27.11.07

Vou passar minhas férias com o pirralho.



E esse AP vai estar livre.








Frente e verso.



24.11.07

Olinda

Sexta, depois do expediente.

Ele me chamou para tomar uma cerveja. Quando estávamos na segunda teve coragem de dizer que ela estava vindo passar uns dias. Percebi que chegaria a qualquer momento.

O reencontro foi de um silêncio espantoso.

Primeiro ele a abraçou carinhosamente. Amelia então colocou a cabeça no ombro de Júlio e o apertou. Quando eles finalmente se beijaram as lágrimas já escorriam no rosto dela. Me levantei e saí sem dizer nada. Guardando comigo aquela cena, que só eu presenciei e deixando as duas cervejas para ele pagar.

- As vezes a dor é tão aguda que mesmo sem saber o quê é preciso gritar.

No dia seguinte ele me acordou dizendo um monte de coisas. Tinham passado uma noite maravilhosa de sexo. Eu não podia entender de que aquele cara se queixava tanto.

Mandei ele entrar no banho.

- As vezes tenho vontade de deixar a água bater no meu corpo por horas para deixar os sentimentos escorrerem. A verdade é que comigo não funciona. Também já tentei correr e as vezes nem isso funciona.

Passaram o fim de semana quase sem se ver. Não puxei assunto. Ele me pareceu realmente transtornado com aquela situação. Mas ela continuava com o mesmo sorriso brilhante. Só se queixou dele ter lhe apresentado a alguém como sua amiga.

Sempre achei que seria bom para ele ir viver um mercado de trabalho maior. Mas ele nunca admitiu abandonar seu escritório. Afinal, eram anos de investimento. Um publicitário sabe bem o que vale a marca que ele mesmo desenvolveu.

A distância foi apenas a primeira barreira daqueles dois. Ele já tinha se apaixonado. Ela tinha tido alguns casinhos também. O reencontro na nossa cidade havia sido planejado por semanas. Mas eles só ficaram juntos de novo no domingo de noite.

Quando acordei na segunda-feira notei um bilhete deixado em cima do sofá.

Na semana seguinte juntei as coisas dele e comecei a arrumar. Ele deixou tudo que era mais importante jogado pelo apartamento. Não tinha nem mesmo se dado ao trabalho de dobrar as camisas do varal.

Coloquei o disco de Chet Baker, o meu preferido dos dele, como trilha sonora para aquela despedida. E acabei de ler o livro que Júlio havia me emprestado e eu nunca tinha passado do primeiro capítulo.

No dia do aniversário dele eu mandei tudo para o Rio de Janeiro. Guardei só o bilhete que ele havia deixado para me explicar tudo.

“Ela é a mulher da minha vida”.

6.11.07

Vergonha para o PT

José Neves Cabral não é muito ligado em Política. Mas esse notinha eu tirei do blog dele (http://www.arquibancada.blog.br/). É assim mesmo que se deve fiscalizar os nossos representantes.

"Dois deputados pernambucanos caíram no lóbi da CBF e retiraram suas assinaturas do requerimento da CPMI, cujo objetivo é abrir uma investigação sobre a lavagam de dinheiro no Corinthians.São eles Maurício Rands e Fernando Ferro, ambos do PT. Votei em Ferro na última eleição e estou tão decepcionado quanto devem estar seus milhares de eleitores.Ferro sempre teve uma história de lutas na política. Mas, pela decisão, saiu do rumo do bom combate e virou mais um a se perder na poeira. A lista com os nomes de todos os deputadores que repetiram o gesto de Rands e Ferro foi publicada pelo jornal O Estado de São Paulo esta semana e está no Blog do Juca, link abaixo.Só me resta dizer que os dois deputados petistas envergonharam Pernambuco".

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

29.10.07

Sexo e futebol

O melhor filme sobre o futebol brasileiro ainda é Garrincha, Alegria do Povo. Assisti recentemente a um outro que retrata a vida do ponta-direita do Botafogo. Interessante, mas deixa uma caricatura meio boba do cara que só pensa em sexo e é usado pelas mulheres.

Esse floreio dai de cima foi só para dizer que estou meio puto com a realidade.

O Sport jogou tudo que podia ontem.

Levou um pênalti e o centroavante bateu de um jeito indefensável. A bola tocou na trave direita e entrou.

Contou com a sorte, Everton desviou uma bola forte, cabeceou a bola alta, à queima-roupa, dentro da pequena área.

Depois o melhor jogador rubro-negro, Romerito, bateu uma falta com maestria, o goleiro abriu um canto, ele invés de bater no óbvio tentou pegar o contra-pé, inverteu a bola todinha.

Pois num é que em dois desses três lances Rogério Ceni mostrou porque é o que é:

Puta que pariu!
É o melhor, goleiro do Brasil!
Rogério!!!!!!!!

O grito dos sete mil são paulinos está custando a sair da minha cabeça e de muitos dos mais de 30 mil rubro-negros que estavam ontem na Ilha do Retiro.

Pois é. O que era para ser um glorioso 3X2 virou um honroso e sofrido 1X2, dentro de casa. E a gente não pode nem dizer que faltou esforço. O time deu tudo, mas era pouco para o São Paulo. E pronto.

Não deu nem para lembrar aquele cara que quando a menina acaba com ele fica triste porque respeitou demais. Fomos com tudo. Metemos pressão até onde podíamos. Se não tinha KY, fomos no cuspe. Sem violência, que a gente sabia o valor da coisa. Não tenho dúvidas. O Sport foi até onde podia. E perdeu.

Que venha uma lourinha vestida de vermelho em Porto Alegre para a gente chamar de Barbie. E meter com força. Tem que tentar a vitória. Lá e cá, sempre.

23.10.07

Shakespeare and Company

Andar pelas ruas de Paris e encontrar uma livraria com alma. É um sonho para qualquer viajante, que tenha algum gosto por livros. Lembro que queria dar um livro a Patrice durante toda a minha estadia na França e andando pelo Quartier Latin entrei em uma lojinha bem pequena. Perguntei pelo autor: Anthony Bourdain. A menina me trouxe o livro rindo porque o título em francês de Cozinha Confidencial é algo como O Chef Maluco (trocadilho intraduzível em sua plenitude). Mandei embrulhar para presente e tive a maior surpresa pois o lugar só tinha livros sobre comida. Fiquei ali conversando e olhando os livros e lembro até que quando saí Mateus elogiou o meu francês, que ficou esquecido naquela minha meia hora de vida.

