A situação aqui está incontrolável, vocês têm de mandar um supervisor homem para dar explicações aos passageiros ou seremos obrigados a abandonar o posto. Depois complementou para a gente.
- Tenho de falar assim senão eles nem dão importância. E tem muito passageiro mal educado. Ontem mesmo bateram em uma menina aqui. Um marmanjo que bate em uma mulher é um animal. (o relato de violência aumentou os animos do pessoal).
- Esses caras são muito machos. Agora mesmo um funcionário da Gol meteu um tapa num senhor de idade. Eu quero ver se uns cinquenta caras você vai continuar sendo macho.
As ameaças foram aumentando e eu sentindo o clima de insanidade crescer resolvi ir comer um retalho de pizza. Depois de uma fila para o almoço e outra para voltar para a área de embarque e mais uma longa espera vem o aviso da Gol.
- A aeronave que fará o vôo 1846 está em Curitiba e deve chegar a Guarulhos por volta das 17h. A Gol fornecerá alimentação no Restaurante Terra Azul.
Putz, a essa altura o cara já está começando a querer matar alguém...
Entrei no check in acompanhado de Chico e Anna (7 e 9 anos), que viajariam sozinhos para Recife. Fui para a ponte 17, esperando o avião deles. Lá, a pessoa da Gol que deveria ficar com as crianças simplesmente desapareceu. Quando finalmente um funcionário da empresa voltou para o local, onde eu não podia acompanhar o meu vôo, fui falar com a menina.
- Boa tarde! (já passava de 12 h)
- Boa tarde senhor.
- Olha, eu estou acompanhando meu filho e uma prima, que deveriam ter embarcado às 10h. Mas meu vôo era previsto para 13h para Brasília e a pessoa que deveria colocar as crianças em um aviâo para Recife desapareceu.
- Como assim?
- Ela estava aqui, supostamente cuidando deles, só que foi embora e não voltou mais.
- Isso é um absurdo!
- Realmente.
- Mas não se preocupe, com certeza o seu vôo está atrasado também.
Coloquei os meninos no avião e fiquei sabendo que o meu vôo só iria sair por volta das 15h. Me aproximei do balcão para perguntar se a Gol ofereceria almoço, sabia que para o meu caso seria difícil, mas como tinha gente em situações piores fiquei na expectativa de entrar no bolo. A primeira pessoa que vi já foi uma mulher chorando.
- Estou nessa desde ontem de noite, a Gol não me diz nem onde estão minhas malas, estou a 24 horas sem escovar os dentes. (o relato comoveu um cara do meu lado e vários outros que falavam ao mesmo tempo)
- Isso é um absurdo. A gente deveria é quebrar esses computadores todos. Hoje seria um caos total, mas pelo menos eles fariam alguma coisa depois. (o funcionário da Gol nem mudou a cara sorridente de adolescente, mas foi contundente ao telefone)
- A situação aqui está incontrolável, vocês têm de mandar um supervisor homem para dar explicações aos passageiros ou seremos obrigados a abandonar o posto. Depois complementou para a gente.
- Tenho de falar assim senão eles nem dão importância. E tem muito passageiro mal educado. Ontem mesmo bateram em uma menina aqui. Um marmanjo que bate em uma mulher é um animal. (o relato de violência aumentou os animos do pessoal).
- Esses caras são muito machos. Agora mesmo um funcionário da Gol meteu um tapa num senhor de idade. Eu quero ver se uns cinquenta caras você vai continuar sendo macho.
As ameaças foram aumentando e eu sentindo o clima de insanidade crescer resolvi ir comer um retalho de pizza. Depois de uma fila para o almoço e outra para voltar para a área de embarque e mais uma longa espera vem o aviso da Gol.
- A aeronave que fará o vôo 1846 está em Curitiba e deve chegar a Guarulhos por volta das 17h. A Gol fornecerá alimentação no Restaurante Terra Azul.
Putz, a essa altura o cara já está começando a querer matar alguém...
9.7.07
Um reencontro nas arquibancadas do Serra Dourada
Ela sempre me disse que não gostava de futebol. O tio jogador, meu grande ídolo de infância, era o único motivo que a fez ir aos jogos na Ilha do Retiro. Desde os 15 anos, só voltou a um estádio em Lyon, para ver o craque liderar os hexa-campeões franceses. A tribuna não lhe encantou.
Mas o convite do meu amigo João Freire, apesar de singular, era plural. Eu disse vamos!
No caminho entre Brasília e Goiania as conversas eram variadas. Juninho Pernambucano X Isabela Tainara. Plebe Rude X Vavá. Joaquim Cardoso X Leonardo. Juazeiro X Ilha do Retiro. MST X Ademir. Escândalos do Congresso X Copa do Mundo.
Ela não quis vestir a camisa rubro-negra. Tinha recebido uma mensagem de que a torcida alviverde era violenta. Mas enquanto eu ajudei João a derrubar metade de um whisky, começou a dar uns golinhos em uma lata de cerveja.
Ainda no estacionamento do Serra Dourada, começamos a trocar as nossas impressões futebolísticas. Ela disse que na França prestou muito mais atenção às roupas das mulheres dos jogadores do que às partidas. Eu admiti o prazer de ver o rubro-negro enfrentar um adversário alvi-verde. Acho muito sem graça a monotonia das cores dos times pernambucanos: vermelho e preto X vermelho e branco X vermelho, preto e branco.
Quando subimos as escadarias para entrar no estádio o verde da torcida goiana ainda não mostrava toda sua força. Fomos nos esconder atrás de uma das barras, junto com mais uns cem fãs do Sport Club do Recife.
Ali naquele cantinho vermelho e preto, o verde da camisa dela era a única cor distoante. A pequena torcida começou cedo a fazer a sua festa. Estávamos a meses sem ir ao estádio para ver o nosso time do coração. E o Sport respondeu com velocidade.
Diogo aparece pela ponta-direita, têm duas opções, cruza e Carlinhos Bala marca. É hora de festa na nossa pequena torcida. Bruna me abraça forte. Mas o gol é anulado. Impedimento.
- Carlinhos Bala é o pior jogador desse time. Diria ela, indignada com a festa adiada pelo posicionamento do nosso atacante.
Mas logo o Sport voltaria a marcar agora com Ticão, que no nosso cantinho de arquibancada, ficou sendo Fumagalli durante a maior parte do jogo. E no segundo tempo, quando o Sport ampliou, ela já estava abraçando a todos naquela típica euforia dos amantes da arquibancada.
Ainda tivemos chances de ampliar.
Mas veio o gol alviverde. E finalmente a torcida deles mostrou sua força. Eles tinham chegado em cima da hora, alguns entraram em campo já com a bola rolando e guardaram o grito para aquele momento crucial.
Pior, para nós, foi que o time do Goiás estava com o mesmo gás da torcida. Veio o empate e a virada faltando menos de um minuto para o apito final.
Decidimos voltar direto para Brasília. Não queríamos assistir à festa dos goianos. Para mim, restou o consolo de ouvir Bruna dizer que tinha adorado o jogo. A família Reis é mesmo rubro-negra. Até nas derrotas.
Mas ficou claro a saudade dela de ver o time com um Juninho no meio-de-campo. Quem sabe um Paulista, para o lugar de Fumagalli.
Mas o convite do meu amigo João Freire, apesar de singular, era plural. Eu disse vamos!
No caminho entre Brasília e Goiania as conversas eram variadas. Juninho Pernambucano X Isabela Tainara. Plebe Rude X Vavá. Joaquim Cardoso X Leonardo. Juazeiro X Ilha do Retiro. MST X Ademir. Escândalos do Congresso X Copa do Mundo.
Ela não quis vestir a camisa rubro-negra. Tinha recebido uma mensagem de que a torcida alviverde era violenta. Mas enquanto eu ajudei João a derrubar metade de um whisky, começou a dar uns golinhos em uma lata de cerveja.
Ainda no estacionamento do Serra Dourada, começamos a trocar as nossas impressões futebolísticas. Ela disse que na França prestou muito mais atenção às roupas das mulheres dos jogadores do que às partidas. Eu admiti o prazer de ver o rubro-negro enfrentar um adversário alvi-verde. Acho muito sem graça a monotonia das cores dos times pernambucanos: vermelho e preto X vermelho e branco X vermelho, preto e branco.
Quando subimos as escadarias para entrar no estádio o verde da torcida goiana ainda não mostrava toda sua força. Fomos nos esconder atrás de uma das barras, junto com mais uns cem fãs do Sport Club do Recife.
Ali naquele cantinho vermelho e preto, o verde da camisa dela era a única cor distoante. A pequena torcida começou cedo a fazer a sua festa. Estávamos a meses sem ir ao estádio para ver o nosso time do coração. E o Sport respondeu com velocidade.
Diogo aparece pela ponta-direita, têm duas opções, cruza e Carlinhos Bala marca. É hora de festa na nossa pequena torcida. Bruna me abraça forte. Mas o gol é anulado. Impedimento.
- Carlinhos Bala é o pior jogador desse time. Diria ela, indignada com a festa adiada pelo posicionamento do nosso atacante.
Mas logo o Sport voltaria a marcar agora com Ticão, que no nosso cantinho de arquibancada, ficou sendo Fumagalli durante a maior parte do jogo. E no segundo tempo, quando o Sport ampliou, ela já estava abraçando a todos naquela típica euforia dos amantes da arquibancada.
Ainda tivemos chances de ampliar.
Mas veio o gol alviverde. E finalmente a torcida deles mostrou sua força. Eles tinham chegado em cima da hora, alguns entraram em campo já com a bola rolando e guardaram o grito para aquele momento crucial.
Pior, para nós, foi que o time do Goiás estava com o mesmo gás da torcida. Veio o empate e a virada faltando menos de um minuto para o apito final.
Decidimos voltar direto para Brasília. Não queríamos assistir à festa dos goianos. Para mim, restou o consolo de ouvir Bruna dizer que tinha adorado o jogo. A família Reis é mesmo rubro-negra. Até nas derrotas.
Mas ficou claro a saudade dela de ver o time com um Juninho no meio-de-campo. Quem sabe um Paulista, para o lugar de Fumagalli.
