MST encontra roça de maconha em fazenda ocupada
Movimento acredita que cultivo da droga explica violência com que foi recebido
Eduardo Amorim
Agência Nordeste
BRASÍLIA - Na manhã de hoje, trabalhadores rurais Sem Terra encontraram uma roça de maconha na fazenda Passarinho, em Lagoa Grande, Sertão de Pernambuco. Os trabalhadores, que estão acampados em uma área ao lado da fazenda, estavam buscando água quando encontraram a plantação de maconha. Segundo a assessoria do MST em Brasília, a Secretaria de Defesa Social já foi informada do fato e são aguardados representantes da Polícia Civil e Militar no local.
Para a direção do MST, isso explica a violência com que os trabalhadores Sem Terra foram recebidos quando ocuparam a fazenda, na última segunda-feira. Segundo relatos, logo depois da ocupação oito homens armados e encapuzados invadiram o acampamento ameaçando atirar e agredindo fisicamente diversos Sem Terra. As 150 famílias que ocupavam a área foram expulsas pelos pistoleiros e montaram acampamento em uma área ao lado da fazenda, enquanto aguardam que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) faça a vistoria da fazenda.
O MST espera que a polícia prenda imediatamente os responsáveis pela plantação e os pistoleiros que agrediram os Sem Terra. Espera-se também que o Incra faça a vistoria imediata da área, já que, segundo a legislação brasileira, áreas com plantio de drogas devem ser desapropriadas para fins de Reforma Agrária.
Soltei a âncora mais uma vez. Vim passar um ano morando em Nova Orleans e quero contar para os amigos algumas histórias sobre minhas pedaladas aqui na América do Norte. Sou geminiano, então pode esperar tudo menos uniformidade!
17.4.08
15.4.08
My blueberry nights

Catarina,
Roubei um beijo e fui ao cinema.
Para te acariciar, troquei teu nome por um beija-flor.
Um passarinho veio lá do Sul.
Conhecer no forró um peixe lá do meu mar.
Encontro voado, dançado, cerrado.
Rapidinho e molhado.
Quando eu era criança achava que o mundo todo girava em torno de mim. Gostava de imaginar uma brincadeira em que todos já sabiam qual seria o resultado do jogo de domingo, interpretavam apenas para conhecer minhas reações. Cresci, pelo menos em tamanho, e continuo com a mente infantil (e fértil).
Vi primeiro o nome do filme. Um beijo roubado. Poxa, poucos títulos me agradam tanto. Gosto da simplicidade, ainda mais porque resume um prazer sensual. Antes do pôr do sol ou Antes do amanhecer, querem imaginar o depois. Prefiro o estalo. O gostinho de sorvete derretido na boca de uma mulher linda.
Putz, aquele sorvete molenga só me faz lembrar de você. Pena que não tive nem a chance da sobremesa. Na real, fiquei apenas na cervejinha. Mas teimo em melar tua boca de tinto e voltar a te beijar. Longamente. E decorar o teu gosto. Vontade de descobrir teu sorriso. E ela nem me disse tchau.
Ainda bem.
Try a little tenderness é o tema. O cara é cozinheiro. Ela escreve: cartões postais. Ele faz a minha sobremesa de sonho de valsa. Não? É torta de blueberry. Água de beber de Nova Iorque. Um lugar antiquado, completamente maravilhoso.
A fotografia.
Digna do meu silêncio.
Dois empregos para solucionar o problema da insônia. Acho que conheço esse enredo. Coincidências. Também adoro viajar. Acho que no fim das contas estamos todos longe das nossas casas. Vai ver é isso. Saudade do que não vivi.
Te encontro.
Espero.
Vejam o filme. Hollywood. Com todas as qualidades que isso pode ter. Saudade de todas as mulheres do mundo. Uma querida me disse que minha mulher ideal é sempre a próxima. Acho que ela nem me conhece tanto assim. Mas com você isso só pode ser verdade.
O melhor filme de todos os tempos das últimas duas horas. Tá, antes de ver, eu preparei o cenário. O meu. Depois de assistir me deslumbrei com a imagem que ficou. A dela. Simples. Como um beijo na boca. De deixar a gente de cabeça para baixo.
Quero te levar no meu sobradinho, para ver o bloco passar. Um beijo. Melhor, dois.

8.4.08
Foto do Congresso
Voltei ontem andando do Ministério da Integração Nacional. Quando estava passando por esse ângulo da foto ai ao lado deu uma sensação de que aquele lugar era mesmo importante. Me lembrei de Gabeira, que vinha de bicicleta trabalhar e pensei que os parlamentares deviam andar de vez em quando para o trabalho para sentir o sopro da vida comum.
Foi dai que resolvi colorir um pouquinho de novo meu blog. Olinda, Jaboatão, Brasília, Poço da Panela e a primeira pichação de Chico (ele queria fazer o nome dele, mas eu dei uma orientada para não causar uma briga familiar. Tá ligado que tem um grande H?)
Foi dai que resolvi colorir um pouquinho de novo meu blog. Olinda, Jaboatão, Brasília, Poço da Panela e a primeira pichação de Chico (ele queria fazer o nome dele, mas eu dei uma orientada para não causar uma briga familiar. Tá ligado que tem um grande H?)
7.4.08
Meus quatro paletós
Saí da casa de Tuti hoje às 5 da manhã. R$30 depois eu estava no Aeroporto dos Guararapes. Comprei a Folha de Pernambuco para ler o Caderno de Esportes, já tinha a Folha de S. Paulo, ainda li um capítulo do mais recente livro de Anthony Bourdain (Maus Bocados). Enfim, 9 horas estava em Brasília. O ônibus passou bem na hora que cheguei na parada. Às 10h, já estava em casa.
- Dado. Você pode ir para o Palácio do Planalto? Para o anúncio da Medida Provisória que vai atender aos estados do Nordeste? O negócio das chuvas...
- Estou saindo Josilene.
Pedi o táxi. Nem troquei de paletó. Catei só uma gravata vermelha. E tome tentar dar o nó... Putz, tocou o interfone e nada de acertar. Perguntei ao motorista. Nada feito. Fui com ele mal feito mesmo. Diga-se, meu nó de gravata já é feioso, sem a ajuda da Internet ficou um negócio altamente malamanhado.
- Caramba, como tais suado...
Disse à colega que era por conta do trajeto todo. Mentira, era de tentar acertar o nó.
Na hora do almoço dei uma roubada numa gravata de Paulo Rubem, que estou devolvendo exatamente agora (diga-se de passagem!). Já estava com o nó preparado.
Mas esperando aquela coletiva, a minha segunda no Planalto, fiquei pensando como era estranho eu ter comprado quatro paletós na Vila Romana. Faz uns cinco anos. Quando cheguei na casa de Marcos Lima ele tirou a maior onda da minha cara. Mas acho que imaginava, no fundo, que ia realizar isso aqui.
Ser repórter no Congresso Nacional está longe de ser meu sonho. Mas é uma passagem muito importante na minha vida. Pelo menos para poder dizer tranquilamente que quero viver de fritar camarão ao alho e óleo em um boteco de Maragogi.
Sentei no Comitê de Imprensa do Senado e Renata Giraldi falava alguma coisa de comida. Uns pratos meio finos para mim, mas achei bom lembrar que detrás daquele profissionalismo todo mundo é gente no final das contas.