Não cheguei na parte do meu guia de Paris que falava da Shakespeare and Company. Uma livraria cheia de autores residentes, poetas não-publicados e que nem aceitava cartão de crédito. Tudo isso, a poucos metros da Sacre Couer. Muito perfeita a imagem. Gosto de imaginar as teias de aranha por trás das estantes. O velho dono meio rabugente com saudade de sua filha e esperando preencher o seu vazio a cada novo visitante que lhe bate a porta pedindo abrigo. Sempre uma linda menina no caixa, para deixar qualquer um apaixonado. E um ou dois caras tentando mostrar que têm organização e podem deixar o lugar até mais organizado do que se o próprio George ainda estivesse tomando conta de toda a loja.

Olhando bem a foto da capa do livro que acabei de ler, fico imaginando que passei na frente daquele lugar. Ou estaria só sendo enganado pela imagem dos livros em pequenas mesas expostos no meio da calçada? Bem, fico feliz que de qualquer maneira eu não fui mais um turista bobo que passou ali para levar para casa algumas imagens digitais. Pode não ter sido muito poético entrar no bar ao lado e tomar uma cerveja com todas as francesas do local dando em cima da gente, para logo depois todas nos abandonarem. E finalmente notarmos que estávamos sendo confundidos com um casal gay. E que estávamos inadvertidamente em um bar de strip masculino. Mas que foi divertido isso com certeza nem Mateus vai negar.

O livro é uma imagem singela dessa livraria no início dos anos 90. Jeremy Mercer viveu ali por alguns meses, enquanto a Shakespeare and Company ainda tentava se definir entre o que tinha sido e o que viria a ser. Paris já estava totalmente tomada pela invasão de turistas. Os jovens se aproximavam dos velhos. As vezes até aprendiam alguma coisa e em troca acabavam abrindo algumas portas também. As meninas se aproximavam dos caras, ou mesmo de outras garotas se achassem mais interessante. A maioria dos escritores pouco fazia para sair dos cadernos escritos ou das páginas em branco e os que conseguiam publicar algo provavelmente pulavam fora daquele agitação. Mas ali ainda se tentava fazer algo mais longo e duradouro que um vídeo de telefone celular.

Agora me lembrei do ritual do meu pai. Recife também já teve uma livraria e até loja de disco cheias de charme. Meu programa de sábado era passear pela Sete de Setembro. Lembro de ficar ouvindo sem entender nada as discussões sobre Chet Baker, Miles Davis, Dizzie Gillespie, Coltrane e cia. Saudade. Dizem que essa palavra também é intraduzível?

16.10.07

São Bento, Japaratinga e Maragogi

Frases do fim de semana:

"Pai, vamos na casa daquele seu amigo super-legal que me bota nas ondas para surfar". Ao acordar.

"Chiiico!", "Chicooo", "Chico!!!". Ao chegar na casa de Rodolfo. Recepção da pirralhada.

"Vai pra banheira Leleco. Teu lugar é do lado da barra". Durante o show de futebol na beira da praia.

"Lagostinha?". Antes de ver a maravilha.

"Nunca comi uma coisa tão gostosa na vida!". No durante.

"Caralho, pensei que tu não ia aparecer mais...". Ao chegar atrasado para ajudar Zenzi a cozinhar carangueijo, peixe e agulhinha frita.

"Tive meus motivos". Resposta que deixaria invejosa a galera que não comeu lagostin.

"Dona Elsinha, eu te amo!". Agradecendo a Julio e à famosa dona da casa em que nos hospedamos, durante o aguardado almoço da galera.

"Meu barco é movido a escravo". Presidente de empresa de trânsito admitindo que está cansado do transporte veicular sobre rodas.

"Vamos tomar um vinho". Depois de tudo isso ainda tinha um vinho para coroar?

"Dado, os meninos todos já tomaram banho e teu filho tá aqui abandonado". 'As 20h30.

"Não. Deixa ele ficar mais aqui. Por favor". Ao pegar o menino.

"Obrigado por me acompanhar". Eu é que agradeço (a todos).

Ps: Fiquei com inveja porque não podia comentar nos fotologs da galera então botei isso aqui.

9.10.07

Teste



http://www.paraquedismo.org/tropadeelite/

Gostei do filme. Vejam. O teste eu achei interessante. Não tenho o perfil de nenhum dos policiais. Então veio o chefe do tráfico no morro. Pelo menos num veio uma das meninas da ONG. Façam o teste depois de assistir Tropa de Elite.

8.10.07

Baixio das Bestas

Todo mundo me disse que não era um bom filme. Mas eu adorei Amarelo Manga. Na verdade tinha obrigação de ir assistir e colocar aqui minha opinião. Gosto do visual. Tem umas cenas interessantes. Tome cana-de-açúcar. Passa uns três minutos mostrando Caio Blat e Matheus Nachtergale nus. Achei interessante aquilo. Meio gay, a cena me agradou. Engraçado Claudio Assis filmar um filme cheio de nuances homossexuais.

Os personagens não me agradam. Excelentes atores parecem desperdiçados naquela violência gratuita toda. Muita fala para poucos silêncios. Não fiquei verdadeiramente chocado com nada. Apenas achei uma redução meio boba da juventude classe média da Zona da Mata os personagens de Caio Blat, Samuel e China. A miséria? Não, o filme não fala sobre os miseráveis. O principal núcleo é um grupo de jovens que não têm muito o que fazer naquela cidadezinha e usa um cinema desativado e um puteiro como locais de divertimento (fuga?).

A história tem mais começo, meio e fim do que Amarelo Manga. Talvez por isso fiquem mais evidenciadas as fraquezas. De bom mesmo, acho a experiência de ver o povo falando com sotaque verdadeiramente pernambucano. Ninguém faz essa leitura melhor. Dá saudade em quem está longe a tempo. Vale a pena assistir? Claro que sim. Mas não não me parece um filme de quem conhece a miséria da Zona da Mata.

Prostituição. Violência. Ignorânica. Prostituição. Violência. Para mim, faltou farinha e o pirão ficou ralo.

3.10.07

Eu vou esse ano pra lua

Apesar da minha insônia crônica, ou talvez justamente pela minha intimidade com o tema, sempre me achei muito bom de colocar criança para dormir.

Com meu filho passei por algumas fases engraçadas, ele era super difícil logo que nasceu. Lembro que quando completou três meses alguém me disse que a partir dali ele passaria a dormir mais, foi um alívio grande ouvir aquilo.

Desde que nasceu ele me esperava para que eu o colocasse para dormir. E olha que eu chegava da faculdade quase de 11 da noite. Minha primeira tática que funcionava era coloca-lo no carrinho de bebê e sair pelas ruas das Graças, quando passava por um lugar esburacado perto do Rio Capibaribe eu acelerava bem rápido e ele sempre adormecia. Não faz sentido? Mas é assim mesmo.