4.7.07
Fotografia de momento
Vamos chegando próximos da décima rodada do Campeonato Brasileiro e podemos começar a fazer algumas previsões mais fundamentadas. Temos numa fotografia, que mistura a frieza dos números com um pouco de análise das equipes, três grupos facilmente identificáveis. O líder Botafogo (21), pelos quatro pontos que tem sobre o segundo colocado, e o vice-líder São Paulo (17) pela qualidade do plantel liderado por Rogerio Ceni são os favoritos ao título. No grupo intermediário, 12 times estão entre 16 (Goiás e Paraná) e 11 pontos (Sport). Dali devem sair um ou dois possíveis candidatos ao título, mas a maioria vai mesmo disputar as vagas na Libertadores e Sulamericana e alguns outros vão lutar para não cair. Os seis times que estão no fim da tabela estão praticamente fora da disputa pelo título, mas pelo menos três deles têm muitas chances de ainda se recuperarem e manterem a tradição de boas campanhas (Flamengo, Inter e Santos).
O Botafogo tem realmente feito uma campanha impressionante. Chega a nove partidas invicto, tendo apenas três empates. No entanto, ninguém vai me provar que o plantel do Botafogo está acima do nível daqueles que atuam no São Paulo ou mesmo em times que começaram muito mal o torneio, como Inter e Santos. Vai precisar de sorte para que possa contar com força máxima nos principais embates do restante do torneio. Já a equipe de Rogerio Ceni continua sendo o time a ser batido, mas se não correr atrás corre o risco de ver o time carioca abrir uma dianteira que depois vai ficar difícil de reverter. Goiás e Paraná estão coladinhos ao Tricolor Paulista, com 16 pontos, podem liderar o Brasileiro em algum momento, mas seria uma grande surpresa se conseguissem encerrar o ano com o título da Primeira Divisão.
Entre o Vasco, Figueirense e Palmeiras (que têm 14 pontos cada) e o Sport que tem apenas 11 toda a diferença é uma vitória. É interessante perceber que o time rubro-negro tem saldo nulo, exatamente como o Figueirense (15 gols pró e 15 contra) e semelhante ao Palmeiras (12 a 12). O time pernambucano vive uma curta arrancada após a chegada do técnico Geninho, momento inverso ao seu mais recente adversário, o Corinthians, que vem de duas derrotas e um jogo adiado (contra o líder Botafogo). Cinco times estão empatados com 13 pontos (Cruzeiro, Grêmio, Flu e os dois Atléticos), interessante notar que nesse grupo intermediário o único que tem saldo de gols negativo é o Tricolor Gaúcho, com menos quatro.
Na rabeira da tabela, Inter e Santos (ambos com 8 pontos) são alienígenas. No início do ano, era quase unanimidade colocar os dois times como principais equipes do País, junto com o São Paulo. Nesse início de torneio têm média inferior a um ponto por jogo. Estão pior que o Flamento, que apesar de estar no grupo dos que estariam rebaixados, tem dois jogos a menos e média de um ponto por jogo (sete jogos e sete pontos). O Juventude também tem um jogo a mais do que a maioria das equipes, mas é dos principais candidatos a queda, principalmente por estar no meio de vários times mais tradicionais. Já Nautico e America precisam virar o momento com urgência e vão buscar um gênio da lâmpada na aridez do interior nordestino, porque têm certamente as piores condições financeiras da Primeira Divisão.
Dito isso, a verdade, próxima rodada muda tudo e daqui a três jogos os alvirrubros já podem estar pensando novamente em Libertadores. Exatamente como estão os torcedores do Sport agora.
O Botafogo tem realmente feito uma campanha impressionante. Chega a nove partidas invicto, tendo apenas três empates. No entanto, ninguém vai me provar que o plantel do Botafogo está acima do nível daqueles que atuam no São Paulo ou mesmo em times que começaram muito mal o torneio, como Inter e Santos. Vai precisar de sorte para que possa contar com força máxima nos principais embates do restante do torneio. Já a equipe de Rogerio Ceni continua sendo o time a ser batido, mas se não correr atrás corre o risco de ver o time carioca abrir uma dianteira que depois vai ficar difícil de reverter. Goiás e Paraná estão coladinhos ao Tricolor Paulista, com 16 pontos, podem liderar o Brasileiro em algum momento, mas seria uma grande surpresa se conseguissem encerrar o ano com o título da Primeira Divisão.
Entre o Vasco, Figueirense e Palmeiras (que têm 14 pontos cada) e o Sport que tem apenas 11 toda a diferença é uma vitória. É interessante perceber que o time rubro-negro tem saldo nulo, exatamente como o Figueirense (15 gols pró e 15 contra) e semelhante ao Palmeiras (12 a 12). O time pernambucano vive uma curta arrancada após a chegada do técnico Geninho, momento inverso ao seu mais recente adversário, o Corinthians, que vem de duas derrotas e um jogo adiado (contra o líder Botafogo). Cinco times estão empatados com 13 pontos (Cruzeiro, Grêmio, Flu e os dois Atléticos), interessante notar que nesse grupo intermediário o único que tem saldo de gols negativo é o Tricolor Gaúcho, com menos quatro.
Na rabeira da tabela, Inter e Santos (ambos com 8 pontos) são alienígenas. No início do ano, era quase unanimidade colocar os dois times como principais equipes do País, junto com o São Paulo. Nesse início de torneio têm média inferior a um ponto por jogo. Estão pior que o Flamento, que apesar de estar no grupo dos que estariam rebaixados, tem dois jogos a menos e média de um ponto por jogo (sete jogos e sete pontos). O Juventude também tem um jogo a mais do que a maioria das equipes, mas é dos principais candidatos a queda, principalmente por estar no meio de vários times mais tradicionais. Já Nautico e America precisam virar o momento com urgência e vão buscar um gênio da lâmpada na aridez do interior nordestino, porque têm certamente as piores condições financeiras da Primeira Divisão.
Dito isso, a verdade, próxima rodada muda tudo e daqui a três jogos os alvirrubros já podem estar pensando novamente em Libertadores. Exatamente como estão os torcedores do Sport agora.
29.6.07
Lá e lô
Suplicy fica magoado com queixa de Lula"
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paparicado publicamente pelo PT como trunfo eleitoral, Suplicy é motivo de queixa e até chacota em conversas reservadas no partido, pelo comportamento considerado obsessivo em busca da verdade.
Em reunião com os senadores do PT Ideli Salvatti (SC) e Tião Viana (AC), para discutir o caso Renan Calheiros (PMDB-AL), Lula teria se queixado de Suplicy, que cobra o depoimento de Renan no Conselho de Ética e causou constrangimento ao se oferecer para relatar o caso.Na eleição do novo presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), anteontem à noite, Suplicy votou no candidato governista. Depois, emocionado, cobrou de Ideli explicações sobre uma notícia que lera num site:
— A notícia diz que a senadora levou uma reprimenda do presidente por ter me escolhido para o Conselho. Sempre me dediquei com muito esmero ao PT, buscando sempre a verdade, foi por isso que fui para o partido."
Presença de Inocêncio Oliveira em evento da prefeitura causa desconforto no MTC
Por Luís Carlos Lins
A presença de figuras como a do deputado Inocêncio de Oliveira em ato de inauguração da Agência de Trabalho João Francisco da Silva não pode tirar brilho daquela homenagem.
O prefeito da cidade do Recife, o Sr. João Paulo Lima e Silva, enviou convite à sede do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos, a fim de inaugurar uma agência de trabalho no bairro do Recife Antigo no dia 25 do mês em curso, em homenagem ao militante sindical cristão e eterno operário, João Francisco da Silva.
Lembrança e homenagem das mais justas a um homem que dedicou toda a sua vida à emancipação da classe trabalhadora, atuando ao lado do saudoso Dom Helder, Pe Romano, Reginaldo Veloso, Lorena Araújo, Luís Barros, Elias Cândido, e tantos outros, na antiga ACO- Ação Católica Operária (hoje MTC).
João Francisco, além de militante da causa operária, lutou pela redemocratização do País(foi um dos torturados durante o regime militar) esteve presente nas mais diversas lutas em prol da cidadania coletiva. Antes de falecer atuava junto ao SINTRAPE - Sind. dos Aposentados e Pensionistas de Pernambuco e era sempre presente nos atos e reuniões do Fórum Permanente Pela Ética na Política.
A presença de pessoas alheias e antagônicas a este testemunho de vida dado por João Francisco, na inauguração do empreendimento que leva seu nome, como o deputado, empresário e tido como ex-mantenedor de mão-de-obra escrava em uma de suas fazendas, Inocêncio de Oliveira, não pode tirar em hipótese alguma o brilho daquele momento e muito menos confundir os presentes a cerca da firmeza ideológica de João.
Quem conheceu e conviveu com João Francisco sabe que ele sempre teve lado e procurou até o fim ser fiel a Jesus Cristo e à Classe Operária.
PS: Luís Carlos Lins é membro do Fórum Permanente pela Ética na Política e militante do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paparicado publicamente pelo PT como trunfo eleitoral, Suplicy é motivo de queixa e até chacota em conversas reservadas no partido, pelo comportamento considerado obsessivo em busca da verdade.
Em reunião com os senadores do PT Ideli Salvatti (SC) e Tião Viana (AC), para discutir o caso Renan Calheiros (PMDB-AL), Lula teria se queixado de Suplicy, que cobra o depoimento de Renan no Conselho de Ética e causou constrangimento ao se oferecer para relatar o caso.Na eleição do novo presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), anteontem à noite, Suplicy votou no candidato governista. Depois, emocionado, cobrou de Ideli explicações sobre uma notícia que lera num site:
— A notícia diz que a senadora levou uma reprimenda do presidente por ter me escolhido para o Conselho. Sempre me dediquei com muito esmero ao PT, buscando sempre a verdade, foi por isso que fui para o partido."
Presença de Inocêncio Oliveira em evento da prefeitura causa desconforto no MTC
Por Luís Carlos Lins
A presença de figuras como a do deputado Inocêncio de Oliveira em ato de inauguração da Agência de Trabalho João Francisco da Silva não pode tirar brilho daquela homenagem.
