29.6.07

Lá e lô

Suplicy fica magoado com queixa de Lula"

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paparicado publicamente pelo PT como trunfo eleitoral, Suplicy é motivo de queixa e até chacota em conversas reservadas no partido, pelo comportamento considerado obsessivo em busca da verdade.

Em reunião com os senadores do PT Ideli Salvatti (SC) e Tião Viana (AC), para discutir o caso Renan Calheiros (PMDB-AL), Lula teria se queixado de Suplicy, que cobra o depoimento de Renan no Conselho de Ética e causou constrangimento ao se oferecer para relatar o caso.Na eleição do novo presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), anteontem à noite, Suplicy votou no candidato governista. Depois, emocionado, cobrou de Ideli explicações sobre uma notícia que lera num site:

— A notícia diz que a senadora levou uma reprimenda do presidente por ter me escolhido para o Conselho. Sempre me dediquei com muito esmero ao PT, buscando sempre a verdade, foi por isso que fui para o partido."

Presença de Inocêncio Oliveira em evento da prefeitura causa desconforto no MTC

Por Luís Carlos Lins

A presença de figuras como a do deputado Inocêncio de Oliveira em ato de inauguração da Agência de Trabalho João Francisco da Silva não pode tirar brilho daquela homenagem.
O prefeito da cidade do Recife, o Sr. João Paulo Lima e Silva, enviou convite à sede do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos, a fim de inaugurar uma agência de trabalho no bairro do Recife Antigo no dia 25 do mês em curso, em homenagem ao militante sindical cristão e eterno operário, João Francisco da Silva.

Lembrança e homenagem das mais justas a um homem que dedicou toda a sua vida à emancipação da classe trabalhadora, atuando ao lado do saudoso Dom Helder, Pe Romano, Reginaldo Veloso, Lorena Araújo, Luís Barros, Elias Cândido, e tantos outros, na antiga ACO- Ação Católica Operária (hoje MTC).

João Francisco, além de militante da causa operária, lutou pela redemocratização do País(foi um dos torturados durante o regime militar) esteve presente nas mais diversas lutas em prol da cidadania coletiva. Antes de falecer atuava junto ao SINTRAPE - Sind. dos Aposentados e Pensionistas de Pernambuco e era sempre presente nos atos e reuniões do Fórum Permanente Pela Ética na Política.

A presença de pessoas alheias e antagônicas a este testemunho de vida dado por João Francisco, na inauguração do empreendimento que leva seu nome, como o deputado, empresário e tido como ex-mantenedor de mão-de-obra escrava em uma de suas fazendas, Inocêncio de Oliveira, não pode tirar em hipótese alguma o brilho daquele momento e muito menos confundir os presentes a cerca da firmeza ideológica de João.

Quem conheceu e conviveu com João Francisco sabe que ele sempre teve lado e procurou até o fim ser fiel a Jesus Cristo e à Classe Operária.

PS: Luís Carlos Lins é membro do Fórum Permanente pela Ética na Política e militante do MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos.

15.6.07

O novo parque

Fui muito crítico em relação ao projeto de Oscar Nyemeier em Boa Viagem. Recifense, que recentemente cheguei a Brasília, não gostei de ver alterada a idéia original surgida de um anseio coletivo.

Escrevi um artigo criticando o prefeito João Paulo. Já não bastariam os arranha céus, que agora já tomam conta até do bairro em que cresci – Casa Forte, que era conhecido pela sua tranquilidade.

Seria preciso também ocupar, como aqui no Distrito Federal, mais uma área de recreação com a aridez do concreto? Os moradores, antes dos políticos, deram sua resposta: não.

Coloquei uma enquete no site do deputado federal Paulo Rubem. Mais de 70% das pessoas disseram que queriam uma área verde.A oposição veio reforçar o coro. Responsabilisar a gestão municipal pela escolha.

Saudades da competente oposição petista. Pedro Eurico e Raul Jungman esqueceram de lembrar Paulo Freire., ao criticar o nome dado ao parque. O educador pernambucano gostava de lembrar como são bonitos os nomes dados pelo povo pernambucano.

Ele nem precisou apelar aos versos de Manuel Bandeira. Seria uma prosa de Saudade. Paulo Freire falava de Brasília Teimosa. Bairro onde desenvolveu, junto com a população, sua pedagogia do oprimido.

João Paulo recuou. Movido pelas críticas. Diminuiu a área construída e tirou parte da área concretada, dando espaço para a grama, no projeto do Parque Dona Lindu. Foi o que ele precisava para avançar.

Finalmente, algum morador de Jaboatão, passando na frente daquele enorme terreno de carro, pois os ônibus são proibidos de circular pela nossa avenida litorânea (medida besta!). Deve ter pensado e dito ao nosso prefeito.

- Grande mesmo é o terreno da Gameleira.

E, assim, começou a mudança na história daquele terreno que é, para mim, símbolo de muito do atraso do nosso Estado. Um espaço ocioso, onde se plantou o ódio e prosperou a ganância.

Uma briga de famílias que dura quase um século. Fazia daquele espaço algo absolutamente improdutivo.

Herança por um lado dos herdeiros de Júlio Maranhão. Usineiro que, por incrível que pareça, teve sua usina fechada por irregularidades cometidas no início do século passado. Pois é, esse País tem surtos de Justiça faz tempo.

A Polícia Federal que o diga. Pelo outro lado, a herança foi comprada pelo ex-deputado, mas sempre acusado, e ainda não punido, Pedro Corrêa. Mais uma vez envolvido em lobbies e conchavos, segundo notícias publicadas nesta semana.

Agora, mais que isso, gostaria de sugerir ao prefeito João Paulo. Lembre dos seus tempos de oposição. Era tão bom recitar Manuel Bandeira, lembrar de Paulo Freire. Foi tão bonito construir a Ponte Gregório Bezerra.

Prefeito. Faça uma votação para eleger o nome do novo Parque de Boa Viagem. Pernambuco não quer ser conhecido pela Política do Carangueijo. Queremos nos orgulhar de poder dizer que foi aqui que foi desenvolvida a Política do Oprimido.