E fiquei pensando aqui nos caminhos da gente com um texto de Tapioca. Eu disse a minha ex-mulher que queria ser escritor, virei jornalista e sonho em viver de cozinhar. Ele está preocupado de não seguir o caminho imaginado. Mas é manter o foco e a gente chega em algum lugar.
Ser repórter pelo menos é um caminho para ser escritor. Para cozinhar? Num tem muito link não. Mas ajuda a formar a personalidade que tenho.
- Dado. Você pode ir para o Palácio do Planalto? Para o anúncio da Medida Provisória que vai atender aos estados do Nordeste? O negócio das chuvas...
- Estou saindo Josilene.
Pedi o táxi. Nem troquei de paletó. Catei só uma gravata vermelha. E tome tentar dar o nó... Putz, tocou o interfone e nada de acertar. Perguntei ao motorista. Nada feito. Fui com ele mal feito mesmo. Diga-se, meu nó de gravata já é feioso, sem a ajuda da Internet ficou um negócio altamente malamanhado.
- Caramba, como tais suado...
Disse à colega que era por conta do trajeto todo. Mentira, era de tentar acertar o nó.
Na hora do almoço dei uma roubada numa gravata de Paulo Rubem, que estou devolvendo exatamente agora (diga-se de passagem!). Já estava com o nó preparado.
Mas esperando aquela coletiva, a minha segunda no Planalto, fiquei pensando como era estranho eu ter comprado quatro paletós na Vila Romana. Faz uns cinco anos. Quando cheguei na casa de Marcos Lima ele tirou a maior onda da minha cara. Mas acho que imaginava, no fundo, que ia realizar isso aqui.
Ser repórter no Congresso Nacional está longe de ser meu sonho. Mas é uma passagem muito importante na minha vida. Pelo menos para poder dizer tranquilamente que quero viver de fritar camarão ao alho e óleo em um boteco de Maragogi.
Sentei no Comitê de Imprensa do Senado e Renata Giraldi falava alguma coisa de comida. Uns pratos meio finos para mim, mas achei bom lembrar que detrás daquele profissionalismo todo mundo é gente no final das contas.
E fiquei pensando aqui nos caminhos da gente com um texto de Tapioca. Eu disse a minha ex-mulher que queria ser escritor, virei jornalista e sonho em viver de cozinhar. Ele está preocupado de não seguir o caminho imaginado. Mas é manter o foco e a gente chega em algum lugar.
Ser repórter pelo menos é um caminho para ser escritor. Para cozinhar? Num tem muito link não. Mas ajuda a formar a personalidade que tenho.
31.3.08
Pelo Sport Tudo!!!

Até auto-queimação de filme. Na foto, eu e Caetano no Serra Dourada, durante a fatídica derrota do Leão para o Goiás, ano passado, pelo Brasileiro. Na quarta-feira, a partir das 21h30, estaremos na Boca do Jacaré torcendo para ter um resultado melhor contra o Brasiliense. Para quem é de Recife, resta o consolo de assistir pela Globo...
28.3.08
Questão de Estado
A grande imprensa não se tocou. O embrolio Petrobrás e PDVSA, que dificultou a assinatura do documento que cria a Refinaria Abreu e Lima, foi causado pela negativa da empresa brasileira de aceitar que a concorrente venezuelana entre no mercado nordestino. Para mim, que nem tenho carro, monopólio não é bom nem quando é estatal. Ou seja, acredito que a entrada dos venezuelanos seria positiva para nós consumidores e tenho certeza que a maior empresa do Brasil teria condições de enfrentar a concorrência. Faltou esse enfoque na cobertura da viagem do presidente Lula a Pernambuco. Eu quero a PDVSA no Nordeste! De preferência vendendo álcool também, para acabar de vez com o cartel dos usineiros e distribuidores de combustíveis. E que o Governo Lula exija contrapartidas para aceitar a entrada da empresa concorrente, mas isso não é para ser discutido por nenhuma empresa (nem mesmo a Petrobrás). É questão de Estado.
25.3.08
Brasília ainda encanta os nordestinos
Eduardo Amorim
Agência Nordeste
O Palhaço Plim-Plim saiu de Carpina em seu ônibus com toda a família, em novembro de 2007. Em 10 de dezembro acampou em frente à Funarte e começou a fazer espetáculos no seu mini-circo popular. No dia de Natal, ganhou de presente a ordem para baixar a lona. Ficou estacionado ali até conseguir novamente um espaço para se apresentar, desde 5 de março está no movimentado Parque da Cidade, onde espera só sair para levar sua "lata-velha" para o programa de Luciano Huck. "Passei fome e não comi Gogó de Ouro e Costa Nua. Agora que estou em Brasília elas são um símbolo da nossa resistência", diz ele, se referindo ao galo e a galinha que acompanham sua família pela estrada.
Mestre Danoninho tem uma história bem mais curta. O capoeirista saiu de Jaboatão no dia 4 de março. Sonhava em pedir ao presidente Lula apoio para construir uma academia de capoeira. Foram 13 dias pedalando pelas estradas de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, até chegar no Distrito Federal. Não teve de trocar nem um pneu e só diz ter tido dificuldades por conta do sol e para dormir, pois nem sempre era fácil encontrar um posto de gasolina para encostar a bicicleta. Em frente ao Palácio do Planalto perdeu as ilusões, mesmo assim faz questão de lembrar que os guardas lhe ajudaram dando comida e alguma ajuda financeira. Ele volta para casa neste fim de semana, sem ter conseguido falar com o seu conterrâneo mais poderoso.
Plim-Plim veio pelo Sertão para fugir da Polícia Rodoviária Federal. Danoninho foi até a Bahia pelo litoral, para depois de Feira de Santana entrar para o centro do País. As estradas das duas histórias se cruzam. Pela proximidade das cidades que os dois deixaram. E na falta de oportunidades de empregos do interior nordestino. Pelo sonho carregado de suor e desejos de ganhar a vida com dignidade. E no preconceito que enfrentam ou tiveram de enfrentar circenses e capoeiristas para exercer suas atividades.
Se cruzam também com as vidas de milhares de nordestinos que deixaram suas famílias para trás e vieram construir a Capital Federal. Dos procuradores aos mais simples concurseiros, que saem todos os meses recém formados de grandes e médias cidades.
Brasília continua sendo o sonho de um grande contingente de nordestinos, que se inspiram naqueles primeiros homens que vieram e se tornaram pedreiros, carpinteiros, encanadores e construíram os prédios que Óscar Nyemeier projetou.
Hoje, Brasília tem a segunda maior população de nordestinos fora da região, só perdendo para São Paulo. O primeiro fluxo veio antes mesmo da inauguração realizada por Juscelino Kubistchek. Os "candangos" vinham de todo o Brasil, mas a maior população com certeza foi de gente do Nordeste. Formaram-se cidades inteiras de pessoas vindas de diferentes estados, que se encontram ainda hoje em locais como a feira do Guará, para comer carne de sol, queijo de coalho, tapioca e levar uma manteiga de garrafa para casa.
O Governo do Distrito Federal não tem números atuais sobre o fluxo de nordestinos. Acredita apenas que, hoje, a maioria dos que ainda vêm morar aqui passou em concurso público ou pretende fazer provas para um dos muitos concursos que têm sido realizados nos últimos anos. A história desses dois nordestinos, um capoeirista e o outro palhaço e dono de circo ilustra muito bem a esperança e as dificuldades que nossos conterrâneos vislumbram ao chegar em Brasília nos dias de hoje.