O prefeito da cidade do Recife, o Sr. João Paulo Lima e Silva, enviou convite à sede do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos, a fim de inaugurar uma agência de trabalho no bairro do Recife Antigo no dia 25 do mês em curso, em homenagem ao militante sindical cristão e eterno operário, João Francisco da Silva.
Lembrança e homenagem das mais justas a um homem que dedicou toda a sua vida à emancipação da classe trabalhadora, atuando ao lado do saudoso Dom Helder, Pe Romano, Reginaldo Veloso, Lorena Araújo, Luís Barros, Elias Cândido, e tantos outros, na antiga ACO- Ação Católica Operária (hoje MTC).
João Francisco, além de militante da causa operária, lutou pela redemocratização do País(foi um dos torturados durante o regime militar) esteve presente nas mais diversas lutas em prol da cidadania coletiva. Antes de falecer atuava junto ao SINTRAPE - Sind. dos Aposentados e Pensionistas de Pernambuco e era sempre presente nos atos e reuniões do Fórum Permanente Pela Ética na Política.
A presença de pessoas alheias e antagônicas a este testemunho de vida dado por João Francisco, na inauguração do empreendimento que leva seu nome, como o deputado, empresário e tido como ex-mantenedor de mão-de-obra escrava em uma de suas fazendas, Inocêncio de Oliveira, não pode tirar em hipótese alguma o brilho daquele momento e muito menos confundir os presentes a cerca da firmeza ideológica de João.
Quem conheceu e conviveu com João Francisco sabe que ele sempre teve lado e procurou até o fim ser fiel a Jesus Cristo e à Classe Operária.
PS: Luís Carlos Lins é membro do Fórum Permanente pela Ética na Política e militante do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos.
15.6.07
O novo parque
Fui muito crítico em relação ao projeto de Oscar Nyemeier em Boa Viagem. Recifense, que recentemente cheguei a Brasília, não gostei de ver alterada a idéia original surgida de um anseio coletivo.
Escrevi um artigo criticando o prefeito João Paulo. Já não bastariam os arranha céus, que agora já tomam conta até do bairro em que cresci – Casa Forte, que era conhecido pela sua tranquilidade.
Seria preciso também ocupar, como aqui no Distrito Federal, mais uma área de recreação com a aridez do concreto? Os moradores, antes dos políticos, deram sua resposta: não.
Coloquei uma enquete no site do deputado federal Paulo Rubem. Mais de 70% das pessoas disseram que queriam uma área verde.A oposição veio reforçar o coro. Responsabilisar a gestão municipal pela escolha.
Saudades da competente oposição petista. Pedro Eurico e Raul Jungman esqueceram de lembrar Paulo Freire., ao criticar o nome dado ao parque. O educador pernambucano gostava de lembrar como são bonitos os nomes dados pelo povo pernambucano.
Ele nem precisou apelar aos versos de Manuel Bandeira. Seria uma prosa de Saudade. Paulo Freire falava de Brasília Teimosa. Bairro onde desenvolveu, junto com a população, sua pedagogia do oprimido.
João Paulo recuou. Movido pelas críticas. Diminuiu a área construída e tirou parte da área concretada, dando espaço para a grama, no projeto do Parque Dona Lindu. Foi o que ele precisava para avançar.
Finalmente, algum morador de Jaboatão, passando na frente daquele enorme terreno de carro, pois os ônibus são proibidos de circular pela nossa avenida litorânea (medida besta!). Deve ter pensado e dito ao nosso prefeito.
- Grande mesmo é o terreno da Gameleira.
E, assim, começou a mudança na história daquele terreno que é, para mim, símbolo de muito do atraso do nosso Estado. Um espaço ocioso, onde se plantou o ódio e prosperou a ganância.
Uma briga de famílias que dura quase um século. Fazia daquele espaço algo absolutamente improdutivo.
Herança por um lado dos herdeiros de Júlio Maranhão. Usineiro que, por incrível que pareça, teve sua usina fechada por irregularidades cometidas no início do século passado. Pois é, esse País tem surtos de Justiça faz tempo.
A Polícia Federal que o diga. Pelo outro lado, a herança foi comprada pelo ex-deputado, mas sempre acusado, e ainda não punido, Pedro Corrêa. Mais uma vez envolvido em lobbies e conchavos, segundo notícias publicadas nesta semana.
Agora, mais que isso, gostaria de sugerir ao prefeito João Paulo. Lembre dos seus tempos de oposição. Era tão bom recitar Manuel Bandeira, lembrar de Paulo Freire. Foi tão bonito construir a Ponte Gregório Bezerra.
Prefeito. Faça uma votação para eleger o nome do novo Parque de Boa Viagem. Pernambuco não quer ser conhecido pela Política do Carangueijo. Queremos nos orgulhar de poder dizer que foi aqui que foi desenvolvida a Política do Oprimido.
De início proponho duas opções.
Uma singela a outra simbólica. Parque da Gameleira. Ou, para fazer uma justa homenagem, Parque Paulo Freire. É que aprendendo, como ele aprendeu, com o povo simples de Pernambuco, ele merece ser escolhido para essa homenagem.
Escrevi um artigo criticando o prefeito João Paulo. Já não bastariam os arranha céus, que agora já tomam conta até do bairro em que cresci – Casa Forte, que era conhecido pela sua tranquilidade.
Seria preciso também ocupar, como aqui no Distrito Federal, mais uma área de recreação com a aridez do concreto? Os moradores, antes dos políticos, deram sua resposta: não.
Coloquei uma enquete no site do deputado federal Paulo Rubem. Mais de 70% das pessoas disseram que queriam uma área verde.A oposição veio reforçar o coro. Responsabilisar a gestão municipal pela escolha.
Saudades da competente oposição petista. Pedro Eurico e Raul Jungman esqueceram de lembrar Paulo Freire., ao criticar o nome dado ao parque. O educador pernambucano gostava de lembrar como são bonitos os nomes dados pelo povo pernambucano.
Ele nem precisou apelar aos versos de Manuel Bandeira. Seria uma prosa de Saudade. Paulo Freire falava de Brasília Teimosa. Bairro onde desenvolveu, junto com a população, sua pedagogia do oprimido.
João Paulo recuou. Movido pelas críticas. Diminuiu a área construída e tirou parte da área concretada, dando espaço para a grama, no projeto do Parque Dona Lindu. Foi o que ele precisava para avançar.
Finalmente, algum morador de Jaboatão, passando na frente daquele enorme terreno de carro, pois os ônibus são proibidos de circular pela nossa avenida litorânea (medida besta!). Deve ter pensado e dito ao nosso prefeito.
- Grande mesmo é o terreno da Gameleira.
E, assim, começou a mudança na história daquele terreno que é, para mim, símbolo de muito do atraso do nosso Estado. Um espaço ocioso, onde se plantou o ódio e prosperou a ganância.
Uma briga de famílias que dura quase um século. Fazia daquele espaço algo absolutamente improdutivo.
Herança por um lado dos herdeiros de Júlio Maranhão. Usineiro que, por incrível que pareça, teve sua usina fechada por irregularidades cometidas no início do século passado. Pois é, esse País tem surtos de Justiça faz tempo.
A Polícia Federal que o diga. Pelo outro lado, a herança foi comprada pelo ex-deputado, mas sempre acusado, e ainda não punido, Pedro Corrêa. Mais uma vez envolvido em lobbies e conchavos, segundo notícias publicadas nesta semana.
Agora, mais que isso, gostaria de sugerir ao prefeito João Paulo. Lembre dos seus tempos de oposição. Era tão bom recitar Manuel Bandeira, lembrar de Paulo Freire. Foi tão bonito construir a Ponte Gregório Bezerra.
Prefeito. Faça uma votação para eleger o nome do novo Parque de Boa Viagem. Pernambuco não quer ser conhecido pela Política do Carangueijo. Queremos nos orgulhar de poder dizer que foi aqui que foi desenvolvida a Política do Oprimido.
De início proponho duas opções.
Uma singela a outra simbólica. Parque da Gameleira. Ou, para fazer uma justa homenagem, Parque Paulo Freire. É que aprendendo, como ele aprendeu, com o povo simples de Pernambuco, ele merece ser escolhido para essa homenagem.
13.6.07
No meio de 18 mil
Nenhum jornal da grande imprensa brasileira deu a foto do Nilson Nelson lotado para a abertura do V Congresso Nacional do MST. O meu blog também não vai dar. Estava sem minha máquina. Mas fiquei ali assistindo aquele pessoal todo, junto com Rodolfo e Reginaldo.
A estrutura é enorme. A macaxeira com linguiça é bem cheirosa. Lonas coloridas de circo se misturam com umas branquinhas, só não vi as famigeradas lonas pretas. Não tem partido político que reúna 18 mil pessoas para pensar como o MST faz.
Raul Jungman está aqui na minha televisão dizendo que não quer pedir dinheiro para campanha política. E eu não quero que ele pegue o dinheiro do Incra. Será que ele não teria se elegido fazendo um bom trabalho na Reforma Agrária? Acho que ele não teria a capacidade mesmo não.
Sinceramente. Reforma Política é o caralho! Alguém acredita na bendita lista? Financiamento (exclusivamente?) público? Pena que Paulo Rubem esteja falando em vão.
- Precisamos garantir que os candidatos e gestores sejam realmente punidos!
Coisa tão simples né. Mas os projetos todos nesse sentido não têm sido nem mesmo colocados em pauta. E entra um para dar Foro Privilegiado a mais autoridades. E a sociedade fica calada e ainda acha feio o MST que está se reunindo.
Foi bonita a festa pá, fiquei contente. Nunca tinha visto uma coisa tão grande. Gente como a gente. Umas meninas bonitas. Uns caras com jeito de trabalhador. Outros com bolsa de estudantes. A maioria não devia mesmo ser trabalhador da terra. Mas tinha alguma vontade de transformar essa terra.
Estou aqui nesse Congresso Nacional. Mas pensando o quanto essas pessoas estão fechadas ao que está fora daqui. Meu objetivo deve ser esse, trazer um pouquinho de areia para esse mar. Mesmo que as águas continuem levando para o meio do oceano...
