Lembro um dia. Sentado no banco da Pracinha do CPOR. Não sabia bem se era criança ainda. Devia estar na minha pré-adolescência. Com um pouco de medo. Será que isso aqui tudo está acontecendo só para testarem minhas reações.
Isso aqui, eu pensava o mundo. A China vencer o Brasil no vôlei feminino. Tudo mesmo!
Chegava a imaginar até que os jogos de futebol eram todos armados. Não era nem pelo jeito simples, de simplesmente se criar um placar, eram todos atores que tinham o script inteiro da partida marcado. Imagine como devia dar trabalho quando eu ia assistir uma partida no estádio? Tinha que combinar com a torcida toda também.
Deve ter um nome isso. Sei que durou muito na minha cabeça. Isso de me achar no centro do mundo. Até hoje tenho dificuldade de me lembrar quando levei um fora de uma menina? Mas também de quantas eu corri atrás. O pior é que isso tem explicação. Como é que alguém que se acha o centro do mundo vai poder encarar a derrota.
Não no jogo de botão. Ou mesmo na partida de seu time. A mulher amada não lhe querer. Pode se tornar mais importante nunca saber o resultado. Ainda bem que tiveram algumas meninas que souberam me tirar do isolamento.
Para mim, mais que isso, me considerar adulto foi mais conseguir o entendimento de que eu também faço o mal. Perceber que meu discurso de querer o bem pode ser muito bonito. Mas que de vez em quando ao me virar já feri alguém de tirar sangue.
Demorou viu.
E honestamente quando veio chegou a dar uma sensação de alívio. Muito difícil tentar deslocar o mundo inteiro para que sua posição não fira ninguém. Talvez seja mais fácil simplesmente tentar não ferir aqueles a quem amo e devo respeito. Ou apenas notar que passei por cima de alguma coisa e continuar meu caminho.
É minha constatação de quem está chegando aos 29, pensando já nos 30, porque sempre haverá outro 31.
Não quero que meu filho se machuque pelas minhas escolhas. E dai, ele continua sofrendo na carne os efeitos. Não basta dizer que foi sem querer.
É bom ser adulto. Finalmente.
Soltei a âncora mais uma vez. Vim passar um ano morando em Nova Orleans e quero contar para os amigos algumas histórias sobre minhas pedaladas aqui na América do Norte. Sou geminiano, então pode esperar tudo menos uniformidade!
21.5.07
18.5.07
14.5.07
Alexander - 702 Norte
Estava na casa de Bernardo. Mas César tinha acabado de sair quando passei lá.
Fui andando para o território santista de Brasília. Sem camisa do Sport. Estava fazendo o reconhecimento. Vi o jogo do Palmeiras quase todo. Tinha gente torcendo para tudo quanto é time, resolvi ficar na TV pequena. Ali tinha de tudo, palmeirenses, flamenguistas, botafoguenses e até gente que estava só tomando uma no domingo de tarde.
Quase na hora do jogo, chegou o pessoal que eu tinha marcado. Resolveram ir para a área dos santistas, porque o pai de Maria (são paulina) é um deles. Ficamos eu e Caetano meio acuados ali. “Trouxe um casaco do Sport”, ele me disse. Mas ficou aguentando o frio. Não tinha clima para isso.
Dois minutos de jogo. 1X0 para o Santos. Comecei a falar da vida. Seu Melo também acabou de chegar em BSB. Também é assessor de imprensa de petista, Marta Suplicy. Também já foi de redação. Se sente um pouco mais petista que jornalista (essa não teve também). E, ao contrário de mim, estava torcendo pelo Peixe e feliz.
Quase não vi quando Weldon empatou o jogo. Mas quando Fumagalli ajeitou a bola para bater eu já estava ligado de novo.
- Ele nunca fez gol dai na vida. (ouvi alguém dizer na mesa da frente)
- Isso pelo Santos. No Sport ele faz toda semana. (menti, eu admito!)
Combinei com Caetano. Se for gol a gente comemora. Tá lá! Muito bem batida a falta. Se Pedrinho fez o primeiro à Juninho Pernambucano. Fumagalli respondeu no melhor estilo Zico.
- Que é isso ai.
- Aqui é lugar para homem.
- A gente que comprou essa TV.
- Gente. Estamos acompanhando dois santistas aqui…
Seu Melo ainda fez o H para não ter problema mesmo.
- Como é que faço para entrar na cota também.
E Caetano tentou contemporizar minha incitação.
- Quarta-feira a gente vem aqui torcer pelo Santos.
Depois Durval fez mais um gol de cabeça. E Washington perdeu duas vezes e na terceira finalmente marcou. Bom para pelo menos Weldon saber que precisa fazer gol para se firmar como titular no Brasileiro.
Pontos fracos do time: o lateral-esquerdo Bruno, o goleiro Magrão e os dois centroavantes (esses dois eu espero que me mostrem o contrário).
Pontos altos: Fumagalli (é o único que pode liderar o time para uma grande campanha), a zaga e os meia-ofensivos Vitor Júnior e Luciano Henrique.
Vão ter que mostrar o talento ainda: os tricolores Carlinhos Bala, Rosembrik e Osmar. E os volantes, que não tiveram trabalho contra o time reserva do Santos.
Agora só falta achar um bar para ser território pernambucano em Brasília. Torcer à Fred Amorim hoje em dia é perigoso demais. Mas digamos que foi prazeroso me lembrar de quando meu pai me levava para o Arruda e a gente ficava no meio da torcida do santinha.
Me fez lembrar do grito do meu pai no meio da torcida do Flamento em pleno Maracanã:
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasccccooooo!
Domingo tem mais. E eu admito, vou torcer pela vitória do Sport e pelo gol mil de Romário. Pelo Sport (quase) Tudo!
Fui andando para o território santista de Brasília. Sem camisa do Sport. Estava fazendo o reconhecimento. Vi o jogo do Palmeiras quase todo. Tinha gente torcendo para tudo quanto é time, resolvi ficar na TV pequena. Ali tinha de tudo, palmeirenses, flamenguistas, botafoguenses e até gente que estava só tomando uma no domingo de tarde.
Quase na hora do jogo, chegou o pessoal que eu tinha marcado. Resolveram ir para a área dos santistas, porque o pai de Maria (são paulina) é um deles. Ficamos eu e Caetano meio acuados ali. “Trouxe um casaco do Sport”, ele me disse. Mas ficou aguentando o frio. Não tinha clima para isso.
Dois minutos de jogo. 1X0 para o Santos. Comecei a falar da vida. Seu Melo também acabou de chegar em BSB. Também é assessor de imprensa de petista, Marta Suplicy. Também já foi de redação. Se sente um pouco mais petista que jornalista (essa não teve também). E, ao contrário de mim, estava torcendo pelo Peixe e feliz.
Quase não vi quando Weldon empatou o jogo. Mas quando Fumagalli ajeitou a bola para bater eu já estava ligado de novo.
- Ele nunca fez gol dai na vida. (ouvi alguém dizer na mesa da frente)
- Isso pelo Santos. No Sport ele faz toda semana. (menti, eu admito!)
Combinei com Caetano. Se for gol a gente comemora. Tá lá! Muito bem batida a falta. Se Pedrinho fez o primeiro à Juninho Pernambucano. Fumagalli respondeu no melhor estilo Zico.
- Que é isso ai.
- Aqui é lugar para homem.
- A gente que comprou essa TV.
- Gente. Estamos acompanhando dois santistas aqui…
Seu Melo ainda fez o H para não ter problema mesmo.
- Como é que faço para entrar na cota também.
E Caetano tentou contemporizar minha incitação.
- Quarta-feira a gente vem aqui torcer pelo Santos.
Depois Durval fez mais um gol de cabeça. E Washington perdeu duas vezes e na terceira finalmente marcou. Bom para pelo menos Weldon saber que precisa fazer gol para se firmar como titular no Brasileiro.
Pontos fracos do time: o lateral-esquerdo Bruno, o goleiro Magrão e os dois centroavantes (esses dois eu espero que me mostrem o contrário).
Pontos altos: Fumagalli (é o único que pode liderar o time para uma grande campanha), a zaga e os meia-ofensivos Vitor Júnior e Luciano Henrique.
Vão ter que mostrar o talento ainda: os tricolores Carlinhos Bala, Rosembrik e Osmar. E os volantes, que não tiveram trabalho contra o time reserva do Santos.
Agora só falta achar um bar para ser território pernambucano em Brasília. Torcer à Fred Amorim hoje em dia é perigoso demais. Mas digamos que foi prazeroso me lembrar de quando meu pai me levava para o Arruda e a gente ficava no meio da torcida do santinha.
Me fez lembrar do grito do meu pai no meio da torcida do Flamento em pleno Maracanã:
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasccccooooo!
Domingo tem mais. E eu admito, vou torcer pela vitória do Sport e pelo gol mil de Romário. Pelo Sport (quase) Tudo!
11.5.07
Futebol à distância
Em Recife, sou o rubro-negro mais fuleiro. Aqui em Brasília o sentimento da distância torna o vermelho e preto mais importante. Assisti até a jogo do Nautico da Copa do Brasil empolgado, torcendo pelo timinho dos Aflitos.
Ontem, encontrei um colega de Tuti que está morando aqui em BSB: Caetano. Parecia que tinha me transformado no maior fanático. Contei toda a história da tradição de parceria das torcidas do Vasco e do Sport (Salve Ademir e Juninho Pernambucano!).
Bem, toda essa história é só para dizer da vontade que estava de ir para Recife esse fim de semana. Despedida de Bruna. Saudade do filho. Vontade de ser mais um na Ilha lotada. Tenho pelo menos mais 48 horas de esperança no Sport.
Vou assistir em um bar lotado de santistas.
Ontem, encontrei um colega de Tuti que está morando aqui em BSB: Caetano. Parecia que tinha me transformado no maior fanático. Contei toda a história da tradição de parceria das torcidas do Vasco e do Sport (Salve Ademir e Juninho Pernambucano!).
Bem, toda essa história é só para dizer da vontade que estava de ir para Recife esse fim de semana. Despedida de Bruna. Saudade do filho. Vontade de ser mais um na Ilha lotada. Tenho pelo menos mais 48 horas de esperança no Sport.
Vou assistir em um bar lotado de santistas.
Pensar um jornal

Bruna é irada porque eu gosto de comprar o Diario de Pernambuco. Mas tem algumas coisas além do melhor caderno de Classificados que me fazem escolher esse jornal. Parece ser o único que realmente tem na direção gente que quer fazer um jornalismo diferente.
Essa semana tive um bom exemplo. Todo mundo sabia que a Câmara ia aproveitar a vinda do papa para aprovar o aumento do salário dos deputados, para que o caso fosse abafado. Os jornais do Brasil inteiro caíram no conto. JC e Folha incluídos, mas Estadão e Correio também (para falar só os que leio diariamente). O DP não. Botou na capa uma manchete em seis colunas e duas linhas com letra em caixa alta: LULA E DEPUTADOS TÊM AUMENTO DE 28,5%. E uma foto grande do papa e Lula embaixo.
Não foi uma solução bem melhor do que os outros fizeram? Manchetes:
Estadão - Bento XVI condena o aborto e faz defesa da família tradicional (novidade zero!)
Correio Brasiliense - A benção e o castigo de Bento XVI (tradução: ele não disse nada inesperado).
JC - A CHEGADA, PAPA CONDENA ABORTO
FOLHA - O PAPA CONDENA. ABORTO. EUTANASIA
Por acaso ele não sempre condenou essas coisas?
A outra coisa que gosto do DP são os suplementos, especialmente o Diarinho dia de sábado, mas acho que são feitos meio nas cochas. A idéia é excelente, mas poderiam ser melhores.
Essa semana tive um bom exemplo. Todo mundo sabia que a Câmara ia aproveitar a vinda do papa para aprovar o aumento do salário dos deputados, para que o caso fosse abafado. Os jornais do Brasil inteiro caíram no conto. JC e Folha incluídos, mas Estadão e Correio também (para falar só os que leio diariamente). O DP não. Botou na capa uma manchete em seis colunas e duas linhas com letra em caixa alta: LULA E DEPUTADOS TÊM AUMENTO DE 28,5%. E uma foto grande do papa e Lula embaixo.
Não foi uma solução bem melhor do que os outros fizeram? Manchetes:
Estadão - Bento XVI condena o aborto e faz defesa da família tradicional (novidade zero!)
Correio Brasiliense - A benção e o castigo de Bento XVI (tradução: ele não disse nada inesperado).
JC - A CHEGADA, PAPA CONDENA ABORTO
FOLHA - O PAPA CONDENA. ABORTO. EUTANASIA
Por acaso ele não sempre condenou essas coisas?
A outra coisa que gosto do DP são os suplementos, especialmente o Diarinho dia de sábado, mas acho que são feitos meio nas cochas. A idéia é excelente, mas poderiam ser melhores.
9.5.07
Salário da coerência
Tive um momento bonito do meu trabalho agora. Paulo Rubem ligou na hora da votação do aumento do salário dos deputados. Estava tudo certo para ele votar a favor.
"Não posso votar pela minha necessidade, sou interessado".
"Faz sentido Paulo. Se você tivesse em uma situação de menos aperto financeiro talvez tivesse chegado a essa conclusão antes. E digo mais, as vezes acho errada a tua posição em defesa de aumento de salários para categorias como a dos delegados da Polícia Federal".
Tínhamos vindo de uma discussão com os técnicos das universidades federais. Eles têm o menor salário base do serviço público federal e estão preocupados com o PLP 01, que limita os gastos com pessoal nos próximos dez anos.
Como está crescendo o número de universidades, e profissionais, vai se criar uma situação insustentável. Eles não vão ter aumento e mesmo assim o gasto cresce porque o número de profissionais aumenta por conta de uma política do Governo Lula (a criação de cursos superiores em cidades de médio porte).
Urgência tem o projeto do Piso Salarial Nacional dos Professores. É isso.
"Não posso votar pela minha necessidade, sou interessado".
"Faz sentido Paulo. Se você tivesse em uma situação de menos aperto financeiro talvez tivesse chegado a essa conclusão antes. E digo mais, as vezes acho errada a tua posição em defesa de aumento de salários para categorias como a dos delegados da Polícia Federal".
Tínhamos vindo de uma discussão com os técnicos das universidades federais. Eles têm o menor salário base do serviço público federal e estão preocupados com o PLP 01, que limita os gastos com pessoal nos próximos dez anos.