Mas os problemas mesmo eram as madrugadas em casa. Minha primeira técnica era balançar o pirralho bem forte. Botava no braço e ninava ele bem rápido mesmo e na mesma técnica estranha ele pegava no sono.

Depois comecei a cantar e olha que minha voz é péssima. Bossa nova era o meu preferido. O sonho de colocar uma criança para dormir antes do fim da introdução de Wave... "Vou te contar, meus olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho". (Sempre achei isso a frase mais perfeita para se dizer a um filho. Para um amor é um típico e lindo exagero.)

Mas acaba que a vida não é bem como a gente espera não. Passei uma fase em que cantava uns sambas de Chico Buarque. Lembro que cantava Vai passar e Samba do Grande Amor inteiras e de repente o pirralho acabava cansando de tanto esperar aquelas letras enormes. Mas a única coisa que realmente tive noção de que dava certo eram os frevos. Não sei se era o ideal para Chico dormir, mas pelo menos o pirralho decorou todas as letras mais bonitas do Carnaval de Olinda. Com os erros a que eu me acostumei a cantar, claro!

Engraçado que hoje em dia só sei cantar algumas músicas em ordem. Para me lembrar da introdução do hino do Ceroula (Eu vou esse ano pra lua...), canto primeiro o do Galo da Madrugada. Uma coisa mais ou menos assim.

Mas acho que esse momento é meio como fazer amor com uma pessoa. Mais do que falar o importante é estar sentindo o momento. Tocando um no corpo do outro e sabendo conduzir a dança. E, mesmo que em algum momento a paciência tenha desaparecido, saber não estragar o trabalho que estava sendo construído. Uma fala fora de hora e tudo volta à estaca zero. Como no sexo.

27.9.07

A pintura

As pessoas gostam de colocar placas nos estádios para lembrar dos gols bonitos. O quarto gol do Brasil contra os Estados Unidos, na final da Copa do Mundo merecia mais que isso. Um belo quadro cairia bem. Só assim para mostrar o lampejo, o calcanhar, a malícia, o drible seco, a pontaria certeira e a feminilidade. Devem existir placas para gols feitos por mulheres, mas a número 10 do Brasil (como é bom encher a boca para dizer que temos um(a) jogador(a) para vestir essa camisa) merecia inaugurar uma nova tradição. Assim como existem bonitas estátuas dos grandes craques na frente dos estádios, gostaria de ver um belo quadro em um local estratégico para lembrar aquela pintura, pois se o futebol não é arte ao menos merece ser retratado plenamente de vez em quando.

Qualquer que seja o resultado da final, o futebol feminino brasileiro impôs respeito, pois têm momentos que são tão importantes quanto um torneio inteiro.

26.9.07

Do lado de lá

Tenho impressão que todo repórter de Política deveria passar pela experiência da assessoria de imprensa. Estar do outro lado é uma das poucas maneiras de passar a entender como funciona a mente dos gestores e parlamentares.

Já trabalhei com gente muito diferente e a convivência menos conturbada com os parlamentares me faz entender bem direitinho como algumas pessoas se relacionam com a mídia e com o público.

Byron Sarinho por muito tempo foi um modelo que admirei. Trabalhava demais. Em excesso. Não sei como arranjava tempo para namorar e ainda ficar tomando uma na sua cadeira preferida do Dom Pedro. E não tinha nenhum interesse demasiado pelo que diziam dele, queria ser reconhecido sem ir atrás dos jornalistas. No máximo mantinha contatos com pessoas de quem era fonte há anos.

Mas o comunista não era nenhum bonachão. Eu já fui assessor de um cara que fazia atos heróicos dentro de uma gestão complicada e não deixava que eu divulgasse. Era engraçado mesmo o perfil dele, vai ver por isso não prosseguiu na política.

O inverso é muito fácil de identificar. Raul Jungman, Silvio Costa são pessoas que vão fazer o que puderem para chamar a atenção dos jornalistas certos. Engraçado é notar a dificuldade que alguns parlamentares têm quando saem da província e chegam no Congresso, ao perceberem que as muitas lentes têm sempre os mesmos focos.

Tem gente que realmente só se torna fonte por relação de confiança. Recentemente, almocei com um deputado. Ele começou falando como vinha de uma elite histórica pernambucana. Esse tipo eu tenho papo certo, aprendi com o grande Wilson Campos, ainda nos tempos de Jornalismo esportivo. Contei as histórias da minha bisavó e da força da mulher pernambucana. Ela chegou a eleger dois deputados quando o combinado pelo meu avô era deixar uma vaga para a oposição. Quando o deputado descobriu que eu era neto do prefeito Novais Filho, passou a me tratar como se fossemos de uma mesma grande família.

24.9.07

Meu primeiro assalto à mão armada

O pior para mim é o depois.

Hoje eu nem botei meu filho para dormir. Mesmo assim, voltei da casa dele achando que todo mundo tinha uma arma escondida na cintura.

Ridículo, entre a Praça de Casa Forte e o Hospital Agamenon Magalhães atravessei a rua umas três vezes para desviar dos suspeitos. Ainda bem que encontrei um cara que adoro no meio do caminho.

Quando eu era pirralho e fui roubado pela primeira vez passei um tempo morrendo de medo de andar na rua. Me achava super medroso, levaram uma bicicleta de mim sem nem mostrar uma arma. Eu não gostava mesmo daquela Cruiser vermelha.

Agora tenho um pouco de raiva. Não consigo evitar o pensamento que tive na hora. Devia ter pulado em cima dele, tive muita certeza disso, mas ai apareceu outro cara que estava dando cobertura. A arma do primeiro não me passou muita confiança, parecia antiga. Já o outro cara parecia bem mais mala e tinha um 38.

O ódio é por não ter reagido na frente do seu filho. Por mais que eu tenha dito a ele: "Chico ainda bem que você estava aqui, senão eu poderia ter morrido nesse assalto", quando vi que tinha um outro fazendo a segurança.

Passou. Agora é refazer a agenda. Pagar o prejuizo. Comprar outro celular. E tirar os documentos perdidos. O carro já foi consertado.

13.9.07

Putz

Agora que vi, o Brasil ganhou do Mexico. Assisti ao jogo em um bar aqui em Brasília, mas depois da absolvição de Renan Calheiros eu simplesmente nem notei. O jogo passou sem eu ver. Para mim, a derrota foi tão grande que nem deu para ver o outro lado. Por sinal, devia ter perdido.