A estrutura é enorme. A macaxeira com linguiça é bem cheirosa. Lonas coloridas de circo se misturam com umas branquinhas, só não vi as famigeradas lonas pretas. Não tem partido político que reúna 18 mil pessoas para pensar como o MST faz.
Raul Jungman está aqui na minha televisão dizendo que não quer pedir dinheiro para campanha política. E eu não quero que ele pegue o dinheiro do Incra. Será que ele não teria se elegido fazendo um bom trabalho na Reforma Agrária? Acho que ele não teria a capacidade mesmo não.
Sinceramente. Reforma Política é o caralho! Alguém acredita na bendita lista? Financiamento (exclusivamente?) público? Pena que Paulo Rubem esteja falando em vão.
- Precisamos garantir que os candidatos e gestores sejam realmente punidos!
Coisa tão simples né. Mas os projetos todos nesse sentido não têm sido nem mesmo colocados em pauta. E entra um para dar Foro Privilegiado a mais autoridades. E a sociedade fica calada e ainda acha feio o MST que está se reunindo.
Foi bonita a festa pá, fiquei contente. Nunca tinha visto uma coisa tão grande. Gente como a gente. Umas meninas bonitas. Uns caras com jeito de trabalhador. Outros com bolsa de estudantes. A maioria não devia mesmo ser trabalhador da terra. Mas tinha alguma vontade de transformar essa terra.
Estou aqui nesse Congresso Nacional. Mas pensando o quanto essas pessoas estão fechadas ao que está fora daqui. Meu objetivo deve ser esse, trazer um pouquinho de areia para esse mar. Mesmo que as águas continuem levando para o meio do oceano...
11.6.07
10.6.07
Regressão
Dessa vez foi tão forte que vim escrever aqui.
Sonhei que voltava para o Marista. E era reprovado. No ano seguinte, eu entrava no Segundo Ano e ia para a cadeira da frente. O irmão de Felipe Padilha (esqueci o nome do cara) vinha conversar comigo. Eu dizia:
- Você acredita que a cinco anos eu já estava no Segundo Ano?!
Foi nessa hora que o sonho cruzou com a realidade e acabei me acordando. Pensei que não fazia sentido. Fui para os Estados Unidos. Voltei no Terceiro Ano. Como é que posso ter tido de voltar para a escola se já fiz faculdade? Ah, ainda bem que posso continuar me preocupando em passar no meu Mestrado. Por sinal, vou fazer isso agora.
Eita trauma.
Sim. Quando eu chegava para o primeiro dia depois de ser reprovado, ia disposto a começar a estudar. Até mentia que tenho problema de vista para justificar para o professor que queria ficar na primeira fila. Era aula de Literatura. Mas não era Jorge Alves. Me lembrei de Xerxes (Matemática), mas também não era ele. Um professor bonachão, mas bom no que ensinava.
Era esse o conceito.
Sonhei que voltava para o Marista. E era reprovado. No ano seguinte, eu entrava no Segundo Ano e ia para a cadeira da frente. O irmão de Felipe Padilha (esqueci o nome do cara) vinha conversar comigo. Eu dizia:
- Você acredita que a cinco anos eu já estava no Segundo Ano?!
Foi nessa hora que o sonho cruzou com a realidade e acabei me acordando. Pensei que não fazia sentido. Fui para os Estados Unidos. Voltei no Terceiro Ano. Como é que posso ter tido de voltar para a escola se já fiz faculdade? Ah, ainda bem que posso continuar me preocupando em passar no meu Mestrado. Por sinal, vou fazer isso agora.
Eita trauma.
Sim. Quando eu chegava para o primeiro dia depois de ser reprovado, ia disposto a começar a estudar. Até mentia que tenho problema de vista para justificar para o professor que queria ficar na primeira fila. Era aula de Literatura. Mas não era Jorge Alves. Me lembrei de Xerxes (Matemática), mas também não era ele. Um professor bonachão, mas bom no que ensinava.
Era esse o conceito.
9.6.07
3.6.07
BSB para Menores
A Gol está com uma promoção que acho super interessante. Contra-mão no feriado. Faz preços um pouco mais baratos que os do dia-a-dia para as pessoas realizarem viagens para locais não-turísticos. Como Brasília. Eu não poderia ir para Recife, mas comprei uma passagem para Chico por um preço bem legal.
Então, estou na minha semana de expectativa.
Brasília tem um zoológico muito legal. Elefantes, girafas, hipopótamos e animais do mundo todo em uma área fantástica. São espaços enormes mesmo. Além disso, uma atração especial é o borboletário. Sonho de qualquer menina, mas muito apreciado até pelos machos-adultos-do sexo masculino-brancos, como eu. Uma estufa grande, mas cheia de borboletas, água e flores. Imperdível.
O Parque da Cidade é o passeio mais tradicional. Barato, enorme e cheio de atrações (que ficam espalhadas). O kart é caro para caramba, mas vale a pena para quem está de visita. Custa R$40 e estou afim de esperimentar. Tem também um mini-parque de diversões, com montanha russa, roda-gigante e outros brinquedos. Já o Ana Lídia tem aqueles brinquedos tradicionais (escorrego e tal) e esse nome em homenagem a uma garota que foi morta pelos skinheads de uma Brasília que eu ainda não conheci. E tomara que nem exista mais... Fora isso, uma pista de cooper de dez quilômetros, que pode ser feita de bicicleta, patins ou skate. Um laguinho onde futuramente haverá pesque-pague. Sem falar que antigamente havia a piscina de ondas. Acho que faliu? Muito legal o Parque da Cidade.
Tem uns pontos que são óbvios e valem a pena mesmo assim. O Congresso Nacional além da pompa é onde eu trabalho, ele vai ter que ir. A Torre de TV eu gostei de visitar. Tem uma feirinha embaixo e, ao contrário da Torre Eiffel, não tem fila e o elevador é grátis. Muito melhor do que a grande roubada dos passeios a Paris! O Palácio do Planalto e o Itamaraty têm visitas guiadas, mas eu nunca fiz. São outras opções.
Dos museus o que acho mais interessante é o de JK. Realmente, incrível ver como essa cidade foi construída no nada, somente do sonho desse presidente maluco. Criar uma cidade no meio de tanto barro vermelho, pode ter certeza que ainda parece estranho hoje em dia. Pena que saiu de cartaz uma exposição da Turma da Monica sobre Santos Dumont, foi só até semana passada no CCBB. E, eu mesmo, estava curioso de ir até lá. O Museu Nacional é outra opção, parecida com o futuro Parque de Boa Viagem...
Tem duas opções de boliche, uma no Park Shopping e outra bem pertinho de onde vou morar na Asa Norte. Estou tentado a experimentar a segunda opção. Que deve estar ali desde que o Congresso Nacional passou a funcionar em Brasília. Acho que foi projeto de uma esposa de senador, tentando diminuir o mercado para as garotas de programa. Pobrezinha...
Cinema e teatro aqui sempre existem boas opções. Tá bom, a lista de teatro não chega perto do que existe em São Paulo. Mas até que o circuito exibidor de filmes não deixa muito a desejar ao que eu conheci no Rio. Em relação a Recife, o número de opções é infinitamente maior. As opções para criança, no entanto, estão meio restritas. A família do Futuro, Homem Aranha 3, As tartarugas ninja e Piratas do Caribe. O básico.
O ideal mesmo da viagem seria levar o pirralho para ver as cachoeiras em Goiás. Acampar em Salto Corumbá ou pegar uma pousadinha em Pirinópolis. Vamos ver se vai dar tempo...
Então, estou na minha semana de expectativa.
Brasília tem um zoológico muito legal. Elefantes, girafas, hipopótamos e animais do mundo todo em uma área fantástica. São espaços enormes mesmo. Além disso, uma atração especial é o borboletário. Sonho de qualquer menina, mas muito apreciado até pelos machos-adultos-do sexo masculino-brancos, como eu. Uma estufa grande, mas cheia de borboletas, água e flores. Imperdível.
O Parque da Cidade é o passeio mais tradicional. Barato, enorme e cheio de atrações (que ficam espalhadas). O kart é caro para caramba, mas vale a pena para quem está de visita. Custa R$40 e estou afim de esperimentar. Tem também um mini-parque de diversões, com montanha russa, roda-gigante e outros brinquedos. Já o Ana Lídia tem aqueles brinquedos tradicionais (escorrego e tal) e esse nome em homenagem a uma garota que foi morta pelos skinheads de uma Brasília que eu ainda não conheci. E tomara que nem exista mais... Fora isso, uma pista de cooper de dez quilômetros, que pode ser feita de bicicleta, patins ou skate. Um laguinho onde futuramente haverá pesque-pague. Sem falar que antigamente havia a piscina de ondas. Acho que faliu? Muito legal o Parque da Cidade.
Tem uns pontos que são óbvios e valem a pena mesmo assim. O Congresso Nacional além da pompa é onde eu trabalho, ele vai ter que ir. A Torre de TV eu gostei de visitar. Tem uma feirinha embaixo e, ao contrário da Torre Eiffel, não tem fila e o elevador é grátis. Muito melhor do que a grande roubada dos passeios a Paris! O Palácio do Planalto e o Itamaraty têm visitas guiadas, mas eu nunca fiz. São outras opções.
Dos museus o que acho mais interessante é o de JK. Realmente, incrível ver como essa cidade foi construída no nada, somente do sonho desse presidente maluco. Criar uma cidade no meio de tanto barro vermelho, pode ter certeza que ainda parece estranho hoje em dia. Pena que saiu de cartaz uma exposição da Turma da Monica sobre Santos Dumont, foi só até semana passada no CCBB. E, eu mesmo, estava curioso de ir até lá. O Museu Nacional é outra opção, parecida com o futuro Parque de Boa Viagem...
Tem duas opções de boliche, uma no Park Shopping e outra bem pertinho de onde vou morar na Asa Norte. Estou tentado a experimentar a segunda opção. Que deve estar ali desde que o Congresso Nacional passou a funcionar em Brasília. Acho que foi projeto de uma esposa de senador, tentando diminuir o mercado para as garotas de programa. Pobrezinha...