Como está crescendo o número de universidades, e profissionais, vai se criar uma situação insustentável. Eles não vão ter aumento e mesmo assim o gasto cresce porque o número de profissionais aumenta por conta de uma política do Governo Lula (a criação de cursos superiores em cidades de médio porte).
Urgência tem o projeto do Piso Salarial Nacional dos Professores. É isso.
4.5.07
Detalhes
O livro Estorvo ia se chamar Olho Mágico. Chico depois explicou que mudou o nome porque o objeto era um detalhe que lhe chamava a atenção no livro, queria dar aos leitores a escolha do que tomaria a imaginação de cada um.
Não sei se foi bem isso. Li esse livro na Sexta Série, mas marcou um pouco porque depois de corrigir o meu trabalho a professora disse que tinha alunos na sala que precisavam ler coisas mais apropriadas para a idade deles. Para satisfazer Débora Suassuna logo depois eu li O Perfume. Não foi uma boa escolha.
Fico com vergonha pelo cara quando vejo um jornalista defender o argumento das empresas de que, pela liberdade de imprensa, não pode se criar limites para a exibição de nada. O debate está rolando na Justiça. E, por isso, a TV Globo tem feito uma campanha pesada para dizer que imprensa tem que ter liberdade.
Para eles, os pais é que precisam impor limites. Vocês já viram a propaganda em que uma criança tem os olhos vendados? Eu fico querendo saber se os jornalistas da Globo têm carga horária de seis horas, sem possibilidade de hora-extra, para que eles possam estar em casa fazendo tarefa e criando brincadeiras com seus filhos?
Quando for assim eu começo a discutir esse assunto. Mas vou continuar sendo a favor do controle. Tem que ter horário para exibição dos programas, tem que ter aviso para dizer a idade apropriada de cada programa e tem que se respeitar o horário de todos os estados do Brasil (eles atualmente "respeitam" somente o horário de Brasília, quem está em outro fuso recebe os programas antes).
Acho até graça quando meu filho olha todo interessado para uma Playboy na banca. Mas acho bem pior algumas coisas que ele vê na TV. A curiosidade do corpo é tão normal. Mas tem umas idéias que as crianças convivem, por exemplo, nas novelas que misturam a cabeça delas mesmo.
Pena que o lobby das emissoras está ganhando o debate até agora.
Não sei se foi bem isso. Li esse livro na Sexta Série, mas marcou um pouco porque depois de corrigir o meu trabalho a professora disse que tinha alunos na sala que precisavam ler coisas mais apropriadas para a idade deles. Para satisfazer Débora Suassuna logo depois eu li O Perfume. Não foi uma boa escolha.
Fico com vergonha pelo cara quando vejo um jornalista defender o argumento das empresas de que, pela liberdade de imprensa, não pode se criar limites para a exibição de nada. O debate está rolando na Justiça. E, por isso, a TV Globo tem feito uma campanha pesada para dizer que imprensa tem que ter liberdade.
Para eles, os pais é que precisam impor limites. Vocês já viram a propaganda em que uma criança tem os olhos vendados? Eu fico querendo saber se os jornalistas da Globo têm carga horária de seis horas, sem possibilidade de hora-extra, para que eles possam estar em casa fazendo tarefa e criando brincadeiras com seus filhos?
Quando for assim eu começo a discutir esse assunto. Mas vou continuar sendo a favor do controle. Tem que ter horário para exibição dos programas, tem que ter aviso para dizer a idade apropriada de cada programa e tem que se respeitar o horário de todos os estados do Brasil (eles atualmente "respeitam" somente o horário de Brasília, quem está em outro fuso recebe os programas antes).
Acho até graça quando meu filho olha todo interessado para uma Playboy na banca. Mas acho bem pior algumas coisas que ele vê na TV. A curiosidade do corpo é tão normal. Mas tem umas idéias que as crianças convivem, por exemplo, nas novelas que misturam a cabeça delas mesmo.
Pena que o lobby das emissoras está ganhando o debate até agora.
2.5.07
Como transformar o plenário da Câmara dos Deputados em local de troca de conhecimentos?
É raro, mas as vezes acontece. Achei muito bonito o discurso da viúva de Paulo Freire hoje.
"Quando a Livraria Imperatriz, localizada na Rua da Imperatriz, citada aqui anteriormente por Paulo Rubem, depois da Segunda Guerra Mundial, recebia aquelas caixas de livros dos pensadores do mundo, havia um ritual. Os intelectuais da cidade eram convidados, tirava-se aquele lacre de fita de aço, abriam-se os caixotes, e cada um pegava um livro.
Posso imaginar Paulo segurando o livro, alisando-o atentamente, olhando o índice e alguma referência à primeira obra. Paulo aprendeu a partir de livros, sim, mas sobretudo de sua experiência, rica em compaixão com os explorados e oprimidos.
Em meu discurso, digo que Paulo aprendeu com intelectuais, muitas vezes negando-os, já que tinha outra compreensão. Afinal, para a academia, o único saber era o saber científico e filosófico. No entanto, Paulo dizia: Não, o saber é o saber do senso comum. É dele que a história da humanidade partiu e de onde devemos partir.
Quem ensinou o senso comum a Paulo foi a sua experiência de vida, o seu sofrimento, as suas incursões aos quintais alheios, mas principalmente o povo pernambucano, o povo dos alagados, de Brasília Teimosa. Paulo dizia: Que coisa deliciosa, como o povo sabe nomear as coisas. Brasília Teimosa se fazia, a Polícia vinha e a derrubava, mas ela ia se reconstruindo. Foi um espaço de teimosia, de rebeldia da população de Recife. Foi por causa dessa gente, chamada assim para menosprezá-la, que Paulo construiu o termo gentidade. A partir disso, da experiência que teve com a gente dos alagados, de Brasília Teimosa, de Afogados, dos pescadores de Ponta de Pedras e sobretudo dos camponeses da agroindústria açucareira,que Paulo aprendeu a ler o mundo.Foi por causa deles, que perguntavam e não queriam prestar atenção às respostas prontas que ele levava, que Paulo dizia: A pedagogia não pode ser a pedagogia das respostas, dos conteúdos prontos; a pedagogia tem que partir daquele que não sabe para aquele que sabe um pouco mais".
"Quando a Livraria Imperatriz, localizada na Rua da Imperatriz, citada aqui anteriormente por Paulo Rubem, depois da Segunda Guerra Mundial, recebia aquelas caixas de livros dos pensadores do mundo, havia um ritual. Os intelectuais da cidade eram convidados, tirava-se aquele lacre de fita de aço, abriam-se os caixotes, e cada um pegava um livro.
Posso imaginar Paulo segurando o livro, alisando-o atentamente, olhando o índice e alguma referência à primeira obra. Paulo aprendeu a partir de livros, sim, mas sobretudo de sua experiência, rica em compaixão com os explorados e oprimidos.
Em meu discurso, digo que Paulo aprendeu com intelectuais, muitas vezes negando-os, já que tinha outra compreensão. Afinal, para a academia, o único saber era o saber científico e filosófico. No entanto, Paulo dizia: Não, o saber é o saber do senso comum. É dele que a história da humanidade partiu e de onde devemos partir.
Quem ensinou o senso comum a Paulo foi a sua experiência de vida, o seu sofrimento, as suas incursões aos quintais alheios, mas principalmente o povo pernambucano, o povo dos alagados, de Brasília Teimosa. Paulo dizia: Que coisa deliciosa, como o povo sabe nomear as coisas. Brasília Teimosa se fazia, a Polícia vinha e a derrubava, mas ela ia se reconstruindo. Foi um espaço de teimosia, de rebeldia da população de Recife. Foi por causa dessa gente, chamada assim para menosprezá-la, que Paulo construiu o termo gentidade. A partir disso, da experiência que teve com a gente dos alagados, de Brasília Teimosa, de Afogados, dos pescadores de Ponta de Pedras e sobretudo dos camponeses da agroindústria açucareira,que Paulo aprendeu a ler o mundo.Foi por causa deles, que perguntavam e não queriam prestar atenção às respostas prontas que ele levava, que Paulo dizia: A pedagogia não pode ser a pedagogia das respostas, dos conteúdos prontos; a pedagogia tem que partir daquele que não sabe para aquele que sabe um pouco mais".
É proibido proibir


Um filme que me surpreendeu. Começa lhe trazendo um tipo de sensação e acaba num ambiente emocional completamente diferente. Podem acusar o roteirista de ter copiado o enredo de Cidade de Deus, realmente há algumas coincidências. Mas isso é o de menos quando temos um filme que ultrapassa a média.
Os três atores principais são bons. O roteiro também. Proibido Proibir ainda mostra um cenário carioca menos batido. Uma crítica resume assim: "o jogo que se forma na mente de um jovem adulto em meio à dura realidade brasileira é apresentada com clareza na tela na vontade de mudar o mundo versus o conforto do comodismo".
Gostei da solução para o problema amoroso do filme, mas ai alguém já pode me acusar de gostar de melodrama.
30.4.07
Meu ponto de vista, em resposta a João
Vou tentar responder a algumas angústias de João. Lógico que ninguém vai conseguir resolvê-las, mas talvez faça algum sentido a visão de um cara que não tem medo de ser antiquado e que ama essa cidade ao ponto de sair dela e continuar trabalhando com algumas das maiores mazelas que tem por lá.
O silêncio da nossa geração? Não é um sentimento pernambucano. O engajamento é uma coisa muito demodê. Para vestir uma camisa eu ganho salário. Não posso falar dos que esquecem de vestir as suas, só que acredito plenamente na minha trajetória.
Talvez aqui no Brasil seja um pouco mais difícil assumir os posicionamentos. Realmente, são poucas as oportunidades e são favorecidos os que baixam a cabeça para os grupos políticos ou econômicos: O jornalista que trabalha para vender o peixe de João Carlos Paes Mendonça ou de Eduardo Monteiro e que, quando muda o governador, muda também de opinião para agradar os novos maiores anunciantes. A arquiteta que se cala ao ver a corrupção e muitas vezes até deixa seu carguinho comissionado, mas não vê forças para enfrentar toda a máquina da estrutura Políticos Corruptos/Empreiteiras. Na arte existe a mesma divisão: os que se calam, os que são excluídos e os que entram no esquema de cabeça.
Aqui no meu trabalho temos feito aquela pergunta direto. Como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? Como apresentar outras alternativas de vida? Como fazer tudo por um pouco mais de ternura?
Cada um escolhe o seu caminho né João. Acho muito importante a gente saber que a mãe que cria seu filho abrindo o olho dele para não pisar no pé dos outros está fazendo a parte dela. E não acho que seja parcialmente não, porque cada um tem a sua escolha mesmo.
Paulo Rubem, por exemplo, decidiu voltar às bases, sem acreditar na política atual. A idéia dele é aquela da TV Viva no fim dos anos 80. Está com uma equipe de comunicação, equipamentos de gravação e exibição e tenta fazer os vídeos e exibir nas comunidades para causar o debate. Semana passada foi lançado um vídeo no Preto Velho. Mas é uma coisa muito inicial. Na qual estou tentando me integrar, apesar de estar mais aqui em Brasília.
Isso aqui é a idéia de quem faz Política. E acredita nisso. E acha até que para fazer o que acredita pode viver com menos do que o mercado lhe pagaria. Em Recife, ganharia mais do que aqui, para trabalhar para gente em quem não acredito (era a alternativa que eu tinha).
Mais um pouco aqui de Brasília. Estou em Assembléia aberta para discutir o Recife. Quando não tenho de acalmar Paulo Rubem, me sinto na obrigação de abrir a cabeça de Bernardo e ele tenta me mostrar algumas coisas boas que têm sido feitas por lá. Fico no meio da gangorra.
Semana passada fiquei puto com um texto que saiu no JC defendendo o Parque de Boa Viagem, Paulo me estigaria a responder, mas Bernardo acabou me convencendo de que estaria tirando o foco do debate principal. Resultado: botei uma enquetizinha no site de Paulo e acabei sem mandar a resposta para o JC.
João. Tenho certeza que você não precisa de dica minha, mas se está querendo mostrar as suas inquietações no Recife só precisa começar a suar para isso. A arte ainda tem alternativas bastante honestas de aprovação de projetos, que poderiam além de lhe dar o direito de discutir com o público e os profissionais brasileiros, pagar as passagens para você vir visitar sua família e amigos. Senta a bunda e escreve os projetos, que uma hora acaba saindo (pois qualidade você tem).
Sobre o espaço de debate, não existe lugar melhor do que a Internet, para gente tão distante.
Venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora
Normal. Mas não adianta viver esse desejo e essa saudade e querer voltar e não pensar como pode ser feito esse caminho de forma muito boa. Tem que estudar um pouco as possibilidades, escolher um caminho e suar para realizar o que você imaginar. Ou então aproveitar a sua história ai.
observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável.
A cidade pode estar estática. Mas acho esse papo de crescimento da violência uma babaquice. Serve muito bem para quem quer tirar o foco do debate. A violência existe, os caras continuam assaltando o orçamento, mas o controle começa a existir. As escolas continuam uma merda, mas será que eram muito melhores há dez anos? A polícia continua a matar gente pra caralho (vocês viram É proibido proibir? Filme do caralho!), mas o Ministério Público e a Polícia Federal investigam e prendem gente importante como nunca. Os usineiros continuam fazendo grilagem bem pertinho do Recife, antes de Porto de Galinhas, como sempre... Só não dá para achar que o grande problema do nosso Estado é a violência chegando perto da classe média. Isso é burrice ou sacanagem?!
Assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento).
Arrume dinheiro para voltar no Carnaval. E gaste sem pena no Recife, pois as coisas são baratas lá para quem ganha em euro. Culpa? Menos...
O silêncio da nossa geração? Não é um sentimento pernambucano. O engajamento é uma coisa muito demodê. Para vestir uma camisa eu ganho salário. Não posso falar dos que esquecem de vestir as suas, só que acredito plenamente na minha trajetória.
