23.4.10

Nem Chicago, nem Sorbonne

Alberto Lima escreveu:

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/04/23/joao_paulo_o_minimo_69105.php



Cesar respondeu:

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/04/23/fanfarrice_academica_e_desinformacao_academico_em_chicago_sai_em_defesa_de_joao_paulo_69165.php



Como repórter eu lustro as havaianas de Alberto Lima. Também não sou um acadêmico como Alfredo César. Mas vejo, pela polêmica surgida hoje no Blog de Jamildo, que os dois têm visões distantes da realidade que João Paulo vive nas eleições deste ano.

O primeiro lembra com a emoção de quem cobria diariamente no Jornal do Commercio aquela surpreendente eleição de 2000. Aquele momento foi marcante para mim também, tanto que se tornou tema do único vídeo que produzi até hoje: Parcialmente Verdadeiro.

O sociólogo vai um pouco mais longe e destaca um confronto antigo dentro do PT.  Naquela época, as correntes se dividiam entre os que apoiavam Arraes, a maioria que tinha posição dúbia e o Coletivo Florestan Fernandes e outras tendências “radicais”, que tinham realmente coragem de ir para o enfrentamento.

Os tempos são outros. Basta lembrar que as denúncias dos precatórios foram feitas pelo então deputado estadual Paulo Rubem Santiago, aquele mesmo que quando saiu do PT teve como testemunha de defesa no Tribunal Superior Eleitoral o ex-secretário de Finanças do Governo Arraes, Eduardo Campos.

Concordo com os dois, quando afirmam que João Paulo fez uma excelente gestão na Prefeitura do Recife. Mas não posso deixar de lembrar ao sociólogo que, desde o primeiro dia de Governo, o posicionamento do gestor foi de vigilância e rédea curta para os seus auxiliares, especialmente aqueles que não faziam parte do que era chamado pelos petistas de núcleo duro (Ligia Falcão, Mucio Magalhães e João da Costa).

Isso talvez explique a necessidade que o atual prefeito teve de se desvincular quase que completamente do grupo no qual aprendeu a fazer política. Essa característica da gestão do ex-prefeito João Paulo é praticamente o inverso do que sempre praticou o senador Jarbas Vasconcelos e lhe diferencia também como gestor do modo de trabalhar do governador Eduardo Campos.

Lembro bem do estranhamento de um secretário ligado a Carlos Wilson no primeiro mês de gestão com o “leão de chácara” que tinham lhe colocado como adjunto. Era o mais radical dos petistas, assustando quem aprendeu a fazer política nos jardins do Brittish Country Club.

Naquela realidade muito severa que era a gestão João Paulo, o atual prefeito era o todo poderoso das nomeações, o homem que tinha intimidade com os financiadores e conseguiu ser além de secretário de Orçamento Participativo, também o responsável por todas as licenças e autorizações que cabem ao Planejamento do Município.

João Paulo começou a ficar refém deste grupo do PT ainda naquela época. Infelizmente, não tive oportunidade de lhe dizer pessoalmente isso quando resolvi sair da Prefeitura do Recife, mas tenho certeza que Roberto Leandro, Edla Soares, Chico Oliveira e outras pessoas disseram com muito mais propriedade do que eu poderia ter dito.

O erro dele não foi o de desistir da postulação ao Senado. Foi o de colocar no altar e convidar a noiva para se casar com um mero operador do PT. João da Costa nunca tinha sido colocado à provação na política e demonstrou claramente que não tinha lealdade suficiente para com o seu grupo, para dizer o mínimo.

Aquele núcleo duro se pulverizou rapidamente na gestão João da Costa

Depois disso, restou ao prefeito João Paulo rearrumar a casa. Convidou seu filho para ocupar um espaço na chapa para a Assembléia Legislativa. Vai, pela primeira vez, se candidatar a uma vaga no Congresso Nacional. E tem todas as condições de voltar a ocupar um cargo majoritário em Pernambuco, se tiver coragem suficiente para sair do PT.

Caso contrário, vai ficar resmungando contra os grupos organizados de Humberto Costa e João da Costa. Seria uma pena.

10.3.10

Artérias entupidas e a Tamarineira


Um amigo me disse para estudar o projeto do Hospital da Tamarineira antes de dizer que sou contra. Procurei ver tudo que se fala, mas a verdade é que dá para notar por experiências passadas e pela forma como é apresentado o projeto que se trata de uma grande baboseira.

Uma das premissas do projeto é que os veículos ficarão todos no subterrâneo. Não acredito por dois motivos. Lembro que quando participei da inversão de trânsito de Boa Viagem se falava que o Shopping Boa Viagem arrecadava com estacionamento cerca de R$100 mil por dia. O valor do aluguel mensal do terreno!

Aquela mega-operação de trânsito, muito bem sucedida por sinal, tinha como maior beneficiário o Shopping Center Recife. O grupo empresarial ficou inclusive responsável por realizar alguns investimentos como contra-partida. Até o dia em que decepcionado com os desmandos do então secretário de Planejamento, João da Costa, deixei a Prefeitura nenhuma daquelas promessas tinham virado realidade.

Mais perto ao terreno da Tamarineira, é possível uma outra prova de como estão sendo benéficas as parcerias do Poder Público Municipal com os empresários de grandes centros comerciais. Em frente ao Shopping Plaza existem duas vias públicas cortadas por um canal. As ruas são de propriedade da sociedade pernambucana, no entanto a lei manda que não se estacione ali. Na época em que o prefeito ainda era João Paulo cheguei a denunciar um acordo ilícito para se proibir o estacionamento em uma via que tem espaço suficiente para suportar o tráfego de veículos e para ser um ponto de estacionamento, pena que os anos se passaram, a gestão mudou e o Governo Municipal vetou o uso do espaço com o único propósito de aumentar a renda do estacionamento do Shopping Plaza.

Se fala em ociosidade daquela área, mesmo argumento que foi utilizado para o Sítio da Trindade. Então, defendamos um projeto efetivamente público e criativo para ser desenvolvido naquela área tão importante da nossa cidade como é a Refinaria Multicultural.

“Aquele é um local estratégico, perfeito até para a integração da população de classes sociais diferentes. Saindo dali, o projeto vai para uma área pobre, vai ficar esquecido”, falou o ex-secretário João Roberto Peixe destacando o fato de o Sítio da Trindade estar localizado numa área nobre da cidade, entre os bairros de Casa Forte e Casa Amarela. A Tamarineira é também uma divisa dos bairros ricos (Parnamirim, Jaqueira, Casa Forte) e de classe média baixa (Arruda, Mangabeira, Alto José do Pinho, Casa Amarela) da Zona Norte do Recife, mas tem como ponto positivo o fato das construções já estarem erguidas em proporções suficientes para criar talvez a maior área pública de desenvolvimento da Cultura do Nordeste. Sem interferência na área verde.

Se falam em dois museus novos no projeto do Shopping. É mais um motivo para desconfiarmos de que a papelada é pura balela. Se houvesse alguma intenção de se criar espaços realmente abertos para o desenvolvimento da cultura seriam levados à cabo ali projetos que vêm sendo discutidos nas Conferências de Cultura, que têm recebido apoio e críticas, que são efetivamente algo orgânico, mesmo que ainda não estejam cristalizados. É o caso da Refinaria Multicultural.

Acredito que a estratégia para manutenção da área verde no Sítio da Trindade passa inicialmente pela garantia de que o terreno continue sendo de controle público. Fui informado recentemente de que o ex-deputado Oswaldo Lima Filho participou como advogado de um processo para mostrar que a área era efetivamente pública e não de propriedade da Igreja Católica. A análise dessa documentação é um dos caminhos a serem traçados.

Morei no Rio de Janeiro e costumava passear pela Quinta da Boa Vista. É um exemplo de área verde com usos múltiplos. Ali existe um importante centro de estudos, alojado no meio de uma bela mata, que tem como atrativo para a sociedade campos de futebol e conta ainda com o vizinho Zoológico. A Tamarineira tem o Parque da Jaqueira ao lado, pode ser utilizada como área de esportes e tem um prédios em que pode ser desenvolvido um centro cultural ou mesmo de pesquisa. Lembrando a importância da discussão anti-manicomial e que a desativação do hospital psiquiátrico precisa ser realizada com muitos cuidados.

Mostrar para a sociedade o que tem sido feito em termos de privatização das áreas verdes e de uso público e exemplos de uso adequado de terrenos que tenham múltiplas utilidades é outra tarefa para o convencimento de quem é apenas cidadão. Para a classe política, será mais uma chance para aprenderem que Recife está inchado e a sociedade recifense não suporta mais empreendimentos nas suas artérias e que a Região Metropolitana precisa se desenvolver para os lados. Vejam o sucesso do Shopping Costa Dourada!?

O corredor Rui Barbosa-Rosa e Silva é a via de tráfego mais lento de toda a Região Metropolitana do Recife. Já era antes da inversão do trânsito de Boa Viagem, mas desde então é disparado o trecho mais lento de todos. Naquela época, a velocidade média chegava a ficar em sete quilômetros por hora em alguns horários do dia, desde então o tráfego aumentou e o Governo Municipal não fez nenhuma mudança efetiva. A Zona Norte vive ali um ataque do coração por dia e ainda querem botar mais gordura! Vamos defender o verde da Tamarineira.

24.2.10

Insensatez

Todo louco tem um momento de sanidade. Todos nós temos um pouco de doidos. Mas os movimentos do prefeito João da Costa foram calculados friamente neste início de 2010. Nada me causou mais estranheza do que uma coletiva para anunciar que não ia ser realizado o projeto da Refinaria Multicultural do Sítio da Trindade?