Plim-Plim veio com a família toda
José Carlos Santos Silva, o Palhaço Plim-Plim, chegou a ter um programa na Rádio Alternativa de Carpina. A Hora da Fuleiragem ia ao ar às 5h da manhã, abrindo o microfone para todos os problemas da comunidade. Mas a alma de circense bateu mais forte e ano passado ele desarmou a lona e veio para Brasília, tentar regularizar o seu ônibus que, além de velho e enferrujado, está com três anos do seguro obrigatório atrasado.
Ele veio com a esposa, Lucicleide Oliveira, que é também cozinheira, recepcionista e responsável pelo som da trupe circense. Com o cantor e performer Daniel Rocha, o John Lennon de Carpina. Além de sua filha, Carla Vitória e da enteada Mikaela Oliveira, que já começam a se apresentar no Menor Circo do Mundo, como Plim-Plim gosta de chamar o seu espetáculo. O sonho de todos é chamar a atenção do apresentador Luciano Huck, para ter o ônibus reformado no quadro Lata-velha.
Por enquanto, vão se virando com apresentações que custam R$3. "A concorrência é dura, pois Marcos Frota está estacionado logo ali no Mané Garrincha", conta Plim-Plim, tranquilo pois sua audiência é formada basicamente por gente que teria dificuldade para pagar a entrada de R$20 do vizinho famoso. Muitos deles também nordestinos, moradores da Ceilândia, Taguatinga e outras cidades satélites. Ele faz apresentações curtas na lona aberta, para chamar atenção dos frequentadores do Parque da Cidade e quando está cheio de gente convida todos a entrarem para debaixo da lona, onde entre arquibancada de madeira e cadeiras desmontáveis há vagas para 50 pessoas.
Plim-Plim fez apenas três paradas no trajeto entre Jaboatão e Brasília. Petrolandia (PE), Coité (BA) e Vila Boa (GO). Nesses lugares montou a lona e passou entre três e quatro dias se apresentando para juntar dinheiro e continuar a viagem. "Na Bahia, tive tratamento VIP e pude montar o circo em frente ao Mercado Público", conta, fazendo questão de lembrar que a cidade em que montou seu espetáculo abriga o Museu do Palhaço.
Ele não se queixa de sua vida em Brasília. Conseguiu da Secretaria de Cultura a liberação da taxa de R$500 que teria de pagar para estacionar no Parque da Cidade e está garantido ali até o dia 5 de abril.
Antes disso, espera colocar as duas meninas para estudar em uma escola pública de Brasília e irá participar do Fórum Nacional do Circo Brasileiro. Organizado pelo deputado federal Paulo Rubem (PDT-PE), o evento vai se realizar no próximo dia 27 de março e terá como temas: Educação para as famílias circenses, Espaço público para os circos brasileiros, Os animais nos circos e, a pedido do Palhaço Plim-Plim, Por que Carpina proíbe o circo?
"Quisemos dar um apoio a esse batalhador", explica o presidente da Subcomissão de Cultura da Câmara dos Deputados, que abriu espaço para o lançamento do livro "O Palhaço do Circo Quadrado", que será realizado durante o Fórum, na Câmara dos Deputados. Escrito por José Carlos e pelo escritor Carlos Neves, do Museu do Palhaço (BA), a obra conta os 30 dias em que o Palhaço Plim-Plim ficou preso no Cotel por conta de uma prestação de contas que ele demorou a fazer à Funarte.
Livre da acusação, Plim-Plim chegou a voltar à penitenciária pernambucana para se apresentar em um Dia das Crianças. "Só sabe o que é sofrimento quem vive", recorda o palhaço-escritor.
Danoninho queria falar com Lula
Edson Ardelino chegou a ser presidente da Associação dos Capoeiristas de Jaboatão dos Guararapes. Integrante da Associação Rabo de Arraia, Mestre Danoninho é bastante conhecido entre os lutadores pernambucanos. Depois que sua mãe mudou-se com a filha dele para Camaçari, na Bahia, resolveu tentar a sorte na Capital Federal. "Eu queria contar minha história para o presidente Lula. Pedir para que ele me ajudasse a montar minha Academia. Mas os guardas disseram que eu ia ficar esperando para sempre e não ia conseguir falar com ele", explica o jaboatonense, que em uma semana decidiu voltar para seu Estado.
Sua viagem começou no último dia 4. Antes disso, Danoninho gastou cerca de R$300 para equipar sua única companheira de estrada. Uma bicicleta usada de uma marca tradicional. Saiu de casa com R$250 no bolso e chegou a ajudar um outro viajante no trajeto, pagando uma passagem para um baiano entre as cidades de Ibutirana e Luís Eduardo Magalhães. "Ele não estava conseguindo pegar carona, então paguei os R$23 da passagem", conta, com a maior naturalidade.
Contando com a resistência de atleta e a sorte de não ter estourado nem mesmo um pneu no trajeto, Danoninho chegou em 13 dias em Brasília. Saiu de Jaboatão pela BR 101, dormiu no Posto da Polícia Rodoviária Federal no limite entre Pernambuco e Alagoas na primeira noite. Depois, passou por São Miguel dos Campos (AL), Propriá (SE), Estância (SE), Alagoinhas (BA), Santo Estêvão (BA), Seabra (BA), Ibutirana (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Alvorada do Norte (GO), Vila Boa (GO), Formosa (GO) e finalmente Brasília.
Pedalou em média 200 quilômetros por dia, fazendo no total um trajeto de cerca de 2.600 quilômetros. A única coisa que teve de trocar na bicicleta foram duas sapatas de freio. Na estrada viu um acidente com morte na Bahia e chegou a fugir de um grupo de quatro possíveis assaltantes. "Eles pediram para eu parar, mas eu vinha em velocidade e consegui passar", explica o capoeirista.
Depois de uma semana em Brasília, Edson desistiu do sonho de falar com o presidente Lula. Conseguiu a passagem de volta com o apoio de um deputado federal e deve retornar a Jaboatão dos Guararapes ainda nesta semana. "Se puder eu faço a viagem novamente de bicicleta, mas só se for com patrocínio", diz ele, que quer voltar para poder conhecer melhor Brasília.
Esteve no Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, chegou a entrar no Congresso Nacional, mas queria ter tido mais tranquilidade para curtir esses lugares. Na Capital Federal, ele se sustentou com ajuda de pessoas que se sensibilizavam com sua história e passava os dias em frente ao Memorial JK, um dos pontos turísticos mais movimentados de Brasília. Antes de voltar, Mestre Danoninho enviou uma carta para a produção do Programa do Gugu, contando o seu drama e pedindo apoio para montar sua Academia de Capoeira. A luta continua.
Eduardo Amorim
Agência Nordeste
O Palhaço Plim-Plim saiu de Carpina em seu ônibus com toda a família, em novembro de 2007. Em 10 de dezembro acampou em frente à Funarte e começou a fazer espetáculos no seu mini-circo popular. No dia de Natal, ganhou de presente a ordem para baixar a lona. Ficou estacionado ali até conseguir novamente um espaço para se apresentar, desde 5 de março está no movimentado Parque da Cidade, onde espera só sair para levar sua "lata-velha" para o programa de Luciano Huck. "Passei fome e não comi Gogó de Ouro e Costa Nua. Agora que estou em Brasília elas são um símbolo da nossa resistência", diz ele, se referindo ao galo e a galinha que acompanham sua família pela estrada.