12.9.07

Vergonha

Trabalhar no Congresso Nacional não é nada fácil.

Olha, as pessoas chamam um monte de coisas de pragmatismo. Mas é contra qualquer lógica 40 deputados pragmaticamente votarem pela absolvição de Renan Calheiros. Se vier amanhã ou depois a confirmação da renúncia à Presidência do Senado e de um acordo com o Governo Federal não será surpresa.

Espero que acabe logo minha ligação com o PT.

Mas a verdade é que vou continuar trabalhando aqui. Engraçado que as pessoas que gosto mesmo aqui são dos gabinetes de Chico Alencar e do Ivan Valente. Mas, mesmo eles, se incomodam com o peso do ambiente. Ninguém está imune a ficar achando que o vizinho de mesa de almoço é conivente com o desvio de verbas na merenda das escolas de SP, PE, RS.

Existe limite para tudo no mundo.

Me lembro com um prazer enorme de fazer silk screen com Paula no Poço da Panela. A camisa vermelha ganhava uma marca de paixão. Pois eu quero poder mostrar a meu filho a Praça de Casa Forte em dia de eleição e dizer que a gente pode acreditar em quem está de amarelo. E depois dizer que uns são melhores e outros piores, mas que eles discutem entre si.

Contradições vão continuar existindo.

Me lembro de perguntar ao meu pai se era melhor Tancredo ou Maluf. E ele me disse muito claramente que nenhum dos dois prestava. Mas dentro disso ai quem é melhor? Ele não devia saber fazer política. Eu não sei. Conversei com Carlos Wilson hoje e fiquei feliz de não apertar a mão de Paulo Maluf. Uma sobrada não é um murro...

Será que tenho chance como vendedor de sanduíche natural?

11.9.07

It is a long way

São Paulo-Recife em 18 horas. Muito bom fazer isso. Só não faço a próxima viagem de bicicleta porque ficaria sem condições de ir anotando as minhas elocubrações.

As mudanças da paisagem. As laranjeiras estavam cheias de frutas. O enormes eucaliptos vinham com um out-door: Chamex: crescer com responsabilidade é o nosso papel! Em Ribeirão Preto a cana parece uma outra planta, de tão bem cuidada.

Os conjuntos habitacionais de São Paulo. Parece que eles nunca vão acabar de aparecer. Mas é legal que em geral vêm com uma grafitagem. Dá até um certo charme periférico aos Cingapuras da vida.

Escrevi uma carta. Duas para ser mais sincero.

Algumas ligações do trabalho, para lembrar da vida.

- Não Joana, o deputado está reunido com a assessoria em Recife (e eu em algum lugar de Minas Gerais)

Depois um texto de abertura para um projeto a ser apresentado. Só falta mandar Chico passar para a letrinha dele e scannear. Acabei pensando em um outro para apresentar na TV Câmara.

No meio resolvi tirar algumas fotos. Só não cedi à tentação de assistir aos Goonies. O laptop ficou dentro da mala como pensado desde o início.

Recomendo a Rodoviária de São Paulo, tem uma baguete maravilhosa. Quando fui comprar a minha tinham duas senhoras e uma delas dizia com água na boca: Ele adorava essa de frango com bacon...

Chegar em casa. Sensação boa. Acho que preciso ir trabalhar. Seize the day!

30.8.07

Deu aro de novo

O basquete masculino do Brasil perdeu sua principal chance de chegar às Olimpíadas. Liderou o placar durante a maior parte do tempo na semi-final contra a Argentina e acabou deixando os hermanos vencerem em partida que pouco importava aos portenhos. Para nós, o jogo era chave porque os argentinos pouparam suas principais estrelas, inclusive o craque Ginnobili. Eles sabiam que estariam nos Jogos Olímpicos, pois são um dos quatro principais centros do esporte no mundo. Mas o Brasil foi vencido por Luís Scola e mais que isso pelos seus próprios erros.

O exemplo do basquete é um sintoma.

O Brasil tem um histórico de vitórias e de formar grandes atletas na modalidade. Oscar Schimidt, mesmo sem nunca ter ido aos palcos da NBA, é considerado um dos maiores jogadores da história. Paula e Hortência marcaram dois países ao serem elogiadas por Fidel Castro.

Depois de um marasmo de quase uma década, contamos com uma geração extremamente privilegiada no basquete masculino. Nenê e Leandrinho são jogadores de destaque na NBA. Mas temos outros que buscam espaço na liga americana: Alex, Baby, Marquinhos, Thiago Splitter e Anderson Varejão.

O pivô pernambucano JP Batista e Marcelinho Machado foram buscar um espaço na Ucrânia. Os times que os dois defendem decidiram o torneio local, com vantagem para o do ala-armador. Outros atletas se espalham por torneios fortes que são disputados na Espanha e Italia.

Durante o torneio, muita ciumeira entre os atletas. Marquinhos foi cortado e deu entrevista dizendo que o treinador não sabia explorar o potencial do elenco e privilegiava Nenê e Leandrinho. Nezinho, principal jogador da Universo, equipe campeã do Brasileiro, chegou a se negar a entrar em quadra.

Pior que isso, o Campeonato Nacional continua esvaziado. O time daqui de Brasília foi campeão sem nem conseguir empolgar a Capital Federal. E a Liga, que o craque Oscar tentou organizar, até agora não pegou.

Nos clubes, é dirigente cobrando percentual de jogador. É treinador virando dublê de empresário. As escolas sem nenhum programa sério de formação de cidadãos com uma vivência séria da prática esportiva, que além de gerar renda, diverte e melhora a qualidade de vida das pessoas. E são poucas as universidades que investem na formação de equipes profissionais ou semi-profissionais.

Por sinal, o basquete é uma modalidade onde isso parece ser uma idéia muito interessante.

Talvez cinco ou seis universidades mantendo grupos fortes em Pernambuco e levando os seus principais atletas para uma Liga Nacional, quem sabe defendendo as cores de times do futebol, poderiam criar um esquema mais fixo.

A Universo investe bastante e em vários centros, mas isso ainda é muito pouco. Nem para isso a febre de faculdades particulares serve?

9.8.07

"Só os alienados são felizes"

"O negócio é ganhar dinheiro e não se preocupar com nada".

Meu vizinho aqui de andar da Câmara dos Deputados ganhou na Megasena. Distribuiu R$30 mil para cada colega de gabinete e foi embora viver em Rondônia. Disse que não ia voltar a ser assessor no Congresso Nacional. Fica no ar a possibilidade dele voltar como parlamentar. Se não for para isso porque ele apareceu no Fantástico? Arrumou uma boa maneira de explicar como ficou rico e vai virar agora lobbista aqui em Brasília. Dizem que com mandato o cara ganha muito nessa profissão.