De início proponho duas opções.

Uma singela a outra simbólica. Parque da Gameleira. Ou, para fazer uma justa homenagem, Parque Paulo Freire. É que aprendendo, como ele aprendeu, com o povo simples de Pernambuco, ele merece ser escolhido para essa homenagem.

13.6.07

No meio de 18 mil

Nenhum jornal da grande imprensa brasileira deu a foto do Nilson Nelson lotado para a abertura do V Congresso Nacional do MST. O meu blog também não vai dar. Estava sem minha máquina. Mas fiquei ali assistindo aquele pessoal todo, junto com Rodolfo e Reginaldo.

A estrutura é enorme. A macaxeira com linguiça é bem cheirosa. Lonas coloridas de circo se misturam com umas branquinhas, só não vi as famigeradas lonas pretas. Não tem partido político que reúna 18 mil pessoas para pensar como o MST faz.

Raul Jungman está aqui na minha televisão dizendo que não quer pedir dinheiro para campanha política. E eu não quero que ele pegue o dinheiro do Incra. Será que ele não teria se elegido fazendo um bom trabalho na Reforma Agrária? Acho que ele não teria a capacidade mesmo não.

Sinceramente. Reforma Política é o caralho! Alguém acredita na bendita lista? Financiamento (exclusivamente?) público? Pena que Paulo Rubem esteja falando em vão.

- Precisamos garantir que os candidatos e gestores sejam realmente punidos!

Coisa tão simples né. Mas os projetos todos nesse sentido não têm sido nem mesmo colocados em pauta. E entra um para dar Foro Privilegiado a mais autoridades. E a sociedade fica calada e ainda acha feio o MST que está se reunindo.

Foi bonita a festa pá, fiquei contente. Nunca tinha visto uma coisa tão grande. Gente como a gente. Umas meninas bonitas. Uns caras com jeito de trabalhador. Outros com bolsa de estudantes. A maioria não devia mesmo ser trabalhador da terra. Mas tinha alguma vontade de transformar essa terra.

Estou aqui nesse Congresso Nacional. Mas pensando o quanto essas pessoas estão fechadas ao que está fora daqui. Meu objetivo deve ser esse, trazer um pouquinho de areia para esse mar. Mesmo que as águas continuem levando para o meio do oceano...

10.6.07

Regressão

Dessa vez foi tão forte que vim escrever aqui.

Sonhei que voltava para o Marista. E era reprovado. No ano seguinte, eu entrava no Segundo Ano e ia para a cadeira da frente. O irmão de Felipe Padilha (esqueci o nome do cara) vinha conversar comigo. Eu dizia:

- Você acredita que a cinco anos eu já estava no Segundo Ano?!

Foi nessa hora que o sonho cruzou com a realidade e acabei me acordando. Pensei que não fazia sentido. Fui para os Estados Unidos. Voltei no Terceiro Ano. Como é que posso ter tido de voltar para a escola se já fiz faculdade? Ah, ainda bem que posso continuar me preocupando em passar no meu Mestrado. Por sinal, vou fazer isso agora.

Eita trauma.

Sim. Quando eu chegava para o primeiro dia depois de ser reprovado, ia disposto a começar a estudar. Até mentia que tenho problema de vista para justificar para o professor que queria ficar na primeira fila. Era aula de Literatura. Mas não era Jorge Alves. Me lembrei de Xerxes (Matemática), mas também não era ele. Um professor bonachão, mas bom no que ensinava.

Era esse o conceito.

3.6.07

BSB para Menores

A Gol está com uma promoção que acho super interessante. Contra-mão no feriado. Faz preços um pouco mais baratos que os do dia-a-dia para as pessoas realizarem viagens para locais não-turísticos. Como Brasília. Eu não poderia ir para Recife, mas comprei uma passagem para Chico por um preço bem legal.

Então, estou na minha semana de expectativa.

Brasília tem um zoológico muito legal. Elefantes, girafas, hipopótamos e animais do mundo todo em uma área fantástica. São espaços enormes mesmo. Além disso, uma atração especial é o borboletário. Sonho de qualquer menina, mas muito apreciado até pelos machos-adultos-do sexo masculino-brancos, como eu. Uma estufa grande, mas cheia de borboletas, água e flores. Imperdível.

O Parque da Cidade é o passeio mais tradicional. Barato, enorme e cheio de atrações (que ficam espalhadas). O kart é caro para caramba, mas vale a pena para quem está de visita. Custa R$40 e estou afim de esperimentar. Tem também um mini-parque de diversões, com montanha russa, roda-gigante e outros brinquedos. Já o Ana Lídia tem aqueles brinquedos tradicionais (escorrego e tal) e esse nome em homenagem a uma garota que foi morta pelos skinheads de uma Brasília que eu ainda não conheci. E tomara que nem exista mais... Fora isso, uma pista de cooper de dez quilômetros, que pode ser feita de bicicleta, patins ou skate. Um laguinho onde futuramente haverá pesque-pague. Sem falar que antigamente havia a piscina de ondas. Acho que faliu? Muito legal o Parque da Cidade.

Tem uns pontos que são óbvios e valem a pena mesmo assim. O Congresso Nacional além da pompa é onde eu trabalho, ele vai ter que ir. A Torre de TV eu gostei de visitar. Tem uma feirinha embaixo e, ao contrário da Torre Eiffel, não tem fila e o elevador é grátis. Muito melhor do que a grande roubada dos passeios a Paris! O Palácio do Planalto e o Itamaraty têm visitas guiadas, mas eu nunca fiz. São outras opções.

Dos museus o que acho mais interessante é o de JK. Realmente, incrível ver como essa cidade foi construída no nada, somente do sonho desse presidente maluco. Criar uma cidade no meio de tanto barro vermelho, pode ter certeza que ainda parece estranho hoje em dia. Pena que saiu de cartaz uma exposição da Turma da Monica sobre Santos Dumont, foi só até semana passada no CCBB. E, eu mesmo, estava curioso de ir até lá. O Museu Nacional é outra opção, parecida com o futuro Parque de Boa Viagem...