Cinema e teatro aqui sempre existem boas opções. Tá bom, a lista de teatro não chega perto do que existe em São Paulo. Mas até que o circuito exibidor de filmes não deixa muito a desejar ao que eu conheci no Rio. Em relação a Recife, o número de opções é infinitamente maior. As opções para criança, no entanto, estão meio restritas. A família do Futuro, Homem Aranha 3, As tartarugas ninja e Piratas do Caribe. O básico.
O ideal mesmo da viagem seria levar o pirralho para ver as cachoeiras em Goiás. Acampar em Salto Corumbá ou pegar uma pousadinha em Pirinópolis. Vamos ver se vai dar tempo...
29.5.07
Propaganda descarada
Estava atualizando o blog de Chico ontem. Depois me toquei que aqui não tinha o link. Visitem: www.berrodosilencio.blogspot.com.
26.5.07
Minha musa da semana
No gabinete de Roberto Leandro eu era a tendência Chico Alencar e Rodolfo a ala Ivan Valente. Falei com os dois em Brasilia essa semana. De relance, mas são meus ídolos. Assim como meus amigos vão ter ídolos na cena trance ou na dança contemporânea. Mas a verdade é que tenho aprendido a gostar mais de uma ex-petista.
http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed122/erundina.asp
http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed122/erundina.asp
24.5.07
O sopro, o respiro e a cagada
Me lembro de uma conversa com um ator recifense há muitos anos atrás. Ele falava de um amigo meu, dizendo que o cara quando subia no pálco respirava fundo e enchia os pulmões com a sensação do "eu sou artista".
Por mais que o cara tivesse interpretando um puta personagem a gente só conseguia prestar atenção no tom acima em que ele se colocava.
Acho que o cara já aprendeu a soprar, mas me lembrei disso hoje lendo um texto super metido. Por mais que achasse a informação importante não consigo ler esse tipo de coisa.
Principalmente se for literatura. O ator as vezes vai para o palco descalço para mostrar que é um ser livre. O cara que escreve pode até estar de sandálias, mas vai explicar que botou porque o chão estava frio.
Um texto teórico muitas vezes é escrito com as palavras mais difíceis por dificuldade do autor de sair do mundo elaborado onde atua. Acho mais cagada ainda quando o cara quer fazer literatura e vai procurar as palavras mais difíceis para impressionar as menininhas.
Agora convenhamos, soltar o respiro e digitar a brisa ou as trovoadas é tarefa para poucos.
Por mais que o cara tivesse interpretando um puta personagem a gente só conseguia prestar atenção no tom acima em que ele se colocava.
Acho que o cara já aprendeu a soprar, mas me lembrei disso hoje lendo um texto super metido. Por mais que achasse a informação importante não consigo ler esse tipo de coisa.
Principalmente se for literatura. O ator as vezes vai para o palco descalço para mostrar que é um ser livre. O cara que escreve pode até estar de sandálias, mas vai explicar que botou porque o chão estava frio.
Um texto teórico muitas vezes é escrito com as palavras mais difíceis por dificuldade do autor de sair do mundo elaborado onde atua. Acho mais cagada ainda quando o cara quer fazer literatura e vai procurar as palavras mais difíceis para impressionar as menininhas.
Agora convenhamos, soltar o respiro e digitar a brisa ou as trovoadas é tarefa para poucos.
23.5.07
Deputados só pensam naquilo...
Acaba de ser votado na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional o relatório preliminar do deputado federal João Leão (PP-BA) para a Lei de Diretrizes Orçamentárias 2008. A sessão foi um bom exemplo do clima que impera no centro do poder.
Antes da reunião, os líderes tiveram uma reunião e convenceram o deputado baiano a retirar de sua proposta a inclusão de um anexo de metas. Ele aproveitou e, já que não era mais com ele, diminuiu os valores dessa peça que caíram de R$37 bilhões para R$26,4 bilhões. Será que essa discussão era importante? São bilhões mesmo!
A mudança ocorreu depois do deputado Paulo Rubem (PT-PE) denunciar os super-poderes da Comissão Mista de Orçamento e colocar entre as metas do grupo de trabalho que irá investigar a legislação anti-corrupção a maior participação popular no processo de planejamento e execução dos orçamentos públicos.
Durante a reunião o assunto que imperou foi corrupção e a Operação Navalha. Paulo Rubem disse que era preciso aproveitar o momento para dar mais poderes aos órgãos investigativos e melhorar a legislação anti-corrupção, especialmente favorecendo a transparência. João Leão respondeu dizendo que nunca em sua vida tinha visto um deputado, qualquer que fosse, "propor coisa que não seja correta".
Mas a verdade é que o relator foi obrigado a diminuir seus poderes pelos líderes, que sentiram a pressão popular após mais uma operação bem sucedida da Polícia Federal. Vários outros deputados falaram abertamente sobre o que estava os preocupando naquele momento, corrupção, e o orçamento foi votado rapidamente. Afinal, ninguém estava muito atento a isso mesmo.
Antes da reunião, os líderes tiveram uma reunião e convenceram o deputado baiano a retirar de sua proposta a inclusão de um anexo de metas. Ele aproveitou e, já que não era mais com ele, diminuiu os valores dessa peça que caíram de R$37 bilhões para R$26,4 bilhões. Será que essa discussão era importante? São bilhões mesmo!
A mudança ocorreu depois do deputado Paulo Rubem (PT-PE) denunciar os super-poderes da Comissão Mista de Orçamento e colocar entre as metas do grupo de trabalho que irá investigar a legislação anti-corrupção a maior participação popular no processo de planejamento e execução dos orçamentos públicos.
Durante a reunião o assunto que imperou foi corrupção e a Operação Navalha. Paulo Rubem disse que era preciso aproveitar o momento para dar mais poderes aos órgãos investigativos e melhorar a legislação anti-corrupção, especialmente favorecendo a transparência. João Leão respondeu dizendo que nunca em sua vida tinha visto um deputado, qualquer que fosse, "propor coisa que não seja correta".
Mas a verdade é que o relator foi obrigado a diminuir seus poderes pelos líderes, que sentiram a pressão popular após mais uma operação bem sucedida da Polícia Federal. Vários outros deputados falaram abertamente sobre o que estava os preocupando naquele momento, corrupção, e o orçamento foi votado rapidamente. Afinal, ninguém estava muito atento a isso mesmo.
21.5.07
Síndrome de Super Homem
Lembro um dia. Sentado no banco da Pracinha do CPOR. Não sabia bem se era criança ainda. Devia estar na minha pré-adolescência. Com um pouco de medo. Será que isso aqui tudo está acontecendo só para testarem minhas reações.
Isso aqui, eu pensava o mundo. A China vencer o Brasil no vôlei feminino. Tudo mesmo!
Chegava a imaginar até que os jogos de futebol eram todos armados. Não era nem pelo jeito simples, de simplesmente se criar um placar, eram todos atores que tinham o script inteiro da partida marcado. Imagine como devia dar trabalho quando eu ia assistir uma partida no estádio? Tinha que combinar com a torcida toda também.
Deve ter um nome isso. Sei que durou muito na minha cabeça. Isso de me achar no centro do mundo. Até hoje tenho dificuldade de me lembrar quando levei um fora de uma menina? Mas também de quantas eu corri atrás. O pior é que isso tem explicação. Como é que alguém que se acha o centro do mundo vai poder encarar a derrota.
Não no jogo de botão. Ou mesmo na partida de seu time. A mulher amada não lhe querer. Pode se tornar mais importante nunca saber o resultado. Ainda bem que tiveram algumas meninas que souberam me tirar do isolamento.
Para mim, mais que isso, me considerar adulto foi mais conseguir o entendimento de que eu também faço o mal. Perceber que meu discurso de querer o bem pode ser muito bonito. Mas que de vez em quando ao me virar já feri alguém de tirar sangue.
Demorou viu.
E honestamente quando veio chegou a dar uma sensação de alívio. Muito difícil tentar deslocar o mundo inteiro para que sua posição não fira ninguém. Talvez seja mais fácil simplesmente tentar não ferir aqueles a quem amo e devo respeito. Ou apenas notar que passei por cima de alguma coisa e continuar meu caminho.
É minha constatação de quem está chegando aos 29, pensando já nos 30, porque sempre haverá outro 31.
Não quero que meu filho se machuque pelas minhas escolhas. E dai, ele continua sofrendo na carne os efeitos. Não basta dizer que foi sem querer.
É bom ser adulto. Finalmente.
Isso aqui, eu pensava o mundo. A China vencer o Brasil no vôlei feminino. Tudo mesmo!
Chegava a imaginar até que os jogos de futebol eram todos armados. Não era nem pelo jeito simples, de simplesmente se criar um placar, eram todos atores que tinham o script inteiro da partida marcado. Imagine como devia dar trabalho quando eu ia assistir uma partida no estádio? Tinha que combinar com a torcida toda também.
Deve ter um nome isso. Sei que durou muito na minha cabeça. Isso de me achar no centro do mundo. Até hoje tenho dificuldade de me lembrar quando levei um fora de uma menina? Mas também de quantas eu corri atrás. O pior é que isso tem explicação. Como é que alguém que se acha o centro do mundo vai poder encarar a derrota.
Não no jogo de botão. Ou mesmo na partida de seu time. A mulher amada não lhe querer. Pode se tornar mais importante nunca saber o resultado. Ainda bem que tiveram algumas meninas que souberam me tirar do isolamento.
Para mim, mais que isso, me considerar adulto foi mais conseguir o entendimento de que eu também faço o mal. Perceber que meu discurso de querer o bem pode ser muito bonito. Mas que de vez em quando ao me virar já feri alguém de tirar sangue.
Demorou viu.
E honestamente quando veio chegou a dar uma sensação de alívio. Muito difícil tentar deslocar o mundo inteiro para que sua posição não fira ninguém. Talvez seja mais fácil simplesmente tentar não ferir aqueles a quem amo e devo respeito. Ou apenas notar que passei por cima de alguma coisa e continuar meu caminho.
É minha constatação de quem está chegando aos 29, pensando já nos 30, porque sempre haverá outro 31.
Não quero que meu filho se machuque pelas minhas escolhas. E dai, ele continua sofrendo na carne os efeitos. Não basta dizer que foi sem querer.
