24.5.10

Marina me emocionou na entrevista de hoje da CBN


A visão dela do momento histórico que vivemos é uma aula de Política. FHC foi vítima do PFL. Lula é refém de Sarney e do pior PMDB. Ela é a única que tem capacidade para governar com o que de melhor a política brasileira pode oferecer.

Serra já disse que vai convidar o PT para a sua gestão, mas eu não acredito que teria sucesso facilmente. O PSDB e pessoas ligadas ao Governo Lula serão incorporados naturalmente na composição de Marina.

“Fiz questão de pedir a Lula para ter autonomia na composição do Ministério do Meio Ambiente”, exemplificou. Para mostrar que aproveitou gestores do Governo do PSDB, gente da academia e alguns técnicos ligados ao movimento ambientalista, além do grupo de petistas que lhe acompanham durante toda a sua vida.

Quebrar essa dicotomia ridícula entre dois dos melhores partidos do Brasil é um passo de uma Década no processo histórico. Pena que o P-Sol ainda não se incorporou a esse projeto, como a candidata tanto defendeu. Mas me parece movimento que, mesmo em caso de derrota de Marina, passará a fazer parte da agenda do futuro presidente da República.

Meu amigo João Lima chegou super feliz do Maranhão, ontem. Tirar Sarney da presidência do Senado é um presente para a vida cultural de São Luís, para a pesca artesanal, para o povo do Amapá que tem direito a eleger seus próprios representantes, para quem acredita na Democratização da Comunicação e para o PMDB autêntico. Imaginem Pedro Simon naquela poderosa cadeira azul!

A culpa da nossa representação parlamentar ultrajante é, também, dos sucessivos governos que se rendem ao clientelismo (não vou chamar isso de política), trocando votos por cargos e liberação de emendas. Romper com essa Ditadura da politicagem pode não ser fácil, mas é um sonho a ser perseguido e discutido e maturado.

Isso é só um tema, mas a presença de Marina na campanha traz muitas outras discussões. Fico feliz dela estar cumprindo o papel para o qual foi incumbida com uma competência tão grande quanto ela demonstrou hoje na CBN.


Como repórter, achei que faltou explorar mais o radicalismo ambiental dela. Qual a postura que ela vai adotar em relação à questão energética no Brasil. Vai apoiar a expansão da energia atômica? Acredita que as fontes alternativas, como a eólica, são suficientes para absorver o aumento da demanda? Vai continuar apoiando a expansão das lavouras de cana-de-açúcar e do setor sucro-alcooleiro brasileiro?

Sou mais desenvolvimentista que ambientalista e essa pergunta é o que falta para decidir o meu voto para presidente da República. Fora que tenho impressão que ela não vai levar a crença religiosa dela interferir no debate político sobre as questões do aborto e da pesquisa com células tronco. A única forma de preconceito que admito ter é justamente religiosa, e com os crentes, por isso só tenho de desejar: boa sorte Marina! E viva a diferença.

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