Mestre Danoninho tem uma história bem mais curta. O capoeirista saiu de Jaboatão no dia 4 de março. Sonhava em pedir ao presidente Lula apoio para construir uma academia de capoeira. Foram 13 dias pedalando pelas estradas de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, até chegar no Distrito Federal. Não teve de trocar nem um pneu e só diz ter tido dificuldades por conta do sol e para dormir, pois nem sempre era fácil encontrar um posto de gasolina para encostar a bicicleta. Em frente ao Palácio do Planalto perdeu as ilusões, mesmo assim faz questão de lembrar que os guardas lhe ajudaram dando comida e alguma ajuda financeira. Ele volta para casa neste fim de semana, sem ter conseguido falar com o seu conterrâneo mais poderoso.
Plim-Plim veio pelo Sertão para fugir da Polícia Rodoviária Federal. Danoninho foi até a Bahia pelo litoral, para depois de Feira de Santana entrar para o centro do País. As estradas das duas histórias se cruzam. Pela proximidade das cidades que os dois deixaram. E na falta de oportunidades de empregos do interior nordestino. Pelo sonho carregado de suor e desejos de ganhar a vida com dignidade. E no preconceito que enfrentam ou tiveram de enfrentar circenses e capoeiristas para exercer suas atividades.
Se cruzam também com as vidas de milhares de nordestinos que deixaram suas famílias para trás e vieram construir a Capital Federal. Dos procuradores aos mais simples concurseiros, que saem todos os meses recém formados de grandes e médias cidades.
Brasília continua sendo o sonho de um grande contingente de nordestinos, que se inspiram naqueles primeiros homens que vieram e se tornaram pedreiros, carpinteiros, encanadores e construíram os prédios que Óscar Nyemeier projetou.
Hoje, Brasília tem a segunda maior população de nordestinos fora da região, só perdendo para São Paulo. O primeiro fluxo veio antes mesmo da inauguração realizada por Juscelino Kubistchek. Os "candangos" vinham de todo o Brasil, mas a maior população com certeza foi de gente do Nordeste. Formaram-se cidades inteiras de pessoas vindas de diferentes estados, que se encontram ainda hoje em locais como a feira do Guará, para comer carne de sol, queijo de coalho, tapioca e levar uma manteiga de garrafa para casa.
O Governo do Distrito Federal não tem números atuais sobre o fluxo de nordestinos. Acredita apenas que, hoje, a maioria dos que ainda vêm morar aqui passou em concurso público ou pretende fazer provas para um dos muitos concursos que têm sido realizados nos últimos anos. A história desses dois nordestinos, um capoeirista e o outro palhaço e dono de circo ilustra muito bem a esperança e as dificuldades que nossos conterrâneos vislumbram ao chegar em Brasília nos dias de hoje.
Plim-Plim veio com a família toda
José Carlos Santos Silva, o Palhaço Plim-Plim, chegou a ter um programa na Rádio Alternativa de Carpina. A Hora da Fuleiragem ia ao ar às 5h da manhã, abrindo o microfone para todos os problemas da comunidade. Mas a alma de circense bateu mais forte e ano passado ele desarmou a lona e veio para Brasília, tentar regularizar o seu ônibus que, além de velho e enferrujado, está com três anos do seguro obrigatório atrasado.
Ele veio com a esposa, Lucicleide Oliveira, que é também cozinheira, recepcionista e responsável pelo som da trupe circense. Com o cantor e performer Daniel Rocha, o John Lennon de Carpina. Além de sua filha, Carla Vitória e da enteada Mikaela Oliveira, que já começam a se apresentar no Menor Circo do Mundo, como Plim-Plim gosta de chamar o seu espetáculo. O sonho de todos é chamar a atenção do apresentador Luciano Huck, para ter o ônibus reformado no quadro Lata-velha.
Por enquanto, vão se virando com apresentações que custam R$3. "A concorrência é dura, pois Marcos Frota está estacionado logo ali no Mané Garrincha", conta Plim-Plim, tranquilo pois sua audiência é formada basicamente por gente que teria dificuldade para pagar a entrada de R$20 do vizinho famoso. Muitos deles também nordestinos, moradores da Ceilândia, Taguatinga e outras cidades satélites. Ele faz apresentações curtas na lona aberta, para chamar atenção dos frequentadores do Parque da Cidade e quando está cheio de gente convida todos a entrarem para debaixo da lona, onde entre arquibancada de madeira e cadeiras desmontáveis há vagas para 50 pessoas.
Plim-Plim fez apenas três paradas no trajeto entre Jaboatão e Brasília. Petrolandia (PE), Coité (BA) e Vila Boa (GO). Nesses lugares montou a lona e passou entre três e quatro dias se apresentando para juntar dinheiro e continuar a viagem. "Na Bahia, tive tratamento VIP e pude montar o circo em frente ao Mercado Público", conta, fazendo questão de lembrar que a cidade em que montou seu espetáculo abriga o Museu do Palhaço.
Ele não se queixa de sua vida em Brasília. Conseguiu da Secretaria de Cultura a liberação da taxa de R$500 que teria de pagar para estacionar no Parque da Cidade e está garantido ali até o dia 5 de abril.
Antes disso, espera colocar as duas meninas para estudar em uma escola pública de Brasília e irá participar do Fórum Nacional do Circo Brasileiro. Organizado pelo deputado federal Paulo Rubem (PDT-PE), o evento vai se realizar no próximo dia 27 de março e terá como temas: Educação para as famílias circenses, Espaço público para os circos brasileiros, Os animais nos circos e, a pedido do Palhaço Plim-Plim, Por que Carpina proíbe o circo?
"Quisemos dar um apoio a esse batalhador", explica o presidente da Subcomissão de Cultura da Câmara dos Deputados, que abriu espaço para o lançamento do livro "O Palhaço do Circo Quadrado", que será realizado durante o Fórum, na Câmara dos Deputados. Escrito por José Carlos e pelo escritor Carlos Neves, do Museu do Palhaço (BA), a obra conta os 30 dias em que o Palhaço Plim-Plim ficou preso no Cotel por conta de uma prestação de contas que ele demorou a fazer à Funarte.
Livre da acusação, Plim-Plim chegou a voltar à penitenciária pernambucana para se apresentar em um Dia das Crianças. "Só sabe o que é sofrimento quem vive", recorda o palhaço-escritor.
Danoninho queria falar com Lula
Edson Ardelino chegou a ser presidente da Associação dos Capoeiristas de Jaboatão dos Guararapes. Integrante da Associação Rabo de Arraia, Mestre Danoninho é bastante conhecido entre os lutadores pernambucanos. Depois que sua mãe mudou-se com a filha dele para Camaçari, na Bahia, resolveu tentar a sorte na Capital Federal. "Eu queria contar minha história para o presidente Lula. Pedir para que ele me ajudasse a montar minha Academia. Mas os guardas disseram que eu ia ficar esperando para sempre e não ia conseguir falar com ele", explica o jaboatonense, que em uma semana decidiu voltar para seu Estado.