Tem duas opções de boliche, uma no Park Shopping e outra bem pertinho de onde vou morar na Asa Norte. Estou tentado a experimentar a segunda opção. Que deve estar ali desde que o Congresso Nacional passou a funcionar em Brasília. Acho que foi projeto de uma esposa de senador, tentando diminuir o mercado para as garotas de programa. Pobrezinha...

Cinema e teatro aqui sempre existem boas opções. Tá bom, a lista de teatro não chega perto do que existe em São Paulo. Mas até que o circuito exibidor de filmes não deixa muito a desejar ao que eu conheci no Rio. Em relação a Recife, o número de opções é infinitamente maior. As opções para criança, no entanto, estão meio restritas. A família do Futuro, Homem Aranha 3, As tartarugas ninja e Piratas do Caribe. O básico.

O ideal mesmo da viagem seria levar o pirralho para ver as cachoeiras em Goiás. Acampar em Salto Corumbá ou pegar uma pousadinha em Pirinópolis. Vamos ver se vai dar tempo...

29.5.07

Propaganda descarada

Estava atualizando o blog de Chico ontem. Depois me toquei que aqui não tinha o link. Visitem: www.berrodosilencio.blogspot.com.

26.5.07

Minha musa da semana

No gabinete de Roberto Leandro eu era a tendência Chico Alencar e Rodolfo a ala Ivan Valente. Falei com os dois em Brasilia essa semana. De relance, mas são meus ídolos. Assim como meus amigos vão ter ídolos na cena trance ou na dança contemporânea. Mas a verdade é que tenho aprendido a gostar mais de uma ex-petista.

http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed122/erundina.asp

24.5.07

O sopro, o respiro e a cagada

Me lembro de uma conversa com um ator recifense há muitos anos atrás. Ele falava de um amigo meu, dizendo que o cara quando subia no pálco respirava fundo e enchia os pulmões com a sensação do "eu sou artista".

Por mais que o cara tivesse interpretando um puta personagem a gente só conseguia prestar atenção no tom acima em que ele se colocava.

Acho que o cara já aprendeu a soprar, mas me lembrei disso hoje lendo um texto super metido. Por mais que achasse a informação importante não consigo ler esse tipo de coisa.

Principalmente se for literatura. O ator as vezes vai para o palco descalço para mostrar que é um ser livre. O cara que escreve pode até estar de sandálias, mas vai explicar que botou porque o chão estava frio.

Um texto teórico muitas vezes é escrito com as palavras mais difíceis por dificuldade do autor de sair do mundo elaborado onde atua. Acho mais cagada ainda quando o cara quer fazer literatura e vai procurar as palavras mais difíceis para impressionar as menininhas.

Agora convenhamos, soltar o respiro e digitar a brisa ou as trovoadas é tarefa para poucos.

23.5.07

Deputados só pensam naquilo...

Acaba de ser votado na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional o relatório preliminar do deputado federal João Leão (PP-BA) para a Lei de Diretrizes Orçamentárias 2008. A sessão foi um bom exemplo do clima que impera no centro do poder.

Antes da reunião, os líderes tiveram uma reunião e convenceram o deputado baiano a retirar de sua proposta a inclusão de um anexo de metas. Ele aproveitou e, já que não era mais com ele, diminuiu os valores dessa peça que caíram de R$37 bilhões para R$26,4 bilhões. Será que essa discussão era importante? São bilhões mesmo!

A mudança ocorreu depois do deputado Paulo Rubem (PT-PE) denunciar os super-poderes da Comissão Mista de Orçamento e colocar entre as metas do grupo de trabalho que irá investigar a legislação anti-corrupção a maior participação popular no processo de planejamento e execução dos orçamentos públicos.

Durante a reunião o assunto que imperou foi corrupção e a Operação Navalha. Paulo Rubem disse que era preciso aproveitar o momento para dar mais poderes aos órgãos investigativos e melhorar a legislação anti-corrupção, especialmente favorecendo a transparência. João Leão respondeu dizendo que nunca em sua vida tinha visto um deputado, qualquer que fosse, "propor coisa que não seja correta".

Mas a verdade é que o relator foi obrigado a diminuir seus poderes pelos líderes, que sentiram a pressão popular após mais uma operação bem sucedida da Polícia Federal. Vários outros deputados falaram abertamente sobre o que estava os preocupando naquele momento, corrupção, e o orçamento foi votado rapidamente. Afinal, ninguém estava muito atento a isso mesmo.

21.5.07

Síndrome de Super Homem

Lembro um dia. Sentado no banco da Pracinha do CPOR. Não sabia bem se era criança ainda. Devia estar na minha pré-adolescência. Com um pouco de medo. Será que isso aqui tudo está acontecendo só para testarem minhas reações.

Isso aqui, eu pensava o mundo. A China vencer o Brasil no vôlei feminino. Tudo mesmo!

Chegava a imaginar até que os jogos de futebol eram todos armados. Não era nem pelo jeito simples, de simplesmente se criar um placar, eram todos atores que tinham o script inteiro da partida marcado. Imagine como devia dar trabalho quando eu ia assistir uma partida no estádio? Tinha que combinar com a torcida toda também.

Deve ter um nome isso. Sei que durou muito na minha cabeça. Isso de me achar no centro do mundo. Até hoje tenho dificuldade de me lembrar quando levei um fora de uma menina? Mas também de quantas eu corri atrás. O pior é que isso tem explicação. Como é que alguém que se acha o centro do mundo vai poder encarar a derrota.

Não no jogo de botão. Ou mesmo na partida de seu time. A mulher amada não lhe querer. Pode se tornar mais importante nunca saber o resultado. Ainda bem que tiveram algumas meninas que souberam me tirar do isolamento.

Para mim, mais que isso, me considerar adulto foi mais conseguir o entendimento de que eu também faço o mal. Perceber que meu discurso de querer o bem pode ser muito bonito. Mas que de vez em quando ao me virar já feri alguém de tirar sangue.

Demorou viu.