Moro do lado do Sítio da Trindade. Conheço grande parte dos frequentadores. Tive oportunidade de discutir diretamente a questão com o secretário de Cultura, Renato L. Aquela mudança repentina de postura tinha de ter alguma explicação lógica.

Ela veio como um típico consultor político orientaria: logo depois do Carnaval e no meio de vendaval de discussões políticas nacionais (São Paulo e o Distrito Federal estão fervendo e dessa vez o Mensalão tá levando gente pra cadeia!). Uma empresa paulista quer construir um centro de compras na Tamarineira.

O prefeito João da Costa agora não se pronuncia. É obrigação dele se posicionar sobre uma transação comercial que vai gerar impacto no trânsito, no meio ambiente e na saúde da cidade. Mas ele sabe que qualquer deslize pode mostrar que ninguém anuncia um plano de investimento deste porte sem ter a segurança jurídica que só um gestor poderia dar.

How insensitive.

http://www.youtube.com/watch?v=itF1OMeeCuQ

Vou ficar ouvindo Pat Metheny, porque dessa vez a insensatez do gestor foi pelo menos para um pouco mais longe da minha janela. Mas acho que a mobilização para transformar esse projeto em algo útil socialmente é fundamental. Por que não colocar essa Refinaria Multicultural lá na Tamarineira? Aquela área tem todas as características de limite entre a classe média e o subúrbio que temos aqui também em Casa Amarela, coisa que era a grande argumentação do secretário João Roberto Peixe para a localização do empreendimento.

8.2.10

Eu acho é pouco mesmo

Não gosto de Carnaval. Nunca gostei. Já vim não sei quantas vezes ficar em Olinda com minha mãe. Sempre foi péssimo. Os adultos querendo me levar para ver os blocos. E os pirralhos com as brincadeiras idiotas deles. Nunca gostei de brincar de boneco, meu negócio é futebol, vôlei, basquete. Na pior das hipóteses, botão.

Só me restava ficar assistindo aos desfiles das escolas de samba do Rio. Pelo menos tem muita mulher bonita.

Esse ano até que estava bom, mas no último dia meu pai resolveu me trazer com ele. Quer dizer, acho que ele não arrumou com quem me deixar. Por isso, acabei tendo que vir a reboque e ele está enchendo a cara. Acabou a garrafinha de whisky e já está comprando uma latinha de cerveja. Isso não vai dar certo.

- Eu acho é pouco. Já passou por aqui?

- Passou agorinha. Deve estar no Eufrasio Barbosa. Corre que vocês pegam ele na primeira parada.

- Vamos lá filho! Quero ver se esse futebol está dando resultado.

Carreira! Papai é meio barrigudo, mas ele sempre corre na Jaqueira. Eu que não vou dizer que estou ficando cansado. Para quando for no parque ele ficar me desafiando. "Quero ver se você consegue fazer cooper por um quilômetro sem parar". Eu gosto de correr rápido e quando canso continuo andando. E daí?!

Por que os blocos não saem aqui embaixo. Olinda tem dezenas de ruas largas e arborizadas, mas elas ficam vazias enquanto lá em cima é o maior aperto. Aquele cheiro de xixi, gente suada roçando no nosso corpo e imagina para uma criança de 11 anos o calor e a agonia de ficar ali olhando para as bundas das pessoas. Sem conseguir ver para onde está indo.

"Eu vou esse ano pra lua, não é privilégio, foguete já tem..."

Sempre troco a letra dessa música. Mas adoro ela. Já me disseram que meu pai cantava ela para eu ir dormir quando era pequeno. Bem que era bom ir para a lua. Pelo menos não ia ter que ficar aqui e aguentar os adultos que querem me fazer gostar do Carnaval. Nem todo mundo gosta de bagunça.

Papai acha que essa orquestra é a do Eu acho é pouco. Até parece que dá para reconhecer pela música, como se só esse bloco tivesse um saxofone. Ele pode entender muito de jazz, mas aqui em Olinda durante o Carnaval para cada rua tem uns três blocos sempre tocando os mesmos frevos.

Capaz dele estar certo mesmo, tem um monte de gente de vermelho e amarelo perto daquela esquina. Essas cores eu me lembro. Adoro a camisa que minha irmã me deu. Tem os nomes de um bocado de gente conhecida. Alguns amigos do meu pai e da minha mãe.

Mas acho que não. O bloco deve ter passado por aqui, mas agora está tocando é samba. Isso sim é Carnaval. Deve ser uma escola de samba muito boa. Mas todo mundo está com as cores do bloco, deve ter acabado e o pessoal ficou para ouvir essa bateria. Que bateria!

Papai está cheirando um negócio na camisa.

- Vamos filho que é o Eu acho é pouco mesmo. Toma aqui para você. Mas só cheira pelo nariz.

Eita que perfume delicioso. Deixa a gente leve. Com esse negócio eu ganho fácil os cem metros rasos das Olimpíadas de Barcelona. E olha que eu só vou ter 14 anos. Estou ouvindo uns sininhos nos meus ouvidos. Devo estar ficando bêbado de tanto tomar gole da cerveja das pessoas.

Que menina linda sambando. Poxa, ela está aqui sozinha. Acho que ela deve ter minha idade. Talvez um pouco mais velha, acho que não. É muito pequenininha. Linda. Eu amo Helena e sempre vou amar. Mas nunca tinha visto uma menina tão bonita, parece que o nome dela é Mariana.

Como samba bonito. Tem uns cachinhos de princesa no cabelo. Um sorriso corajoso de segurança. Fico sonhando e imaginando em fazer dela a minha namorada. Queria tanto ter coragem para falar com ela. Mas essa minha timidez...

Está ficando na cara. Não consigo tirar os olhos dessa menina. Também ela tão branquinha, sambando no meio desses negros enormes. Acho que todo mundo está olhando para ela. Ou será que só sou eu? Vou tentar virar meu olho para outro canto.

O bêbado e a equilibrista. Nome engraçado desse bar e tem uns desenhos super bonitos. Queria mesmo um amendoim ou uma batata frita, essa corridinha me deixou com fome. Mas lá vem Graça com um sarapatel.

- Quero não. Não gosto.

- E uma tapioca?

- Tá bom...

Nunca tinha visto uma tapioca tão grande. Acho que essa mulher errou na quantidade de coco e queijo. Não dá nem para fechar os dois lados. Bom para mim, estava morrendo de fome mesmo. Quase não aguento esperar ela fazer. Eita, não tinha nem notado que parou a batucada.

- Pai quero ir no banheiro.

- Faz ali mesmo na árvore.

Estou morrendo de vontade. Mas não aguento quando meu pai me diz isso. Será que ele não encherga que por isso fica o maior cheiro ruim na cidade? Por aqui deve ter algum banheiro. Vou por ali. Eita, está ficando escuro. Poxa, alguém devia ter vindo comigo. Vou voltar.

Ainda bem que voltei logo, a orquestra já está se organizando para sair de novo. O pessoal não ia gostar nada se perdessem o bloco por estarem me esperando. Mas vou ter que ceder e fazer xixi por aqui mesmo. Não estou me aguentando. Vou ali para trás que pelo menos ninguém vai ver minha pitoca.

"Olinda, quero cantar a ti essa canção, teus coqueirais, o teu sol, o teu mar, faz brilhar meu coração, de amor, a sonhar, salve Olinda sem igual, salve o teu Carnaval"

Essa música realmente eu adoro. Me lembro tanto de cantar no Instituto Capibaribe. Se o hino do colégio sempre me fez chorar, essa música sempre me abriu o coração. Pena que meus amigos não estão aqui para cantar comigo, próximo ano acho que vou chamar Rafa e Duda para virem comigo ver esse bloco.

Eita, parece que agora a gente vai subir para a Cidade Alta. Caramba, já tinha esquecido como estou cansado. E só estou vendo ladeira na minha frente. Quanta gente. E esse dragão ainda fica enchendo o saco. Poxa, leva esse negócio lá para frente para abrir caminho. Não custa nada.

Agora vai ter confusão. Tem duas turmas, uma quer subir e a outra quer ir por baixo. Caramba, essa ladeira é muito grande. Não estou aguentando mais. Tomara que já esteja acabando. Tomara que eu não tenha que subir. Tomara que meu pai se toque que estou morto.

- Criança sobe de ré!

Papai sobe a Ladeira da Misericórdia sambando. Eu segui o conselho dele. E ainda fui dos primeiros a chegar no Alto da Sé. Fiquei esperando lá de cima ver o bloco passar, mas onde está aquela menina tão linda. Por aqui não está. Será que foi embora? Estava mesmo tarde para ela ficar sozinha aqui por Olinda.

Agora é descida. Eu não estou nem mais sentindo minhas pernas de tão cansado. Nunca tinha visto esta vista do Recife, no horizonte. E uma menina toda sorridente. Cabelos lisos cor de Eu acho é pouco, pernas longas e magras, parece uma mulher, num corpo de criança.Como ela dança. Mas cadê a menina dos cachinhos? Fico olhando para a outra e de repente encontro o meu sonho.

O bloco aperta o passo. E eu me perco do meu sonho. Será que ela riu para mim? Será que ela olhou para mim?

A roda de samba volta a se formar, é a segunda parada do bloco.

- Vamos filho. Graça tem que botar teu irmão para dormir.

Logo agora que eu encontrei a menina que estava procurando. Caramba, essa Mariana é muito mais bonita que Helena. Um peitinho de mulher. Acho que vi o sutiã dela quando estava frevando, com a camisa toda molhada. A pele bem lisinha de bebê.

Estação final do número 1989.

Era o começo dos meus carnavais.

5.2.10

O Bolsa Família e uma aula de cidadania

Missão internacional teve conversa com beneficiários do programa

 
"Essa ciranda não é minha só.
Ela é de todos nós, é de todos nós.
A melodia principal quem diz.
É a primeira voz, é a primeira voz.
Pra se dançar ciranda...
Juntamos mão com mão.
Formando uma roda.
Cantando uma canção".
 