É bom ser adulto. Finalmente.
18.5.07
14.5.07
Alexander - 702 Norte
Estava na casa de Bernardo. Mas César tinha acabado de sair quando passei lá.
Fui andando para o território santista de Brasília. Sem camisa do Sport. Estava fazendo o reconhecimento. Vi o jogo do Palmeiras quase todo. Tinha gente torcendo para tudo quanto é time, resolvi ficar na TV pequena. Ali tinha de tudo, palmeirenses, flamenguistas, botafoguenses e até gente que estava só tomando uma no domingo de tarde.
Quase na hora do jogo, chegou o pessoal que eu tinha marcado. Resolveram ir para a área dos santistas, porque o pai de Maria (são paulina) é um deles. Ficamos eu e Caetano meio acuados ali. “Trouxe um casaco do Sport”, ele me disse. Mas ficou aguentando o frio. Não tinha clima para isso.
Dois minutos de jogo. 1X0 para o Santos. Comecei a falar da vida. Seu Melo também acabou de chegar em BSB. Também é assessor de imprensa de petista, Marta Suplicy. Também já foi de redação. Se sente um pouco mais petista que jornalista (essa não teve também). E, ao contrário de mim, estava torcendo pelo Peixe e feliz.
Quase não vi quando Weldon empatou o jogo. Mas quando Fumagalli ajeitou a bola para bater eu já estava ligado de novo.
- Ele nunca fez gol dai na vida. (ouvi alguém dizer na mesa da frente)
- Isso pelo Santos. No Sport ele faz toda semana. (menti, eu admito!)
Combinei com Caetano. Se for gol a gente comemora. Tá lá! Muito bem batida a falta. Se Pedrinho fez o primeiro à Juninho Pernambucano. Fumagalli respondeu no melhor estilo Zico.
- Que é isso ai.
- Aqui é lugar para homem.
- A gente que comprou essa TV.
- Gente. Estamos acompanhando dois santistas aqui…
Seu Melo ainda fez o H para não ter problema mesmo.
- Como é que faço para entrar na cota também.
E Caetano tentou contemporizar minha incitação.
- Quarta-feira a gente vem aqui torcer pelo Santos.
Depois Durval fez mais um gol de cabeça. E Washington perdeu duas vezes e na terceira finalmente marcou. Bom para pelo menos Weldon saber que precisa fazer gol para se firmar como titular no Brasileiro.
Pontos fracos do time: o lateral-esquerdo Bruno, o goleiro Magrão e os dois centroavantes (esses dois eu espero que me mostrem o contrário).
Pontos altos: Fumagalli (é o único que pode liderar o time para uma grande campanha), a zaga e os meia-ofensivos Vitor Júnior e Luciano Henrique.
Vão ter que mostrar o talento ainda: os tricolores Carlinhos Bala, Rosembrik e Osmar. E os volantes, que não tiveram trabalho contra o time reserva do Santos.
Agora só falta achar um bar para ser território pernambucano em Brasília. Torcer à Fred Amorim hoje em dia é perigoso demais. Mas digamos que foi prazeroso me lembrar de quando meu pai me levava para o Arruda e a gente ficava no meio da torcida do santinha.
Me fez lembrar do grito do meu pai no meio da torcida do Flamento em pleno Maracanã:
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasccccooooo!
Domingo tem mais. E eu admito, vou torcer pela vitória do Sport e pelo gol mil de Romário. Pelo Sport (quase) Tudo!
Fui andando para o território santista de Brasília. Sem camisa do Sport. Estava fazendo o reconhecimento. Vi o jogo do Palmeiras quase todo. Tinha gente torcendo para tudo quanto é time, resolvi ficar na TV pequena. Ali tinha de tudo, palmeirenses, flamenguistas, botafoguenses e até gente que estava só tomando uma no domingo de tarde.
Quase na hora do jogo, chegou o pessoal que eu tinha marcado. Resolveram ir para a área dos santistas, porque o pai de Maria (são paulina) é um deles. Ficamos eu e Caetano meio acuados ali. “Trouxe um casaco do Sport”, ele me disse. Mas ficou aguentando o frio. Não tinha clima para isso.
Dois minutos de jogo. 1X0 para o Santos. Comecei a falar da vida. Seu Melo também acabou de chegar em BSB. Também é assessor de imprensa de petista, Marta Suplicy. Também já foi de redação. Se sente um pouco mais petista que jornalista (essa não teve também). E, ao contrário de mim, estava torcendo pelo Peixe e feliz.
Quase não vi quando Weldon empatou o jogo. Mas quando Fumagalli ajeitou a bola para bater eu já estava ligado de novo.
- Ele nunca fez gol dai na vida. (ouvi alguém dizer na mesa da frente)
- Isso pelo Santos. No Sport ele faz toda semana. (menti, eu admito!)
Combinei com Caetano. Se for gol a gente comemora. Tá lá! Muito bem batida a falta. Se Pedrinho fez o primeiro à Juninho Pernambucano. Fumagalli respondeu no melhor estilo Zico.
- Que é isso ai.
- Aqui é lugar para homem.
- A gente que comprou essa TV.
- Gente. Estamos acompanhando dois santistas aqui…
Seu Melo ainda fez o H para não ter problema mesmo.
- Como é que faço para entrar na cota também.
E Caetano tentou contemporizar minha incitação.
- Quarta-feira a gente vem aqui torcer pelo Santos.
Depois Durval fez mais um gol de cabeça. E Washington perdeu duas vezes e na terceira finalmente marcou. Bom para pelo menos Weldon saber que precisa fazer gol para se firmar como titular no Brasileiro.
Pontos fracos do time: o lateral-esquerdo Bruno, o goleiro Magrão e os dois centroavantes (esses dois eu espero que me mostrem o contrário).
Pontos altos: Fumagalli (é o único que pode liderar o time para uma grande campanha), a zaga e os meia-ofensivos Vitor Júnior e Luciano Henrique.
Vão ter que mostrar o talento ainda: os tricolores Carlinhos Bala, Rosembrik e Osmar. E os volantes, que não tiveram trabalho contra o time reserva do Santos.
Agora só falta achar um bar para ser território pernambucano em Brasília. Torcer à Fred Amorim hoje em dia é perigoso demais. Mas digamos que foi prazeroso me lembrar de quando meu pai me levava para o Arruda e a gente ficava no meio da torcida do santinha.
Me fez lembrar do grito do meu pai no meio da torcida do Flamento em pleno Maracanã:
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasccccooooo!
Domingo tem mais. E eu admito, vou torcer pela vitória do Sport e pelo gol mil de Romário. Pelo Sport (quase) Tudo!
11.5.07
Futebol à distância
Em Recife, sou o rubro-negro mais fuleiro. Aqui em Brasília o sentimento da distância torna o vermelho e preto mais importante. Assisti até a jogo do Nautico da Copa do Brasil empolgado, torcendo pelo timinho dos Aflitos.
Ontem, encontrei um colega de Tuti que está morando aqui em BSB: Caetano. Parecia que tinha me transformado no maior fanático. Contei toda a história da tradição de parceria das torcidas do Vasco e do Sport (Salve Ademir e Juninho Pernambucano!).
Bem, toda essa história é só para dizer da vontade que estava de ir para Recife esse fim de semana. Despedida de Bruna. Saudade do filho. Vontade de ser mais um na Ilha lotada. Tenho pelo menos mais 48 horas de esperança no Sport.
Vou assistir em um bar lotado de santistas.
Ontem, encontrei um colega de Tuti que está morando aqui em BSB: Caetano. Parecia que tinha me transformado no maior fanático. Contei toda a história da tradição de parceria das torcidas do Vasco e do Sport (Salve Ademir e Juninho Pernambucano!).
Bem, toda essa história é só para dizer da vontade que estava de ir para Recife esse fim de semana. Despedida de Bruna. Saudade do filho. Vontade de ser mais um na Ilha lotada. Tenho pelo menos mais 48 horas de esperança no Sport.
Vou assistir em um bar lotado de santistas.
Pensar um jornal

Bruna é irada porque eu gosto de comprar o Diario de Pernambuco. Mas tem algumas coisas além do melhor caderno de Classificados que me fazem escolher esse jornal. Parece ser o único que realmente tem na direção gente que quer fazer um jornalismo diferente.
Essa semana tive um bom exemplo. Todo mundo sabia que a Câmara ia aproveitar a vinda do papa para aprovar o aumento do salário dos deputados, para que o caso fosse abafado. Os jornais do Brasil inteiro caíram no conto. JC e Folha incluídos, mas Estadão e Correio também (para falar só os que leio diariamente). O DP não. Botou na capa uma manchete em seis colunas e duas linhas com letra em caixa alta: LULA E DEPUTADOS TÊM AUMENTO DE 28,5%. E uma foto grande do papa e Lula embaixo.
Não foi uma solução bem melhor do que os outros fizeram? Manchetes:
Estadão - Bento XVI condena o aborto e faz defesa da família tradicional (novidade zero!)
Correio Brasiliense - A benção e o castigo de Bento XVI (tradução: ele não disse nada inesperado).
JC - A CHEGADA, PAPA CONDENA ABORTO
FOLHA - O PAPA CONDENA. ABORTO. EUTANASIA
Por acaso ele não sempre condenou essas coisas?
A outra coisa que gosto do DP são os suplementos, especialmente o Diarinho dia de sábado, mas acho que são feitos meio nas cochas. A idéia é excelente, mas poderiam ser melhores.
Essa semana tive um bom exemplo. Todo mundo sabia que a Câmara ia aproveitar a vinda do papa para aprovar o aumento do salário dos deputados, para que o caso fosse abafado. Os jornais do Brasil inteiro caíram no conto. JC e Folha incluídos, mas Estadão e Correio também (para falar só os que leio diariamente). O DP não. Botou na capa uma manchete em seis colunas e duas linhas com letra em caixa alta: LULA E DEPUTADOS TÊM AUMENTO DE 28,5%. E uma foto grande do papa e Lula embaixo.
Não foi uma solução bem melhor do que os outros fizeram? Manchetes:
Estadão - Bento XVI condena o aborto e faz defesa da família tradicional (novidade zero!)