Sua viagem começou no último dia 4. Antes disso, Danoninho gastou cerca de R$300 para equipar sua única companheira de estrada. Uma bicicleta usada de uma marca tradicional. Saiu de casa com R$250 no bolso e chegou a ajudar um outro viajante no trajeto, pagando uma passagem para um baiano entre as cidades de Ibutirana e Luís Eduardo Magalhães. "Ele não estava conseguindo pegar carona, então paguei os R$23 da passagem", conta, com a maior naturalidade.
Contando com a resistência de atleta e a sorte de não ter estourado nem mesmo um pneu no trajeto, Danoninho chegou em 13 dias em Brasília. Saiu de Jaboatão pela BR 101, dormiu no Posto da Polícia Rodoviária Federal no limite entre Pernambuco e Alagoas na primeira noite. Depois, passou por São Miguel dos Campos (AL), Propriá (SE), Estância (SE), Alagoinhas (BA), Santo Estêvão (BA), Seabra (BA), Ibutirana (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Alvorada do Norte (GO), Vila Boa (GO), Formosa (GO) e finalmente Brasília.
Pedalou em média 200 quilômetros por dia, fazendo no total um trajeto de cerca de 2.600 quilômetros. A única coisa que teve de trocar na bicicleta foram duas sapatas de freio. Na estrada viu um acidente com morte na Bahia e chegou a fugir de um grupo de quatro possíveis assaltantes. "Eles pediram para eu parar, mas eu vinha em velocidade e consegui passar", explica o capoeirista.
Depois de uma semana em Brasília, Edson desistiu do sonho de falar com o presidente Lula. Conseguiu a passagem de volta com o apoio de um deputado federal e deve retornar a Jaboatão dos Guararapes ainda nesta semana. "Se puder eu faço a viagem novamente de bicicleta, mas só se for com patrocínio", diz ele, que quer voltar para poder conhecer melhor Brasília.
Esteve no Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, chegou a entrar no Congresso Nacional, mas queria ter tido mais tranquilidade para curtir esses lugares. Na Capital Federal, ele se sustentou com ajuda de pessoas que se sensibilizavam com sua história e passava os dias em frente ao Memorial JK, um dos pontos turísticos mais movimentados de Brasília. Antes de voltar, Mestre Danoninho enviou uma carta para a produção do Programa do Gugu, contando o seu drama e pedindo apoio para montar sua Academia de Capoeira. A luta continua.
18.3.08
Lançada à Presidência, Dilma homenageia parteira pernambucana
CONGRESSO 11.03.2008 16:19
Parlamentares também fizeram questão de destacar trabalho de Maria dos Prazeres
Eduardo Amorim
Agência Nordeste
BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, foi lembrada pelo presidente do Senado para ocupar a Presidência da República durante homenagem do Congresso Nacional ao Dia da Mulher, nesta terça-feira. "Eu estou achando que ela ainda vai alcançar muito mais", brincou o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ao saudar a ministra, que teve direito a falar na cerimônia e entregou o prêmio a uma das homenageadas do dia, Terezinha Zerbini, quebrando a tradição, já que normalmente os representantes do Executivo não têm essas oportunidades nas sessões solenes do Legislativo em Brasília.
Momentos depois, a ministra se desculpou à pernambucana Maria dos Prazeres de Souza. "Eu gostaria muito de ter lhe trazido o diploma", disse Dilma, ao abraçá-la ainda no Plenário do Senado. A parteira de Sucupira, em Jaboatão dos Guararapes, retribuiu em entrevista realizada após receber o Diploma Bertha Lutz: "O homem também sabe ser bom. Mas, agora, precisa dar a oportunidade a uma mulher", disse, ao ser questionada sobre a possibilidade da ministra ser candidata à Presidência do Brasil.
Mas a felicidade de Dona Maria não ficou restrita a essa proximidade com a possível futura candidata do PT em 2010 e ao recebimento do prêmio, que reconhece seu trabalho de mais de 40 anos como parteira. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) fez questão de lhe dirigir a palavra, ao falar que "eu e todas as outras senadoras e deputadas da Bancada Feminina, a partir desse Dia da Mulher, vamos nos informar e trabalhar para que a legislação da regulamentação da profissão de parteira seja aprovada". Segundo Maria dos Prazeres, o Congresso Nacional já tem três projetos neste sentido.
Ao receber o prêmio, Maria dos Prazeres mostrou muito bom gosto e fez uma adaptação da obra de Fernando Pessoa: "Deus quer, as mulheres sonham e a obra se realiza", recitou. Com o sorriso solto, ela fez questão de lembrar "há muito tempo sonho que essa minha luta não ficasse por trás das nuvens. Encoberta. Nós, parteiras, somos o modelo do parto humanizado", garantiu. Ela se orgulha de já estar na terceira geração de mães a parirem em suas mãos, sendo que seu último parto foi no dia 6 deste mês, em Igarassu.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) também fez questão de fazer referência a dona Maria dos Prazeres. "Dona Luzia, minha mãe, era como a senhora, uma pedagoga da vida, da esperança. E por isso me sinto muito feliz de ter entregue esse prêmio à senhora", disse, lembrando os anos que sua genitora exerceu a função de parteira.
Uma das integrantes do movimento Mães da Pátria, Maria dos Prazeres luta pela valorização das parteiras tradicionais. Foi uma das idealizadoras do Projeto Comadre, executado pelo Governo de Pernambuco. E participou da elaboração de cartilha de orientação às gestantes e parturientes. As outras homenageadas pelo Congresso Nacional com o prêmio Bertha Lutz em 2008 foram a deputada Jandira Feghali, a escritora Rose Marie Muraro, a professora de genética Mayana Zatz e a aeromoça Alice Editha Klausz. Também recebeu uma homenagem póstuma a militante comunista Olga Benário Prestes, além reconhecimento prestado pela ministra Dilma Roussef à ex-presa política Terezinha Zerbini.
Parlamentares também fizeram questão de destacar trabalho de Maria dos Prazeres
Eduardo Amorim
Agência Nordeste
BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, foi lembrada pelo presidente do Senado para ocupar a Presidência da República durante homenagem do Congresso Nacional ao Dia da Mulher, nesta terça-feira. "Eu estou achando que ela ainda vai alcançar muito mais", brincou o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ao saudar a ministra, que teve direito a falar na cerimônia e entregou o prêmio a uma das homenageadas do dia, Terezinha Zerbini, quebrando a tradição, já que normalmente os representantes do Executivo não têm essas oportunidades nas sessões solenes do Legislativo em Brasília.
Momentos depois, a ministra se desculpou à pernambucana Maria dos Prazeres de Souza. "Eu gostaria muito de ter lhe trazido o diploma", disse Dilma, ao abraçá-la ainda no Plenário do Senado. A parteira de Sucupira, em Jaboatão dos Guararapes, retribuiu em entrevista realizada após receber o Diploma Bertha Lutz: "O homem também sabe ser bom. Mas, agora, precisa dar a oportunidade a uma mulher", disse, ao ser questionada sobre a possibilidade da ministra ser candidata à Presidência do Brasil.