A melodia de Capiba, cantada no encerramento de um encontro de beneficiários do Bolsa Família em Jaboatão Centro, ardeu profundamente em quem entendia e mesmo nos que pouco compreendem do português. A simplicidade da letra do compositor pernambucano, na voz das mães e pais de jovens da segunda maior cidade do Estado, ficou ainda mais viva com os relatos de uma realidade de muita pobreza, proximidade com a violência e especialmente o terror do crack.
 
Uma missão do Banco Mundial chefiada por David Ian Walker teve a oportunidade de conversar com cerca de 30 beneficiários, que relataram as principais dificuldades que tinham com o programa. A principal queixa dos beneficiários foi o valor do benefício repassado pelo Governo Federal, considerado insuficiente pela maioria dos presentes. No entanto, todos foram unânimes em elogiar e defender a permanência do programa.
 
Mãe de sete filhos, a jovem Rosineide Santos disse que o pai de seis dos meninos faleceu. A principal fonte de renda da família é o programa, ela recebia R$15, corrigiu o seu cadastro ano passado e agora está recebendo R$167. Ela pediu principalmente a criação de cursos profissionalizantes gratuitos, tanto para os adolescentes que estão saindo do programa como para as mães e pais. No grupo de 30, apenas quatro estavam trabalhando nenhum deles com carteira assinada.
 
Uma outra mãe reclamou da demora para ter o benefício de volta, após haver sido corrigido um erro no seu cadastro. "A primeira leva de pedidos de reversão de cancelamentos que fizemos em 2009 teve 747 beneficiários, destes 693 retornaram. O processo leva de seis a doze meses para ser respondido pelo Ministério de Desenvolvimento Social", explicou a coordenadora do Programa Bolsa Família, Roberta Leite. Os representantes do Banco Mundial ficaram de levar as reinvindicações das famílias ao Governo Federal.
 
Chefe da Missão, David Ian Walker, elogiou muito o trabalho de fiscalização e regularização do Bolsa Família em Jaboatão. Para ele, "esse programa tem o objetivo de garantir o mínimo para o maior número de pessoas possível. É preciso ter a perspectiva de que o trabalho precisa ser iniciado, fazer coisas relevantes e que fazem sentido", explicou, admitindo que o benefício é apenas um paliativo e que são necessárias outras políticas públicas para solucionar o problema social no Brasil.

1.2.10

O bom senso venceu o PT!


Recife deve ganhar museu a céu aberto no Sítio da Trindade
O Sítio da Trindade deverá abrigar um grande museu arqueológico a céu aberto. Esse foi o anúncio feito pelo prefeito do Recife, João da Costa, na manhã desta sexta-feira (29), durante visita ao local. A Refinaria Multicultural que seria instalada no Sítio, no entanto, será transferida para uma outra área, também no bairro de Casa Amarela. O motivo das mudanças foi o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do departamento de arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que se mostrou contrário à construção dos dois prédios da Refinaria na área, considerada de importância histórica.

Agora, a prefeitura precisa encontrar um novo ponto para a construção da refinaria. “Já temos o dinheiro, que é o mais difícil, falta só encontrar um outro local na região e começar as obras”, afirmou João da Costa. As novas construções ocupariam cerca de 2% do total da área do Sítio e foram orçados em  R$ 1,6 milhão, com recursos provenientes do Ministério da Cultura. O prefeito lembrou que apesar da mudança do projeto, as atividades culturais como oficinas de dança e música, já implantadas no Sítio da Trindade serão mantidas, principalmente em épocas festivas como São João, Natal e carnaval.

Já o sítio arqueológico continuará sendo pesquisado pela UFPE, que propõe a construção de um museu a céu aberto no local, com uma maquete gigante e placas sinalização, além de um memorial no casarão do Sítio, onde deverão ser abrigados os achados arqueológicos já encontrados. “O fortim que existia aqui e do qual achamos parte do fosso e a base das muralhas, tem importância não só para Pernambuco, mas para a história do Brasil. Foram nas batalhas de resistência contra a ocupação Holandesa travadas nessa região que começamos a formar a noção de pátria”, explicou o professor Marcos Aurélio, coordenador do departamento de arqueologia da UFPE.

7.1.10

Um velho amor

De repente me vejo perdidamente apaixonado.



Por um amor antigo que finalmente voltou a dormir na minha cama.

 

A gente se vê, se troca, se olha e nem precisa falar.


Nossos corpos nunca se desencontraram.



O nosso jazz são 33 rotações por minuto de rock and roll.

 

O nosso samba canta baixinho o amor de João.

2.1.10

Listas de fim de ano




Fred Figueiroa começou o ano fazendo uma boa reportagem sobre como ficamos revendo nossas vidas no Reveillon. Gosto do jeito que ele coloca coisas muito pessoais nos textos que escreve para o Diario de Pernambuco. Nada muito explícito, mas quem conhece um pouco o cara percebe e acho que o leitor comum absorve como se fosse apenas texto.

A matéria bate com muita coisa que estou pensando esses dias. Primeira observação. Não adianta querer tudo, precisa ter foco. Ano passado foi um momento importante porque abri mão de muita coisa para começar a me reestruturar profissionalmente em Pernambuco. De um jeito tal que no fim do ano estava precisando de um descanso, que começou com esses dois feriados e vai ter seu momento nas minhas curtas fériazinhas no Rio e SP.

Outro ponto que gostei foi que ele lembrava que não dá para fazer tudo de uma vez. Então, fui na Subway comer uma saladinha ontem, na volta ainda estava com fome e pedi uma bola de pinha na John`s da frente da minha casa. Sem problemas. A gente tem que ir começando a correr aos pouquinhos para fazer a São Silvestre no fim do ano mesmo. Além disso, ontem não tinha feira e acabei tendo que repor a geladeira hoje mesmo em Casa Amarela.

Agora, o que é preciso entender também é que para começar a mudar mesmo o que lhe incomoda a pessoa precisa partir de um mínimo de estruturação tanto financeira, quanto psicológica. A gente vive em um mundo em que é muito difícil emagrecer trabalhando para caramba e sem tempo/grana para fazer umas aulas com um professor de tênis ou pagar um analista lacaniano.

Bem, vou expor a minha lista. Prova de que realmente meu problema é foco. O que quero para mim em 2010.

1- Ficar mais próximo do meu filho.
2- Curtir a viagem ao Rio e SP e organizar uma volta à França com o pirralho.
3- Emagrecer um pouco até o Carnaval.
4- E um pouco mais até o fim do ano.
5- Me apaixonar uma única vez (basta de confusão amorosa por moi).
6- Fazer, finalmente, a mini-reforma do meu apartamento.
7- Continuar dando duro na Prefeitura de Jaboatão.
8- Conciliar melhor meu trabalho com os projetos pessoais que estou desenvolvendo.
9- Passar em um mestrado.
10- Conseguir um fornecedor de lança-perfume, nem que seja para o Carnaval de 2011.
11- Me expor menos.

29.12.09

Erramos?

Por Clovis Rossi - Folha de S. Paulo (27-12-2009)

A capa da Folha de ontem diz que "na mídia e em declarações de autoridades americanas, o caso [do menino Sean Goldman, devolvido ao pai após uma novela de cinco anos] ganhou contorno de disputa entre países". É verdade e, por isso mesmo, o papel da mídia precisaria ser discutido nesse caso.

Trata-se de um assunto de família, exclusivamente de família. Não há interesse público envolvido. Há, sim, curiosidade pública, o que é bem diferente. Do que decorre a pergunta que me parece central e me causa desconforto: temos, os jornalistas, o dever, a obrigação, de atender sempre a curiosidade do público, mesmo quando ela é invasiva? Neste caso, é pior ainda, porque invasiva de uma criança.

Não, não me venham dizer que invadimos cotidianamente a privacidade de muitas pessoas. É verdade, mas, em 99,9% dos casos, trata-se de pessoas públicas, que procuraram a notoriedade, não raro apoiando-se na mídia. A busca pelos holofotes tem preço. Muitas vezes, os holofotes acesos pela mídia é que impedem abusos de diferentes naturezas.

Mas Sean não procurou os holofotes. Seu caso acabou por se transformar em exercício de jornalismo-espetáculo. E não apenas no Brasil: a rede norte-americana NBC não fretou um avião para levá-lo aos EUA com o pai por amor à infância, mas por amor ao espetáculo.

Nesse espetáculo acabamos por cometer um pecado grave: demos abrigo a uma acusação, feita pela avó materna, de que o Executivo e o Judiciário brasileiros venderam-se aos Estados Unidos pagando com Sean pela manutenção de vantagens comerciais.

Nenhum jornalista sério diria tal coisa por sua conta. Se o dissesse, correria o risco de purgar elevada pena. No entanto, no jornalismo-espetáculo, a acusação foi ao ar e ao papel. Incomoda, não?

27.12.09

O homem gigante



Como se não precisássemos nos perdoar. Ela me perguntou por quê?

Em Freud e Levi Straus eu não passo da entrada, enquanto você consome como prato principal.

Não tenho necessidade de explicar motivos. Sou repórter por natureza, gosto mesmo é de descrever fatos.

Foucault me disse que a verdade não existe. E eu baixinho respondo que escrevo a minha realidade.

Naquele dia, eu estava ali. Homem perdido, jogado na parede, deslocado, sem saber para onde ir.

Não saberia explicar nem mesmo porque estava ali.

Encarava o meu assassino com a frieza de quem sabe que pode morrer, mas pode também matar.

Ele me dizia para baixar a guarda. E eu continuava com o olhar firme.