O pior é que fico pensando: "minhas chances acabaram, duas vezes no mesmo lugar o raio não cai". Mas no fundo acho que aqui nenhum raio cai por coincidência.

1.8.07

Responsabilidades

Cheguei aqui na Câmara dos Deputados e estava a gaúcha do P-Sol, Luciana Genro, defendendo a divulgação dos diálogos entre os pilotos do vôo 3054 e a torre de controle. Achei aquilo surreal e subi para o meu gabinete.

Quando liguei a Globonews estava ela e mais outro parlamentar tentando ler um texto técnico em inglês, que resumia os diálogos. Será que existe forma mais irresponsável de se aparecer? Honestamente, era melhor ela aparecer no plenário fumando um baseado, bater uma siririca olhando putaria no laptop e cuspir na cara do Renan Calheiros.

A irresponsabilidade da imprensa de tentar resumir em uma manchete a culpa do acidente agora será dividida pelos deputados. É para se cobrar responsabilidades. Acho muito válido o que o Estado de S. Paulo está fazendo, pelo menos hoje, a edição vem com muita informação do que será feito e cobra as ações. É triste o show de irresponsabilidades iniciado por Veja e Folha de S. Paulo e coroado com uma manhã de palhaçadas na CPI do Apagão Aéreo.

Ganham as manchetes notícias absolutamente parciais. A alavanca estava na posição errada (segundo os controles eletrônicos). A responsabilidade é dos pilotos (Putz! Cabe agora aos profissionais iniciarem uma greve pelo respeito à memoria dos colegas. Fodam-se! Ninguém voa mais no Brasil. Alguém se esqueceu das condições em que esses profissionais estavam: pista curta, molhada e escorregadia; avião com equipamento danificado e próximo do limite de peso; pressão da empresa para não mudar o local do pouso...).

Spoiler, flap, reverso, ranhuras. Honestamente isso precisa de conhecimento técnico para ser avaliado. Com certeza tudo deu errado. Mas tudo continua sendo feito errado. Desse jeito estabanado com certeza os acidentes são inevitáveis.

31.7.07

Meu companheiro inseparável

Ele é novinho. Pele lisinha. Todo branquinho. Brilha no sol de Brasília. Completamente em forma. A chama dele é de um azul límpido. Acho que é porque o gás aqui é encanado. A única qualidade especial é a marca que rima. Dako é bom!

A gente está naquela fase de reconhecimento. Ele chegou e eu estava em São Paulo. Mas prometi que não ia fazer um carneiro em outro fogão. Cheguei aqui e fui logo chamando um pediatra para cuidar dele. Fiquei admirando.

Tudo pronto, mas no primeiro encontro não passei de um cuscuz com ovo e salsicha. Poxa, realmente faltou romantismo. Se pelo menos tivesse saído uma carne de sol com macaxeira, nesse retorno às origens nordestinas.

Parece que ele está nessa fase de comida típica. O que mais saiu agora foram coisas de milho. Já marcamos uma ida à feira do Guará. Quem sabe eu não consigo umas lagostas e faço uma coisa realmente especial quando vier do Recife. Ou meu arroz de polvo preferido!

Para piorar a história tinha um salmão no meio do caminho. Chamei Lili e Pedro, mas era na casa de Bruna. Ele ficaria com ciúme. Lá o fogão é embutido. Fica assim não, a chama é forte mas nem forno tem. Fiquei foi com saudade de você.

Salmão frito não é a mesma coisa. O pessoal elogiou, mas isso porque foi tudo ao molho de larica. Quem já viu salmão ao molho de camarão? Realmente, parece coisa de novo rico. Nada especial, pensado, apenas algumas coisas caras juntas. Vamos e venhamos, assim é muito fácil.

Ontem foi dia de reencontro. Passei na feira e trouxe um gorgonzola. Ele é meio luxento. Massa, molho de gorgonzola, tudo bem. Mas nem um filezinho mal passado para abrilhantar esse jantar? Não tive muita desculpa, tive que apelar para a falta de grana.

A verdade está muito clara. Faz tempo. A saudade chega estava esquecida no fundo da gaveta. E, por mais que a mão se lembre dos movimentos, a cabeça não tem certeza das receitas. Talvez tenha que voltar aos primórdios: sobremesa de sonho de valsa.

Reinventar uma lasanha de couve-flor com bacon. Tentar todos de novo para depois perceber que meu forte realmente não são os peixes. É que peixe bom é peixe fresco. Feito uma cavala sequinha que fiz com Amelia em Japaratinga.

Promessas. Vou trazer, mesmo de longe, camarão, polvo, lula, arraia, caranguejo e todos os meus preferidos. Cebola, no máximo um pouquinho de vinho, sal, pimenta e essa turma fica deliciosa. Mas ele é esperto e não acredita nos meus sonhos.~

Tá certo, o que gosto de fazer mesmo são as carnes. Para começar, um filé mal passado. Depois talvez arrisque um rosbife de Eunice. Então, vou abrir o Bourdain na página que ele fala das carnes duras. E ai sim vai começar a brincadeira.

30.7.07

Maconha

Fui sugerir a Paulo Rubem que defendesse mais fortemente a liberação da maconha.

- Você quer dizer descriminalização...

Depois recebi as reprimendas de Bernardo e Lili. "Isso não se fala assim no elevador da Câmara dos Deputados". Tá certo, as vezes tenho que ter mais timing para escolher quando falar as coisas. Mas é que acho isso a coisa menos polêmica do mundo.

Tenho vontade que alguém venha discutir isso comigo desde que deixei de ser traumatizado porque não gosto de maconha. É, na minha adolescência, achava que para ser cool a pessoa tinha que ser maconheira e isso me incluia.

Depois de algumas dezenas de tentativas finalmente cheguei à conclusão. Desligado eu já sou, um baseado tem dois efeitos em mim: sono e fome. Sinceramente, para um cara que nunca está satisfeito com o seu corpo é melhor ficar dormindo mal mesmo.

Dito isso, finalmente chego ao que queria dizer. Como é que uma droga tão sem graça é proibida e causa mortes, gera renda para que os criminosos entrem em outros tipos de negócios e motivos para que os "filhinhos de papai" paguem propina aos policiais que os pegaram com a mão na massa?

Realmente não entendo. Aos amigos, só resta dizer que quando for legalizada eu trago um pouquinho para eles de Recife. Por enquanto plantem.