Mas a felicidade de Dona Maria não ficou restrita a essa proximidade com a possível futura candidata do PT em 2010 e ao recebimento do prêmio, que reconhece seu trabalho de mais de 40 anos como parteira. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) fez questão de lhe dirigir a palavra, ao falar que "eu e todas as outras senadoras e deputadas da Bancada Feminina, a partir desse Dia da Mulher, vamos nos informar e trabalhar para que a legislação da regulamentação da profissão de parteira seja aprovada". Segundo Maria dos Prazeres, o Congresso Nacional já tem três projetos neste sentido.
Ao receber o prêmio, Maria dos Prazeres mostrou muito bom gosto e fez uma adaptação da obra de Fernando Pessoa: "Deus quer, as mulheres sonham e a obra se realiza", recitou. Com o sorriso solto, ela fez questão de lembrar "há muito tempo sonho que essa minha luta não ficasse por trás das nuvens. Encoberta. Nós, parteiras, somos o modelo do parto humanizado", garantiu. Ela se orgulha de já estar na terceira geração de mães a parirem em suas mãos, sendo que seu último parto foi no dia 6 deste mês, em Igarassu.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) também fez questão de fazer referência a dona Maria dos Prazeres. "Dona Luzia, minha mãe, era como a senhora, uma pedagoga da vida, da esperança. E por isso me sinto muito feliz de ter entregue esse prêmio à senhora", disse, lembrando os anos que sua genitora exerceu a função de parteira.
Uma das integrantes do movimento Mães da Pátria, Maria dos Prazeres luta pela valorização das parteiras tradicionais. Foi uma das idealizadoras do Projeto Comadre, executado pelo Governo de Pernambuco. E participou da elaboração de cartilha de orientação às gestantes e parturientes. As outras homenageadas pelo Congresso Nacional com o prêmio Bertha Lutz em 2008 foram a deputada Jandira Feghali, a escritora Rose Marie Muraro, a professora de genética Mayana Zatz e a aeromoça Alice Editha Klausz. Também recebeu uma homenagem póstuma a militante comunista Olga Benário Prestes, além reconhecimento prestado pela ministra Dilma Roussef à ex-presa política Terezinha Zerbini.
11.3.08
Os podres poderes de Michael Moore


Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses mas tudo é muito mais
Estava falando com Bernardo sobre o novo filme de Michael Moore. Completamente sem noção como um documentário me fez rir e chorar. Pena que no Brasil, por mais que tenhamos alguns competentes documentaristas, ninguém tenha construído uma carreira com temas super polêmicos que mobilizem a sociedade como o gordão da Gringolândia.
Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?
Lembro de Juliano expondo seu preconceito com Pedroso ao dizer que a Símio Filmes deveria ser exclusivamente uma produtora de ficção. Putz, como se o documentário fosse uma coisa menor. Existem poucos filmes nacionais que tenham me trazido tantas emoções como Entreatos, o último de Eduardo Coutinho também é sensacional e Ilha das Flores... (Eu vou falar. Fred 04 quer ser Romário? Eu queria ser Jorge Furtado!)
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe , num êxtase
Ser indecente mais tudo é muito mau
Mas Michael Moore realmente se supera. Não venham me dizer que as piadas dele se repetem. O cara faz crítica aos lobbies de Washington. Visita os países mais desenvolvidos para mostrar aos americanos, que eles estão muito longe de serem o melhor lugar do mundo. É verdade, em todos os seus filmes. Mas cada vez ele tira uma onda cada vez mais engraçada do cidadão médio.
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os Tons e os Mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Ficar mostrando a França dos enamorados em um filme que trata do Sistema de Saúde. Achar uma americana que namora (ou não) um canadense para poder usar o SUS de uma cidade vizinha. Ir na Inglaterra, na faixa de pedestre da capa do disco dos Beatles, para mostrar que ali também um americano é mais bem atendido do que em casa. Botar uma galera em um bote para serem atendidos pelo sistema de saúde cubano!!! O cara é genial!? Para mim, não há dúvidas.
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo tins e bens e tais
É muito fora da nossa moda querer mudar alguma coisa no mundo. Por isso, Caetano Veloso entrou nesse post. Chico Science fazia arte engajada, mas morreu muito cedo. Eu queria poder dizer que isso ai pode ter uma qualidade fuderosa também. Sicko não vale pela mensagem que passa. É um filme que emociona, diverte, e felizmente é sobre uma parte muita importante das nossas vidas. Ridículos cidadãos da América católica.
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses mas tudo é muito mais
Estava falando com Bernardo sobre o novo filme de Michael Moore. Completamente sem noção como um documentário me fez rir e chorar. Pena que no Brasil, por mais que tenhamos alguns competentes documentaristas, ninguém tenha construído uma carreira com temas super polêmicos que mobilizem a sociedade como o gordão da Gringolândia.
Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?
Lembro de Juliano expondo seu preconceito com Pedroso ao dizer que a Símio Filmes deveria ser exclusivamente uma produtora de ficção. Putz, como se o documentário fosse uma coisa menor. Existem poucos filmes nacionais que tenham me trazido tantas emoções como Entreatos, o último de Eduardo Coutinho também é sensacional e Ilha das Flores... (Eu vou falar. Fred 04 quer ser Romário? Eu queria ser Jorge Furtado!)
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe , num êxtase
Ser indecente mais tudo é muito mau
Mas Michael Moore realmente se supera. Não venham me dizer que as piadas dele se repetem. O cara faz crítica aos lobbies de Washington. Visita os países mais desenvolvidos para mostrar aos americanos, que eles estão muito longe de serem o melhor lugar do mundo. É verdade, em todos os seus filmes. Mas cada vez ele tira uma onda cada vez mais engraçada do cidadão médio.
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os Tons e os Mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Ficar mostrando a França dos enamorados em um filme que trata do Sistema de Saúde. Achar uma americana que namora (ou não) um canadense para poder usar o SUS de uma cidade vizinha. Ir na Inglaterra, na faixa de pedestre da capa do disco dos Beatles, para mostrar que ali também um americano é mais bem atendido do que em casa. Botar uma galera em um bote para serem atendidos pelo sistema de saúde cubano!!! O cara é genial!? Para mim, não há dúvidas.
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo tins e bens e tais
É muito fora da nossa moda querer mudar alguma coisa no mundo. Por isso, Caetano Veloso entrou nesse post. Chico Science fazia arte engajada, mas morreu muito cedo. Eu queria poder dizer que isso ai pode ter uma qualidade fuderosa também. Sicko não vale pela mensagem que passa. É um filme que emociona, diverte, e felizmente é sobre uma parte muita importante das nossas vidas. Ridículos cidadãos da América católica.
8.3.08
O casamento e o Rio Doce/Dois Irmãos


FOTOS DE DECO/
DUAS PARA PRESERVAR AS INDIVIDUALIDADES
Depois que me separei, sempre que tenho oportunidade digo que sinto muita falta de nunca ter tido uma festa de casamento. Nada careta demais. Uma festa como a de Luciana e Aurélio. Em que eu, Juliana e Jampa inauguramos a piscina da Granja. Ou como a de Zenzi e Tarta. Esperteza danada, convenceram Laurinha a ir para São Paulo só para não precisar explicar aos familiares os motivos da farra continuar em outro lugar.