Sou um homem. Talvez não seja nenhum gigante. Mas sei da minha força e conheço a beleza.

Era o teu olhar que encarava. Com o respeito de quem sabe o que é o amor.

E a dor de quem viveu o ódio.

En garde mon ami. Always.

But with the knowledge of your sweetness.

I bring on my heart the memory of our love.


Eduardo Amorim - 27 de dezembro de 2009

24.12.09

Espírito natalino


Não gosto muito de Natal. Mas quando é para pegar um mote a gente aproveita o que estiver mais perto.

A Justiça decidir entregar uma criança ao vencedor de uma batalha judicial pela sua guarda justamente na véspera de Natal é um negócio sério. Por que não fizeram dois dias antes? Ai chega um bando de jornalista de ressaca e coloca a foto dessa criança abraçado ao padrasto estampada nos maiores portais do Brasil. Uma coisa de um desrespeito sem tamanho.

Ao contrário de um adolescente que trafica drogas, o menino filho de um americano com uma brasileira não tem culpa nenhuma da mãe ter morrido. Também não há como dizer que as famílias americana ou brasileira estejam longe dos seus papéis naturais, ambas querem manter a criança no seu convívio.

Acontece que a Justiça brasileira demorou para dizer o óbvio. O menino tem pai! Não tem o que discutir. Se ele é órfão de um lado, não havendo impedimento, quem vai cuidar do filho é quem está vivo.

São criados motivos para dizer que o americano tem todos os defeitos do mundo, nunca vi uma acusação séria. Ele pode ser um mal pai? Tanto quanto a avó, o padrasto ou todos da família brasileira. Até que uma decisão transitada em julgado mostre o contrário.

A maioria dos jornalistas que cobriram esse caso aqui no Brasil sempre fizeram um trabalho bambo. Como o narrador da Globo que torce para o juiz favorecer o time sulista. Só que, felizmente, o Brasil tem que respeitar os tratados internacionais de Justiça.

Bom Natal!

17.12.09

A noite de Rita e as fotos de Yemanjá



Recebi um convite para ir a uma festa em um terreiro de macumba. Um convite bonito, bem elaborado, para uma festa de primavera. Como eu não tenho preconceitos com relação a essa crença, aceitei ir de bom grado.


Não era um dia bom. Estava cansada, sem dormir, de ressaca, e sentindo muita dor no dedão do pé que eu havia machucado durante a bebedeira da noite anterior (aliás, até agora não descobri ao certo como). Mas já havia confirmado a presença, então, tomei um analgésico, me arrumei e fui. Gosto de pensar que fui linda, porque aprendi que se arrumar com cuidado para um evento serve também para mostrar ao anfitrião que você se importa com a festa e respeita o trabalho necessário para prepará-la. Mas aquele sapato horroroso – o único que eu agüentava calçar – insistia em berrar o contrário.


Cheguei com uma hora de atraso, e mesmo assim esperei pelo menos mais uma hora e meia pelo início da cerimônia. Sei que estava chata e calada, perdida no meu mundinho interior. Alguns talvez pensassem que era porque eu não queria estar ali. Mas não era. Aquele era apenas um dos momentos em que meu fardo parece pesado demais e eu acabo mergulhando dentro de mim.


Quando a mãe-de-santo finalmente entrou no barracão para dar início a reunião eu relaxei um pouco. Gosto dela. É uma presença forte e por algum motivo me transmite confiança. Eu sou muito sensível a energia do ambiente e das pessoas e raramente me engano com relação a isso. Engraçado que a maioria das mulheres da minha família também é assim, embora muitas neguem para não bater de frente com cristianismo que resolveram adotar. Bruxaria hereditária, diria Naema. E poderosa. Mas isso é assunto para outro post.


O fato é que a mãe-de-santo chegou e os tambores soaram. E parecia que o batuque era dentro do meu peito. Os mestres foram descendo – perdão, não sei bem se o termo é esse – e assumindo o corpo de seus filhos. Era o momento das entidades masculinas. Eu fiquei assistindo encantada, sem conseguir tirar os olhos daquelas pessoas, até que a combinação de cansaço, fumaça e ambiente abafado começou a me incomodar, e me vi forçada a sair do barracão para beber água e me sentar um pouco.


Fui me sentindo pior. Tomei outro analgésico e após a despedida dos mestres, fui comer um pouco com alguns amigos – entre eles a espevitada Iris, que não agüentava de ansiedade – enquanto esperávamos a segunda parte da cerimônia. Ainda descansei um pouco no carro de Marcelo, impaciente com as pessoas me perguntando por que eu estava calada. Eram tantos e tão dolorosos motivos que nem valia a pena dizer, e o cansaço pareceu a desculpa mais cômoda.


Voltamos ao barracão para receber as mestras. E quando a mãe-de-santo incorporou Ritinha, eu entendi porque ela ganhou uma festa só para si. Divertida, desbocada, escrota, egoísta, cheia de si. Mas também, de certa forma, carinhosa, infantil e protetora. São muitos adjetivos para ela, bons e maus. E foi isso o que mais me encantou. A dualidade. Porque ninguém é só bom ou só ruim, todos somos uma mistura dessas duas forças e entidades demasiadamente perfeitas e boas me incomodam.


Ritinha recebeu muitos presentes, com embrulhos que ela rasgava com a alegria de uma criança. Dançou, bebeu, atiçou os homens. Contou que foi prostituta, que morreu assassinada, que foi desejada pelos homens e hostilizada pelas mulheres. Observei em um silêncio encantado aquela figura. Não consegui hostilizá-la. Admirei, e até invejei sua sinceridade inconseqüente. Em certos momentos me senti identificada. Em outros vi nela quase um oposto. E esse vaivém de sensações me manteve presa, absorta, esquecida de tudo o que me incomodava antes.


Por duas vezes, quando passou por mim, ela fez piada de uma história que a mãe-de-santo não tinha como saber. Aquilo me divertiu ao invés de me irritar como aconteceria normalmente. Ela disse que poderia roubar de mim meu “macho”. Eu respondi que ninguém pode me roubar o que nunca foi meu. Ela me olhou séria e não disse mais nada. E eu gostei daquele silêncio. Senti que poderia ter pedido a ela que me desse o homem que quisesse. Mas não quero ter ao meu lado uma pessoa que precisa de um feitiço para me desejar, me querer. Não me parece um bom negócio.


Fui embora cedo, mas a noite de Rita ficou em minha mente. E adormeci com meu peito batendo no ritmo dos tambores.

(texto: Monaliza Brito/ fotos: Marcelo Ferreira)
Fonte: www.clubedasmeninas-mulheres.blogspot.com


Ps: Muito bom trabalhar com gente que admiro tanto!

27.11.09

Corrupção na arte


Dois artistas admitem ter recebido cachês bem menores do que as notas fiscais emitidas por eles aos seus produtores em Pernambuco. A notícia só ganha importânca quando a gente fala que foi o Maestro Spock e Silverio Pessoa. Mais que pessoas que tocam todos os anos nos eventos promovidos pelo Governo do Estado e Prefeitura do Recife, são referências da música pernambucana.

O mundo político reage da mesma maneira que em qualquer outro escândalo. No máximo, Silvio Costa Filho vai contratar uma consultoria de crise lá em Brasília. Eduardo Campos pede investigação no Tribunal de Contas do Estado. Jarbas Vasconcelos diz que o governador está tentando sufocar o assunto na base da ironia e do grito. A Assembléia Legislativa deve propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

E o mundo artístico?

Honestamente, fazer chacota no Carnaval chamando os outros de ladrão é muito fácil. Mais ainda, se você nem sabe quem é o artista e produtor que está cantando e tocando do seu lado.

O que seria importante é propor sugestões para exigir a transparência nas contratações. Por exemplo. Através de projeto de lei, pode-se obrigar o Poder Público a publicar em anúncio nos jornais os valores de toda e qualquer contratação de artista (através de produtora ou diretamente) acima de um certo percentual. Digamos: R$30 mil. Basta para isso relacionar os modelos de dispensa de licitação utilizados para esse tipo de contratação.

Já trabalhei em algumas gestões. Sempre há denúncias desse tipo, são comuns. Mesmo quando não chegam à imprensa, destroem a imagem dos políticos junto à classe artística, aos formadores de opinião e, especialmente, na juventude.

26.11.09

Besouro


Acabo de chegar de uma sessão do melhor que a Globo Filmes já produziu. Pena que eles não invistam pesado no marketing de Besouro.

Estava com a maior história de rivalidade Bahia X Pernambuco na cabeça. Vem o filme e bota no lugar as imagens do Recôncavo Baiano e uma música da Nação Zumbi e uma trilha assinada por Pupilo.

Cordão de ouro!

As negras são divinas. Os recursos à la Matrix estão sendo muito utilizados, mas na Capoeira ficam muito massa. Ouvi de um filho de Ogum que era a primeira vez que a religião dele era bem representada, que ele ficou com orgulho ao sair do filme.

Eu fiquei cheio de orgulho com os comentarios de meu filho de dez anos e seu amigo ao fim do filme. Muito lindo poder levar as crianças para ver um filme nacional, que realmente tem um enredo bem feito e ainda por cima é a maior diversão.

Acredito que a pesquisa seja muito boa.

A própria filosofia do candomblé torna o filme mais interessante que o normal. Ninguém é 100% bom. Mas o filme não é fábula. É dureza, capoeira, religião e seios.

- Já tinham visto tantas cenas de sexo?

- Nãaao. Claro que não.

É, eles tiveram motivos para gostar. Eu também.

24.11.09

Yorubá


Estou fazendo um curso de introdução à linguagem Yorubá. Tive a primeira aula ontem de noite. Ainda estou sob o impacto da beleza dos cânticos da gente de terreiro. Muito bonita aquela língua cantada.

