9.10.06

Problema de visão

É muito interessante ler por outro ângulo. Pena que quase ninguém faça isso. Hoje, saiu uma matéria de uma página no Diario de Pernambuco.

Bolsa Família - O risco da dependência.
Programa absorve mão-de-obra da cana.
Patrões apontam dificuldade de recrutar trabalhadores qualificados em plena safra.

Numa das fotos que ilustra a reportagem fica claro o trabalho leve de que se está falando. O trabalhador corta cana com todo o apetrecho que eu nunca vi em Pernambuco: óculos de proteção, chapéu, máscara, mangas compridas, luvas, caneleira...

Fiz a minha consultoria aqui a João Mathias, que já trabalhou em usinas e é natural do Município de Quipapá. Diz ele que existe alguma usina que oferece esses apetrechos. Só que ninguém aguenta trabalhar com tanto calor. Ainda mais, o principal problema do corte de cana, que são as amputações e ferimentos por conta de corte com o facão, não tem como se evitar.

Fui procurar na reportagem quanto as usinas estão pagando pelo trabalho. Infelizmente não tem. Tem toda a análise dos gastos com o bolsa-família, R$ 95 por beneficiado, mas ficou faltando a análise da questão trabalhista.

Tenho certeza que se pagassem alguma coisa que dignamente recompensasse não haveria falta de trabalhadores (na verdade, acho que se existe mesmo esse problema é localizado). Escravidão já passou.

Na Muribeca mesmo pode haver problema de falta de trabalhador porque catar lixo dá mais dinheiro do que cortar cana-de-açúcar, para a Usina Bulhões, que grila terras há alguns séculos por ali. O problema é o Lixão. Vamos deixar de jogar coisas fora.

Eu preciso de óculos, minha realidade está toda distorcida.

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