23.7.07

Crise aérea X Sanidade mental

Me orgulhava de, nesse ano que estou passando na ponte aérea Recife-Brasília, não ter ficado horas e horas em filas enlouquecedoras de aeroportos. Até ontem. Cheguei no Aeroporto de Guarulhos às 9 horas e desci em Brasília por volta das 19h. Mais ou menos o tempo que eu levaria para fazer o percurso de carro, só que com muito mais estresse. O relato não é muito diferente do de muitas outras pessoas, mas seguem alguns diálogos.

Entrei no check in acompanhado de Chico e Anna (7 e 9 anos), que viajariam sozinhos para Recife. Fui para a ponte 17, esperando o avião deles. Lá, a pessoa da Gol que deveria ficar com as crianças simplesmente desapareceu. Quando finalmente um funcionário da empresa voltou para o local, onde eu não podia acompanhar o meu vôo, fui falar com a menina.

- Boa tarde! (já passava de 12 h)
- Boa tarde senhor.
- Olha, eu estou acompanhando meu filho e uma prima, que deveriam ter embarcado às 10h. Mas meu vôo era previsto para 13h para Brasília e a pessoa que deveria colocar as crianças em um aviâo para Recife desapareceu.
- Como assim?
- Ela estava aqui, supostamente cuidando deles, só que foi embora e não voltou mais.
- Isso é um absurdo!
- Realmente.
- Mas não se preocupe, com certeza o seu vôo está atrasado também.

Coloquei os meninos no avião e fiquei sabendo que o meu vôo só iria sair por volta das 15h. Me aproximei do balcão para perguntar se a Gol ofereceria almoço, sabia que para o meu caso seria difícil, mas como tinha gente em situações piores fiquei na expectativa de entrar no bolo. A primeira pessoa que vi já foi uma mulher chorando.

- Estou nessa desde ontem de noite, a Gol não me diz nem onde estão minhas malas, estou a 24 horas sem escovar os dentes. (o relato comoveu um cara do meu lado e vários outros que falavam ao mesmo tempo)
- Isso é um absurdo. A gente deveria é quebrar esses computadores todos. Hoje seria um caos total, mas pelo menos eles fariam alguma coisa depois. (o funcionário da Gol nem mudou a cara sorridente de adolescente, mas foi contundente ao telefone)
- A situação aqui está incontrolável, vocês têm de mandar um supervisor homem para dar explicações aos passageiros ou seremos obrigados a abandonar o posto. Depois complementou para a gente.
- Tenho de falar assim senão eles nem dão importância. E tem muito passageiro mal educado. Ontem mesmo bateram em uma menina aqui. Um marmanjo que bate em uma mulher é um animal. (o relato de violência aumentou os animos do pessoal).
- Esses caras são muito machos. Agora mesmo um funcionário da Gol meteu um tapa num senhor de idade. Eu quero ver se uns cinquenta caras você vai continuar sendo macho.

As ameaças foram aumentando e eu sentindo o clima de insanidade crescer resolvi ir comer um retalho de pizza. Depois de uma fila para o almoço e outra para voltar para a área de embarque e mais uma longa espera vem o aviso da Gol.

- A aeronave que fará o vôo 1846 está em Curitiba e deve chegar a Guarulhos por volta das 17h. A Gol fornecerá alimentação no Restaurante Terra Azul.

Putz, a essa altura o cara já está começando a querer matar alguém...

9.7.07

Um reencontro nas arquibancadas do Serra Dourada

Ela sempre me disse que não gostava de futebol. O tio jogador, meu grande ídolo de infância, era o único motivo que a fez ir aos jogos na Ilha do Retiro. Desde os 15 anos, só voltou a um estádio em Lyon, para ver o craque liderar os hexa-campeões franceses. A tribuna não lhe encantou.

Mas o convite do meu amigo João Freire, apesar de singular, era plural. Eu disse vamos!

No caminho entre Brasília e Goiania as conversas eram variadas. Juninho Pernambucano X Isabela Tainara. Plebe Rude X Vavá. Joaquim Cardoso X Leonardo. Juazeiro X Ilha do Retiro. MST X Ademir. Escândalos do Congresso X Copa do Mundo.

Ela não quis vestir a camisa rubro-negra. Tinha recebido uma mensagem de que a torcida alviverde era violenta. Mas enquanto eu ajudei João a derrubar metade de um whisky, começou a dar uns golinhos em uma lata de cerveja.

Ainda no estacionamento do Serra Dourada, começamos a trocar as nossas impressões futebolísticas. Ela disse que na França prestou muito mais atenção às roupas das mulheres dos jogadores do que às partidas. Eu admiti o prazer de ver o rubro-negro enfrentar um adversário alvi-verde. Acho muito sem graça a monotonia das cores dos times pernambucanos: vermelho e preto X vermelho e branco X vermelho, preto e branco.

Quando subimos as escadarias para entrar no estádio o verde da torcida goiana ainda não mostrava toda sua força. Fomos nos esconder atrás de uma das barras, junto com mais uns cem fãs do Sport Club do Recife.

Ali naquele cantinho vermelho e preto, o verde da camisa dela era a única cor distoante. A pequena torcida começou cedo a fazer a sua festa. Estávamos a meses sem ir ao estádio para ver o nosso time do coração. E o Sport respondeu com velocidade.

Diogo aparece pela ponta-direita, têm duas opções, cruza e Carlinhos Bala marca. É hora de festa na nossa pequena torcida. Bruna me abraça forte. Mas o gol é anulado. Impedimento.

- Carlinhos Bala é o pior jogador desse time. Diria ela, indignada com a festa adiada pelo posicionamento do nosso atacante.

Mas logo o Sport voltaria a marcar agora com Ticão, que no nosso cantinho de arquibancada, ficou sendo Fumagalli durante a maior parte do jogo. E no segundo tempo, quando o Sport ampliou, ela já estava abraçando a todos naquela típica euforia dos amantes da arquibancada.
Ainda tivemos chances de ampliar.

Mas veio o gol alviverde. E finalmente a torcida deles mostrou sua força. Eles tinham chegado em cima da hora, alguns entraram em campo já com a bola rolando e guardaram o grito para aquele momento crucial.

Pior, para nós, foi que o time do Goiás estava com o mesmo gás da torcida. Veio o empate e a virada faltando menos de um minuto para o apito final.

Decidimos voltar direto para Brasília. Não queríamos assistir à festa dos goianos. Para mim, restou o consolo de ouvir Bruna dizer que tinha adorado o jogo. A família Reis é mesmo rubro-negra. Até nas derrotas.