Ali sou totalmente aprendiz. A turma tem uns três ou quatro gestores públicos, como eu, mas é formada basicamente por babalorixás e yalorixás.

Entreguei uma história em quadrinhos hoje para Chico e ficamos os dois conversando sobre a beleza dessa religião. Me impressiona muito o quanto essa sabedoria é de conhecimento de poucos.

Meus primeiros pensamentos. É preciso defender o estudo e a pesquisa em cima dos terreiros de Pernambuco. Temos ainda alguns mestres que guardam conhecimento impagável. Mas estamos muito longe ainda do que se produz de informação sobre a cultura afro-brasileira na Bahia, que ainda é muito pouco guardada a importância que isso tem.


Tenho pensado outras coisas, mas as vezes é preciso calar.

Nota de Inaldo Sampaio e comentário

Qual alvo? – Sempre que Fernando Bezerra Coelho (PSB) abria a boca dizendo que postula a candidatura ao Senado dentro do seu próprio partido, João Paulo (PT) se considerava o alvo dele e Armando Monteiro Neto (PTB) também. Mas ambos se equivocavam.

Será que o alvo era o vice-governador João Lyra Neto? Se for o caso o cargo fica com Humberto Costa. É a única interpretação que consegui fazer.

20.11.09

A tentação de Dudu


O governador Eduardo Campos tem tudo a perder. Na situação que está atualmente tem uma chapa imbatível. Tudo correndo tranquilo seria inevitável eleger dois senadores e conseguir sua reeleição.

Mas ninguém me tira da cabeça que os grandes adversários dele em Pernambuco são os petistas. Por mais que tenha criado uma boa relação com Humberto Costa, o grupo de João Paulo nunca foi engolido e por isso está saindo tão cedo do Governo do Estado.

A grande dúvida é quanto ao cenário nacional. Ele deve embarcar numa candidatura dificílima que será a de Dilma Roussef. A ministra pode ser uma excelente técnica, mas não dá filme. Não tem a menor poesia em cima da figura dela.

A outra opção dele vem de Minas com escala na capital cearense. É apostar na reconstituição de um capítulo perdido na história do nosso País. Aécio Neves é de Tancredo o mesmo que Eduardo Campos é de Miguel Arraes.


Eduardo seria, apostando neste cenário, o que Sarney e Renan são no Governo Lula. O resumo da ópera. Ou, em linguagem de política, a iminência parda.

10.11.09

Quem quer ser um milionário?



www.horoscopo.blogspot.com diz:
 eu ontem disse a Tuti que o negócio dele é bebidas
 para ele comprar a fábrica de polpa de meu Tio

Cyntia diz:
 e colocar vodka na polpa!
 kkk

www.horoscopo.blogspot.com diz:
 ahn???

Cyntia diz:
 concordo que o negócio de tuti é bebidas, mas bebidas alcoólicas. Ou seja, tem q colocar vodka na polpa de fruta de teu tio

www.horoscopo.blogspot.com diz:
 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
 ia dar muito dinheiro essa tua idéia
 um frozen já preparado de vodka com polpa
 você é uma gênia
 !!!

9.11.09

Salvem a Baía da Guanabara


Meu avô contava que quando era jovem nadava da praia de Botafogo até não ver mais os prédios e voltava para a orla. Essa história me fascinava pois falava de um Rio de edificações que não eram tão altas e de um mar sem sujeira. Além de um carioca saldável, que mostra claramente o quanto essa história de geração saúde é antiga na então Capital Federal.

O velejador Lars Grael, um dos maiores atletas olímpicos da história brasileira, essa semana deu uma entrevista defendendo a mudança das competições de vela para Búzios. Os argumentos são fortes. "A raia da Baía de Guanabara é pequena para todas as classes de vela e o vento muito inconstante - no Pan-Americano de 2007, a vela atrasou e teve um dia de regatas cancelados por falta de vento. Logo, o Rio não atende a essa necessidade. Para abrigar todas as raias, o Rio-2016 teria de sair da baía. Em Búzios, existe espaço para todos os campos de regata e as variações de vento e condições climáticas em geral são mais adequadas à vela".

Não tenho como discordar do cara em argumentos esportivos. No entanto, apesar de admirador da vela vejo como prioridade para o Brasil o investimento na baía de Guanabara.

Imaginar que as Olimpíadas seriam um fato suficiente para devolver ao Brasil as 44 praias da Baía de Guanabara para mim já seria argumento suficiente para todo o investimento em 2016.

Ganham todos os moradores do Rio de Janeiro. Quem mora em Botafogo vai poder usar a praia, vai ter seu imóvel valorizado, mas vai também abrir espaço em Ipanema para o morador que não aguentava mais tanta gente no seu quintal. Imaginemos o efeito financeiro dessa operação de limpeza, mesmo que em 2016 estejamos somente no meio do processo, sobre os já valorizados imóveis da capital carioca?

Mas, fora isso, estamos falando também de devolver praias a uma população enorme de lugares que são considerados periferia. Vou estudar mais e completo o post. O tema é mais interessante do que eu imaginava.

http://www.portalbaiadeguanabara.com.br/

8.11.09

Cubalançando



Li Viagem ao Crepúsculo de uma tacada só. Comprei na Bienal do Livro, deitei ao lado de Chico e passamos a tarde em silêncio. Ele lendo os mangás que tinha ganho de presente do Dia das Crianças e eu reconhecendo as mau traçadas do meu velho professor de Técnicas de Reportagem.

Samarone Lima entra em uma lista de poucos grandes mestres que tive na vida. Sempre tive pena dele não ter continuado como professor da Universidade Católica de Pernambuco, seria um belo substituto para a minha querida Marinita Neves na disciplina de sensibilidade estética e social avançada.

Felizmente, no ano passado peguei uma carona com ele entre o Aeroporto de Brasília e o hotel onde ele se hospedava, em que ele me relatou a problemática do projeto Oi Kabum, especialmente depois da saída do seu fundador, Ricardo Melo.

Foi bom saber que ele continua se interessando e fazendo coisas boas nessa vida. Viagem ao Crepúsculo foi mais uma demonstração da dedicação e competência desse cara.

Cuba foi um tema da geração dos meus pais. Infelizmente, os mesmos dilemas do povo cubano continuam no Século XXI. Botei ai embaixo a tradução de uma postagem de hoje do blog Generacion Y. Leiam. A blogueira Yoani Sanchez foi sequestrada e sofreu agressões quando ia participar de um protesto anti-violência. Surreal!!!

Para quem não acreditar dou a dica. Aproveite o domingo, vá ao Poço da Panela, tome uma cerveja na barraca de Seu Vital e compre um exemplar de Viagem ao Crepúsculo. O livro mostra aquela mesma realidade que minha mãe relatou quando foi à ilha de Fidel Castro na Década de 90.

Um país miserável. Uma população amedrontada pela sistemática perseguição. A imprensa amordaçada. Profissionais de qualidade sendo forçados a exercerem funções indignas no mercado negro da ilha. Pessoas doentes se submetendo a situações vexatórias, no que não é mais um belo exemplo de sistema de saúde (o livro serve como contra-ponto ao filme de Michel Moore que tem uma cena sobre Cuba).

Nunca estive na ilha. Espero ter a oportunidade de ir ver um país livre da Ditadura. Isso se torna uma promessa, só vou a Cuba quando acabar o mais longo período repressivo da América Latina. Mas tive esses dois relatos de pessoas que são mais socialistas do que eu, minha mãe e Samarone.

Sou também leitor de Pedro Juan Gutierrez. Tenho todos os livros que ele publicou. Ele conta a mesma situação absurda na sua ficção e se nega a discutir política em entrevistas. Evidentemente, lhe falta coragem para algumas coisas, mas os seus relatos são mordazes.

De que adianta ter um ótimo sistema de ensino, se na vida real as crianças cubanas são levadas à Escola da Mula Sem Cabeça? Obrigadas a viver na roda viva entre pedir esmolas e assaltar os turistas mais bobos. Minha mãe foi vítima de um roubo em seu primeiro dia de viagem, pois seu grupo de amigos intelectuais esquerdistas decidiu dar bandeira pelas ruas de Havana Velha. Samarone com aquela barba todinha de malandro porto-riquenho ainda correu de uma galera de adolescentes.

Não vou ficar fazendo crítica literária depois de um absurdo como esses, mas deixo só minha dica. Leiam o post ai embaixo e comprem Viagem ao Crepúsculo. Imperdível, para quem quer entender o que realmente se passa em Cuba.

O blog de Sama: www.estuario.com.br

Secuestro estilo camorra

Do: http://www.desdecuba.com/generaciony/
Por: Yoani Sanchez

Próximo da rua 23 e exatamente no trevo da Avenida de los Presidentes foi que vimos chegar num automóvel preto - de fabricação chinesa - tres robustos desconhecidos: “Yoani, entre no automóvel” me disse um enquanto me continha fortemente pela mão. Os outros dois rodeavam Claudia Cadelo, Orlando Luís Lazo e uma amiga que nos acompanhava para uma marcha contra a violência. Ironias da vida, foi uma tarde cheia de golpes, gritos e palavrões que deveria transcorrer como uma jornada de paz e concórdia. Os mesmos “agressores” chamaram uma patrulha que levou minhas outras duas acompanhantes, Orlando e eu estávamos condenados ao automóvel de chapa amarela, ao pavoroso terreno da ilegalidade e à impunidade do Armagedón.