Correio Brasiliense - A benção e o castigo de Bento XVI (tradução: ele não disse nada inesperado).
JC - A CHEGADA, PAPA CONDENA ABORTO
FOLHA - O PAPA CONDENA. ABORTO. EUTANASIA
Por acaso ele não sempre condenou essas coisas?
A outra coisa que gosto do DP são os suplementos, especialmente o Diarinho dia de sábado, mas acho que são feitos meio nas cochas. A idéia é excelente, mas poderiam ser melhores.
9.5.07
Salário da coerência
Tive um momento bonito do meu trabalho agora. Paulo Rubem ligou na hora da votação do aumento do salário dos deputados. Estava tudo certo para ele votar a favor.
"Não posso votar pela minha necessidade, sou interessado".
"Faz sentido Paulo. Se você tivesse em uma situação de menos aperto financeiro talvez tivesse chegado a essa conclusão antes. E digo mais, as vezes acho errada a tua posição em defesa de aumento de salários para categorias como a dos delegados da Polícia Federal".
Tínhamos vindo de uma discussão com os técnicos das universidades federais. Eles têm o menor salário base do serviço público federal e estão preocupados com o PLP 01, que limita os gastos com pessoal nos próximos dez anos.
Como está crescendo o número de universidades, e profissionais, vai se criar uma situação insustentável. Eles não vão ter aumento e mesmo assim o gasto cresce porque o número de profissionais aumenta por conta de uma política do Governo Lula (a criação de cursos superiores em cidades de médio porte).
Urgência tem o projeto do Piso Salarial Nacional dos Professores. É isso.
"Não posso votar pela minha necessidade, sou interessado".
"Faz sentido Paulo. Se você tivesse em uma situação de menos aperto financeiro talvez tivesse chegado a essa conclusão antes. E digo mais, as vezes acho errada a tua posição em defesa de aumento de salários para categorias como a dos delegados da Polícia Federal".
Tínhamos vindo de uma discussão com os técnicos das universidades federais. Eles têm o menor salário base do serviço público federal e estão preocupados com o PLP 01, que limita os gastos com pessoal nos próximos dez anos.
Como está crescendo o número de universidades, e profissionais, vai se criar uma situação insustentável. Eles não vão ter aumento e mesmo assim o gasto cresce porque o número de profissionais aumenta por conta de uma política do Governo Lula (a criação de cursos superiores em cidades de médio porte).
Urgência tem o projeto do Piso Salarial Nacional dos Professores. É isso.
4.5.07
Detalhes
O livro Estorvo ia se chamar Olho Mágico. Chico depois explicou que mudou o nome porque o objeto era um detalhe que lhe chamava a atenção no livro, queria dar aos leitores a escolha do que tomaria a imaginação de cada um.
Não sei se foi bem isso. Li esse livro na Sexta Série, mas marcou um pouco porque depois de corrigir o meu trabalho a professora disse que tinha alunos na sala que precisavam ler coisas mais apropriadas para a idade deles. Para satisfazer Débora Suassuna logo depois eu li O Perfume. Não foi uma boa escolha.
Fico com vergonha pelo cara quando vejo um jornalista defender o argumento das empresas de que, pela liberdade de imprensa, não pode se criar limites para a exibição de nada. O debate está rolando na Justiça. E, por isso, a TV Globo tem feito uma campanha pesada para dizer que imprensa tem que ter liberdade.
Para eles, os pais é que precisam impor limites. Vocês já viram a propaganda em que uma criança tem os olhos vendados? Eu fico querendo saber se os jornalistas da Globo têm carga horária de seis horas, sem possibilidade de hora-extra, para que eles possam estar em casa fazendo tarefa e criando brincadeiras com seus filhos?
Quando for assim eu começo a discutir esse assunto. Mas vou continuar sendo a favor do controle. Tem que ter horário para exibição dos programas, tem que ter aviso para dizer a idade apropriada de cada programa e tem que se respeitar o horário de todos os estados do Brasil (eles atualmente "respeitam" somente o horário de Brasília, quem está em outro fuso recebe os programas antes).
Acho até graça quando meu filho olha todo interessado para uma Playboy na banca. Mas acho bem pior algumas coisas que ele vê na TV. A curiosidade do corpo é tão normal. Mas tem umas idéias que as crianças convivem, por exemplo, nas novelas que misturam a cabeça delas mesmo.
Pena que o lobby das emissoras está ganhando o debate até agora.
Não sei se foi bem isso. Li esse livro na Sexta Série, mas marcou um pouco porque depois de corrigir o meu trabalho a professora disse que tinha alunos na sala que precisavam ler coisas mais apropriadas para a idade deles. Para satisfazer Débora Suassuna logo depois eu li O Perfume. Não foi uma boa escolha.
Fico com vergonha pelo cara quando vejo um jornalista defender o argumento das empresas de que, pela liberdade de imprensa, não pode se criar limites para a exibição de nada. O debate está rolando na Justiça. E, por isso, a TV Globo tem feito uma campanha pesada para dizer que imprensa tem que ter liberdade.
Para eles, os pais é que precisam impor limites. Vocês já viram a propaganda em que uma criança tem os olhos vendados? Eu fico querendo saber se os jornalistas da Globo têm carga horária de seis horas, sem possibilidade de hora-extra, para que eles possam estar em casa fazendo tarefa e criando brincadeiras com seus filhos?
Quando for assim eu começo a discutir esse assunto. Mas vou continuar sendo a favor do controle. Tem que ter horário para exibição dos programas, tem que ter aviso para dizer a idade apropriada de cada programa e tem que se respeitar o horário de todos os estados do Brasil (eles atualmente "respeitam" somente o horário de Brasília, quem está em outro fuso recebe os programas antes).
Acho até graça quando meu filho olha todo interessado para uma Playboy na banca. Mas acho bem pior algumas coisas que ele vê na TV. A curiosidade do corpo é tão normal. Mas tem umas idéias que as crianças convivem, por exemplo, nas novelas que misturam a cabeça delas mesmo.
Pena que o lobby das emissoras está ganhando o debate até agora.
2.5.07
Como transformar o plenário da Câmara dos Deputados em local de troca de conhecimentos?
É raro, mas as vezes acontece. Achei muito bonito o discurso da viúva de Paulo Freire hoje.
"Quando a Livraria Imperatriz, localizada na Rua da Imperatriz, citada aqui anteriormente por Paulo Rubem, depois da Segunda Guerra Mundial, recebia aquelas caixas de livros dos pensadores do mundo, havia um ritual. Os intelectuais da cidade eram convidados, tirava-se aquele lacre de fita de aço, abriam-se os caixotes, e cada um pegava um livro.
Posso imaginar Paulo segurando o livro, alisando-o atentamente, olhando o índice e alguma referência à primeira obra. Paulo aprendeu a partir de livros, sim, mas sobretudo de sua experiência, rica em compaixão com os explorados e oprimidos.
Em meu discurso, digo que Paulo aprendeu com intelectuais, muitas vezes negando-os, já que tinha outra compreensão. Afinal, para a academia, o único saber era o saber científico e filosófico. No entanto, Paulo dizia: Não, o saber é o saber do senso comum. É dele que a história da humanidade partiu e de onde devemos partir.
Quem ensinou o senso comum a Paulo foi a sua experiência de vida, o seu sofrimento, as suas incursões aos quintais alheios, mas principalmente o povo pernambucano, o povo dos alagados, de Brasília Teimosa. Paulo dizia: Que coisa deliciosa, como o povo sabe nomear as coisas. Brasília Teimosa se fazia, a Polícia vinha e a derrubava, mas ela ia se reconstruindo. Foi um espaço de teimosia, de rebeldia da população de Recife. Foi por causa dessa gente, chamada assim para menosprezá-la, que Paulo construiu o termo gentidade. A partir disso, da experiência que teve com a gente dos alagados, de Brasília Teimosa, de Afogados, dos pescadores de Ponta de Pedras e sobretudo dos camponeses da agroindústria açucareira,que Paulo aprendeu a ler o mundo.Foi por causa deles, que perguntavam e não queriam prestar atenção às respostas prontas que ele levava, que Paulo dizia: A pedagogia não pode ser a pedagogia das respostas, dos conteúdos prontos; a pedagogia tem que partir daquele que não sabe para aquele que sabe um pouco mais".
"Quando a Livraria Imperatriz, localizada na Rua da Imperatriz, citada aqui anteriormente por Paulo Rubem, depois da Segunda Guerra Mundial, recebia aquelas caixas de livros dos pensadores do mundo, havia um ritual. Os intelectuais da cidade eram convidados, tirava-se aquele lacre de fita de aço, abriam-se os caixotes, e cada um pegava um livro.
Posso imaginar Paulo segurando o livro, alisando-o atentamente, olhando o índice e alguma referência à primeira obra. Paulo aprendeu a partir de livros, sim, mas sobretudo de sua experiência, rica em compaixão com os explorados e oprimidos.
Em meu discurso, digo que Paulo aprendeu com intelectuais, muitas vezes negando-os, já que tinha outra compreensão. Afinal, para a academia, o único saber era o saber científico e filosófico. No entanto, Paulo dizia: Não, o saber é o saber do senso comum. É dele que a história da humanidade partiu e de onde devemos partir.
Quem ensinou o senso comum a Paulo foi a sua experiência de vida, o seu sofrimento, as suas incursões aos quintais alheios, mas principalmente o povo pernambucano, o povo dos alagados, de Brasília Teimosa. Paulo dizia: Que coisa deliciosa, como o povo sabe nomear as coisas. Brasília Teimosa se fazia, a Polícia vinha e a derrubava, mas ela ia se reconstruindo. Foi um espaço de teimosia, de rebeldia da população de Recife. Foi por causa dessa gente, chamada assim para menosprezá-la, que Paulo construiu o termo gentidade. A partir disso, da experiência que teve com a gente dos alagados, de Brasília Teimosa, de Afogados, dos pescadores de Ponta de Pedras e sobretudo dos camponeses da agroindústria açucareira,que Paulo aprendeu a ler o mundo.Foi por causa deles, que perguntavam e não queriam prestar atenção às respostas prontas que ele levava, que Paulo dizia: A pedagogia não pode ser a pedagogia das respostas, dos conteúdos prontos; a pedagogia tem que partir daquele que não sabe para aquele que sabe um pouco mais".