Mas ficou claro a saudade dela de ver o time com um Juninho no meio-de-campo. Quem sabe um Paulista, para o lugar de Fumagalli.

4.7.07

Fotografia de momento

Vamos chegando próximos da décima rodada do Campeonato Brasileiro e podemos começar a fazer algumas previsões mais fundamentadas. Temos numa fotografia, que mistura a frieza dos números com um pouco de análise das equipes, três grupos facilmente identificáveis. O líder Botafogo (21), pelos quatro pontos que tem sobre o segundo colocado, e o vice-líder São Paulo (17) pela qualidade do plantel liderado por Rogerio Ceni são os favoritos ao título. No grupo intermediário, 12 times estão entre 16 (Goiás e Paraná) e 11 pontos (Sport). Dali devem sair um ou dois possíveis candidatos ao título, mas a maioria vai mesmo disputar as vagas na Libertadores e Sulamericana e alguns outros vão lutar para não cair. Os seis times que estão no fim da tabela estão praticamente fora da disputa pelo título, mas pelo menos três deles têm muitas chances de ainda se recuperarem e manterem a tradição de boas campanhas (Flamengo, Inter e Santos).

O Botafogo tem realmente feito uma campanha impressionante. Chega a nove partidas invicto, tendo apenas três empates. No entanto, ninguém vai me provar que o plantel do Botafogo está acima do nível daqueles que atuam no São Paulo ou mesmo em times que começaram muito mal o torneio, como Inter e Santos. Vai precisar de sorte para que possa contar com força máxima nos principais embates do restante do torneio. Já a equipe de Rogerio Ceni continua sendo o time a ser batido, mas se não correr atrás corre o risco de ver o time carioca abrir uma dianteira que depois vai ficar difícil de reverter. Goiás e Paraná estão coladinhos ao Tricolor Paulista, com 16 pontos, podem liderar o Brasileiro em algum momento, mas seria uma grande surpresa se conseguissem encerrar o ano com o título da Primeira Divisão.

Entre o Vasco, Figueirense e Palmeiras (que têm 14 pontos cada) e o Sport que tem apenas 11 toda a diferença é uma vitória. É interessante perceber que o time rubro-negro tem saldo nulo, exatamente como o Figueirense (15 gols pró e 15 contra) e semelhante ao Palmeiras (12 a 12). O time pernambucano vive uma curta arrancada após a chegada do técnico Geninho, momento inverso ao seu mais recente adversário, o Corinthians, que vem de duas derrotas e um jogo adiado (contra o líder Botafogo). Cinco times estão empatados com 13 pontos (Cruzeiro, Grêmio, Flu e os dois Atléticos), interessante notar que nesse grupo intermediário o único que tem saldo de gols negativo é o Tricolor Gaúcho, com menos quatro.

Na rabeira da tabela, Inter e Santos (ambos com 8 pontos) são alienígenas. No início do ano, era quase unanimidade colocar os dois times como principais equipes do País, junto com o São Paulo. Nesse início de torneio têm média inferior a um ponto por jogo. Estão pior que o Flamento, que apesar de estar no grupo dos que estariam rebaixados, tem dois jogos a menos e média de um ponto por jogo (sete jogos e sete pontos). O Juventude também tem um jogo a mais do que a maioria das equipes, mas é dos principais candidatos a queda, principalmente por estar no meio de vários times mais tradicionais. Já Nautico e America precisam virar o momento com urgência e vão buscar um gênio da lâmpada na aridez do interior nordestino, porque têm certamente as piores condições financeiras da Primeira Divisão.

Dito isso, a verdade, próxima rodada muda tudo e daqui a três jogos os alvirrubros já podem estar pensando novamente em Libertadores. Exatamente como estão os torcedores do Sport agora.

29.6.07

Lá e lô

Suplicy fica magoado com queixa de Lula"

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paparicado publicamente pelo PT como trunfo eleitoral, Suplicy é motivo de queixa e até chacota em conversas reservadas no partido, pelo comportamento considerado obsessivo em busca da verdade.

Em reunião com os senadores do PT Ideli Salvatti (SC) e Tião Viana (AC), para discutir o caso Renan Calheiros (PMDB-AL), Lula teria se queixado de Suplicy, que cobra o depoimento de Renan no Conselho de Ética e causou constrangimento ao se oferecer para relatar o caso.Na eleição do novo presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), anteontem à noite, Suplicy votou no candidato governista. Depois, emocionado, cobrou de Ideli explicações sobre uma notícia que lera num site:

— A notícia diz que a senadora levou uma reprimenda do presidente por ter me escolhido para o Conselho. Sempre me dediquei com muito esmero ao PT, buscando sempre a verdade, foi por isso que fui para o partido."

Presença de Inocêncio Oliveira em evento da prefeitura causa desconforto no MTC

Por Luís Carlos Lins

A presença de figuras como a do deputado Inocêncio de Oliveira em ato de inauguração da Agência de Trabalho João Francisco da Silva não pode tirar brilho daquela homenagem.
O prefeito da cidade do Recife, o Sr. João Paulo Lima e Silva, enviou convite à sede do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos, a fim de inaugurar uma agência de trabalho no bairro do Recife Antigo no dia 25 do mês em curso, em homenagem ao militante sindical cristão e eterno operário, João Francisco da Silva.

Lembrança e homenagem das mais justas a um homem que dedicou toda a sua vida à emancipação da classe trabalhadora, atuando ao lado do saudoso Dom Helder, Pe Romano, Reginaldo Veloso, Lorena Araújo, Luís Barros, Elias Cândido, e tantos outros, na antiga ACO- Ação Católica Operária (hoje MTC).

João Francisco, além de militante da causa operária, lutou pela redemocratização do País(foi um dos torturados durante o regime militar) esteve presente nas mais diversas lutas em prol da cidadania coletiva. Antes de falecer atuava junto ao SINTRAPE - Sind. dos Aposentados e Pensionistas de Pernambuco e era sempre presente nos atos e reuniões do Fórum Permanente Pela Ética na Política.

A presença de pessoas alheias e antagônicas a este testemunho de vida dado por João Francisco, na inauguração do empreendimento que leva seu nome, como o deputado, empresário e tido como ex-mantenedor de mão-de-obra escrava em uma de suas fazendas, Inocêncio de Oliveira, não pode tirar em hipótese alguma o brilho daquele momento e muito menos confundir os presentes a cerca da firmeza ideológica de João.

Quem conheceu e conviveu com João Francisco sabe que ele sempre teve lado e procurou até o fim ser fiel a Jesus Cristo e à Classe Operária.

PS: Luís Carlos Lins é membro do Fórum Permanente pela Ética na Política e militante do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos.