Neguei-me a subir no brilhante Geely e exigimos que nos mostrassem uma identificação ou uma ordem judicial para levar-nos. Claro que não mostraram nenhum papel que provasse a legitimidade de nossa prisão. Os curiosos se comprimiam ao redor e eu gritava “Ajuda, estes homens querem nos sequestrar”, porém eles pararam os que queriam intervir com um grito que revelava todo o fundo ideológico da operação: “Não se metam, estes são uns contrarrevolucionários”. Ante nossa resistência verbal, pegaram o telefone e disseram à alguém que devia ser o chefe: O que fazemos? Não querem entrar no automóvel”. Imagino que do outro lado a resposta foi taxativa, porque depois veio uma explosão de golpes, empurrões, me levaram de cabeça para baixo e tentaram enfiar-me no carro. Resisti na porta…golpes nas juntas…consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o meti na boca. Outra explosão de golpes para que devolvesse o documento.

Orlando estava dentro, imobilizado numa chave de karatê que o mantinha com a cabeça colada no chão. Um pôs seu joelho sobre meu peito e o outro, do assento da frente me batia na região dos rins e me golpeava a cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Num momento, sentí que nunca sairia daquele automóvel. “Chegaste até aqui Yoani”, “Acabaram tuas palhaçadas” disse o que ia sentado ao lado do chofer e que me puxava o cabelo. No assento de trás um espetáculo invulgar acontecia: minhas pernas para cima, meu rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido, do outro lado estava Orlando restringido por um profissional da surra. Só consegui agarrrar este - através das calças - nos testículos, num ato de desespero. Afundei minhas unhas, supondo que ele iria continuar esmagando meu peito até o último suspiro. “Mate-me já” gritei, com o último fôlego que me restava e o que ia na parte da frente advertiu ao mais jovem “Deixe-a respirar”.

Escutava Orlando ofegar e os golpes continuavam caindo sobre nós, pensei em abrir a porta e atirar-me, porém não havia uma maçaneta por dentro. estávamos a mercê deles e escutar a voz de Orlando me dava ânimo. depois ele me disse que o mesmo ocorria com as minhas palavras entrecortadas…elas lhe diziam “Yoani continua viva”. Nos descartaram doloridos numa rua de la Timba, uma mulher acercou-se “O que lhes aconteceu?”… “Um sequestro”, atinei de dizer. Choramos abraçados no meio da calçada, pensava em Teo, por Deus como vou explicar-lhe todos esses hematomas. Como vou dizer-lhe que vive num país onde isto acontece, como vou olhá-lo e contar-lhe que a sua mãe, por escrever um blog e por suas opiniões em kilobytes, foi agredida em plena rua. Como descrever-lhe a cara despótica dos que nos colocaram a força naquele automóvel, o prazer que se notava ao pegar-nos, ao levantar minha saia e arrastar-me semi-nua até o carro.

Consegui ver, não obstante, o grau de temor de nossos atacantes, o medo ao novo, ao que não podem destruir porque não compreendem, o terror valentão dos que sabem que tem seus dias contados.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

6.11.09

A candidatura de Marina

Eu e Bernardo iniciamos uma discussão via comentários sobre a candidatura de Marina. Para não ficar parecendo um bate-boca, decidi escrever algo sobre o que penso das eleições presidenciais do ano que vem.

Durante o Governo Fernando Henrique Cardozo, eu fazia parte de uma minoria entre os meus amigos que via coisas muito positivas na gestão tucana. Da mesma maneira, vejo muitas coisas boas nos oito anos de Lula. Não diria que sou defensor de nenhum dos dois presidentes, mas é evidente que foi um salto enorme para quem vinha de Ditadura, Sarney e Collor.

O debate político no Brasil estava meio estagnado. O tempo que passei, entre 2007 e 2008, em Brasília foi justamente um momento de total falta de esperança. Após o mensalão, as denúncias de corrupção continuavam a aparecer e já eram acompanhadas pela mídia com uma certeza de que tudo terminaria em pizza. Ao mesmo tempo, ideologicamente o debate foi ficando cada vez mais ralo.

O PT fez um Governo de coalizão com a direita. Perdeu seus quadros ideológicos: Marina, Paulo Rubem, Chico Alencar. A oposição demorou para conseguir um discurso que realmente pegasse. A questão ética, que foi a grande aposta, naquele fim do primeiro Governo Lula, acabou não sendo suficiente para diminuir a popularidade do presidente.

Para onde iríamos? Teve uma hora, sinceramente, que cansei de achar que o problema do Brasil é simplesmente a roubalheira. Como é que vai se enfrentar a corrupção com uma mídia desqualificada e um sistema jurídico completamente viciado?

A candidatura de Cristovam Buarque cantou uma pedra. Vamos voltar à Educação.

Honestamente, é a questão que eu mais elogio no Governo Lula. Por ter voltado a fazer investimento nas universidades públicas. O Prouni é uma grande falácia, pois as faculdades particulares são péssimas, mas é uma oportunidade que milhares de jovens estão tendo e especialmente no Nordeste e em regiões pobres tem seu valor. Digo isso com toda a experiência de quem tem ao lado na minha sala pessoas que honestamente eu imagino que não seriam hoje bons jornalistas sem esse programa.

Mas falta muito para ser um ponto fundamental deste Governo.

Os fundamentos da economia, e ai vai ser uma discussão eterna, vieram do Governo do PSDB. Lembro que conversei muito sobre isso com Paulinho. Ele, assessor do Ministério da Fazenda durante a segunda gestão FHC, dizia que Lula não saberia superar a crise no mercado de ações e tals. Eu dizia exatamente o que digo até hoje, ele fará mais do mesmo e vai tudo acabar se normalizando.

Enfim, chegou a um ponto que os próprios tucanos (Armínio Fraga!) reclamam dos juros altos.

Não tenho certeza ainda do meu voto em Marina no ano que vem. Mas acho que dificilmente uma candidatura me fará ter tanta vontade de discutir a política brasileira como o que tenho sentido a partir dessa perspectiva.

Quer dizer, via cada vez mais o Brasil com um sistema partidário semelhante ao dos Estados Unidos. Os democratas e os republicanos, que têm exatamente o mesmo discurso, e discordam em questões éticas ou relativas a setores específicos. Aqui, é piorado porque os lobistas que vivem em Brasília não têm carteirinha de profissional, mas têm mandato parlamentar.

Como tratar com a bancada ruralista? O que sei é que a política de aliança implementada pelo Governo Lula não deu certo. Eles são um grupo que têm compromisso primeiramente com o grupo econômico que representam. E assim é também com os representantes das igrejas protestantes, com os defensores de conglomerados educacionais privados, das entidades pseudo-beneficientes...

Espero que Marina vá para o pau. Tenho conciência de que isso pode significar uma decisão que vá trancar a pauta no Congresso e possivelmente impossibilitar a realização de uma gestão bem avaliada. Mas é o processo histórico. Têm enfrentamentos que precisam ser realizados, mesmo que sejam infrutíferos neste momento. Agora, eu não sei se é isso que aconteceria numa hipotética gestão do Partido Verde.

O que sei é que quando ela saiu do PT e começou a receber as críticas, de gente que a acusava de estar sendo financiada pela oposição, eu sonhei que ela procurasse o P-Sol para uma aliança. Foi o primeiro movimento político que ela fez e me parece ser uma estratégia boa eleitoralmente e politicamente para ambos os partidos e especialmente rica para o País, por criar uma terceira via com um discurso realmente dissociado do que vem sendo falado pelos grupos majoritários politicamente no Brasil.

4.11.09

Para Edilson Silva, aproximação entre Marina Silva e PSOL tira a paz de Zé Dirceu

POSTADO ÀS 09:48 EM 04 DE Novembro DE 2009

Por Edilson Silva

Está lá no blog do Zé Dirceu: “Marina candidata dá adeus à coerência. Ao aliar-se ao PSOL, a senadora Marina Silva (PV-AC), presidenciável de seu partido, coloca-se na oposição radical não só ao governo Lula, como ao PT. Rompe, assim, totalmente com o seu passado e revela o caráter não programático de sua candidatura (...)”.

O posicionamento de Zé Dirceu se deu logo após declarações de Marina Silva à imprensa afirmando que busca apoio do PSOL à sua candidatura. Não vamos aqui discutir a autoridade de Zé Dirceu para tocar no tema coerência.

O capo do PT, ao acusar o golpe preventivamente, dá por tabela um recado curto e grosso: a candidatura de Dilma Roussef treme diante da possibilidade de aliança entre Marina Silva e o PSOL, cujo símbolo junto ao povo é a futura senadora por Alagoas, Heloisa Helena. Ele sabe que o resultado da química entre estes dois pólos pode ser muito maior do que uma simples soma de percentuais em pesquisas de intenção de voto, e que pode ter desdobramentos pós-eleitorais nada animadores para ele e sua forma condenável de fazer política.

Mas, obviamente, o objetivo do líder petista ao voltar suas baterias contra Marina Silva e o PSOL não é dar este aviso ao mundo e demonstrar esta fraqueza, o que seria um desserviço ao seu campo político. Sua declaração tem outros objetivos: por um lado provocar Marina Silva ou seus interlocutores para que desmintam a afirmação de que sua candidatura é de oposição radical ao governo Lula e ao PT, e por outro tentar amarrar a base eleitoral e militante do PT, acusando Marina Silva de rompimento com seu passado, trazendo a idéia de abandono e traição.

Zé Dirceu está preocupado em ganhar a eleição de 2010, mas está preocupado também com a manutenção da musculatura militante do PT e da ex-esquerda que ele representa. Ao tentar arrancar declarações de Marina Silva contra a “oposição radical a Lula e o PT”, tenta transformar o potencial diálogo entre esta e o PSOL numa torre de Babel.