Depois de um dia arrumando meu quarto encontrei uma fita, que nem é minha, gravada por Rafa e Amélia. Ou terá sido Alice? Rio Doce/Dois Irmãos. Seleção bem anos 90. Botei para tocar. Mas o negócio é que me lembrei exatamente o que é o casamento para mim. Me casei cruzando a Bahia em direção ao Rio de Janeiro. Depois de deixar para trás meus sonhos profissionais. Quando deixei tocar mais um baiano (terá sido Caetano ou o nosso querido ministro?) e aguentei o sono para chegar até o Espírito Santo vivo, brincando de dirigir a 150 km/h.
Casamento para um filho de um longo processo de separação, chegando aos 30 anos, é isso. O momento em que depois de fazer mais do que você aguentaria, você resolve ceder mais um pouquinho. Que fique bem claro. O negrito é para não deixar dúvida. Passei da fase de botar a culpa das minhas antigas relações nas minhas ex-mulheres. Só que o fato de estar me reencontrando com o prazer de ser jornalista tem me trazido algumas lembranças.
Queria muito escrever uma coisa bem bonita para dizer a Zenzi e Tarta que eles continuem sempre namorando. E que quando sentirem que estão casados, saibam fazer a coisa certa. Mas a verdade é que esse dom eu não tenho e ainda estou cheio de energia de uma correria que está minha vida. Então, escrevo isso aqui mesmo só para dizer a Bernardo que não teve caretice na festa. Eu juro! Foi linda!
Depois de um dia arrumando meu quarto encontrei uma fita, que nem é minha, gravada por Rafa e Amélia. Ou terá sido Alice? Rio Doce/Dois Irmãos. Seleção bem anos 90. Botei para tocar. Mas o negócio é que me lembrei exatamente o que é o casamento para mim. Me casei cruzando a Bahia em direção ao Rio de Janeiro. Depois de deixar para trás meus sonhos profissionais. Quando deixei tocar mais um baiano (terá sido Caetano ou o nosso querido ministro?) e aguentei o sono para chegar até o Espírito Santo vivo, brincando de dirigir a 150 km/h.
Casamento para um filho de um longo processo de separação, chegando aos 30 anos, é isso. O momento em que depois de fazer mais do que você aguentaria, você resolve ceder mais um pouquinho. Que fique bem claro. O negrito é para não deixar dúvida. Passei da fase de botar a culpa das minhas antigas relações nas minhas ex-mulheres. Só que o fato de estar me reencontrando com o prazer de ser jornalista tem me trazido algumas lembranças.
Queria muito escrever uma coisa bem bonita para dizer a Zenzi e Tarta que eles continuem sempre namorando. E que quando sentirem que estão casados, saibam fazer a coisa certa. Mas a verdade é que esse dom eu não tenho e ainda estou cheio de energia de uma correria que está minha vida. Então, escrevo isso aqui mesmo só para dizer a Bernardo que não teve caretice na festa. Eu juro! Foi linda!
4.3.08
Domingo na Ilha
Fazia tempo que não via a Ilha do Retiro tão bonita. A vitória do Sport sobre o Salgueiro nem foi o mais importante: 4X1. Mas o Pernambucano segue, agora sem o Santinha, com o seu regulamento esdrúchulo.
Será que desde 1914, quando surgiu o time do Arruda, passamos algum ano sem clássicos entre Sport e o Santa Cruz? 2008 vai ser assim, se não resolverem fazer um amistoso para mudar a história.
Fui para as novas cadeiras, pela primeira vez. O estádio estava cheio o bastante para ter um colorido bonito, mas não estava lotado. A foto da capa do JC de segunda mostra o brilho amarelo que a Torcida Jovem dá à geral da Ilha. O clima era de total tranquilidade no Estádio. E de total rivalidade com o Nautico.
Mandei Tuti buzinar o cazá, cazá, quando vinhesse deixar Chico. Ouvi a resposta com toda a sonoridade Alvirrubra. Ficamos um ponto na frente e o Nautico continua com sede de vingança, que vai seguir no Segundo Turno e no resto do Brasileiro, da Primeira Divisão.
Os times, se forem mantidos e vierem alguns reforços prometidos, como Fumagalli para o Rubro-Negro, podem fazer um bom papel na Primeira Divisão. E o Santinha vai ficar na esperança de não criarem a Quarta Divisão, porque a média dos últimos anos é um rebaixamento e para a Segundona do Pernambucano é difícil caírem.
Na Ilha, uma pepsi, duas cervejas, quatro abraços apertados no meu filho. Felicidade de encontrar os amigos. Tá, não foi nenhum casamento de Zenzi. Mas foi legal também.
Será que desde 1914, quando surgiu o time do Arruda, passamos algum ano sem clássicos entre Sport e o Santa Cruz? 2008 vai ser assim, se não resolverem fazer um amistoso para mudar a história.
Fui para as novas cadeiras, pela primeira vez. O estádio estava cheio o bastante para ter um colorido bonito, mas não estava lotado. A foto da capa do JC de segunda mostra o brilho amarelo que a Torcida Jovem dá à geral da Ilha. O clima era de total tranquilidade no Estádio. E de total rivalidade com o Nautico.
Mandei Tuti buzinar o cazá, cazá, quando vinhesse deixar Chico. Ouvi a resposta com toda a sonoridade Alvirrubra. Ficamos um ponto na frente e o Nautico continua com sede de vingança, que vai seguir no Segundo Turno e no resto do Brasileiro, da Primeira Divisão.
Os times, se forem mantidos e vierem alguns reforços prometidos, como Fumagalli para o Rubro-Negro, podem fazer um bom papel na Primeira Divisão. E o Santinha vai ficar na esperança de não criarem a Quarta Divisão, porque a média dos últimos anos é um rebaixamento e para a Segundona do Pernambucano é difícil caírem.
Na Ilha, uma pepsi, duas cervejas, quatro abraços apertados no meu filho. Felicidade de encontrar os amigos. Tá, não foi nenhum casamento de Zenzi. Mas foi legal também.
24.2.08
Retorno à imprensa escrita
Rio São Francisco perde R$ 80 mi com cortes no OGU
Recursos de três ministérios para transposição e revitalização do rio foram revistos
Eduardo Amorim
Especial para a Agência Nordeste
BRASÍLIA - Um dos principais projetos do Governo Lula para o Nordeste, a transposição do São Francisco não consegue começar a fluir. O Ministério Público Federal chegou a interromper as obras, que foram retomadas em dezembro de 2007 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O debate público tem sido bastante acirrado, especialmente após as duas greves de fome em protesto contra a proposta, realizadas pelo bispo de Barra (BA), dom Luiz Flavio Cappio. Os problemas são tantos que, após o fim da CPMF, o relator do OGU, deputado federal José Pimentel (PT-CE), retirou mais de R$ 80 milhões das verbas previstas para revitalização e integração das bacias do rio na Lei Orçamentária 2008.
O relatório elaborado pelo deputado cearense deve ser votado nesta semana pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional. A proposta reduz o volume de investimentos previstos em pelo menos 12 ações dos ministérios da Integração Nacional, Saúde e Meio Ambiente. O relator é representante de uma das bancadas que mais defendem o projeto e tem sofrido tantas pressões que nem mesmo conseguiu ler o relatório na última quinta-feira, como era previsto. Por isso, se torna praticamente irreversível a redução nos investimentos para este ano.