E honestamente quando veio chegou a dar uma sensação de alívio. Muito difícil tentar deslocar o mundo inteiro para que sua posição não fira ninguém. Talvez seja mais fácil simplesmente tentar não ferir aqueles a quem amo e devo respeito. Ou apenas notar que passei por cima de alguma coisa e continuar meu caminho.

É minha constatação de quem está chegando aos 29, pensando já nos 30, porque sempre haverá outro 31.

Não quero que meu filho se machuque pelas minhas escolhas. E dai, ele continua sofrendo na carne os efeitos. Não basta dizer que foi sem querer.

É bom ser adulto. Finalmente.

14.5.07

Alexander - 702 Norte

Estava na casa de Bernardo. Mas César tinha acabado de sair quando passei lá.

Fui andando para o território santista de Brasília. Sem camisa do Sport. Estava fazendo o reconhecimento. Vi o jogo do Palmeiras quase todo. Tinha gente torcendo para tudo quanto é time, resolvi ficar na TV pequena. Ali tinha de tudo, palmeirenses, flamenguistas, botafoguenses e até gente que estava só tomando uma no domingo de tarde.

Quase na hora do jogo, chegou o pessoal que eu tinha marcado. Resolveram ir para a área dos santistas, porque o pai de Maria (são paulina) é um deles. Ficamos eu e Caetano meio acuados ali. “Trouxe um casaco do Sport”, ele me disse. Mas ficou aguentando o frio. Não tinha clima para isso.

Dois minutos de jogo. 1X0 para o Santos. Comecei a falar da vida. Seu Melo também acabou de chegar em BSB. Também é assessor de imprensa de petista, Marta Suplicy. Também já foi de redação. Se sente um pouco mais petista que jornalista (essa não teve também). E, ao contrário de mim, estava torcendo pelo Peixe e feliz.

Quase não vi quando Weldon empatou o jogo. Mas quando Fumagalli ajeitou a bola para bater eu já estava ligado de novo.

- Ele nunca fez gol dai na vida. (ouvi alguém dizer na mesa da frente)

- Isso pelo Santos. No Sport ele faz toda semana. (menti, eu admito!)

Combinei com Caetano. Se for gol a gente comemora. Tá lá! Muito bem batida a falta. Se Pedrinho fez o primeiro à Juninho Pernambucano. Fumagalli respondeu no melhor estilo Zico.

- Que é isso ai.

- Aqui é lugar para homem.

- A gente que comprou essa TV.

- Gente. Estamos acompanhando dois santistas aqui…

Seu Melo ainda fez o H para não ter problema mesmo.

- Como é que faço para entrar na cota também.

E Caetano tentou contemporizar minha incitação.

- Quarta-feira a gente vem aqui torcer pelo Santos.

Depois Durval fez mais um gol de cabeça. E Washington perdeu duas vezes e na terceira finalmente marcou. Bom para pelo menos Weldon saber que precisa fazer gol para se firmar como titular no Brasileiro.

Pontos fracos do time: o lateral-esquerdo Bruno, o goleiro Magrão e os dois centroavantes (esses dois eu espero que me mostrem o contrário).

Pontos altos: Fumagalli (é o único que pode liderar o time para uma grande campanha), a zaga e os meia-ofensivos Vitor Júnior e Luciano Henrique.

Vão ter que mostrar o talento ainda: os tricolores Carlinhos Bala, Rosembrik e Osmar. E os volantes, que não tiveram trabalho contra o time reserva do Santos.

Agora só falta achar um bar para ser território pernambucano em Brasília. Torcer à Fred Amorim hoje em dia é perigoso demais. Mas digamos que foi prazeroso me lembrar de quando meu pai me levava para o Arruda e a gente ficava no meio da torcida do santinha.

Me fez lembrar do grito do meu pai no meio da torcida do Flamento em pleno Maracanã:

Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasccccooooo!

Domingo tem mais. E eu admito, vou torcer pela vitória do Sport e pelo gol mil de Romário. Pelo Sport (quase) Tudo!

11.5.07

Futebol à distância

Em Recife, sou o rubro-negro mais fuleiro. Aqui em Brasília o sentimento da distância torna o vermelho e preto mais importante. Assisti até a jogo do Nautico da Copa do Brasil empolgado, torcendo pelo timinho dos Aflitos.

Ontem, encontrei um colega de Tuti que está morando aqui em BSB: Caetano. Parecia que tinha me transformado no maior fanático. Contei toda a história da tradição de parceria das torcidas do Vasco e do Sport (Salve Ademir e Juninho Pernambucano!).

Bem, toda essa história é só para dizer da vontade que estava de ir para Recife esse fim de semana. Despedida de Bruna. Saudade do filho. Vontade de ser mais um na Ilha lotada. Tenho pelo menos mais 48 horas de esperança no Sport.

Vou assistir em um bar lotado de santistas.

Pensar um jornal



Bruna é irada porque eu gosto de comprar o Diario de Pernambuco. Mas tem algumas coisas além do melhor caderno de Classificados que me fazem escolher esse jornal. Parece ser o único que realmente tem na direção gente que quer fazer um jornalismo diferente.

Essa semana tive um bom exemplo. Todo mundo sabia que a Câmara ia aproveitar a vinda do papa para aprovar o aumento do salário dos deputados, para que o caso fosse abafado. Os jornais do Brasil inteiro caíram no conto. JC e Folha incluídos, mas Estadão e Correio também (para falar só os que leio diariamente). O DP não. Botou na capa uma manchete em seis colunas e duas linhas com letra em caixa alta: LULA E DEPUTADOS TÊM AUMENTO DE 28,5%. E uma foto grande do papa e Lula embaixo.

Não foi uma solução bem melhor do que os outros fizeram? Manchetes:
Estadão - Bento XVI condena o aborto e faz defesa da família tradicional (novidade zero!)
Correio Brasiliense - A benção e o castigo de Bento XVI (tradução: ele não disse nada inesperado).
JC - A CHEGADA, PAPA CONDENA ABORTO
FOLHA - O PAPA CONDENA. ABORTO. EUTANASIA

Por acaso ele não sempre condenou essas coisas?