Zé Dirceu pode ser tudo, menos burro. Ele está disputando o perfil da candidatura de Marina Silva, que com seu simples gesto mais à esquerda gerou esta inquietação na cúpula petista. Que venham mais gestos nesta direção por parte de Marina Silva e que ninguém do lado de cá caia nas provocações primárias de Zé Dirceu. A reorganização de uma esquerda autêntica, coerente e com força política, agradece.

PS: Edilson ( www.twitter.com/EdilsonPSOL ) é presidente do PSOL-PE e membro da Direção Executiva Nacional do PSOL.

PS2: Nunca postei nada de Edilson, mas esse artigo achei extremamente coerente.

3.11.09

Uma difícil (e importante) aliança

Quando surgiu a possibilidade de uma candidatura de Marina Silva pelo PV fiquei achando que a maior dificuldade seria a da candidata lidar com um partido sem identidade ideológica.

O Partido Verde tem um discurso que o une: a questão ecológica. Fora isso, é formado por aglomerados regionais. Um mini PMDB, que tem oposicionistas pela Esquerda (Gabeira), pela Direita (Daniel Coelho) e talvez uma maioria que tenha certa identidade com o Governo Federal (o filho de Sarney).

Marina entra e começa a se colocar como possível candidata e seu primeiro movimento é buscar uma aliança com o P-Sol. Para mim, é uma demonstração de maturidade e competência dessa pequena mulher acreana. Resta saber se Chico Alencar e companhia terão condições de dar uma resposta à altura.

O P-Sol, ao contrário do que diz Zé Dirceu e do que gostam de dizer os seus militantes, nunca fez uma oposição radical. No Congresso Nacional, não foram poucas as vezes em que os parlamentares do partido assumiram uma posição favorável ao Governo.

Até sua marca mostra o que eles são realmente. O Sol é uma estrela. Por sinal, a nossa. Não é Marte, que na calada da noite nos engana e chegamos a pensar que seja a maior de todas. Uma delas.

É um grupo que se identifica com os mesmos princípios que formaram o Partido dos Trabalhadores, mas que em certo momento disse um basta. Não conseguiram mais conviver com as incoerências do exercício do Poder pelo Governo Lula.

Não vão faltar adversários para essa aliança. Com certeza, a maior chance de Marina Silva ganhar o que mais lhe faltaria em sua candidatura, uma base ideológica e de militantes com disposição para o trabalho político.

Pode ficar preocupado Zé Dirceu. De minha parte, gostaria de ver também o campo de esquerda do PDT nessa discussão da candidatura do PV. Mas acho que esses dois partidos juntos já podem fazer com que o nível das eleições de 2010 suba muito, muito mesmo.

Fico feliz de imaginar. Chico Alencar e Marina no Rio. Ivan Valente e Marina em São Paulo. Nosso vereador do Greenpeace e Marina no Ceará. A filha de Tarso Genro e Marina no Rio Grande do Sul (essa união é mais engraçada e surreal!). Heloisa e Marina nas Alagos também. Faz parte.

Essa aliança não é importante somente para o PV, é principalmente o teste de fogo do P-Sol. Vejamos se eles conseguem traçar um caminho diferente do que era o PT e mais ainda do que é atualmente o partido onde eles fizeram a maior parte das suas vidas políticas.

DO BLOG DE ZÉ DIRCEU: ALIANÇA PV-P-SOL PREOCUPA PETISTAS

Marina candidata dá adeus à coerência

Ao aliar-se ao PSOL, a senadora Marina Silva (PV-AC), presidenciável de seu partido, coloca-se na oposição radical não só ao governo Lula, como ao PT. Rompe, assim, totalmente com o seu passado e revela o caráter não programático de sua candidatura. Suas alianças irão do PSOL ao PSDB, passando pelo DEM.

Rompe com sua história, repito, e com questões que ela tanto criticou, como a busca dos partidos por alianças para obtenção de maior tempo de campanha na TV e aproximações com o empresariado, que ela está adotando.
Saiu a campo em defesa da adoção de regras claras para a pré-campanha na legislação e critica aparições da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff em eventos e ações do governo federal no período pré-eleitoral.

Marina considerou como campanha, a viagem de inspeção do presidente Lula e da ministra às obras de transposição do rio São Francisco, mas sobre a presença de outros dois presidenciáveis nessa viagem, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), não fala nada (nota abaixo).

Tentativa viola direitos do presidente e da ministra

É risível esse aval que a pré-candidata presidencial do PV, senadora Marina Silva (AC), dá às acusações do PSDB-DEM sobre o caráter eleitoral das inaugurações ou vistorias (post acima).

O fato é que os governadores e todos os prefeitos - dentro do prazo legal - além de governarem, não têm nenhum impedimento legal para visitar e inaugurar obras. Nem Marina os cobra por isso, só ao presidente da República e à ministra Dilma Rousseff.

Essas tentativas de cercear a ação governamental do presidente da República e da Chefe da Casa Civil é que são uma violação do direito deles. Uma tentativa de cercear a ação legal do chefe do governo e da ministra pré-candidata.
Afinal, os adversários de Lula e de Dilma, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves fazem o mesmo em seus Estados e, também, no próprio Nordeste como é público e notório.

2.11.09

Tarefas para o Brasil olímpico

26 de outubro de 2009

artigo : Aldemir Teles // Mestre em Neurociências
aldemirteles@uol.com.br

O Brasil conquistou, finalmente, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, após várias candidaturas frustradas. A primeira candidatura ocorreu para os Jogos de 1936, que não obteve nenhum voto, depois para os Jogos de 2004 e 2012. Além do ineditismo de sediar os Jogos pela primeira vez na América do Sul, o Rio de Janeiro será a terceira cidade a receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em um prazo de dois anos. As outras cidades são México, que recebeu os Jogos em 1968 e o Mundial de 1970, e Munique com a Olimpíada em 1972 e a Copa de 1974. A importância dos Jogos Olímpicos não se resume ao espetáculo esportivo capaz de atrair bilhões de espectadores. Os Jogos celebram a convivência harmoniosa entre os povos, através da linguagem universal da beleza atlética e simbolizam um apelo à continuidade do processo civilizador.

A vitória brasileira sobre as cidades concorrentes, com reconhecido poderio econômico, desenvolvimento social e forte tradição cultural, Chicago, Tóquio e Madri, valorizou ainda mais a nossa conquista. Subimos ao pódio onde poucos acreditavam que essa façanha pudesse acontecer agora. Dentre os motivos que nos levaram à conquista destacam-se: o bom momento da economia brasileira e as garantias de investimento do governo, cerca de 29,5 bilhões de reais, o trabalho competente de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), do Ministro dos Esportes Orlando Silva e a perspectiva de descentralização sócio-geográfica, um passo importante para a universalização dos Jogos. Aspectos sentimentais, como a simpatia que os brasileiros despertam mundo afora também podem ter contribuído. Então deu Rio de Janeiro, Brasil. Nada mal para o “último país alegre do mundo”, na opinião do filósofo português Manoel Sérgio ou no dizer do sociólogo italiano Domenico De Masi – “em nenhum outro país do mundo a sensualidade, a oralidade, a alegria e a ‘inclusividade’ conseguem conviver numa síntese tão incandescente”.

Mal terminada a festa e passada a ressaca vamos retornar à realidade. “Sim, nós podemos”, essa é a frase do momento. Nós podemos mesmo? Se não fosse o prazo para a realização do evento, diria que fomos pegos de calça curta. Investimentos e infraestrutura à parte quero referir-me a nossa futura participação. Há tempo carecemos de uma política de esportes consistente, com objetivos claros e prioridades bem definidas. A finalidade primeira para uma nova política de esportes deveria consistir no fomento da cultura esportiva para toda a população, que possa se constituir em importante fator de desenvolvimento social. Talvez esse deva ser o principal legado das Olimpíadas 2016. Considero pouco provável que o desenvolvimento pleno de uma nação possa ocorrer sem investimentos na consolidação da cultura do esporte. Tornar-se uma potência olímpica não deveria ser prioridade, mas poderá ser a consequência natural de uma política bem conduzida. Além do esporte espetáculo, dirigido para potenciais consumidores, fomentar a cultura do esporte significa universalizar a prática esportiva, começando pela escola, a fim de assegurar a formação integral dos jovens e que atenda integralmente os preceitos constitucionais, que asseguram a prática esportiva como um direito de todos os cidadãos e a sua promoção um dever do Estado. A Constituição considera três manifestações do esporte a serem contempladas: o escolar, o de participação e o de rendimento.

Vale lembrar o estudo do IPEA sobre a eficiência da participação dos países nas Olimpíadas de Beijing, 2008. O Brasil obteve 3 medalhas de ouro, 4 de prata e 8 de bronze, mas de acordo com o nosso potencial, deveria ter conquistado 20 medalhas de ouro, 18 de prata e 26 de bronze. Dessa forma teríamos conquistado a 6ª. colocação e nao a 20ª no quadro de medalhas. A avaliação considera a riqueza econômica do país, o tamanho da população e a esperança de vida ao nascer. O estudo revela, enfim a discrepância entre viabilidade econômica e a efetividade da política de esporte.

A contagem regressiva já começou. Os atletas que representarão o Brasil já estão em atividade, a maioria tem entre 10 e 20 anos. Alguns nomes já são conhecidos e certamente representarão o país em 2016, outros serão revelados. Mãos à obra!

28.10.09

Quem faz o Pacto pela Vida?

Na última segunda-feira, tive a infelicidade de cruzar com um veículo que tinha na sua traseira aquela tradicional propaganda do Pacto pela Vida. Fiquei olhando ali insistentemente. Na manhã seguinte, me lembro de notar o nome Polícia Comunitária na farda de um militar, quando fui informar o ocorrido na Diretoria Geral de Operações do Quartel do Derby.