Talvez aqui no Brasil seja um pouco mais difícil assumir os posicionamentos. Realmente, são poucas as oportunidades e são favorecidos os que baixam a cabeça para os grupos políticos ou econômicos: O jornalista que trabalha para vender o peixe de João Carlos Paes Mendonça ou de Eduardo Monteiro e que, quando muda o governador, muda também de opinião para agradar os novos maiores anunciantes. A arquiteta que se cala ao ver a corrupção e muitas vezes até deixa seu carguinho comissionado, mas não vê forças para enfrentar toda a máquina da estrutura Políticos Corruptos/Empreiteiras. Na arte existe a mesma divisão: os que se calam, os que são excluídos e os que entram no esquema de cabeça.
Aqui no meu trabalho temos feito aquela pergunta direto. Como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? Como apresentar outras alternativas de vida? Como fazer tudo por um pouco mais de ternura?
Cada um escolhe o seu caminho né João. Acho muito importante a gente saber que a mãe que cria seu filho abrindo o olho dele para não pisar no pé dos outros está fazendo a parte dela. E não acho que seja parcialmente não, porque cada um tem a sua escolha mesmo.
Paulo Rubem, por exemplo, decidiu voltar às bases, sem acreditar na política atual. A idéia dele é aquela da TV Viva no fim dos anos 80. Está com uma equipe de comunicação, equipamentos de gravação e exibição e tenta fazer os vídeos e exibir nas comunidades para causar o debate. Semana passada foi lançado um vídeo no Preto Velho. Mas é uma coisa muito inicial. Na qual estou tentando me integrar, apesar de estar mais aqui em Brasília.
Isso aqui é a idéia de quem faz Política. E acredita nisso. E acha até que para fazer o que acredita pode viver com menos do que o mercado lhe pagaria. Em Recife, ganharia mais do que aqui, para trabalhar para gente em quem não acredito (era a alternativa que eu tinha).
Mais um pouco aqui de Brasília. Estou em Assembléia aberta para discutir o Recife. Quando não tenho de acalmar Paulo Rubem, me sinto na obrigação de abrir a cabeça de Bernardo e ele tenta me mostrar algumas coisas boas que têm sido feitas por lá. Fico no meio da gangorra.
Semana passada fiquei puto com um texto que saiu no JC defendendo o Parque de Boa Viagem, Paulo me estigaria a responder, mas Bernardo acabou me convencendo de que estaria tirando o foco do debate principal. Resultado: botei uma enquetizinha no site de Paulo e acabei sem mandar a resposta para o JC.
João. Tenho certeza que você não precisa de dica minha, mas se está querendo mostrar as suas inquietações no Recife só precisa começar a suar para isso. A arte ainda tem alternativas bastante honestas de aprovação de projetos, que poderiam além de lhe dar o direito de discutir com o público e os profissionais brasileiros, pagar as passagens para você vir visitar sua família e amigos. Senta a bunda e escreve os projetos, que uma hora acaba saindo (pois qualidade você tem).
Sobre o espaço de debate, não existe lugar melhor do que a Internet, para gente tão distante.
Venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora
Normal. Mas não adianta viver esse desejo e essa saudade e querer voltar e não pensar como pode ser feito esse caminho de forma muito boa. Tem que estudar um pouco as possibilidades, escolher um caminho e suar para realizar o que você imaginar. Ou então aproveitar a sua história ai.
observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável.
A cidade pode estar estática. Mas acho esse papo de crescimento da violência uma babaquice. Serve muito bem para quem quer tirar o foco do debate. A violência existe, os caras continuam assaltando o orçamento, mas o controle começa a existir. As escolas continuam uma merda, mas será que eram muito melhores há dez anos? A polícia continua a matar gente pra caralho (vocês viram É proibido proibir? Filme do caralho!), mas o Ministério Público e a Polícia Federal investigam e prendem gente importante como nunca. Os usineiros continuam fazendo grilagem bem pertinho do Recife, antes de Porto de Galinhas, como sempre... Só não dá para achar que o grande problema do nosso Estado é a violência chegando perto da classe média. Isso é burrice ou sacanagem?!
Assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento).
Arrume dinheiro para voltar no Carnaval. E gaste sem pena no Recife, pois as coisas são baratas lá para quem ganha em euro. Culpa? Menos...
25.4.07
Um parque para o Recife
O secretário de Planejamento e Orçamento Participativo, João da Costa, em artigo publicado pelo JC, esquece de um princípio que vêm sendo defendido pelo PT desde a primeira bem sucedida gestão de Tarso Genro na Prefeitura de Porto Alegre. A participação popular nas decisões dos gestores públicos é um objetivo, um sonho, uma utopia e se não estamos na Suiça das votações pela internet temos algumas boas experiências no Brasil. A que ele capitaneia é apenas um dos exemplos a serem estudados e aprimorados.
A Prefeitura do Recife tem legalmente todo o direito de efetuar a obra que bem desejar no terreno cedido pelo Governo Federal, resta aos que participaram das mobilizações desde 2004 ou que passaram a ser apoiadores da idéia com o tempo (como o prefeito João Paulo) sugerir alterações que lhes pareçam interessantes. Os gestores do Executivo aceitam ou não as sugestões, mas se a carapuça de déspota recaiu sobre o deputado licenciado, talvez tenha sido justamente por ele ser o responsável pela pasta que deveria ouvir a população do Recife.
Tendo trabalhado na Prefeitura do Recife em projetos bem sucedidos como o da Inversão do Trânsito de Boa Viagem, posso dizer que ouvir a população é uma tarefa árdua, mas que na maioria das vezes dá certo. Lembro que na mudança do sentido das avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar um dos maiores prazeres do então presidente da CTTU, Ivan Carlos Cunha, foi tomar um café da manhã na padaria de um dos empresários que mais criticou o projeto e ouvir dele que a clientela do negócio tinha mudado, mas que o projeto tinha sido aprovado. Depois de muitas adequações, diga-se de passagem.
Há alguns anos, os skatistas recifenses aprovaram em um movimento fantástico através de milhares de votos a criação de pistas para a modalidade street no Orçamento Participativo. Uma delas inclusive já deveria ter sido construída em Brasília Teimosa. A gestão municipal vem propor a colocação de rampas no novo parque? A Avenida Boa Viagem já conta com esse tipo de equipamentos e quase sem uso, pois a maior parte dos atletas pernambucanos é praticante da modalidade que atualmente só tem uma pista com obstáculos adequados em Pernambuco – na Rua da Aurora. Que está sempre cheia de jovens moradores não só do Recife, como de toda a Região Metropolitana.
Neste ano, vim morar em Brasília. Niemeyerland como brincam alguns brasilienses. Aqui estão algumas das obras mais conhecidas desse fantástico arquiteto. Todas muito bonitas e adequadas ao clima de Brasília. Uma cidade onde me surpreendi em ver ao meio-dia a pista de cooper do Parque da Cidade lotada de gente (imaginem que é uma pista de dez quilômetros e as árvores do cerrado têm pouca folhagem). No Parque da Jaqueira, mesmo com a sombra e a brisa do Capibaribe, pouquíssimas pessoas se aventuram a correr no horário do almoço.
Não tenho o mínimo de propriedade para questionar o projeto do arquiteto Oscar Nyemeier e concordo que será uma assinatura importante para o Recife, mas porque não aproveitar a idéia e construir em um outro local, como foi sugerido pelas entidades que atuaram.
A Prefeitura do Recife tem legalmente todo o direito de efetuar a obra que bem desejar no terreno cedido pelo Governo Federal, resta aos que participaram das mobilizações desde 2004 ou que passaram a ser apoiadores da idéia com o tempo (como o prefeito João Paulo) sugerir alterações que lhes pareçam interessantes. Os gestores do Executivo aceitam ou não as sugestões, mas se a carapuça de déspota recaiu sobre o deputado licenciado, talvez tenha sido justamente por ele ser o responsável pela pasta que deveria ouvir a população do Recife.
Tendo trabalhado na Prefeitura do Recife em projetos bem sucedidos como o da Inversão do Trânsito de Boa Viagem, posso dizer que ouvir a população é uma tarefa árdua, mas que na maioria das vezes dá certo. Lembro que na mudança do sentido das avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar um dos maiores prazeres do então presidente da CTTU, Ivan Carlos Cunha, foi tomar um café da manhã na padaria de um dos empresários que mais criticou o projeto e ouvir dele que a clientela do negócio tinha mudado, mas que o projeto tinha sido aprovado. Depois de muitas adequações, diga-se de passagem.
Há alguns anos, os skatistas recifenses aprovaram em um movimento fantástico através de milhares de votos a criação de pistas para a modalidade street no Orçamento Participativo. Uma delas inclusive já deveria ter sido construída em Brasília Teimosa. A gestão municipal vem propor a colocação de rampas no novo parque? A Avenida Boa Viagem já conta com esse tipo de equipamentos e quase sem uso, pois a maior parte dos atletas pernambucanos é praticante da modalidade que atualmente só tem uma pista com obstáculos adequados em Pernambuco – na Rua da Aurora. Que está sempre cheia de jovens moradores não só do Recife, como de toda a Região Metropolitana.
Neste ano, vim morar em Brasília. Niemeyerland como brincam alguns brasilienses. Aqui estão algumas das obras mais conhecidas desse fantástico arquiteto. Todas muito bonitas e adequadas ao clima de Brasília. Uma cidade onde me surpreendi em ver ao meio-dia a pista de cooper do Parque da Cidade lotada de gente (imaginem que é uma pista de dez quilômetros e as árvores do cerrado têm pouca folhagem). No Parque da Jaqueira, mesmo com a sombra e a brisa do Capibaribe, pouquíssimas pessoas se aventuram a correr no horário do almoço.
Não tenho o mínimo de propriedade para questionar o projeto do arquiteto Oscar Nyemeier e concordo que será uma assinatura importante para o Recife, mas porque não aproveitar a idéia e construir em um outro local, como foi sugerido pelas entidades que atuaram.
13.4.07
O pior sistema de transporte público do Brasil
Começo a pensar nas coisas que Brasília tem de pior do que o Recife. O sistema de transporte é disparado o primeiro lugar na lista. Não me lembro de ter ficado em um ônibus quebrado nenhuma vez no Recife, pois aqui já passei por essa situação duas vezes.
Tudo bem, já tive a informação de que a empresa que faz a rota para o Sudoeste tem a pior frota de ônibus do Distrito Federal. Mesmo assim, não esperava ter de conviver com veículos do milênio passado, que passam quando querem e ainda quebram diariamente (segundo confissão de uma cobradora).
Vai ver é por isso que todo brasiliense me manda pegar van. Mas isso nem sempre é recomendával. Uma das vezes que estava indo para a casa de Duda resolvi ceder aos alternativos, que estão por todos os lados.
- Condução para o Sudoeste?
- Tá saindo agora?
- Agora mesmo, tá ali do outro lado.
- Beleza.
Resultado: andei mais ou menos um quilômetro, para encontrar um prêmio preto velhíssimo e entrar nele com outros quatro passageiros. Coisa surreal. Mas cheguei sem problemas. Ainda foi menos ruim do que as experiências nos ônibus.
Existem alternativas? Deveriam. Brasília me parece perfeita para o uso da bicicleta. O cara não sua e quase não existem subidas. Mas não vejo ninguém usando. De carro, Duda me emprestou esse fim de semana, estou me divertindo por aqui. Os endereços são muito loucos. Me divirto de tentar achar os lugares.
Agora, a falta de humidade é mais complicada de resolver. Duda tinha me dito que com o tempo eu ia ficar doente. O organismo ia perder a resistência que tinha quando vim do Recife. Dito e feito. Já estou tendo a dor de cabeça e o nariz entupido típicos da Capital Federal.
Para isso não tem solução, mas pelo menos melhorou quando eu fui remar com Bernardo na Lagoa Paranoá. Vou ver se fico fazendo isso, mas é meio caro. Só que vale a pena até pelo lugar: Minas Brasília Tenis Clube.
Tudo bem, já tive a informação de que a empresa que faz a rota para o Sudoeste tem a pior frota de ônibus do Distrito Federal. Mesmo assim, não esperava ter de conviver com veículos do milênio passado, que passam quando querem e ainda quebram diariamente (segundo confissão de uma cobradora).
Vai ver é por isso que todo brasiliense me manda pegar van. Mas isso nem sempre é recomendával. Uma das vezes que estava indo para a casa de Duda resolvi ceder aos alternativos, que estão por todos os lados.
- Condução para o Sudoeste?
- Tá saindo agora?
- Agora mesmo, tá ali do outro lado.
- Beleza.
Resultado: andei mais ou menos um quilômetro, para encontrar um prêmio preto velhíssimo e entrar nele com outros quatro passageiros. Coisa surreal. Mas cheguei sem problemas. Ainda foi menos ruim do que as experiências nos ônibus.
Existem alternativas? Deveriam. Brasília me parece perfeita para o uso da bicicleta. O cara não sua e quase não existem subidas. Mas não vejo ninguém usando. De carro, Duda me emprestou esse fim de semana, estou me divertindo por aqui. Os endereços são muito loucos. Me divirto de tentar achar os lugares.
Agora, a falta de humidade é mais complicada de resolver. Duda tinha me dito que com o tempo eu ia ficar doente. O organismo ia perder a resistência que tinha quando vim do Recife. Dito e feito. Já estou tendo a dor de cabeça e o nariz entupido típicos da Capital Federal.
Para isso não tem solução, mas pelo menos melhorou quando eu fui remar com Bernardo na Lagoa Paranoá. Vou ver se fico fazendo isso, mas é meio caro. Só que vale a pena até pelo lugar: Minas Brasília Tenis Clube.
2.4.07
Sábado no Parque

Estava afim de ir ver o Festival Internacional de Palhaços. Eu e Bernardo assistimos a um show de uma argentina muito boa. Ele achou ela linda. Eu achei muito engraçado o show. Inclusive, pelas piadas sexualizadas.
O Parque da Cidade é gigante. Por enquanto, dei a volta de bicicleta, mas vou me preparar para dar correndo. Essa torre ai atrás da tenda do circo é a Torre de TV, um dos pontos turísticos aqui de Brasília.
Essa história de que Brasília não tem o que fazer? Bem, até agora discordo, vamos ver com o passar do tempo. O parque é muito legal, a vida cultural é bem mais cheia de coisas que a de Recife. Restaurante bom tem, precisa ter dinheiro. Essas coisas...
28.3.07
O povo
Ontem um cara queria me convencer a tomar um copo de cerveja de R$35. Não, obrigado. Brasília tem muita gente rica.Hoje estava falando com Bernardo sobre as pessoas que a gente encontra no Congresso. Clodovil, ministros, Chico Alencar (para mim é como se ele fosse ator da Globo), jornalistas, os deputados pernambucanos que toda vez penso que me conhecem (e as vezes conhecem mesmo, fiquei conversando com Rands hoje no elevador), muitos jornalistas, muitos mesmo.