A outra coisa que gosto do DP são os suplementos, especialmente o Diarinho dia de sábado, mas acho que são feitos meio nas cochas. A idéia é excelente, mas poderiam ser melhores.

9.5.07

Salário da coerência

Tive um momento bonito do meu trabalho agora. Paulo Rubem ligou na hora da votação do aumento do salário dos deputados. Estava tudo certo para ele votar a favor.

"Não posso votar pela minha necessidade, sou interessado".

"Faz sentido Paulo. Se você tivesse em uma situação de menos aperto financeiro talvez tivesse chegado a essa conclusão antes. E digo mais, as vezes acho errada a tua posição em defesa de aumento de salários para categorias como a dos delegados da Polícia Federal".

Tínhamos vindo de uma discussão com os técnicos das universidades federais. Eles têm o menor salário base do serviço público federal e estão preocupados com o PLP 01, que limita os gastos com pessoal nos próximos dez anos.

Como está crescendo o número de universidades, e profissionais, vai se criar uma situação insustentável. Eles não vão ter aumento e mesmo assim o gasto cresce porque o número de profissionais aumenta por conta de uma política do Governo Lula (a criação de cursos superiores em cidades de médio porte).

Urgência tem o projeto do Piso Salarial Nacional dos Professores. É isso.

4.5.07

Detalhes

O livro Estorvo ia se chamar Olho Mágico. Chico depois explicou que mudou o nome porque o objeto era um detalhe que lhe chamava a atenção no livro, queria dar aos leitores a escolha do que tomaria a imaginação de cada um.

Não sei se foi bem isso. Li esse livro na Sexta Série, mas marcou um pouco porque depois de corrigir o meu trabalho a professora disse que tinha alunos na sala que precisavam ler coisas mais apropriadas para a idade deles. Para satisfazer Débora Suassuna logo depois eu li O Perfume. Não foi uma boa escolha.

Fico com vergonha pelo cara quando vejo um jornalista defender o argumento das empresas de que, pela liberdade de imprensa, não pode se criar limites para a exibição de nada. O debate está rolando na Justiça. E, por isso, a TV Globo tem feito uma campanha pesada para dizer que imprensa tem que ter liberdade.

Para eles, os pais é que precisam impor limites. Vocês já viram a propaganda em que uma criança tem os olhos vendados? Eu fico querendo saber se os jornalistas da Globo têm carga horária de seis horas, sem possibilidade de hora-extra, para que eles possam estar em casa fazendo tarefa e criando brincadeiras com seus filhos?

Quando for assim eu começo a discutir esse assunto. Mas vou continuar sendo a favor do controle. Tem que ter horário para exibição dos programas, tem que ter aviso para dizer a idade apropriada de cada programa e tem que se respeitar o horário de todos os estados do Brasil (eles atualmente "respeitam" somente o horário de Brasília, quem está em outro fuso recebe os programas antes).

Acho até graça quando meu filho olha todo interessado para uma Playboy na banca. Mas acho bem pior algumas coisas que ele vê na TV. A curiosidade do corpo é tão normal. Mas tem umas idéias que as crianças convivem, por exemplo, nas novelas que misturam a cabeça delas mesmo.

Pena que o lobby das emissoras está ganhando o debate até agora.

2.5.07

Como transformar o plenário da Câmara dos Deputados em local de troca de conhecimentos?

É raro, mas as vezes acontece. Achei muito bonito o discurso da viúva de Paulo Freire hoje.

"Quando a Livraria Imperatriz, localizada na Rua da Imperatriz, citada aqui anteriormente por Paulo Rubem, depois da Segunda Guerra Mundial, recebia aquelas caixas de livros dos pensadores do mundo, havia um ritual. Os intelectuais da cidade eram convidados, tirava-se aquele lacre de fita de aço, abriam-se os caixotes, e cada um pegava um livro.

Posso imaginar Paulo segurando o livro, alisando-o atentamente, olhando o índice e alguma referência à primeira obra. Paulo aprendeu a partir de livros, sim, mas sobretudo de sua experiência, rica em compaixão com os explorados e oprimidos.

Em meu discurso, digo que Paulo aprendeu com intelectuais, muitas vezes negando-os, já que tinha outra compreensão. Afinal, para a academia, o único saber era o saber científico e filosófico. No entanto, Paulo dizia: Não, o saber é o saber do senso comum. É dele que a história da humanidade partiu e de onde devemos partir.

Quem ensinou o senso comum a Paulo foi a sua experiência de vida, o seu sofrimento, as suas incursões aos quintais alheios, mas principalmente o povo pernambucano, o povo dos alagados, de Brasília Teimosa. Paulo dizia: Que coisa deliciosa, como o povo sabe nomear as coisas. Brasília Teimosa se fazia, a Polícia vinha e a derrubava, mas ela ia se reconstruindo. Foi um espaço de teimosia, de rebeldia da população de Recife. Foi por causa dessa gente, chamada assim para menosprezá-la, que Paulo construiu o termo gentidade. A partir disso, da experiência que teve com a gente dos alagados, de Brasília Teimosa, de Afogados, dos pescadores de Ponta de Pedras e sobretudo dos camponeses da agroindústria açucareira,que Paulo aprendeu a ler o mundo.Foi por causa deles, que perguntavam e não queriam prestar atenção às respostas prontas que ele levava, que Paulo dizia: A pedagogia não pode ser a pedagogia das respostas, dos conteúdos prontos; a pedagogia tem que partir daquele que não sabe para aquele que sabe um pouco mais".

É proibido proibir










Um filme que me surpreendeu. Começa lhe trazendo um tipo de sensação e acaba num ambiente emocional completamente diferente. Podem acusar o roteirista de ter copiado o enredo de Cidade de Deus, realmente há algumas coincidências. Mas isso é o de menos quando temos um filme que ultrapassa a média.

Os três atores principais são bons. O roteiro também. Proibido Proibir ainda mostra um cenário carioca menos batido. Uma crítica resume assim: "o jogo que se forma na mente de um jovem adulto em meio à dura realidade brasileira é apresentada com clareza na tela na vontade de mudar o mundo versus o conforto do comodismo".