Me considero amigo do sociólogo José Luiz Ratton, idealizador dessa política que vem sendo implementada pelo Governo do Estado. Mais que isso, divido com ele o interesse pelos estudos da Segurança Pública, especialmente quando se fala da cobertura policial da mídia.

Demorei a perceber que precisava colocar para fora a sensação que tive naquela noite terrível para mim. Me parece que um esforço tremendo e investimentos vultuosos pouco terão resultado se não tivermos efetivamente uma política de capacitação, mas principalmente fiscalização e controle de quem atua na área de Segurança e de como são efetuados os investimentos.

Estava na faixa de velocidade da Estrada da Batalha, por volta das 18h30, quando vi um veículo tentando me ultrapassar. Sinalizei e abri para a direita, nesse mesmo momento uma Ecosport da Polícia Militar que vinha em alta velocidade cortou pela direita o veículo que vinha atrás do meu e acertou em cheio meu carro. Ainda tentei livrar para perto da calçada, mas o policial manteve a velocidade para tentar me ultrapassar.

De início nem entendi o ocorrido. Olhei o retrovisor, vi que tinham dois carros na faixa de velocidade. De repente, aquele que estava atrás me acerta em cheio quando estava deixando eles passarem. Só vim entender quando um rapaz que estava na parada de ônibus veio me ajudar a diminuir a culpa (naquela hora uma amiga que estava no banco de passageiro, e recebeu todo o impacto da batida na porta do meu carro, estava feliz de ter sobrevivido): “já tinha notado o carro em velocidade, cortando todo mundo, desde que ele saiu do engarrafamento ali da Barreto de Menezes”.

Fui falar com o policial. “Isso ai qualquer um vai falar. É só ver um intermitente ligado, que a população já acha que o veículo está em alta velocidade”. Minha irritação aumentaria com a explicação da pressa dele, “minha hora de largar é 19h, tinha pouco menos de uma hora para chegar lá”. E principalmente ao ver que ele tentou manipular os agentes do Instituto de Criminalística e da Polícia para fazerem uma perícia irreal.

Explico. Ao bater, o policial deixou o carro seguir uns 20 metros e estacionou sobre a calçada. Parei no local da batida, dei primeira, ia estacionar do lado, mas ele mandou eu parar na faixa de rolamento. Quando chegaram os peritos queria dizer que o acidente tinha sido ali, dizendo que eu tinha trancado ele contra a calçada. As marcas de borracha do pneu da Ecosport estavam marcadas no local do acidente. Espero ansioso os resultados da perícia, tenho impressão que uma será feita para inocentar o motorista infrator e certeza de ter mostrado para ambas as equipes as marcas no local.

Escrevo não para ter recuperado os R$1.148,14 do conserto do meu carro. Honestamente, não sei nem se um policial tem um salário bom o suficiente para correr o risco de ter de pagar uma Ecosport. Sei que ele me pediu o celular emprestado para solicitar a vinda da perícia, talvez estivesse sem crédito. Tenho certeza que eu, jornalista, com dez anos de formado, que exerço cargo de chefia na segunda maior cidade do Estado, não gostaria de estar na pele dele. Nisso, a segunda questão. Por que comprar um veículo caro, de difícil manutenção e frágil para a Polícia Militar. Incrível, voltei dirigindo meu Palio para casa, ele ficou esperando o reboque!

Demorei para escrever. Não queria correr o risco de chatear um policial militar. Depois me lembrei, estava no Palácio do Campo das Princesas quando o prefeito Elias Gomes e o governador Eduardo Campos decidiram que Prazeres seria a maior localidade a receber o Governo Presente. Justo onde ocorreu o acidente.

Acompanhei diversas visitas do governador a Brasília, como repórter de uma agência de notícias. Vejo Eduardo Campos sempre de passagem. Primeiro porque moro desde criança em Casa Forte, mais recentemente porque nossos filhos estudam na mesma escola. Essa foi a primeira e única vez que ele veio conversar diretamente comigo, perguntou o que achava da decisão. Particularmente, ainda estava meio em dúvida se a decisão certa não seria priorizar Cavaleiro.

Escrevo isso aqui como forma de responder ao governador. Cada vez tenho mais certeza que Prazeres precisa realmente do Governo Presente. E pode contar comigo, não vou me omitir quando for preciso trabalhar pelo Pacto pela Vida.

Eduardo Amorim
Coordenador de Jornalismo da Prefeitura de Jaboatão

24.10.09

Orçamento de R$25 bilhões já é pouco?

Com o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro, foi aprovada a inclusão de golfe e rúgbi como modalidades olímpicas para 2016. Isso vai aumentar o número de aparelhos esportivos para os Jogos do Rio.

As opções que estão sendo destacadas são o estádio do Vasco da Gama, São Januário, e um clube de golfe (Itanhangá ou Gávea). Portanto, o projeto do Governo Federal, que já prevê mais de R$ 25 bilhões em gastos para o evento terá de incluir mais dois pontos.

Por ser torcedor do Vasco no Rio (meu pai era fanático vascaíno), conheço bem o estádio de São Januário. Não tem estacionamento, muito menos metrô, tem acesso por ônibus. As ruas dos arredores ficam completamente engarrafadas em dias de grandes clássicos e a área é extremamente perigosa.

Ficamos pensando sobre a segurança nos arredores do Maracanã, depois desses incidentes na Vila Isabel, mas São Januario é uma área que está fora da prioridade dos planos de segurança mostrados até agora pelo Governo Federal e do Estado.

Sou plenamente a favor do investimento no estádio do Vasco. Acho que é uma obra que vai beneficiar uma população enorme de torcedores, quando as Olimpíadas acabarem. Fora os moradores dos arredores, que se orgulham do estádio do Vasco. Em 2008, São Januario ganhou o prêmio de 'Maravilha da Zona Norte', ficando em primeiro lugar numa votação para escolher as sete maravilhas da Zona Norte do Rio de Janeiro. O estádio, para quem não sabe, é dos mais antigos do Brasil, tem sua fachada tombada pelo patrimônio histórico e realmente precisa de amplas reformas. Foi inaugurado em 1927!



O rúgbi é um esporte muito popular em diversos países, mas acredito que não seria prejudicial se o projeto passar por uma redução do número de lugares, com implantação de cadeiras em toda a sua capacidade. Também será necessário estudar o acesso (o da geral é caótico, lembra o dos Aflitos), além de áreas para estacionamento e alternativas de transporte coletivo eficiente para a área (corredor exclusivo de ônibus?!).

Espero que o golfe demande menos investimento, pois o Rugbi vai ser um investimento altíssimo. Minha sugestão é que, a partir de agora, já começamos a sugerir que algum outro investimento seja cortado para cobrir o que será necessário fazer para investir nessa nova demanda.

Não podemos começar a aumentar a conta por uma inclusão feita posteriormente ao projeto entregue pelo Brasil.

23.10.09

Olimpíadas no Rio de Janeiro


Faz tempo que queria escrever sobre as Olimpíadas no Rio. Fui mais um dos brasileiros que acordou naquele dia e chorou ao ver o vídeo de propaganda.

http://www.youtube.com/watch?v=9Wrm0KI3XlY

É evidente que tem vários motivos que me fazem saber que o tema me emociona. Sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, tenho adoração pelo esporte de alto rendimento e sempre sonhei com o ambiente de pluralidade que se repete em grandes eventos esportivos e tem o ápice há cada quatro anos.

No dia da vitória, fiquei pensando que queria transformar esse blog em um espaço somente de discussão da organização da Copa do Mundo e principalmente das Olimpíadas de 2016. É o trabalho que me imagino fazer com mais prazer. E espero me organizar para fazer isso com bastante profissionalismo no futuro.

Acabou que demorou para eu entrar no tema. Mas li algo no blog de Bernardo e decidi retomar agora.


Evidente que fico preocupado por todos os desvios de recursos que ficaram evidentes após a realização do Pan no Rio. Só que vejo mais pelos pontos positivos. Não o estádio que ficou, a rua pavimentada ou o cachorro quente vendido aos turistas.

Para mim, existem associações que virão futuramente, que estão implícitas no vídeo de Fernando Meirelles. O próprio fato do Rio agora vir a ser cidade olímpica é fruto direto do Pan ter mostrado que a violência urbana é séria, mas que não é insuportável.

Isso é um primeiro passo. O outro é Hommer Simpson comprar fruta na feira das Laranjeiras, ouvir samba na Vila Isabel, ver na TV incessantemente a beleza da Baia de Botafogo, se hospedar na Gloria porque os hoteis de Copacabana vão estar lotados e contar vantagem quando voltar para Wisconsyn.

Tudo bem. Ele pode até dizer que as cariocas são fáceis!? Mentir é parte do acordo. Mas vai também levar uma lembrança de um momento mágico em sua vida, que por gerações novos e novos Bart e Liza vão imaginar poder repetir.


E a dialética é verdadeira. O aprendizado passa também pelos vendedores de fruta se forçarem a vender o produto para os estrangeiros. Pelos jornalistas cariocas aprenderem a vender suas fotos para a imprensa européia. E por criar um hábito de defender nossa cultura fortemente, execrando as simplificações que são comuns em todo o mundo.

Afinal, mulher brasileira tem peitão. O Brasil é o País do voleibol. Música típica quem faz é a gauchada. A melhor comida brasileira é feita pelos italianos em São Paulo. Baiano é um povo sofrido e trabalhador. E o melhor carnaval do mundo é em Olinda. E quando isso tudo virar lugar comum vamos criar novas verdades.

A primeira tarefa com certeza é essa de agora. Cada um em seu papel de eleitor, jornalista, político ou engenheiro exigir que a construção do projeto Rio 2016 seja feito diante de novos padrões de transparência, que não nos envergonhe diante do mundo e não roube as verbas do nossos caóticos sistemas de Saúde e Educação.