Acho interessante o sutaque genérico do povo de Brasília. Eles estão acostumados com as diferenças... A foto é de Bernardo.
Educação Infantil: entre as promessas e a prática
O ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta terça-feira (27), durante audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizada para discutir o Plano de Desenvolvimento da Educação, anunciou a criação do Proinfância. "Seguindo o exemplo do que foi implementado pelo Promed (no Ensino Médio)" o programa irá financiar a construção e reforma de creches para diminuir o deficit de vagas na Educação Infantil.
Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, o deputado federal Paulo Rubem (PT-PE) realizou levantamento para mostrar que o programa orçamentário Desenvolvimento da Educação Infantil (1065) apresentou, em 2006, execução orçamentária ínfima. Do total de R$27,9 milhões autorizados, somente R$6,6milhões foram efetivamente pagos, o que representa apenas 24%.
A ação Apoio à reestruturação da rede física pública de Educação Infantil especificamente teve aprovados mais de R$22 milhões, mas foram pagos apenas R$4.348.940, incluindo restos a pagar que tinham ficado de anos anteriores. A única das quatro ações do Programa 1065 que teve um índice de pagamento efetivo acima de 50% é relativa à aquisição de equipamento para a Rede Física de Educação Infantil.
O parlamentar petista acredita que a implantação do PDE não deve servir para que se subtraiam as metas estabelecidas para 2010 pelo Plano Nacional de Educação, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, e em seu lugar sejam criadas outras mais longas. "Precisamos ter uma avaliação para saber onde erramos, onde faltaram recursos e onde acertamos", afirma o petista
O deputado, que é professor da Universidade Federal de Pernambuco, acredita que a sociedade precisa ser mobilizada para fiscalizar a execução das verbas para Educação. Paulo Rubem acredita que, assim, o PDE não será apenas um modismo publicitário para aproveitar o momento posterior ao anúncio do PAC.
A necessidade de abrir vagas na Educação Infantil é reconhecida por todos. A necessidade de fiscalizar a execução do orçamento público também deve ser.
Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, o deputado federal Paulo Rubem (PT-PE) realizou levantamento para mostrar que o programa orçamentário Desenvolvimento da Educação Infantil (1065) apresentou, em 2006, execução orçamentária ínfima. Do total de R$27,9 milhões autorizados, somente R$6,6milhões foram efetivamente pagos, o que representa apenas 24%.
A ação Apoio à reestruturação da rede física pública de Educação Infantil especificamente teve aprovados mais de R$22 milhões, mas foram pagos apenas R$4.348.940, incluindo restos a pagar que tinham ficado de anos anteriores. A única das quatro ações do Programa 1065 que teve um índice de pagamento efetivo acima de 50% é relativa à aquisição de equipamento para a Rede Física de Educação Infantil.
O parlamentar petista acredita que a implantação do PDE não deve servir para que se subtraiam as metas estabelecidas para 2010 pelo Plano Nacional de Educação, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, e em seu lugar sejam criadas outras mais longas. "Precisamos ter uma avaliação para saber onde erramos, onde faltaram recursos e onde acertamos", afirma o petista
O deputado, que é professor da Universidade Federal de Pernambuco, acredita que a sociedade precisa ser mobilizada para fiscalizar a execução das verbas para Educação. Paulo Rubem acredita que, assim, o PDE não será apenas um modismo publicitário para aproveitar o momento posterior ao anúncio do PAC.
A necessidade de abrir vagas na Educação Infantil é reconhecida por todos. A necessidade de fiscalizar a execução do orçamento público também deve ser.
27.3.07
Primeira impressão
Logo que cheguei na França tive a mesma impressão, de que as coisas que imaginavam eram mesmo parecidas com a realidade.
Desci do Aeroporto e Duda me levou logo para a Câmara, dei uma voltinha pela Esplanada dos Ministérios e fui logo para o gabinete.
- Vou precisar desse paletó no Seminário?
- Não.
Foi verdade. Não precisava mesmo. Mas é interessante que entrei no Anexo IV sem dizer nada, mas quando fui passar para o Anexo II me pediram o crachá.
E até nesse encontro tinham vários assessores de imprensa de gravata e tudo.
Só estou achando meio diferente a proximidade entre a contravenção e o Poder. Fui pegar ônibus com Bernardo no fim do expediente de frente para o Congresso Nacional.
- Essas vans são irregulares mesmo?
- São. O transporte público aqui é uma bagunça.
Desci do Aeroporto e Duda me levou logo para a Câmara, dei uma voltinha pela Esplanada dos Ministérios e fui logo para o gabinete.
- Vou precisar desse paletó no Seminário?
- Não.
Foi verdade. Não precisava mesmo. Mas é interessante que entrei no Anexo IV sem dizer nada, mas quando fui passar para o Anexo II me pediram o crachá.
E até nesse encontro tinham vários assessores de imprensa de gravata e tudo.
Só estou achando meio diferente a proximidade entre a contravenção e o Poder. Fui pegar ônibus com Bernardo no fim do expediente de frente para o Congresso Nacional.
- Essas vans são irregulares mesmo?
- São. O transporte público aqui é uma bagunça.
19.3.07
Coração indignado
É terrível.
Mas tão terrível quanto, ou pior, é abrir o jornal e saber da filha de Newton Carneiro pronta para receber uma indenização de 900.000,00 pq machucou a mãozinha ladra num festa da Fundação Yaponatan, presidida pela sua irmãzinha solidária e atenta aos meios escusos de roubar o povo.
Para chegar neste ponto, muita gente - juízes, amigos, advogados, - sorriu maliciosamente. Aplaudiu ou se calou, desejando fazer o mesmo. Muitos conhecidos nossos, pernambucanos legitimos, nesta hora em que lhes escrevo, nos seus apartamentos de 3.000.000,00, arquitetam planos para ligar o imenso aspirador da riqueza e das esperanças e sugar toda substância que embasa um mínimo de acordo social.
A classe média omissa, alienada, não entende que para ser pobre e suportar a exclusão, os pobres têm que se entender em um contexto mínimo de acordo social, de legitimidade, de respeito a algumas regras que lhes permitam aceitar e viver com aumentos de 5 reais enquanto seus políticos acham pouco seus 46%?
O cinismo vem sendo o mote sobre o qual o Brasil dominante estabelece as nossas regras de convivência. Cinismo desmistifica e desestrutura a ordem das coisas. Com que motivos se justificam tamanhas diferenças?
O povo pobre brasileiro está exposto a 6 a 8 médias de tv diárias onde a mensagem final é compre, compre compre. Todo nosso sistema simbólico está montado no cinismo do Biguibroder, do consumismo desenfreado e na calcinha preta.
Até as igrejas, baluartes da moral, se reinventaram na teologia do bem viver e usufruir que levou o bispo da renascer para a cadeia no Estados Unidos, com todo perdão e indignaçãp das coniventes elites dominantes brasileiras loucas para carregar dolares nas cuecas.
Se a tv ensina o consumo, milhares de escolas ensinam e treinam os jovens nas práticas cotidianas da permissividade. Ninguem ensina, ninguem aprende, não existe hierarquias, respeito ao outro, manda quem pode e fala mais alto.
A violência nos prende nos muros com cercas eletrificadas ou nos emboscam nas ruas de boa viagem. Ela, é também, terrivel nos barracos, nos ônibus, nas salas de aula e nas ruas escuras dos bairros populares.
Eu só tenho perguntas, um coração indignado e uma prática cotidiana de tentar fazer alguma coisa que levante a bandeira da justiça, da solidariedade, da inclusão. Tenho também dois carros para dar ré e uma cerca elétrica no meu prédio. Mas até quando?
Inalda
Mas tão terrível quanto, ou pior, é abrir o jornal e saber da filha de Newton Carneiro pronta para receber uma indenização de 900.000,00 pq machucou a mãozinha ladra num festa da Fundação Yaponatan, presidida pela sua irmãzinha solidária e atenta aos meios escusos de roubar o povo.
Para chegar neste ponto, muita gente - juízes, amigos, advogados, - sorriu maliciosamente. Aplaudiu ou se calou, desejando fazer o mesmo. Muitos conhecidos nossos, pernambucanos legitimos, nesta hora em que lhes escrevo, nos seus apartamentos de 3.000.000,00, arquitetam planos para ligar o imenso aspirador da riqueza e das esperanças e sugar toda substância que embasa um mínimo de acordo social.
A classe média omissa, alienada, não entende que para ser pobre e suportar a exclusão, os pobres têm que se entender em um contexto mínimo de acordo social, de legitimidade, de respeito a algumas regras que lhes permitam aceitar e viver com aumentos de 5 reais enquanto seus políticos acham pouco seus 46%?
O cinismo vem sendo o mote sobre o qual o Brasil dominante estabelece as nossas regras de convivência. Cinismo desmistifica e desestrutura a ordem das coisas. Com que motivos se justificam tamanhas diferenças?
O povo pobre brasileiro está exposto a 6 a 8 médias de tv diárias onde a mensagem final é compre, compre compre. Todo nosso sistema simbólico está montado no cinismo do Biguibroder, do consumismo desenfreado e na calcinha preta.
Até as igrejas, baluartes da moral, se reinventaram na teologia do bem viver e usufruir que levou o bispo da renascer para a cadeia no Estados Unidos, com todo perdão e indignaçãp das coniventes elites dominantes brasileiras loucas para carregar dolares nas cuecas.
Se a tv ensina o consumo, milhares de escolas ensinam e treinam os jovens nas práticas cotidianas da permissividade. Ninguem ensina, ninguem aprende, não existe hierarquias, respeito ao outro, manda quem pode e fala mais alto.
A violência nos prende nos muros com cercas eletrificadas ou nos emboscam nas ruas de boa viagem. Ela, é também, terrivel nos barracos, nos ônibus, nas salas de aula e nas ruas escuras dos bairros populares.
Eu só tenho perguntas, um coração indignado e uma prática cotidiana de tentar fazer alguma coisa que levante a bandeira da justiça, da solidariedade, da inclusão. Tenho também dois carros para dar ré e uma cerca elétrica no meu prédio. Mas até quando?
Inalda
9.3.07
Doutor Julio se orgulharia
George Bush não deve saber. Nem precisa. Afinal, nunca ouvi falar que o Sindaçucar esteja realmente investindo pesado em alguma tecnologia para melhorar a qualidade dos nossos biocombustíveis ou se está continua sendo bancado por gente que nem mesmo respeita os mínimos direitos trabalhistas (para não falar do Direito de Propriedade). Mas fico pensando como meu bisavô se orgulharia do nosso quadro político atual. O líder do Governo na Câmara Federal é José Mucio Monteiro. Na Assembléia Legislativa, João Fernando Coutinho foi para um posto mais importante, mas exerce a mesma função, além da Primeira Secretaria. Além disso, o governador Eduardo Campos ainda premiou a Agroindústria de Vitória de Santo Antão com o posto de procurador geral do Ministério Público de Pernambuco. A Esquerda são os usineiros? Ou os usineiros são a Esquerda? Sem preconceitos. Mas o quadro deve revelar alguma coisa.
25.2.07
Da partida
Os amigos agora partem. São Paulo, França, Rio, Floripa, Los Angeles.
Simone cuida do teu marido, porque eu queria estar junto.
Mateus compra uns temperinhos para a gente inaugurar tua panela nova.
Amelia guarda três euros para eu tomar um vinho contigo. Melhor do que cachaça é um vinho francês.
Rafa gasta os teus porque tua mulher e você merecem aproveitar essa nova janela até a última ponta.
Helena chegou rapidinho e se foi, deixou um menino bonito aqui (corre atrás!)
Daniel me deu a grande felicidade do ano. O êxtase.
Que é que eu dou em troca Lu? Vale tudo!
De Maria Rosa eu só senti o cheiro, atrás do sorriso de Paulinho.
Quem fica em Recife vai sentindo os canais se fecharem. Criam-se outros esperam os otimistas. O Capibaribe continua cheio, mas agora as garrafas pet bóiam, sobre uma água-óleo que enfrentamos com coragem para achar a felicidade. Está difícil achar um peixe? Então os que eu acho guardo para desfrutar com um bom vinho. Se não foi assim, será.
Bom os amigos aparecerem. Esperados como uma manga que amadurece ao lado da minha janela em Casa Forte. Ou de repente como um peixe que fisga um anzol enquanto eu sonho com uma nova paisagem.
Melhor que a distância é o encontro. Melhor que receber, só mesmo levar a cachaça para tomar junto com quem amo. E guardar as histórias para contar na hora certa.
Um beijo para os que não vieram, um carinho maior ainda para os que conseguiram dividir as tristezas e alegrias na orgia carnavalesca.
Simone cuida do teu marido, porque eu queria estar junto.
Mateus compra uns temperinhos para a gente inaugurar tua panela nova.
Amelia guarda três euros para eu tomar um vinho contigo. Melhor do que cachaça é um vinho francês.
Rafa gasta os teus porque tua mulher e você merecem aproveitar essa nova janela até a última ponta.
Helena chegou rapidinho e se foi, deixou um menino bonito aqui (corre atrás!)
Daniel me deu a grande felicidade do ano. O êxtase.
Que é que eu dou em troca Lu? Vale tudo!
De Maria Rosa eu só senti o cheiro, atrás do sorriso de Paulinho.
Quem fica em Recife vai sentindo os canais se fecharem. Criam-se outros esperam os otimistas. O Capibaribe continua cheio, mas agora as garrafas pet bóiam, sobre uma água-óleo que enfrentamos com coragem para achar a felicidade. Está difícil achar um peixe? Então os que eu acho guardo para desfrutar com um bom vinho. Se não foi assim, será.
Bom os amigos aparecerem. Esperados como uma manga que amadurece ao lado da minha janela em Casa Forte. Ou de repente como um peixe que fisga um anzol enquanto eu sonho com uma nova paisagem.
Melhor que a distância é o encontro. Melhor que receber, só mesmo levar a cachaça para tomar junto com quem amo. E guardar as histórias para contar na hora certa.
Um beijo para os que não vieram, um carinho maior ainda para os que conseguiram dividir as tristezas e alegrias na orgia carnavalesca.