Gostei da solução para o problema amoroso do filme, mas ai alguém já pode me acusar de gostar de melodrama.

30.4.07

Meu ponto de vista, em resposta a João

Vou tentar responder a algumas angústias de João. Lógico que ninguém vai conseguir resolvê-las, mas talvez faça algum sentido a visão de um cara que não tem medo de ser antiquado e que ama essa cidade ao ponto de sair dela e continuar trabalhando com algumas das maiores mazelas que tem por lá.

O silêncio da nossa geração? Não é um sentimento pernambucano. O engajamento é uma coisa muito demodê. Para vestir uma camisa eu ganho salário. Não posso falar dos que esquecem de vestir as suas, só que acredito plenamente na minha trajetória.

Talvez aqui no Brasil seja um pouco mais difícil assumir os posicionamentos. Realmente, são poucas as oportunidades e são favorecidos os que baixam a cabeça para os grupos políticos ou econômicos: O jornalista que trabalha para vender o peixe de João Carlos Paes Mendonça ou de Eduardo Monteiro e que, quando muda o governador, muda também de opinião para agradar os novos maiores anunciantes. A arquiteta que se cala ao ver a corrupção e muitas vezes até deixa seu carguinho comissionado, mas não vê forças para enfrentar toda a máquina da estrutura Políticos Corruptos/Empreiteiras. Na arte existe a mesma divisão: os que se calam, os que são excluídos e os que entram no esquema de cabeça.

Aqui no meu trabalho temos feito aquela pergunta direto. Como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? Como apresentar outras alternativas de vida? Como fazer tudo por um pouco mais de ternura?

Cada um escolhe o seu caminho né João. Acho muito importante a gente saber que a mãe que cria seu filho abrindo o olho dele para não pisar no pé dos outros está fazendo a parte dela. E não acho que seja parcialmente não, porque cada um tem a sua escolha mesmo.

Paulo Rubem, por exemplo, decidiu voltar às bases, sem acreditar na política atual. A idéia dele é aquela da TV Viva no fim dos anos 80. Está com uma equipe de comunicação, equipamentos de gravação e exibição e tenta fazer os vídeos e exibir nas comunidades para causar o debate. Semana passada foi lançado um vídeo no Preto Velho. Mas é uma coisa muito inicial. Na qual estou tentando me integrar, apesar de estar mais aqui em Brasília.

Isso aqui é a idéia de quem faz Política. E acredita nisso. E acha até que para fazer o que acredita pode viver com menos do que o mercado lhe pagaria. Em Recife, ganharia mais do que aqui, para trabalhar para gente em quem não acredito (era a alternativa que eu tinha).

Mais um pouco aqui de Brasília. Estou em Assembléia aberta para discutir o Recife. Quando não tenho de acalmar Paulo Rubem, me sinto na obrigação de abrir a cabeça de Bernardo e ele tenta me mostrar algumas coisas boas que têm sido feitas por lá. Fico no meio da gangorra.

Semana passada fiquei puto com um texto que saiu no JC defendendo o Parque de Boa Viagem, Paulo me estigaria a responder, mas Bernardo acabou me convencendo de que estaria tirando o foco do debate principal. Resultado: botei uma enquetizinha no site de Paulo e acabei sem mandar a resposta para o JC.

João. Tenho certeza que você não precisa de dica minha, mas se está querendo mostrar as suas inquietações no Recife só precisa começar a suar para isso. A arte ainda tem alternativas bastante honestas de aprovação de projetos, que poderiam além de lhe dar o direito de discutir com o público e os profissionais brasileiros, pagar as passagens para você vir visitar sua família e amigos. Senta a bunda e escreve os projetos, que uma hora acaba saindo (pois qualidade você tem).

Sobre o espaço de debate, não existe lugar melhor do que a Internet, para gente tão distante.

Venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora

Normal. Mas não adianta viver esse desejo e essa saudade e querer voltar e não pensar como pode ser feito esse caminho de forma muito boa. Tem que estudar um pouco as possibilidades, escolher um caminho e suar para realizar o que você imaginar. Ou então aproveitar a sua história ai.

observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável.

A cidade pode estar estática. Mas acho esse papo de crescimento da violência uma babaquice. Serve muito bem para quem quer tirar o foco do debate. A violência existe, os caras continuam assaltando o orçamento, mas o controle começa a existir. As escolas continuam uma merda, mas será que eram muito melhores há dez anos? A polícia continua a matar gente pra caralho (vocês viram É proibido proibir? Filme do caralho!), mas o Ministério Público e a Polícia Federal investigam e prendem gente importante como nunca. Os usineiros continuam fazendo grilagem bem pertinho do Recife, antes de Porto de Galinhas, como sempre... Só não dá para achar que o grande problema do nosso Estado é a violência chegando perto da classe média. Isso é burrice ou sacanagem?!

Assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento).

Arrume dinheiro para voltar no Carnaval. E gaste sem pena no Recife, pois as coisas são baratas lá para quem ganha em euro. Culpa? Menos...

25.4.07

Um parque para o Recife

O secretário de Planejamento e Orçamento Participativo, João da Costa, em artigo publicado pelo JC, esquece de um princípio que vêm sendo defendido pelo PT desde a primeira bem sucedida gestão de Tarso Genro na Prefeitura de Porto Alegre. A participação popular nas decisões dos gestores públicos é um objetivo, um sonho, uma utopia e se não estamos na Suiça das votações pela internet temos algumas boas experiências no Brasil. A que ele capitaneia é apenas um dos exemplos a serem estudados e aprimorados.