15.6.07

O novo parque

Fui muito crítico em relação ao projeto de Oscar Nyemeier em Boa Viagem. Recifense, que recentemente cheguei a Brasília, não gostei de ver alterada a idéia original surgida de um anseio coletivo.

Escrevi um artigo criticando o prefeito João Paulo. Já não bastariam os arranha céus, que agora já tomam conta até do bairro em que cresci – Casa Forte, que era conhecido pela sua tranquilidade.

Seria preciso também ocupar, como aqui no Distrito Federal, mais uma área de recreação com a aridez do concreto? Os moradores, antes dos políticos, deram sua resposta: não.

Coloquei uma enquete no site do deputado federal Paulo Rubem. Mais de 70% das pessoas disseram que queriam uma área verde.A oposição veio reforçar o coro. Responsabilisar a gestão municipal pela escolha.

Saudades da competente oposição petista. Pedro Eurico e Raul Jungman esqueceram de lembrar Paulo Freire., ao criticar o nome dado ao parque. O educador pernambucano gostava de lembrar como são bonitos os nomes dados pelo povo pernambucano.

Ele nem precisou apelar aos versos de Manuel Bandeira. Seria uma prosa de Saudade. Paulo Freire falava de Brasília Teimosa. Bairro onde desenvolveu, junto com a população, sua pedagogia do oprimido.

João Paulo recuou. Movido pelas críticas. Diminuiu a área construída e tirou parte da área concretada, dando espaço para a grama, no projeto do Parque Dona Lindu. Foi o que ele precisava para avançar.

Finalmente, algum morador de Jaboatão, passando na frente daquele enorme terreno de carro, pois os ônibus são proibidos de circular pela nossa avenida litorânea (medida besta!). Deve ter pensado e dito ao nosso prefeito.

- Grande mesmo é o terreno da Gameleira.

E, assim, começou a mudança na história daquele terreno que é, para mim, símbolo de muito do atraso do nosso Estado. Um espaço ocioso, onde se plantou o ódio e prosperou a ganância.

Uma briga de famílias que dura quase um século. Fazia daquele espaço algo absolutamente improdutivo.

Herança por um lado dos herdeiros de Júlio Maranhão. Usineiro que, por incrível que pareça, teve sua usina fechada por irregularidades cometidas no início do século passado. Pois é, esse País tem surtos de Justiça faz tempo.

A Polícia Federal que o diga. Pelo outro lado, a herança foi comprada pelo ex-deputado, mas sempre acusado, e ainda não punido, Pedro Corrêa. Mais uma vez envolvido em lobbies e conchavos, segundo notícias publicadas nesta semana.

Agora, mais que isso, gostaria de sugerir ao prefeito João Paulo. Lembre dos seus tempos de oposição. Era tão bom recitar Manuel Bandeira, lembrar de Paulo Freire. Foi tão bonito construir a Ponte Gregório Bezerra.

Prefeito. Faça uma votação para eleger o nome do novo Parque de Boa Viagem. Pernambuco não quer ser conhecido pela Política do Carangueijo. Queremos nos orgulhar de poder dizer que foi aqui que foi desenvolvida a Política do Oprimido.

De início proponho duas opções.

Uma singela a outra simbólica. Parque da Gameleira. Ou, para fazer uma justa homenagem, Parque Paulo Freire. É que aprendendo, como ele aprendeu, com o povo simples de Pernambuco, ele merece ser escolhido para essa homenagem.

13.6.07

No meio de 18 mil

Nenhum jornal da grande imprensa brasileira deu a foto do Nilson Nelson lotado para a abertura do V Congresso Nacional do MST. O meu blog também não vai dar. Estava sem minha máquina. Mas fiquei ali assistindo aquele pessoal todo, junto com Rodolfo e Reginaldo.

A estrutura é enorme. A macaxeira com linguiça é bem cheirosa. Lonas coloridas de circo se misturam com umas branquinhas, só não vi as famigeradas lonas pretas. Não tem partido político que reúna 18 mil pessoas para pensar como o MST faz.

Raul Jungman está aqui na minha televisão dizendo que não quer pedir dinheiro para campanha política. E eu não quero que ele pegue o dinheiro do Incra. Será que ele não teria se elegido fazendo um bom trabalho na Reforma Agrária? Acho que ele não teria a capacidade mesmo não.

Sinceramente. Reforma Política é o caralho! Alguém acredita na bendita lista? Financiamento (exclusivamente?) público? Pena que Paulo Rubem esteja falando em vão.

- Precisamos garantir que os candidatos e gestores sejam realmente punidos!

Coisa tão simples né. Mas os projetos todos nesse sentido não têm sido nem mesmo colocados em pauta. E entra um para dar Foro Privilegiado a mais autoridades. E a sociedade fica calada e ainda acha feio o MST que está se reunindo.

Foi bonita a festa pá, fiquei contente. Nunca tinha visto uma coisa tão grande. Gente como a gente. Umas meninas bonitas. Uns caras com jeito de trabalhador. Outros com bolsa de estudantes. A maioria não devia mesmo ser trabalhador da terra. Mas tinha alguma vontade de transformar essa terra.

Estou aqui nesse Congresso Nacional. Mas pensando o quanto essas pessoas estão fechadas ao que está fora daqui. Meu objetivo deve ser esse, trazer um pouquinho de areia para esse mar. Mesmo que as águas continuem levando para o meio do oceano...

10.6.07

Regressão

Dessa vez foi tão forte que vim escrever aqui.

Sonhei que voltava para o Marista. E era reprovado. No ano seguinte, eu entrava no Segundo Ano e ia para a cadeira da frente. O irmão de Felipe Padilha (esqueci o nome do cara) vinha conversar comigo. Eu dizia:

- Você acredita que a cinco anos eu já estava no Segundo Ano?!

Foi nessa hora que o sonho cruzou com a realidade e acabei me acordando. Pensei que não fazia sentido. Fui para os Estados Unidos. Voltei no Terceiro Ano. Como é que posso ter tido de voltar para a escola se já fiz faculdade? Ah, ainda bem que posso continuar me preocupando em passar no meu Mestrado. Por sinal, vou fazer isso agora.

Eita trauma.

Sim. Quando eu chegava para o primeiro dia depois de ser reprovado, ia disposto a começar a estudar. Até mentia que tenho problema de vista para justificar para o professor que queria ficar na primeira fila. Era aula de Literatura. Mas não era Jorge Alves. Me lembrei de Xerxes (Matemática), mas também não era ele. Um professor bonachão, mas bom no que ensinava.

Era esse o conceito.