13.2.07
Pintar e fazer amor

Não sou muito de cinema francês. Mas esse filme me surpreendeu. É a obra de arte sobre o suingue, assim como Cidade de Deus é o melhor que existe sobre as favelas cariocas. Qualquer coisa que envolva troca de casais ia me interessar? Tudo bem faz algum sentido, mas esse filme superou minhas expectativas. Encontrei uma menina na entrada antes de ver o filme, ela resumiu muito bem: sutil.
A trilha sonora e o cenário fazem o filme. O interior francês é tão bonito quanto na realidade. E os personagens são franceses sem a realíssima arrogância, que estragaria bastante um filme que se realiza pela sua simplicidade e humanidade no tratamento do sexo e das paixões. Por sinal, o sexo é mais insinuado que explícito, mas uma cena de sexo oral é de deixar qualquer mulher molhadinha (os homens nem se falam, são muito mais vulneráveis ao apelo visual).
O ritmo é simplesmente perfeito. Tem umas músicas que entram muito bem no contexto. Mas não pensem que é um musical. Ótimas para tirar o olho da tela e ficar olhando para uma mulher linda. Ótimas para quem quer realmente se apaixonar, é só deixar o som entrar pelos seus ouvidos e olhar para o seu objeto de desejo. O problema vai ser depois esquecer essa menina. Mas para isso existe o tempo. E o Carnaval para os apressados.
No Jornal do Commercio dizia que é uma comédia? Realmente não entendi. Talvez o cara que fez a classificação seja muito mal resolvido sexualmente. Mas, pelo menos na sessão que assisti, não ouvi ninguém rindo em momento algum do filme. É um drama, com muito bom humor. Só que tende a mostrar a troca de casais muito mais pelo lado positivo e deixa apenas transparecer as dificuldades de quem está vivendo aquelas situações. Ou seja, é um filme realmente que defende aquilo que mostra.
Julio me perguntou se eu tinha achado melhor do que Amelie Poulain? Guarda semelhanças.
São filmes que preenchem vários espaços de satisfação: visual, trilha sonora, personagens fortes. Também são muito importantes como registros de dois locais franceses, um em Paris e outro no interior. Mas o que mais os aproxima é uma atmosfera positiva que lhe deixa mais feliz ao fim da sessão. Não que o mundo pareça ser um mar de rosas. Os dois filmes querem lhe mostrar bons jeitos de enfrentar as tormentas.
Amelie Poulain faz isso com uma atriz realmente linda, vestindo um personagem muito forte. Pintar e fazer amor é um pouco menos conto de fadas. Tem atores absolutamente comuns, em idades absolutamente normais (nada de crianças, velhinhos ou jovens). E mesmo sem esses apelos, consegue envolver e emocionar. Muito pela qualidade do elenco.
Só acho mais difícil convenser as pessoas de que trocar de parceiro de vez em quando pode dar certo, mesmo dentro das regras que os casais se impõem ali no filme. Mas até essa ambiguidade parece ter sido muito bem estudada. Daria um ótimo romance, cheio de nuances, ficou melhor ainda como filme.
A trilha sonora e o cenário fazem o filme. O interior francês é tão bonito quanto na realidade. E os personagens são franceses sem a realíssima arrogância, que estragaria bastante um filme que se realiza pela sua simplicidade e humanidade no tratamento do sexo e das paixões. Por sinal, o sexo é mais insinuado que explícito, mas uma cena de sexo oral é de deixar qualquer mulher molhadinha (os homens nem se falam, são muito mais vulneráveis ao apelo visual).
O ritmo é simplesmente perfeito. Tem umas músicas que entram muito bem no contexto. Mas não pensem que é um musical. Ótimas para tirar o olho da tela e ficar olhando para uma mulher linda. Ótimas para quem quer realmente se apaixonar, é só deixar o som entrar pelos seus ouvidos e olhar para o seu objeto de desejo. O problema vai ser depois esquecer essa menina. Mas para isso existe o tempo. E o Carnaval para os apressados.
No Jornal do Commercio dizia que é uma comédia? Realmente não entendi. Talvez o cara que fez a classificação seja muito mal resolvido sexualmente. Mas, pelo menos na sessão que assisti, não ouvi ninguém rindo em momento algum do filme. É um drama, com muito bom humor. Só que tende a mostrar a troca de casais muito mais pelo lado positivo e deixa apenas transparecer as dificuldades de quem está vivendo aquelas situações. Ou seja, é um filme realmente que defende aquilo que mostra.
Julio me perguntou se eu tinha achado melhor do que Amelie Poulain? Guarda semelhanças.
São filmes que preenchem vários espaços de satisfação: visual, trilha sonora, personagens fortes. Também são muito importantes como registros de dois locais franceses, um em Paris e outro no interior. Mas o que mais os aproxima é uma atmosfera positiva que lhe deixa mais feliz ao fim da sessão. Não que o mundo pareça ser um mar de rosas. Os dois filmes querem lhe mostrar bons jeitos de enfrentar as tormentas.
Amelie Poulain faz isso com uma atriz realmente linda, vestindo um personagem muito forte. Pintar e fazer amor é um pouco menos conto de fadas. Tem atores absolutamente comuns, em idades absolutamente normais (nada de crianças, velhinhos ou jovens). E mesmo sem esses apelos, consegue envolver e emocionar. Muito pela qualidade do elenco.
Só acho mais difícil convenser as pessoas de que trocar de parceiro de vez em quando pode dar certo, mesmo dentro das regras que os casais se impõem ali no filme. Mas até essa ambiguidade parece ter sido muito bem estudada. Daria um ótimo romance, cheio de nuances, ficou melhor ainda como filme.
9.2.07
Rariú, cafuçu, come lick my ass!
A festa do I love cafuçu traz todo um debate da nova configuração do relacionamento entre homens e mulheres no Brasil à tona.
Homens pagam R$5,00, mulheres R$8,00. Quer dizer que nesse grupinho específico de mulheres recifenses elas é que estão correndo atrás? Bem assim não é não, mas pelo menos elas gostam de ostentar esse discurso da falta de homens interessantes e do excesso de mulheres bonitas. Eu acho que elas estão certas. No mínimo, isso é um bom argumento para que todo mundo veja com extrema naturalidade duas meninas se pegando onde bem entenderem. Essa moda já está até demodé (sei lá como se escreve isso?).
Tem uma amiga minha que vive dizendo que o mundo é homossexual. Na vontade de me pegar, claro! Mas nessa eu não caio mais. Respondo que isso minha mãe já diz há mais de 20 anos. Se lembram? Década de 60 atrazada, foi vivida no início dos anos 80 com separações que resultaram em trocas de casais e muita putaria em toda a geração que lutou (ou nem tanto) contra a Ditadura Militar em Pernambuco. É claro, fica muito mais fácil quando ninguém vai ficar olhando para a sua cara com ar de estranhamento.
Salve a menina que tem a cabeça aberta de dizer que é massa se agarrar com um casal de gays. Conheço poucas mulheres assim. E é evidente que disconheço um homem que não tenha pelo menos batido um zilhão de punhetas pensando em duas mulheres. Nas minhas, por sinal, é sempre suruba. O peito dela, a bundinha daquela, o beijo na boca do meu amor. Agora, difícil mesmo é o cara ter o desprendimento de quando chega a hora da relação precisar ser revirada ficar por cima enquanto sua mulher leva rola por baixo. Mas isso para a mulher também não é simples não, ver o cara chupando uma outra buceta.
Na minha última saída com Mateus e Simone lembro de ter falado que para não estranhar um beijo na boca entre homens o casal tinha que ser muuuuuito bonito. Para tirar onda (ou porque estavam afim e nem tinham ouvido o meu discurso), um casal de amigos fez questão de dar um beijo na boca bem ali. Sentadinhos no bar, na frente dos casaizinhos de homens e mulheres. Achei bonitinho o enfrentamento. Mas, sendo honesto, me causou estranhamento mesmo. E isso está longe de ser um discurso sexista, é só uma confissão de enrustido (dava um livro sátira esse termo!).
Uma outra amiga me pergunta se vou de cafuçu para a festa. Minha resposta imediata foi que eu já sou um cafuçu. Pensando na minha grosseria, gostar de comer feijoada, churrasco, de beber muita cerveja, falar alto, ser torcedor do Sport Club do Recife, conhecer e passar para as futuras gerações a história de Ademir Menezes e Juninho Pernambucano, ter uma barriga corpulenta (mesmo que em processo de redução avançada), olhar para a bunda das gatinhas quando elas passam igual a um carioca. Ela me respondeu que eu era um cara sensível. Brochei na hora. Quem quer ser um cara sensível quando as mulheres renegam o papel que era delas? Ou que pelo menos elas vestiam durante parte de suas vidas.
Ser um cara sensível é tão infeliz quanto fazer política honestamente no Brasil? Acho que não. Ainda dá para pegar muita gente com esse discurso. Afinal, você não precisa de 30 mil votos para se eleger um cidadão feliz no amor ou pelo menos no sexo (para ficarmos numa área mais comum a nós mortais). E ai surge outra questão trazida pela festa. No discurso do I love cafuçu o que vale mesmo para o cara ser denominado cafuçu não é chupar osso, comer com as mãos, ou fazer concurso para ver quem bebe mais cachaça: é a pauduressência.
Realmente, fist fucking deve ser bom, mas a maioria dos mortais gosta mesmo é de pau duro e buceta molhada (ou cuzinho com KY). Claro que tudo é essencial na hora H. Língua, dedos, boca, nariz, nuca, peito, tatuagem, meu irmão fala até em cutuvelo? Essa eu ainda queria entender. Mas o meu é ressecado, não tem graça nenhuma, vou ver se pondo um pouquinho de hidratante alguém se interessa nele. Tá vendo, nem no Carnaval consigo colocar a fantasia de cafuçu. E tem dois shows de Ney Matogrosso esse fim de semana. Mas esse papel é mais complicado ainda de exercer. A gente vai levando.
E viva a rima!
Homens pagam R$5,00, mulheres R$8,00. Quer dizer que nesse grupinho específico de mulheres recifenses elas é que estão correndo atrás? Bem assim não é não, mas pelo menos elas gostam de ostentar esse discurso da falta de homens interessantes e do excesso de mulheres bonitas. Eu acho que elas estão certas. No mínimo, isso é um bom argumento para que todo mundo veja com extrema naturalidade duas meninas se pegando onde bem entenderem. Essa moda já está até demodé (sei lá como se escreve isso?).
Tem uma amiga minha que vive dizendo que o mundo é homossexual. Na vontade de me pegar, claro! Mas nessa eu não caio mais. Respondo que isso minha mãe já diz há mais de 20 anos. Se lembram? Década de 60 atrazada, foi vivida no início dos anos 80 com separações que resultaram em trocas de casais e muita putaria em toda a geração que lutou (ou nem tanto) contra a Ditadura Militar em Pernambuco. É claro, fica muito mais fácil quando ninguém vai ficar olhando para a sua cara com ar de estranhamento.
Salve a menina que tem a cabeça aberta de dizer que é massa se agarrar com um casal de gays. Conheço poucas mulheres assim. E é evidente que disconheço um homem que não tenha pelo menos batido um zilhão de punhetas pensando em duas mulheres. Nas minhas, por sinal, é sempre suruba. O peito dela, a bundinha daquela, o beijo na boca do meu amor. Agora, difícil mesmo é o cara ter o desprendimento de quando chega a hora da relação precisar ser revirada ficar por cima enquanto sua mulher leva rola por baixo. Mas isso para a mulher também não é simples não, ver o cara chupando uma outra buceta.
Na minha última saída com Mateus e Simone lembro de ter falado que para não estranhar um beijo na boca entre homens o casal tinha que ser muuuuuito bonito. Para tirar onda (ou porque estavam afim e nem tinham ouvido o meu discurso), um casal de amigos fez questão de dar um beijo na boca bem ali. Sentadinhos no bar, na frente dos casaizinhos de homens e mulheres. Achei bonitinho o enfrentamento. Mas, sendo honesto, me causou estranhamento mesmo. E isso está longe de ser um discurso sexista, é só uma confissão de enrustido (dava um livro sátira esse termo!).
Uma outra amiga me pergunta se vou de cafuçu para a festa. Minha resposta imediata foi que eu já sou um cafuçu. Pensando na minha grosseria, gostar de comer feijoada, churrasco, de beber muita cerveja, falar alto, ser torcedor do Sport Club do Recife, conhecer e passar para as futuras gerações a história de Ademir Menezes e Juninho Pernambucano, ter uma barriga corpulenta (mesmo que em processo de redução avançada), olhar para a bunda das gatinhas quando elas passam igual a um carioca. Ela me respondeu que eu era um cara sensível. Brochei na hora. Quem quer ser um cara sensível quando as mulheres renegam o papel que era delas? Ou que pelo menos elas vestiam durante parte de suas vidas.
Ser um cara sensível é tão infeliz quanto fazer política honestamente no Brasil? Acho que não. Ainda dá para pegar muita gente com esse discurso. Afinal, você não precisa de 30 mil votos para se eleger um cidadão feliz no amor ou pelo menos no sexo (para ficarmos numa área mais comum a nós mortais). E ai surge outra questão trazida pela festa. No discurso do I love cafuçu o que vale mesmo para o cara ser denominado cafuçu não é chupar osso, comer com as mãos, ou fazer concurso para ver quem bebe mais cachaça: é a pauduressência.
Realmente, fist fucking deve ser bom, mas a maioria dos mortais gosta mesmo é de pau duro e buceta molhada (ou cuzinho com KY). Claro que tudo é essencial na hora H. Língua, dedos, boca, nariz, nuca, peito, tatuagem, meu irmão fala até em cutuvelo? Essa eu ainda queria entender. Mas o meu é ressecado, não tem graça nenhuma, vou ver se pondo um pouquinho de hidratante alguém se interessa nele. Tá vendo, nem no Carnaval consigo colocar a fantasia de cafuçu. E tem dois shows de Ney Matogrosso esse fim de semana. Mas esse papel é mais complicado ainda de exercer. A gente vai levando.
E viva a rima!