A Prefeitura do Recife tem legalmente todo o direito de efetuar a obra que bem desejar no terreno cedido pelo Governo Federal, resta aos que participaram das mobilizações desde 2004 ou que passaram a ser apoiadores da idéia com o tempo (como o prefeito João Paulo) sugerir alterações que lhes pareçam interessantes. Os gestores do Executivo aceitam ou não as sugestões, mas se a carapuça de déspota recaiu sobre o deputado licenciado, talvez tenha sido justamente por ele ser o responsável pela pasta que deveria ouvir a população do Recife.
Tendo trabalhado na Prefeitura do Recife em projetos bem sucedidos como o da Inversão do Trânsito de Boa Viagem, posso dizer que ouvir a população é uma tarefa árdua, mas que na maioria das vezes dá certo. Lembro que na mudança do sentido das avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar um dos maiores prazeres do então presidente da CTTU, Ivan Carlos Cunha, foi tomar um café da manhã na padaria de um dos empresários que mais criticou o projeto e ouvir dele que a clientela do negócio tinha mudado, mas que o projeto tinha sido aprovado. Depois de muitas adequações, diga-se de passagem.

Há alguns anos, os skatistas recifenses aprovaram em um movimento fantástico através de milhares de votos a criação de pistas para a modalidade street no Orçamento Participativo. Uma delas inclusive já deveria ter sido construída em Brasília Teimosa. A gestão municipal vem propor a colocação de rampas no novo parque? A Avenida Boa Viagem já conta com esse tipo de equipamentos e quase sem uso, pois a maior parte dos atletas pernambucanos é praticante da modalidade que atualmente só tem uma pista com obstáculos adequados em Pernambuco – na Rua da Aurora. Que está sempre cheia de jovens moradores não só do Recife, como de toda a Região Metropolitana.

Neste ano, vim morar em Brasília. Niemeyerland como brincam alguns brasilienses. Aqui estão algumas das obras mais conhecidas desse fantástico arquiteto. Todas muito bonitas e adequadas ao clima de Brasília. Uma cidade onde me surpreendi em ver ao meio-dia a pista de cooper do Parque da Cidade lotada de gente (imaginem que é uma pista de dez quilômetros e as árvores do cerrado têm pouca folhagem). No Parque da Jaqueira, mesmo com a sombra e a brisa do Capibaribe, pouquíssimas pessoas se aventuram a correr no horário do almoço.

Não tenho o mínimo de propriedade para questionar o projeto do arquiteto Oscar Nyemeier e concordo que será uma assinatura importante para o Recife, mas porque não aproveitar a idéia e construir em um outro local, como foi sugerido pelas entidades que atuaram.

13.4.07

O pior sistema de transporte público do Brasil

Começo a pensar nas coisas que Brasília tem de pior do que o Recife. O sistema de transporte é disparado o primeiro lugar na lista. Não me lembro de ter ficado em um ônibus quebrado nenhuma vez no Recife, pois aqui já passei por essa situação duas vezes.

Tudo bem, já tive a informação de que a empresa que faz a rota para o Sudoeste tem a pior frota de ônibus do Distrito Federal. Mesmo assim, não esperava ter de conviver com veículos do milênio passado, que passam quando querem e ainda quebram diariamente (segundo confissão de uma cobradora).

Vai ver é por isso que todo brasiliense me manda pegar van. Mas isso nem sempre é recomendával. Uma das vezes que estava indo para a casa de Duda resolvi ceder aos alternativos, que estão por todos os lados.

- Condução para o Sudoeste?
- Tá saindo agora?
- Agora mesmo, tá ali do outro lado.
- Beleza.

Resultado: andei mais ou menos um quilômetro, para encontrar um prêmio preto velhíssimo e entrar nele com outros quatro passageiros. Coisa surreal. Mas cheguei sem problemas. Ainda foi menos ruim do que as experiências nos ônibus.

Existem alternativas? Deveriam. Brasília me parece perfeita para o uso da bicicleta. O cara não sua e quase não existem subidas. Mas não vejo ninguém usando. De carro, Duda me emprestou esse fim de semana, estou me divertindo por aqui. Os endereços são muito loucos. Me divirto de tentar achar os lugares.

Agora, a falta de humidade é mais complicada de resolver. Duda tinha me dito que com o tempo eu ia ficar doente. O organismo ia perder a resistência que tinha quando vim do Recife. Dito e feito. Já estou tendo a dor de cabeça e o nariz entupido típicos da Capital Federal.

Para isso não tem solução, mas pelo menos melhorou quando eu fui remar com Bernardo na Lagoa Paranoá. Vou ver se fico fazendo isso, mas é meio caro. Só que vale a pena até pelo lugar: Minas Brasília Tenis Clube.

2.4.07

Sábado no Parque




















Estava afim de ir ver o Festival Internacional de Palhaços. Eu e Bernardo assistimos a um show de uma argentina muito boa. Ele achou ela linda. Eu achei muito engraçado o show. Inclusive, pelas piadas sexualizadas.
O Parque da Cidade é gigante. Por enquanto, dei a volta de bicicleta, mas vou me preparar para dar correndo. Essa torre ai atrás da tenda do circo é a Torre de TV, um dos pontos turísticos aqui de Brasília.
Essa história de que Brasília não tem o que fazer? Bem, até agora discordo, vamos ver com o passar do tempo. O parque é muito legal, a vida cultural é bem mais cheia de coisas que a de Recife. Restaurante bom tem, precisa ter dinheiro. Essas coisas...

28.3.07

O povo

Ontem um cara queria me convencer a tomar um copo de cerveja de R$35. Não, obrigado. Brasília tem muita gente rica.

Hoje estava falando com Bernardo sobre as pessoas que a gente encontra no Congresso. Clodovil, ministros, Chico Alencar (para mim é como se ele fosse ator da Globo), jornalistas, os deputados pernambucanos que toda vez penso que me conhecem (e as vezes conhecem mesmo, fiquei conversando com Rands hoje no elevador), muitos jornalistas, muitos mesmo.

Acho interessante o sutaque genérico do povo de Brasília. Eles estão acostumados com as diferenças... A foto é de Bernardo.

Educação Infantil: entre as promessas e a prática

O ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta terça-feira (27), durante audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizada para discutir o Plano de Desenvolvimento da Educação, anunciou a criação do Proinfância. "Seguindo o exemplo do que foi implementado pelo Promed (no Ensino Médio)" o programa irá financiar a construção e reforma de creches para diminuir o deficit de vagas na Educação Infantil.

Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, o deputado federal Paulo Rubem (PT-PE) realizou levantamento para mostrar que o programa orçamentário Desenvolvimento da Educação Infantil (1065) apresentou, em 2006, execução orçamentária ínfima. Do total de R$27,9 milhões autorizados, somente R$6,6milhões foram efetivamente pagos, o que representa apenas 24%.

A ação Apoio à reestruturação da rede física pública de Educação Infantil especificamente teve aprovados mais de R$22 milhões, mas foram pagos apenas R$4.348.940, incluindo restos a pagar que tinham ficado de anos anteriores. A única das quatro ações do Programa 1065 que teve um índice de pagamento efetivo acima de 50% é relativa à aquisição de equipamento para a Rede Física de Educação Infantil.

O parlamentar petista acredita que a implantação do PDE não deve servir para que se subtraiam as metas estabelecidas para 2010 pelo Plano Nacional de Educação, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, e em seu lugar sejam criadas outras mais longas. "Precisamos ter uma avaliação para saber onde erramos, onde faltaram recursos e onde acertamos", afirma o petista
O deputado, que é professor da Universidade Federal de Pernambuco, acredita que a sociedade precisa ser mobilizada para fiscalizar a execução das verbas para Educação. Paulo Rubem acredita que, assim, o PDE não será apenas um modismo publicitário para aproveitar o momento posterior ao anúncio do PAC.

A necessidade de abrir vagas na Educação Infantil é reconhecida por todos. A necessidade de fiscalizar a execução do orçamento público também deve ser.

27.3.07

Primeira impressão

Logo que cheguei na França tive a mesma impressão, de que as coisas que imaginavam eram mesmo parecidas com a realidade.

Desci do Aeroporto e Duda me levou logo para a Câmara, dei uma voltinha pela Esplanada dos Ministérios e fui logo para o gabinete.

- Vou precisar desse paletó no Seminário?

- Não.

Foi verdade. Não precisava mesmo. Mas é interessante que entrei no Anexo IV sem dizer nada, mas quando fui passar para o Anexo II me pediram o crachá.

E até nesse encontro tinham vários assessores de imprensa de gravata e tudo.

Só estou achando meio diferente a proximidade entre a contravenção e o Poder. Fui pegar ônibus com Bernardo no fim do expediente de frente para o Congresso Nacional.

- Essas vans são irregulares mesmo?

- São. O transporte público aqui é uma bagunça.

19.3.07

Coração indignado

É terrível.

Mas tão terrível quanto, ou pior, é abrir o jornal e saber da filha de Newton Carneiro pronta para receber uma indenização de 900.000,00 pq machucou a mãozinha ladra num festa da Fundação Yaponatan, presidida pela sua irmãzinha solidária e atenta aos meios escusos de roubar o povo.

Para chegar neste ponto, muita gente - juízes, amigos, advogados, - sorriu maliciosamente. Aplaudiu ou se calou, desejando fazer o mesmo. Muitos conhecidos nossos, pernambucanos legitimos, nesta hora em que lhes escrevo, nos seus apartamentos de 3.000.000,00, arquitetam planos para ligar o imenso aspirador da riqueza e das esperanças e sugar toda substância que embasa um mínimo de acordo social.

A classe média omissa, alienada, não entende que para ser pobre e suportar a exclusão, os pobres têm que se entender em um contexto mínimo de acordo social, de legitimidade, de respeito a algumas regras que lhes permitam aceitar e viver com aumentos de 5 reais enquanto seus políticos acham pouco seus 46%?

O cinismo vem sendo o mote sobre o qual o Brasil dominante estabelece as nossas regras de convivência. Cinismo desmistifica e desestrutura a ordem das coisas. Com que motivos se justificam tamanhas diferenças?

O povo pobre brasileiro está exposto a 6 a 8 médias de tv diárias onde a mensagem final é compre, compre compre. Todo nosso sistema simbólico está montado no cinismo do Biguibroder, do consumismo desenfreado e na calcinha preta.

Até as igrejas, baluartes da moral, se reinventaram na teologia do bem viver e usufruir que levou o bispo da renascer para a cadeia no Estados Unidos, com todo perdão e indignaçãp das coniventes elites dominantes brasileiras loucas para carregar dolares nas cuecas.

Se a tv ensina o consumo, milhares de escolas ensinam e treinam os jovens nas práticas cotidianas da permissividade. Ninguem ensina, ninguem aprende, não existe hierarquias, respeito ao outro, manda quem pode e fala mais alto.

A violência nos prende nos muros com cercas eletrificadas ou nos emboscam nas ruas de boa viagem. Ela, é também, terrivel nos barracos, nos ônibus, nas salas de aula e nas ruas escuras dos bairros populares.

Eu só tenho perguntas, um coração indignado e uma prática cotidiana de tentar fazer alguma coisa que levante a bandeira da justiça, da solidariedade, da inclusão. Tenho também dois carros para dar ré e uma cerca elétrica no meu prédio. Mas até quando?

Inalda

9.3.07

Doutor Julio se orgulharia

George Bush não deve saber. Nem precisa. Afinal, nunca ouvi falar que o Sindaçucar esteja realmente investindo pesado em alguma tecnologia para melhorar a qualidade dos nossos biocombustíveis ou se está continua sendo bancado por gente que nem mesmo respeita os mínimos direitos trabalhistas (para não falar do Direito de Propriedade). Mas fico pensando como meu bisavô se orgulharia do nosso quadro político atual. O líder do Governo na Câmara Federal é José Mucio Monteiro. Na Assembléia Legislativa, João Fernando Coutinho foi para um posto mais importante, mas exerce a mesma função, além da Primeira Secretaria. Além disso, o governador Eduardo Campos ainda premiou a Agroindústria de Vitória de Santo Antão com o posto de procurador geral do Ministério Público de Pernambuco. A Esquerda são os usineiros? Ou os usineiros são a Esquerda? Sem preconceitos. Mas o quadro deve revelar alguma coisa.