É proibido proibir


Um filme que me surpreendeu. Começa lhe trazendo um tipo de sensação e acaba num ambiente emocional completamente diferente. Podem acusar o roteirista de ter copiado o enredo de Cidade de Deus, realmente há algumas coincidências. Mas isso é o de menos quando temos um filme que ultrapassa a média.
Os três atores principais são bons. O roteiro também. Proibido Proibir ainda mostra um cenário carioca menos batido. Uma crítica resume assim: "o jogo que se forma na mente de um jovem adulto em meio à dura realidade brasileira é apresentada com clareza na tela na vontade de mudar o mundo versus o conforto do comodismo".
Gostei da solução para o problema amoroso do filme, mas ai alguém já pode me acusar de gostar de melodrama.
30.4.07
Meu ponto de vista, em resposta a João
Vou tentar responder a algumas angústias de João. Lógico que ninguém vai conseguir resolvê-las, mas talvez faça algum sentido a visão de um cara que não tem medo de ser antiquado e que ama essa cidade ao ponto de sair dela e continuar trabalhando com algumas das maiores mazelas que tem por lá.
O silêncio da nossa geração? Não é um sentimento pernambucano. O engajamento é uma coisa muito demodê. Para vestir uma camisa eu ganho salário. Não posso falar dos que esquecem de vestir as suas, só que acredito plenamente na minha trajetória.
Talvez aqui no Brasil seja um pouco mais difícil assumir os posicionamentos. Realmente, são poucas as oportunidades e são favorecidos os que baixam a cabeça para os grupos políticos ou econômicos: O jornalista que trabalha para vender o peixe de João Carlos Paes Mendonça ou de Eduardo Monteiro e que, quando muda o governador, muda também de opinião para agradar os novos maiores anunciantes. A arquiteta que se cala ao ver a corrupção e muitas vezes até deixa seu carguinho comissionado, mas não vê forças para enfrentar toda a máquina da estrutura Políticos Corruptos/Empreiteiras. Na arte existe a mesma divisão: os que se calam, os que são excluídos e os que entram no esquema de cabeça.
Aqui no meu trabalho temos feito aquela pergunta direto. Como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? Como apresentar outras alternativas de vida? Como fazer tudo por um pouco mais de ternura?
Cada um escolhe o seu caminho né João. Acho muito importante a gente saber que a mãe que cria seu filho abrindo o olho dele para não pisar no pé dos outros está fazendo a parte dela. E não acho que seja parcialmente não, porque cada um tem a sua escolha mesmo.
Paulo Rubem, por exemplo, decidiu voltar às bases, sem acreditar na política atual. A idéia dele é aquela da TV Viva no fim dos anos 80. Está com uma equipe de comunicação, equipamentos de gravação e exibição e tenta fazer os vídeos e exibir nas comunidades para causar o debate. Semana passada foi lançado um vídeo no Preto Velho. Mas é uma coisa muito inicial. Na qual estou tentando me integrar, apesar de estar mais aqui em Brasília.
Isso aqui é a idéia de quem faz Política. E acredita nisso. E acha até que para fazer o que acredita pode viver com menos do que o mercado lhe pagaria. Em Recife, ganharia mais do que aqui, para trabalhar para gente em quem não acredito (era a alternativa que eu tinha).
Mais um pouco aqui de Brasília. Estou em Assembléia aberta para discutir o Recife. Quando não tenho de acalmar Paulo Rubem, me sinto na obrigação de abrir a cabeça de Bernardo e ele tenta me mostrar algumas coisas boas que têm sido feitas por lá. Fico no meio da gangorra.
Semana passada fiquei puto com um texto que saiu no JC defendendo o Parque de Boa Viagem, Paulo me estigaria a responder, mas Bernardo acabou me convencendo de que estaria tirando o foco do debate principal. Resultado: botei uma enquetizinha no site de Paulo e acabei sem mandar a resposta para o JC.
João. Tenho certeza que você não precisa de dica minha, mas se está querendo mostrar as suas inquietações no Recife só precisa começar a suar para isso. A arte ainda tem alternativas bastante honestas de aprovação de projetos, que poderiam além de lhe dar o direito de discutir com o público e os profissionais brasileiros, pagar as passagens para você vir visitar sua família e amigos. Senta a bunda e escreve os projetos, que uma hora acaba saindo (pois qualidade você tem).
Sobre o espaço de debate, não existe lugar melhor do que a Internet, para gente tão distante.
Venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora
Normal. Mas não adianta viver esse desejo e essa saudade e querer voltar e não pensar como pode ser feito esse caminho de forma muito boa. Tem que estudar um pouco as possibilidades, escolher um caminho e suar para realizar o que você imaginar. Ou então aproveitar a sua história ai.
observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável.
A cidade pode estar estática. Mas acho esse papo de crescimento da violência uma babaquice. Serve muito bem para quem quer tirar o foco do debate. A violência existe, os caras continuam assaltando o orçamento, mas o controle começa a existir. As escolas continuam uma merda, mas será que eram muito melhores há dez anos? A polícia continua a matar gente pra caralho (vocês viram É proibido proibir? Filme do caralho!), mas o Ministério Público e a Polícia Federal investigam e prendem gente importante como nunca. Os usineiros continuam fazendo grilagem bem pertinho do Recife, antes de Porto de Galinhas, como sempre... Só não dá para achar que o grande problema do nosso Estado é a violência chegando perto da classe média. Isso é burrice ou sacanagem?!
Assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento).
Arrume dinheiro para voltar no Carnaval. E gaste sem pena no Recife, pois as coisas são baratas lá para quem ganha em euro. Culpa? Menos...
O silêncio da nossa geração? Não é um sentimento pernambucano. O engajamento é uma coisa muito demodê. Para vestir uma camisa eu ganho salário. Não posso falar dos que esquecem de vestir as suas, só que acredito plenamente na minha trajetória.
Talvez aqui no Brasil seja um pouco mais difícil assumir os posicionamentos. Realmente, são poucas as oportunidades e são favorecidos os que baixam a cabeça para os grupos políticos ou econômicos: O jornalista que trabalha para vender o peixe de João Carlos Paes Mendonça ou de Eduardo Monteiro e que, quando muda o governador, muda também de opinião para agradar os novos maiores anunciantes. A arquiteta que se cala ao ver a corrupção e muitas vezes até deixa seu carguinho comissionado, mas não vê forças para enfrentar toda a máquina da estrutura Políticos Corruptos/Empreiteiras. Na arte existe a mesma divisão: os que se calam, os que são excluídos e os que entram no esquema de cabeça.
Aqui no meu trabalho temos feito aquela pergunta direto. Como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? Como apresentar outras alternativas de vida? Como fazer tudo por um pouco mais de ternura?
Cada um escolhe o seu caminho né João. Acho muito importante a gente saber que a mãe que cria seu filho abrindo o olho dele para não pisar no pé dos outros está fazendo a parte dela. E não acho que seja parcialmente não, porque cada um tem a sua escolha mesmo.
Paulo Rubem, por exemplo, decidiu voltar às bases, sem acreditar na política atual. A idéia dele é aquela da TV Viva no fim dos anos 80. Está com uma equipe de comunicação, equipamentos de gravação e exibição e tenta fazer os vídeos e exibir nas comunidades para causar o debate. Semana passada foi lançado um vídeo no Preto Velho. Mas é uma coisa muito inicial. Na qual estou tentando me integrar, apesar de estar mais aqui em Brasília.
Isso aqui é a idéia de quem faz Política. E acredita nisso. E acha até que para fazer o que acredita pode viver com menos do que o mercado lhe pagaria. Em Recife, ganharia mais do que aqui, para trabalhar para gente em quem não acredito (era a alternativa que eu tinha).
Mais um pouco aqui de Brasília. Estou em Assembléia aberta para discutir o Recife. Quando não tenho de acalmar Paulo Rubem, me sinto na obrigação de abrir a cabeça de Bernardo e ele tenta me mostrar algumas coisas boas que têm sido feitas por lá. Fico no meio da gangorra.
Semana passada fiquei puto com um texto que saiu no JC defendendo o Parque de Boa Viagem, Paulo me estigaria a responder, mas Bernardo acabou me convencendo de que estaria tirando o foco do debate principal. Resultado: botei uma enquetizinha no site de Paulo e acabei sem mandar a resposta para o JC.
João. Tenho certeza que você não precisa de dica minha, mas se está querendo mostrar as suas inquietações no Recife só precisa começar a suar para isso. A arte ainda tem alternativas bastante honestas de aprovação de projetos, que poderiam além de lhe dar o direito de discutir com o público e os profissionais brasileiros, pagar as passagens para você vir visitar sua família e amigos. Senta a bunda e escreve os projetos, que uma hora acaba saindo (pois qualidade você tem).
Sobre o espaço de debate, não existe lugar melhor do que a Internet, para gente tão distante.
Venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora
Normal. Mas não adianta viver esse desejo e essa saudade e querer voltar e não pensar como pode ser feito esse caminho de forma muito boa. Tem que estudar um pouco as possibilidades, escolher um caminho e suar para realizar o que você imaginar. Ou então aproveitar a sua história ai.
observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável.
A cidade pode estar estática. Mas acho esse papo de crescimento da violência uma babaquice. Serve muito bem para quem quer tirar o foco do debate. A violência existe, os caras continuam assaltando o orçamento, mas o controle começa a existir. As escolas continuam uma merda, mas será que eram muito melhores há dez anos? A polícia continua a matar gente pra caralho (vocês viram É proibido proibir? Filme do caralho!), mas o Ministério Público e a Polícia Federal investigam e prendem gente importante como nunca. Os usineiros continuam fazendo grilagem bem pertinho do Recife, antes de Porto de Galinhas, como sempre... Só não dá para achar que o grande problema do nosso Estado é a violência chegando perto da classe média. Isso é burrice ou sacanagem?!
Assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento).
Arrume dinheiro para voltar no Carnaval. E gaste sem pena no Recife, pois as coisas são baratas lá para quem ganha em euro. Culpa? Menos...
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