8.2.07
Para auto-contemplação
Muribeca
Marcelino Freire
Lixo? Lixo serve pra tudo. A gente encontra a mobília da casa, cadeira pra pôr uns pregos e ajeitar, sentar. Lixo pra poder ter sofá, costurado, cama, colchão. Até televisão. É a vida da gente o lixão. E por que é que agora querem tirar ele da gente? O que é que eu vou dizer pras crianças? Que não tem mais brinquedo? Que acabou o calçado? Que não tem mais história, livro, desenho? E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer?E o que eu vou cozinhar agora? Onde vou procurar tomate, alho, cebola? Com que dinheiro vou fazer sopa, vou fazer caldo, vou inventar farofa? Fale, fale. Explique o que é que a gente vai fazer da vida? O que a gente vai fazer da vida? Não pense que é fácil. Nem remédio pra dor de cabeça eu tenho. Como vou me curar quando me der uma dor no estômago, uma coceira, uma caganeira? Vá, me fale, me diga, me aconselhe. Onde vou encontrar tanto remédio bom? E esparadrapo e band-aid e seringa? O povo do governo devia pensar três vezes antes de fazer isso com chefe de família. Vai ver que eles tão de olho nessa merda aqui. Nesse terreno. Vai ver que eles perderam alguma coisa. É. Se perderam, a gente acha. A gente cata. A gente encontra. Até bilhete de loteria, lembro, teve gente que achou. Vai ver que é isso, coisa da Caixa Econômica. Vai ver que é isso, descobriram que lixo dá lucro, que pode dar sorte, que é luxo, que lixo tem valor. Por exemplo, onde a gente vai morar, é? Onde a gente vai morar? Aqueles barracos, tudo ali em volta do lixão, quem é que vai levantar? Você, o governador? Não. Esse negócio de prometer casa que a gente não pode pagar é balela, é conversa pra boi morto. Eles jogam a gente é num esgoto. Pr'onde vão os coitados desses urubus? A cachorra, o cachorro? Isso tudo aqui é uma festa. Os meninos, as meninas naquele alvoroço, pulando em cima de arroz, feijão. Ajudando a escolher. A gente já conhece o que é bom de longe, só pela cara do caminhão. Tem uns que vêm direto de supermercado, açougue. Que dia na vida a gente vai conseguir carne tão barato? Bisteca, filé, chã-de-dentro - o moço tá servido? A moça?Os motoristas já conhecem a gente. Têm uns que até guardam com eles a melhor parte. É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta - roupa nova, véu, grinalda. Minha filha já vestiu um vestido de noiva, até a aliança a gente encontrou aqui, num corpo. É. Vem parar muito bicho morto. Muito homem, muito criminoso. A gente já tá acostumado. Até o camburão da polícia deixa seu lixo aqui, depositado. Balas, revólver 38. A gente não tem medo, moço. A gente é só ficar calado. Agora, o que deu na cabeça desse povo? A gente nunca deu trabalho. A gente não quer nada deles que não esteja aqui jogado, rasgado, atirado. A gente não quer outra coisa senão esse lixão pra viver. Esse lixão para morrer, ser enterrado. Pra criar os nossos filhos, ensinar o nosso ofício, dar de comer. Pra continuar na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não faltar brinquedo, comida, trabalho. Não, eles nunca vão tirar a gente deste lixão. Tenho fé em Deus, com a ajuda de Deus eles nunca vão tirar a gente deste lixo. Eles dissem que sim, que vão. Mas não acredito. Eles nunca vão conseguir tirar a gente deste paraíso.
Marcelino Freire
Lixo? Lixo serve pra tudo. A gente encontra a mobília da casa, cadeira pra pôr uns pregos e ajeitar, sentar. Lixo pra poder ter sofá, costurado, cama, colchão. Até televisão. É a vida da gente o lixão. E por que é que agora querem tirar ele da gente? O que é que eu vou dizer pras crianças? Que não tem mais brinquedo? Que acabou o calçado? Que não tem mais história, livro, desenho? E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer?E o que eu vou cozinhar agora? Onde vou procurar tomate, alho, cebola? Com que dinheiro vou fazer sopa, vou fazer caldo, vou inventar farofa? Fale, fale. Explique o que é que a gente vai fazer da vida? O que a gente vai fazer da vida? Não pense que é fácil. Nem remédio pra dor de cabeça eu tenho. Como vou me curar quando me der uma dor no estômago, uma coceira, uma caganeira? Vá, me fale, me diga, me aconselhe. Onde vou encontrar tanto remédio bom? E esparadrapo e band-aid e seringa? O povo do governo devia pensar três vezes antes de fazer isso com chefe de família. Vai ver que eles tão de olho nessa merda aqui. Nesse terreno. Vai ver que eles perderam alguma coisa. É. Se perderam, a gente acha. A gente cata. A gente encontra. Até bilhete de loteria, lembro, teve gente que achou. Vai ver que é isso, coisa da Caixa Econômica. Vai ver que é isso, descobriram que lixo dá lucro, que pode dar sorte, que é luxo, que lixo tem valor. Por exemplo, onde a gente vai morar, é? Onde a gente vai morar? Aqueles barracos, tudo ali em volta do lixão, quem é que vai levantar? Você, o governador? Não. Esse negócio de prometer casa que a gente não pode pagar é balela, é conversa pra boi morto. Eles jogam a gente é num esgoto. Pr'onde vão os coitados desses urubus? A cachorra, o cachorro? Isso tudo aqui é uma festa. Os meninos, as meninas naquele alvoroço, pulando em cima de arroz, feijão. Ajudando a escolher. A gente já conhece o que é bom de longe, só pela cara do caminhão. Tem uns que vêm direto de supermercado, açougue. Que dia na vida a gente vai conseguir carne tão barato? Bisteca, filé, chã-de-dentro - o moço tá servido? A moça?Os motoristas já conhecem a gente. Têm uns que até guardam com eles a melhor parte. É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta - roupa nova, véu, grinalda. Minha filha já vestiu um vestido de noiva, até a aliança a gente encontrou aqui, num corpo. É. Vem parar muito bicho morto. Muito homem, muito criminoso. A gente já tá acostumado. Até o camburão da polícia deixa seu lixo aqui, depositado. Balas, revólver 38. A gente não tem medo, moço. A gente é só ficar calado. Agora, o que deu na cabeça desse povo? A gente nunca deu trabalho. A gente não quer nada deles que não esteja aqui jogado, rasgado, atirado. A gente não quer outra coisa senão esse lixão pra viver. Esse lixão para morrer, ser enterrado. Pra criar os nossos filhos, ensinar o nosso ofício, dar de comer. Pra continuar na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não faltar brinquedo, comida, trabalho. Não, eles nunca vão tirar a gente deste lixão. Tenho fé em Deus, com a ajuda de Deus eles nunca vão tirar a gente deste lixo. Eles dissem que sim, que vão. Mas não acredito. Eles nunca vão conseguir tirar a gente deste paraíso.
6.2.07
Dois pesos e duas medidas
DP - VIDA URBANA - 6-2-2007
O estrago
Violência prejudica imagem do estado às vésperas do carnaval | O saldo da violência durante a prévia do Balança Rolha vai além dos danos materiais (depredação de patrimônio público) e a pessoas (20 feridos). A imagem do estado foi atingida pela repercussão negativa na imprensa nacional. Ontem foi o dia do mea-culpa.
DP - JOAO ALBERTO - 5-2-2007
No trio
Bronzeadíssima, usando short jeans e top, Ivete Sangalo abriu, ontem, em clima de altíssimo astral, seu desfile no Balança Rolha, na Avenida Boa Viagem, com uma declaração de amor à nossa cidade. A primeira música que cantou foi Voltei Recife. O desfile do bloco foi um extraordinário sucesso, reunindo maios de 500 mil pessoas. Num dos trios, Eduardo Campos, Carlos Wilson e André Campos.
Digo uma coisa: fazer jornal de casa nem sempre dá certo.
O estrago
Violência prejudica imagem do estado às vésperas do carnaval | O saldo da violência durante a prévia do Balança Rolha vai além dos danos materiais (depredação de patrimônio público) e a pessoas (20 feridos). A imagem do estado foi atingida pela repercussão negativa na imprensa nacional. Ontem foi o dia do mea-culpa.
DP - JOAO ALBERTO - 5-2-2007
No trio
Bronzeadíssima, usando short jeans e top, Ivete Sangalo abriu, ontem, em clima de altíssimo astral, seu desfile no Balança Rolha, na Avenida Boa Viagem, com uma declaração de amor à nossa cidade. A primeira música que cantou foi Voltei Recife. O desfile do bloco foi um extraordinário sucesso, reunindo maios de 500 mil pessoas. Num dos trios, Eduardo Campos, Carlos Wilson e André Campos.
Digo uma coisa: fazer jornal de casa nem sempre dá certo.
2.2.07
Eu acho é pouco mesmo
Não gosto de Carnaval. Nunca gostei. Já vim não sei quantas vezes ficar em Olinda com minha mãe. Sempre foi péssimo. Os adultos querendo me levar para ver os blocos. E os pirralhos com as brincadeiras idiotas deles. Nunca gostei de brincar de boneco, meu negócio é futebol, vôlei, basquete. Na pior das hipóteses, botão.
Só me restava ficar assistindo aos desfiles das escolas de samba do Rio. Pelo menos tem muita mulher bonita.
Esse ano até que estava bom, mas no último dia meu pai resolveu me trazer com ele. Quer dizer, acho que ele não arrumou com quem me deixar. Por isso, acabei tendo que vir a reboque e ele está enchendo a cara. Acabou a garrafinha de whisky e já está comprando uma latinha de cerveja. Isso não vai dar certo.
- Eu acho é pouco. Já passou por aqui?
- Passou agorinha. Deve estar no Eufrasio Barbosa. Corre que vocês pegam ele na primeira parada.
- Vamos lá filho! Quero ver se esse futebol está dando resultado.
Carreira! Papai é meio barrigudo, mas ele sempre corre na Jaqueira. Eu que não vou dizer que estou ficando cansado. Para quando for no parque ele ficar me desafiando. "Quero ver se você consegue fazer cooper por um quilômetro sem parar". Eu gosto de correr rápido e quando canso continuo andando. E daí?!
Por que os blocos não saem aqui embaixo. Olinda tem dezenas de ruas largas e arborizadas, mas elas ficam vazias enquanto lá em cima é o maior aperto. Aquele cheiro de xixi, gente suada roçando no nosso corpo e imagina para uma criança de 11 anos o calor e a agonia de ficar ali olhando para as bundas das pessoas. Sem conseguir ver para onde está indo.
"Eu vou esse ano pra lua, não é privilégio, foguete já tem..."
Sempre troco a letra dessa música. Mas adoro ela. Já me disseram que meu pai cantava ela para eu ir dormir quando era pequeno. Bem que era bom ir para a lua. Pelo menos não ia ter que ficar aqui e aguentar os adultos que querem me fazer gostar do Carnaval. Nem todo mundo gosta de bagunça.
Papai acha que essa orquestra é a do Eu acho é pouco. Até parece que dá para reconhecer pela música, como se só esse bloco tivesse um saxofone. Ele pode entender muito de jazz, mas aqui em Olinda durante o Carnaval para cada rua tem uns três blocos sempre tocando os mesmos frevos.
Capaz dele estar certo mesmo, tem um monte de gente de vermelho e amarelo perto daquela esquina. Essas cores eu me lembro. Adoro a camisa que minha irmã me deu. Tem os nomes de um bocado de gente conhecida. Alguns amigos do meu pai e da minha mãe.
Mas acho que não. O bloco deve ter passado por aqui, mas agora está tocando é samba. Isso sim é Carnaval. Deve ser uma escola de samba muito boa. Mas todo mundo está com as cores do bloco, deve ter acabado e o pessoal ficou para ouvir essa bateria. Que bateria!
Papai está cheirando um negócio na camisa.
- Vamos filho que é o Eu acho é pouco mesmo. Toma aqui para você. Mas só cheira pelo nariz.
Eita que perfume delicioso. Deixa a gente leve. Com esse negócio eu ganho fácil os cem metros rasos das Olimpíadas de Barcelona. E olha que eu só vou ter 14 anos. Estou ouvindo uns sininhos nos meus ouvidos. Devo estar ficando bêbado de tanto tomar gole da cerveja das pessoas.
Que menina linda sambando. Poxa, ela está aqui sozinha. Acho que ela deve ter minha idade. Talvez um pouco mais velha, acho que não. É muito pequenininha. Linda. Eu amo Helena e sempre vou amar. Mas nunca tinha visto uma Maria tão bonita.
Como samba bonito. Tem uns cachinhos de princesa no cabelo. Um sorriso corajoso de segurança. Fico sonhando e imaginando em fazer dela a minha namorada. Queria tanto ter coragem para falar com ela. Mas essa minha timidez...
Está ficando na cara. Não consigo tirar os olhos dessa menina. Também ela tão branquinha, sambando no meio desses negros enormes. Acho que todo mundo está olhando para ela. Ou será que só sou eu? Vou tentar virar meu olho para outro canto.
O bêbado e a equilibrista. Nome engraçado desse bar e tem uns desenhos super bonitos. Queria mesmo um amendoim ou uma batata frita, essa corridinha me deixou com fome. Mas lá vem Graça com um sarapatel.
- Quero não. Não gosto.
- E uma tapioca?
- Tá bom...
Nunca tinha visto uma tapioca tão grande. Acho que essa mulher errou na quantidade de coco e queijo. Não dá nem para fechar os dois lados. Bom para mim, estava morrendo de fome mesmo. Quase não aguento esperar ela fazer. Eita, não tinha nem notado que parou a batucada.
- Pai quero ir no banheiro.
- Faz ali mesmo na árvore.
Estou morrendo de vontade. Mas não aguento quando meu pai me diz isso. Será que ele não encherga que por isso fica o maior cheiro ruim na cidade? Por aqui deve ter algum banheiro. Vou por ali. Eita, está ficando escuro. Poxa, alguém devia ter vindo comigo. Vou voltar.
Ainda bem que voltei logo, a orquestra já está se organizando para sair de novo. O pessoal não ia gostar nada se perdessem o bloco por estarem me esperando. Mas vou ter que ceder e fazer xixi por aqui mesmo. Não estou me aguentando. Vou ali para trás que pelo menos ninguém vai ver minha pitoca.
"Olinda, quero cantar a ti essa canção, teus coqueirais, o teu sol, o teu mar, faz brilhar meu coração, de amor, a sonhar, salve Olinda sem igual, salve o teu Carnaval"
Essa música realmente eu adoro. Me lembro tanto de cantar no Instituto Capibaribe. Se o hino do colégio sempre me fez chorar, essa música sempre me abriu o coração. Pena que meus amigos não estão aqui para cantar comigo, próximo ano acho que vou chamar Rafa e Duda para virem comigo ver esse bloco.
Eita, parece que agora a gente vai subir para a Cidade Alta. Caramba, já tinha esquecido como estou cansado. E só estou vendo ladeira na minha frente. Quanta gente. E esse dragão ainda fica enchendo o saco. Poxa, leva esse negócio lá para frente para abrir caminho. Não custa nada.
Agora vai ter confusão. Tem duas turmas, uma quer subir e a outra quer ir por baixo. Caramba, essa ladeira é muito grande. Não estou aguentando mais. Tomara que já esteja acabando. Tomara que eu não tenha que subir. Tomara que meu pai se toque que estou morto.
- Criança sobe de ré!
Papai sobe a Ladeira da Misericórdia sambando. Eu segui o conselho dele. E ainda fui dos primeiros a chegar no Alto da Sé. Fiquei esperando lá de cima ver o bloco passar, mas onde está aquela menina tão linda. Por aqui não está. Será que foi embora? Estava mesmo tarde para ela ficar sozinha aqui por Olinda.
Agora é descida. Eu não estou nem mais sentindo minhas pernas de tão cansado. Nunca tinha visto esta vista do Recife, no horizonte. E uma menina toda sorridente. Como ela dança. Será que é a menina dos cachinhos? Fico olhando para ela, mas logo encontro o meu sonho. Cabelos lisos cor de Eu acho é pouco, pernas longas e magras, parece uma mulher, num corpo de criança.
O bloco aperta o passo. E eu perco a minha paixão. Quem será que riu para mim? Será que alguém olhou para mim?
A roda de samba volta a se formar, é a segunda parada do bloco.
- Vamos filho. Graça tem que botar teu irmão para dormir.
Logo agora que eu encontrei a menina que estava procurando. Caramba, essa menina é muito mais bonita que Helena. Um peitinho de mulher. Acho que vi o sutiã dela quando estava frevando, com a camisa toda molhada. A pele tão branquinha de anjo.
Estação final do número 1989.
Era o começo dos meus carnavais.
30.1.07
Juca e Chico
Eles são irmãos. Não que sejam filhos da mesma mãe. Os pais pouco se
conhecem. Eles se escolheram empinando pipa, jogando bola e fugindo da hora
de voltar para casa.
No Poço da Panela, toda criança tem seu companheiro. A diferença deles dois
é que puderam escolher a quem ter como irmão. E eles se divertem com isso.
Quando a mãe de Juca briga com ele, os dois podem se esconder na casa de
Chico. Além disso, nem precisaram nascer gêmeos para serem da mesma idade.
As roupas de um quase sempre cabem no outro. Os dois aprenderam a ler
juntos. E são ótimos para dar coragem ao outro quando escurece e eles ainda
não voltaram para casa.
Chico gosta de brincar com o amigo porque Juca enfrenta todos os desafios.
Ele sempre tem medo de atravessar o Capibaribe e, quando vai, acaba
colocando a culpa no amigo.
Juca gosta de correr perigo. Joga bola com os mais velhos. Adora espiar a
irmã dos amigos trocando de roupa. E, não contem para ninguém, ele adorou a
vez que teve de pular no rio para pegar uma bola.
Na hora que eles fazem besteira, é sempre Chico que aparece para levar a
primeira reclamação. Depois, ele acaba colocando a culpa toda no colega. E
Juca se chateia, mas logo esquece.
Os pais deles adoram ver os meninos brincando. Também, é um alívio enorme
quando Juca desliga a TV e Chico consegue tirar a cara do video-game.
Até nessas horas os meninos gostam de estar juntos. O pai de Juca é o
primeiro a pedir para os dois irem brincar. "Desliga essa máquina de fazer
doido!"
As vezes eles até desligam. Mas, com certeza, não é por causa dos gritos que
levam. Os dois parecem que nem notam quando recebem uma reclamação.
A sorte também é que não tem TV à cabo na casa dos meninos. Assim, quando
começa um programa chato eles acabam se lembrando de ir para a rua brincar.
Ali por perto, o chute de direita de Juca é conhecido de todos os
maloqueiros. E ele se orgulha quando é escolhido para jogar no time dos mais
velhos.
As brincadeiras de Chico são mais com o pessoal da mesma idade dele. Viaja
em histórias que ele mesmo cria, tem um enorme arsenal de piadas e gosta de
inventar uns jogos malucos.
Mas ele também adora jogar baralho com os mais velhos. Qualquer dia, vai
estar em Seu Vital enfrentando os cachaceiros de plantão.
Tomara que ele aproveite um dos momentos em que Juca esteja brincando na
frente da igreja, para quando um dos dois se meter em encrenca o outro estar
por perto para ajudar.
Os pais de Chico se separaram. E vai demorar para quererem ter outros
filhos. Os pais de Juca estão bem casados. Mas pensam que já passaram da
idade para fazer mais uma criança.
Restou para esses dois a opção de virarem irmãos de verdade. Parece que não
foi tão ruim assim. Pelo menos por enquanto, eles vivem uma infância que
quase não existe mais.
Tomara que eles aproveitem mesmo. Quando passar, não volta mais.
conhecem. Eles se escolheram empinando pipa, jogando bola e fugindo da hora
de voltar para casa.
No Poço da Panela, toda criança tem seu companheiro. A diferença deles dois
é que puderam escolher a quem ter como irmão. E eles se divertem com isso.
Quando a mãe de Juca briga com ele, os dois podem se esconder na casa de
Chico. Além disso, nem precisaram nascer gêmeos para serem da mesma idade.
As roupas de um quase sempre cabem no outro. Os dois aprenderam a ler
juntos. E são ótimos para dar coragem ao outro quando escurece e eles ainda
não voltaram para casa.
Chico gosta de brincar com o amigo porque Juca enfrenta todos os desafios.
Ele sempre tem medo de atravessar o Capibaribe e, quando vai, acaba
colocando a culpa no amigo.
Juca gosta de correr perigo. Joga bola com os mais velhos. Adora espiar a
irmã dos amigos trocando de roupa. E, não contem para ninguém, ele adorou a
vez que teve de pular no rio para pegar uma bola.
Na hora que eles fazem besteira, é sempre Chico que aparece para levar a
primeira reclamação. Depois, ele acaba colocando a culpa toda no colega. E
Juca se chateia, mas logo esquece.
Os pais deles adoram ver os meninos brincando. Também, é um alívio enorme
quando Juca desliga a TV e Chico consegue tirar a cara do video-game.
Até nessas horas os meninos gostam de estar juntos. O pai de Juca é o
primeiro a pedir para os dois irem brincar. "Desliga essa máquina de fazer
doido!"
As vezes eles até desligam. Mas, com certeza, não é por causa dos gritos que
levam. Os dois parecem que nem notam quando recebem uma reclamação.
A sorte também é que não tem TV à cabo na casa dos meninos. Assim, quando
começa um programa chato eles acabam se lembrando de ir para a rua brincar.
Ali por perto, o chute de direita de Juca é conhecido de todos os
maloqueiros. E ele se orgulha quando é escolhido para jogar no time dos mais
velhos.
As brincadeiras de Chico são mais com o pessoal da mesma idade dele. Viaja
em histórias que ele mesmo cria, tem um enorme arsenal de piadas e gosta de
inventar uns jogos malucos.
Mas ele também adora jogar baralho com os mais velhos. Qualquer dia, vai
estar em Seu Vital enfrentando os cachaceiros de plantão.
Tomara que ele aproveite um dos momentos em que Juca esteja brincando na
frente da igreja, para quando um dos dois se meter em encrenca o outro estar
por perto para ajudar.
Os pais de Chico se separaram. E vai demorar para quererem ter outros
filhos. Os pais de Juca estão bem casados. Mas pensam que já passaram da
idade para fazer mais uma criança.
Restou para esses dois a opção de virarem irmãos de verdade. Parece que não
foi tão ruim assim. Pelo menos por enquanto, eles vivem uma infância que
quase não existe mais.
Tomara que eles aproveitem mesmo. Quando passar, não volta mais.
25.1.07
Ao meu amigo candidato
Faz tempo que nossas vidas se cruzam. As vezes como companheiros leais. Outras fomos também rivais disfarçados. Mas o respeito sempre esteve acima das nossas divergências. Quando finalmente decido que está na hora de me afastar da política (ou pelo menos adotar uma outra perspectiva), ele volta a pensar em participar. Sempre disse a ele que talento não lhe faltava, aliás sobra. O que houver de ausência de experiência poderá ser utilizado como um espaço de crescimento. Por sinal, não há nada nesse País que me deixe mais triste do que a falta de coragem da juventude para enfrentar a política de peito aberto. Todo o descrédito dos parlamentares e gestores públicos em geral torna ainda mais difícil acreditar em um projeto coletivo encabeçado por uma pessoa, representando um grupo. Mas isso cria um desafio ainda mais emocionante de ser tocado.
Por que então não estou gostando da idéia de finalmente ver meu amigo candidato? Lembro da primeira aula de minha pós-graduação, na FGV, quando a professora falava sobre o mercado das ONGs. Ela fez toda uma mercantilização dos processos, deixou que os alunos fossem se interessando pela coisa, acreditando que poderiam ganhar muito dinheiro com aquela história e arrematou mostrando com muita convicção que daquela forma todos os nossos planos estavam desvirtuados. Estávamos partindo de um projeto pessoal, quando a lógica (inclusive constitucional) das entidades sem fins lucrativos é de que tenham como princípio o bem coletivo. Tudo isso para que a gente se lembrasse na frente, anos depois, quando estivéssemos vivendo uma situação limite, precisando aprovar algum projeto, que todo esse esforço precisa estar ainda balizado por conceitos éticos (por mais genérico que isso possa parecer).
Estava quase deixando de acreditar na política. O sonho do PT, um partido de massas que discutia suas propostas e crescia coletivamente, acabou-se antes para mim do que para a maioria dos brasileiros. Para meu amigo talvez tenha sido um pouco mais cedo ainda. Mas, antes que eu deixasse de acreditar por completo, conheci uma realidade muito menos utópica, mas também bastante efetiva na luta por justiça social. As melhores frases que ouvi de Roberto Leandro foram as dele se justificando por realizar atividades que não lhe renderiam nenhum voto: "A gente passa o dia com a cabeça quente na Fundac, vai para o rádio e sabe que o povo pensa que estamos defendendo criminosos, então vamos comer muito bem que é para valorizar o nosso dia". Ele me disse em Caruaru, depois de denunciar um juiz que tinha mandado para um lugar horrível uma criança de 12 anos, acusada de roubar alguns potes de iogurte.
É difícil conciliar a tarefa de ser um representante da população com a de ter de conquistar votos. O que mais fiquei feliz em conhecer Roberto Leandro foi saber que existem políticos que realmente recebem o salário e pensam que têm que justificar aquele dinheiro todo com trabalho, suor. Quando teve tiro na Praça do Carmo ele foi para cima, "é meu dever como presidente da Comissão de Defesa da Cidadania". Quando apanhou de policiais por estar querendo testemunhar uma desocupação de terras ainda teve de aguentar uma cobertura jornalística muito pequena. Reclamou comigo pelo menos, com certeza, mas ele não esperava ser agredido quando resolveu que iria passar da barreira organizada pela PM. E em sua despedida da Assembléia Legislativa ainda teve que ouvir que era um cara chato, quando na verdade é uma ótima companhia para uma mesa de bar, porque enfrentou privilégios como o jetom.
Acabou que esse deputado estadual não se reelegeu. Vai continuar sua trajetória política de alguma outra forma, pelo menos espero. Mas, para mim, a lição dele vai ficar. Não adianta gerar um projeto dos nossos próprios umbigos. Mas precisamos valorizar e defender nossas perspectivas. A dura tarefa de exercer a representação política é uma missão que precisa ser encarada e enfrentada pela nossa geração. Esta ai Chico Alencar a me mostrar um mandato que tem na internet uma ferramenta contínua de geração e alimentação de demandas e utopias. Só para citar um exemplo de novidade no campo da política brasileira. Então, vai realmente encarar a tua sina? Pare. Chame os amigos. Tenha idéias. Realize. A sombra é grande demais para fugir totalmente dela, mas é preciso gerar novos conceitos que ultrapassem os limites até agora testados. Assim, talvez, você consiga conciliar a prática com a utopia.
Para desistir do sonho, é melhor nem entrar.
Por que então não estou gostando da idéia de finalmente ver meu amigo candidato? Lembro da primeira aula de minha pós-graduação, na FGV, quando a professora falava sobre o mercado das ONGs. Ela fez toda uma mercantilização dos processos, deixou que os alunos fossem se interessando pela coisa, acreditando que poderiam ganhar muito dinheiro com aquela história e arrematou mostrando com muita convicção que daquela forma todos os nossos planos estavam desvirtuados. Estávamos partindo de um projeto pessoal, quando a lógica (inclusive constitucional) das entidades sem fins lucrativos é de que tenham como princípio o bem coletivo. Tudo isso para que a gente se lembrasse na frente, anos depois, quando estivéssemos vivendo uma situação limite, precisando aprovar algum projeto, que todo esse esforço precisa estar ainda balizado por conceitos éticos (por mais genérico que isso possa parecer).
Estava quase deixando de acreditar na política. O sonho do PT, um partido de massas que discutia suas propostas e crescia coletivamente, acabou-se antes para mim do que para a maioria dos brasileiros. Para meu amigo talvez tenha sido um pouco mais cedo ainda. Mas, antes que eu deixasse de acreditar por completo, conheci uma realidade muito menos utópica, mas também bastante efetiva na luta por justiça social. As melhores frases que ouvi de Roberto Leandro foram as dele se justificando por realizar atividades que não lhe renderiam nenhum voto: "A gente passa o dia com a cabeça quente na Fundac, vai para o rádio e sabe que o povo pensa que estamos defendendo criminosos, então vamos comer muito bem que é para valorizar o nosso dia". Ele me disse em Caruaru, depois de denunciar um juiz que tinha mandado para um lugar horrível uma criança de 12 anos, acusada de roubar alguns potes de iogurte.
É difícil conciliar a tarefa de ser um representante da população com a de ter de conquistar votos. O que mais fiquei feliz em conhecer Roberto Leandro foi saber que existem políticos que realmente recebem o salário e pensam que têm que justificar aquele dinheiro todo com trabalho, suor. Quando teve tiro na Praça do Carmo ele foi para cima, "é meu dever como presidente da Comissão de Defesa da Cidadania". Quando apanhou de policiais por estar querendo testemunhar uma desocupação de terras ainda teve de aguentar uma cobertura jornalística muito pequena. Reclamou comigo pelo menos, com certeza, mas ele não esperava ser agredido quando resolveu que iria passar da barreira organizada pela PM. E em sua despedida da Assembléia Legislativa ainda teve que ouvir que era um cara chato, quando na verdade é uma ótima companhia para uma mesa de bar, porque enfrentou privilégios como o jetom.
Acabou que esse deputado estadual não se reelegeu. Vai continuar sua trajetória política de alguma outra forma, pelo menos espero. Mas, para mim, a lição dele vai ficar. Não adianta gerar um projeto dos nossos próprios umbigos. Mas precisamos valorizar e defender nossas perspectivas. A dura tarefa de exercer a representação política é uma missão que precisa ser encarada e enfrentada pela nossa geração. Esta ai Chico Alencar a me mostrar um mandato que tem na internet uma ferramenta contínua de geração e alimentação de demandas e utopias. Só para citar um exemplo de novidade no campo da política brasileira. Então, vai realmente encarar a tua sina? Pare. Chame os amigos. Tenha idéias. Realize. A sombra é grande demais para fugir totalmente dela, mas é preciso gerar novos conceitos que ultrapassem os limites até agora testados. Assim, talvez, você consiga conciliar a prática com a utopia.
Para desistir do sonho, é melhor nem entrar.
19.1.07
O direito de sonhar
Marcelo Campello apareceu de repente. O dia não era de Mombojó, muito menos de Del Rey, pedi para ele o CD Projeções. Insone desde criança, não acreditei que realmente fosse dormir quando ele falou: "O maior elogio que vocês podem fazer ao meu disco é caírem no sono antes da quinta faixa". Não é que eu realizei. E justo na hora que pensava ter perdido o direito de sonhar. É ótimo para escrever também, suficientemente lento para se pensar na próxima linha, mas com uma beleza tranquila que não deixa que os sentimentos atrapalhem o trabalho árduo da escrita. Para mim, o CD de Marcelo supera as expectativas, talvez até mesmo do compositor, que encontrou um jeito suave e autoral de fazer música de qualidade.
20.12.06
Pensamentos diversos
Fico lendo a minha bibliografia do Mestrado e misturando as coisas na minha cabeça. Será que Jampa já leu Roberto Schwarz? Raul Jungman é um exemplo tão claro do burguês oportunista, que conhece a realidade brasileira. Me impressiono como as elocubrações da minha mãe sobre a história do Nordeste, e do Brasil, batem exatamente com estudos de Caio Prado Junior e Florestan Fernandes. Talvez ela já tenha lido e apenas os reinterprete em linguagem absolutamente popular? Só sei que facilita bastante o entendimento do que estou lendo o fato de já ter ouvido um bucado de coisas da boca da minha mãe.
Bem, realmente me faz bem ir à fonte dos intérpretes atuais do marxismo à brasileira. Até porque não sei bem onde me enquadro. Denis me sugeriu falar em dialética no meu projeto de pesquisa. Aquilo me soou meio antigo, ou talvez eu tenha sentido minha incapacidade de fazer uma reinterpretação disso de forma que me parecesse verdadeiro. Coloquei algumas palavras do vocabulário marxista (aquelas bem antigas mesmo, que Carol critica na monografia dela sobre o jornal do Sindicato dos Bancários), mas acabei sem fazer a explicação formal da coisa. E espero que isso não me prejudique.
Fui conversar com um amigo meu que também está fazendo a seleção. Ele veio me dizer que Foucault era pós-moderno. Compliquei minha cabeça. Para mim, que tenho em Foucault um dos poucos teóricos que li e gostei, o cara é um marxista que embasou muito do que os pós-modernos viriam a escrever depois. Lógico, minha bibliografia foi basicamente voltada para a Comunicação e se eu realmente tivesse chegado ao capítulo da Escola de Frankfurt no meu livro de Teoria da Comunicação minha colocação no concurso da Transpetro seria um pouco melhor. Mas pelo menos passei e pelo que vejo ninguém está sendo chamado mesmo.
Meio chato o período longo da seleção. Entreguei o projeto em dezembro, para isso estava estudando desde outubro (novembro, na verdade), mas a prova só será no meio de janeiro e o resultado só sai em fevereiro. Enquanto isso Rodolfo (primeiro lugar geral foi pra fuder!) e Mariana já fizeram inscrição, entregaram projetos, fizeram as provas e os dois foram aprovados (em Direito e Comunicação). Vou ter que tomar uma cachaça com os dois antes de passar na minha seleção. Pelo menos, posso chamar Fernando, mas a gente vai ter bem menos tempo de férias que o casal 20.
Bem, o que me incomodou mesmo esta semana. Aumento de 90,7% nos salários dos deputados. Raul Jungman como vice-líder do PPS vota a favor. E depois a imprensa pernambucana passa uma semana dando voz a ele porque está prometendo devolver o dinheiro. Ahn? A única vez que foi citado que ele votou a favor foi no blog do JC. Mais uma vez a Internet se mostra um meio de comunicação fuderoso. A imprensa é uma merda mesmo. Viciada. Comprada. Vence quem sabe se aproveitar. Mas também é triste saber que a maioria mal lê as linhas. Muito menos as entrelinhas.
Bem, realmente me faz bem ir à fonte dos intérpretes atuais do marxismo à brasileira. Até porque não sei bem onde me enquadro. Denis me sugeriu falar em dialética no meu projeto de pesquisa. Aquilo me soou meio antigo, ou talvez eu tenha sentido minha incapacidade de fazer uma reinterpretação disso de forma que me parecesse verdadeiro. Coloquei algumas palavras do vocabulário marxista (aquelas bem antigas mesmo, que Carol critica na monografia dela sobre o jornal do Sindicato dos Bancários), mas acabei sem fazer a explicação formal da coisa. E espero que isso não me prejudique.
Fui conversar com um amigo meu que também está fazendo a seleção. Ele veio me dizer que Foucault era pós-moderno. Compliquei minha cabeça. Para mim, que tenho em Foucault um dos poucos teóricos que li e gostei, o cara é um marxista que embasou muito do que os pós-modernos viriam a escrever depois. Lógico, minha bibliografia foi basicamente voltada para a Comunicação e se eu realmente tivesse chegado ao capítulo da Escola de Frankfurt no meu livro de Teoria da Comunicação minha colocação no concurso da Transpetro seria um pouco melhor. Mas pelo menos passei e pelo que vejo ninguém está sendo chamado mesmo.
Meio chato o período longo da seleção. Entreguei o projeto em dezembro, para isso estava estudando desde outubro (novembro, na verdade), mas a prova só será no meio de janeiro e o resultado só sai em fevereiro. Enquanto isso Rodolfo (primeiro lugar geral foi pra fuder!) e Mariana já fizeram inscrição, entregaram projetos, fizeram as provas e os dois foram aprovados (em Direito e Comunicação). Vou ter que tomar uma cachaça com os dois antes de passar na minha seleção. Pelo menos, posso chamar Fernando, mas a gente vai ter bem menos tempo de férias que o casal 20.
Bem, o que me incomodou mesmo esta semana. Aumento de 90,7% nos salários dos deputados. Raul Jungman como vice-líder do PPS vota a favor. E depois a imprensa pernambucana passa uma semana dando voz a ele porque está prometendo devolver o dinheiro. Ahn? A única vez que foi citado que ele votou a favor foi no blog do JC. Mais uma vez a Internet se mostra um meio de comunicação fuderoso. A imprensa é uma merda mesmo. Viciada. Comprada. Vence quem sabe se aproveitar. Mas também é triste saber que a maioria mal lê as linhas. Muito menos as entrelinhas.
6.12.06
Diario Oficial e gastos indevidos
Fico feliz toda vez que acredito existirem jornalistas que lêem o Diario Oficial. O blog do JC fez uma bela denúncia sobre a feia decoração natalina do Recife.
Me lembro, quando entrei no JC, como Alberto Lima dava furo quase toda semana porque só ele lia com cuidado os Diario Oficial (da Prefeitura e do Estado). Infelizmente, a vidinha de jornalista ganhando merreca não deu para o cara e ele, segundo me contam, está trabalhando no Itamaraty ou fazendo Instituto Rio Branco - não lembro bem.
Venho a algumas semanas percebendo a feiura da decoração. Fitinhas nas cores dos Estados Unidos. -Isso não vai dar certo. Vai ficar tudo enlinhado com o fio. Vai desgastar rápido. Fora que é feio mesmo.
Olha que eu já critiquei a decoração do Carnaval, não faço mais. É todo ano a mesma pessoa que faz, mas faz com muita competência.
E não acredito que sejam gastos quase R$4 milhões para uma decoração de Carnaval, como foi essa do Natal. Além do mais, 120 mil para a concepção do projeto por José Pimentel. (?). Ele é decorador, designer, artista plástico, arquiteto, engenheiro ou tem uma equipe multidisciplinar que atue nessas áreas e colabore com ele na concepção dessa decoração?
Sempre há explicações. Os banheiros da praia eram caros, porque eram inquebráveis. Eu uso e vejo as torneiras vazando... Só porque é vizinho, vou falar que foi só a Prefeitura assumir as quadras de tênis da orla para o lugar começar a ficar destruído. Grades, redes. Até o povo que foi contratado para dar aula, e vivia lá, desapareceu.
No domingo que o menino Rafael morreu eu ia jogar tênis lá, por uma fatalidade não estava por ali. Podia ter visto. Podia estar menos deserto o lugar. Mas se as quadras ainda estivessem sendo controladas por João (um cara de lá, que tomou conta por muitos anos), com certeza o lugar estaria mais cheio de gente. E o perigo seria menor.
Pena que uma coisa que dava certo, foi estragada e ainda tem custos para o contribuite.
Agora, tem o outro lado. O cara podia passar o ano lendo Diario Oficial e as loucuras que Mendonça está fazendo antes de sair do Governo não iam deixar de ser censuradas. Uma pena, mas é a realidade.
Me lembro, quando entrei no JC, como Alberto Lima dava furo quase toda semana porque só ele lia com cuidado os Diario Oficial (da Prefeitura e do Estado). Infelizmente, a vidinha de jornalista ganhando merreca não deu para o cara e ele, segundo me contam, está trabalhando no Itamaraty ou fazendo Instituto Rio Branco - não lembro bem.
Venho a algumas semanas percebendo a feiura da decoração. Fitinhas nas cores dos Estados Unidos. -Isso não vai dar certo. Vai ficar tudo enlinhado com o fio. Vai desgastar rápido. Fora que é feio mesmo.
Olha que eu já critiquei a decoração do Carnaval, não faço mais. É todo ano a mesma pessoa que faz, mas faz com muita competência.
E não acredito que sejam gastos quase R$4 milhões para uma decoração de Carnaval, como foi essa do Natal. Além do mais, 120 mil para a concepção do projeto por José Pimentel. (?). Ele é decorador, designer, artista plástico, arquiteto, engenheiro ou tem uma equipe multidisciplinar que atue nessas áreas e colabore com ele na concepção dessa decoração?
Sempre há explicações. Os banheiros da praia eram caros, porque eram inquebráveis. Eu uso e vejo as torneiras vazando... Só porque é vizinho, vou falar que foi só a Prefeitura assumir as quadras de tênis da orla para o lugar começar a ficar destruído. Grades, redes. Até o povo que foi contratado para dar aula, e vivia lá, desapareceu.
No domingo que o menino Rafael morreu eu ia jogar tênis lá, por uma fatalidade não estava por ali. Podia ter visto. Podia estar menos deserto o lugar. Mas se as quadras ainda estivessem sendo controladas por João (um cara de lá, que tomou conta por muitos anos), com certeza o lugar estaria mais cheio de gente. E o perigo seria menor.
Pena que uma coisa que dava certo, foi estragada e ainda tem custos para o contribuite.
Agora, tem o outro lado. O cara podia passar o ano lendo Diario Oficial e as loucuras que Mendonça está fazendo antes de sair do Governo não iam deixar de ser censuradas. Uma pena, mas é a realidade.
5.12.06
A academia
Nunca gostei.
Mas a verdade é que as vezes a gente acaba mudando os caminhos da vida. De repente, eu me toco que o sonho de jogar três peladas por semana nunca se realiza. Ainda mais que eu queria ter uma de tênis, outra de basquete e a minha de futebol (a única que tenho frequentado realmente).
Tive o maior prazer em fazer meu projeto para o Mestrado em Serviço Social. E quantas vezes eu não entendi a vida de Jampa, Julia, Rafael... De repente, faz sentido para mim entrar nesse mundo. Minha explicação: a pessoa tem que ter um foco que lhe interesse bastante, para aguentar passar pela parte chata.
Sei lá, talvez o foco para Jampa seja o de fazer a vida dele em torno desse mundo. Para mim, é estudar a história da Muribeca. Com isso, acaba fazendo sentido estudar História Oral, Urbanismo, Avaliação de Projetos Sociais e tantas outras coisas que sozinhas me pareceriam chatíssimas.
É isso. Finalmente dei entrada, agora só resta estudar para não ficar no caminho.
Mas a verdade é que as vezes a gente acaba mudando os caminhos da vida. De repente, eu me toco que o sonho de jogar três peladas por semana nunca se realiza. Ainda mais que eu queria ter uma de tênis, outra de basquete e a minha de futebol (a única que tenho frequentado realmente).
Tive o maior prazer em fazer meu projeto para o Mestrado em Serviço Social. E quantas vezes eu não entendi a vida de Jampa, Julia, Rafael... De repente, faz sentido para mim entrar nesse mundo. Minha explicação: a pessoa tem que ter um foco que lhe interesse bastante, para aguentar passar pela parte chata.
Sei lá, talvez o foco para Jampa seja o de fazer a vida dele em torno desse mundo. Para mim, é estudar a história da Muribeca. Com isso, acaba fazendo sentido estudar História Oral, Urbanismo, Avaliação de Projetos Sociais e tantas outras coisas que sozinhas me pareceriam chatíssimas.
É isso. Finalmente dei entrada, agora só resta estudar para não ficar no caminho.
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