Integrante da CMO, o deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA) justifica o "cancelamento" dos recursos. "O cronograma da integração das bacias do São Francisco não sofre prejuízos por isso. O Governo Federal não teria condições de realizar todos os investimentos que eram previstos para 2008. Teremos apenas de aumentar as verbas previstas para os próximos anos", afirmou. Ele faz questão de elogiar o trabalho do colega, considerado "organizado e transparente", mas admite que as bancadas de Governo e de Oposição ainda vão fazer a discussão pontual de remanejamento de verbas.
A opinião do presidente Nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, é bem diferente. "Acho que o Governo Lula tem perdido o pedal nesse assunto. Pessoalmente, não acredito que eles vão conseguir avançar as obras da transposição do São Francisco neste mandato", afirma. O líder tucano admite que tem restrições ao projeto e, além das reduções de verbas, lembra os problemas com licenças ambientais e também a falta de transparência nas licitações como obstáculos que irão dificultar o fluxo das obras de integração das bacias.
As ações que tiveram recursos subtraídos no relatório de José Pimentel dizem respeito tanto às obras de revitalização como às da transposição das águas em si. Os maiores cortes foram justamente no órgão gestor do projeto, que é o ministério da Integração Nacional. Foram "cancelados" R$ 23,2 milhões previstos para as obras do Eixo Leste, primeiro canal a ser implementado. Também foram cortadas verbas para ações que têm como objetivo a revitalização do rio: R$ 19, 2 milhões iriam para implantação de esgotamento sanitário, R$ 7 milhões para controle e recuperação de processos erosivos, R$ 1,1 milhão para sistemas públicos de coleta de lixo, R$ 594.000 para melhoria da hidrovia do São Francisco no trecho Hiboritama/Juazeiro e R$ 158.000 para obras de revitalização do rio.
Somente nestas seis ações, o ministro Geddel Vieira Lima, que a oposição acusa de ter sido crítico do projeto e hoje ser seu maior defensor, deixará de receber R$ 51 milhões. Mas as perdas do projeto não param no Ministério da Integração Nacional. Meio Ambiente teve cortes da ordem de R$ 1,46 milhão, que iriam para preservação e recuperação da bacia do São Francisco. E a Saúde foi o setor que teve os "cancelamentos" percentualmente mais altos: foram mais de R$ 19 milhões, que reduziram a disponibilidade em 2008 para R$ 28 milhões.
As ações mais afetadas no Ministério da Saúde foram as duas relativas a fornecimento de água para municípios e comunidades rurais às margens do São Francisco (Água para Todos), que perderam R$ 16,85 milhões. As ações relativas aos sistemas públicos de abastecimento de água (R$ 6,47 milhões), esgotamento sanitário (R$ 1,58 milhão) e à coleta de lixo (R$ 366.445,00) também sofreram cortes.Em recente debate no Senado Federal, o pesquisador da Articulação do Semi-árido (Asa Brasil), Luciano Silveira, defendeu as 530 obras propostas pelo Atlas Nordeste, consideradas "mais viáveis economicamente que as obras de transposição e que levará água para quem realmente precisa".
No entanto, os cortes atingiram até mesmo obras consideradas essenciais pelos críticos da integração de bacias como vem sendo implementada pelo Governo Federal.Ambientalistas ressaltam a importância do São Francisco e criticam a falta de diálogo para implantação deste projeto. Com uma extensão de 2.863 mil quilômetros, a bacia do rio se divide em 32 sub-bacias e 168 afluentes, sendo 99 rios perenes e 69 intermitentes. Representa dois terços da disponibilidade de água doce do Nordeste e percorre biomas como o Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e a Zona Costeira. Mais de 500 municípios estão sob sua influência, sendo que 101 ficam nas proximidades do rio.
As obras da transposição do São Francisco começaram em agosto de 2007, estão sendo executadas pelo 2º e 3º Batalhões de Engenharia de Construção do Exército e são uma das prioridades do Plano de Aceleração do Crescimento.
Durante entrevista coletiva, José Pimentel afirmou que em seu relatório não haviam sido cortados recursos do PAC. Através de sua assessoria, justificou que os recursos "cancelados" nas obras da transposição foram alocados em outras ações do programa, mas não relacionou os projetos que teriam recebido aporte. "O valor total no Orçamento para o Nordeste é de R$ 29,9 bilhões, sendo R$ 8,8 bilhões destinados a investimentos. A Região é a que recebeu maior volume para investimentos. Em segundo lugar vem o Sudeste, com R$ 6,07 bilhões", acrescentou.
Novo líder do DEM na Câmara dos Deputados, Antônio Carlos Magalhães Neto, achou grande o volume de recursos cortados para a transposição e acredita que o Governo Federal terá dificuldade para executar todas as ações, "os cortes são sinal de que está havendo problemas com as obras. Ficamos preocupados, pois existe uma tradição de grandes investimentos estarem mais concentrados no Sul e Sudeste e o Nordeste demanda mais recursos, especialmente para obras que atinjam as localidades mais carentes da Região".
O relator refuta a afirmação do líder dos Democratas: "Isto (da prioridade ao Sul e Sudeste) vigorou até 2002. Atualmente, não procede mais. O exemplo maior é a atualização dos recursos para a saúde na Região Norte para média e alta complexidade, tornando o investimento superior a R$ 102,00 por habitante. Além disso, já demonstramos o grande volume de investimentos para a Região e a manutenção das obras estruturantes".
Os oposicionistas afirmam que o relator até agora só negociou com a base governista e que não tiveram oportunidade de colocar suas opiniões sobre o relatório. A verdade é que o orçamento só deve ser aprovado pelo Congresso Nacional em março, pois Pimentel ainda atende diversas reivindicações de parlamentares de todas os estados.
O senador Sérgio Guerra admite a necessidade de cortes após o fim da CPMF, mas ressalta que as reduções de verbas em obras estruturantes precisam ser analisadas em seu mérito."O presidente Lula fez ao Nordeste promessas muito grandes, entre elas a de apoiar o projeto de siderurgia no Ceará, a de sustentar a definição de uma refinaria por Pernambuco, a de construir a Ferrovia Transnordestina, a de duplicar a BR-101 e a de efetivar a transposição das águas do Rio São Francisco. Todas essas promessas estão, sem exceção, prejudicadas; umas mais, outras menos", complementa o senador, ressaltando que o Governo Federal terá dificuldades para realizar tudo que tem planejado.
José Pimentel afirma ter tido um cuidado especial para atender o Nordeste, mantendo toda a programação que veio na proposta original e acrescentando recursos para a saúde, em especial, para a média e alta complexidade. "Também atendemos às emendas das bancadas estaduais, ampliando os recursos para todos os estados. Os cortes necessários foram realizados nas programações nacionais e não nos valores destinados aos estados. Cortamos, por exemplo, R$ 6,84 bilhões no custeio da máquina pública. Mas também tivemos o cuidado de não tirar recursos da Saúde, Educação e Segurança Pública".
O rio continua fluindo. Não tão limpo como os nordestinos gostariam. Enquanto isso, seguem as obras, gerando esperanças para empresários ávidos por uma nova área para a agricultura irrigada e sertanejos que sonham com água limpa em suas casas e propriedades. As críticas e discussões continuam, como acontece com tudo que é realmente importante. Mas fica a dúvida de quando os investimentos na integração das bacias do São Francisco começarão realmente a fluir com rapidez. Em 2025, diz o site do Ministério da Integração, deverá estar assegurada a oferta de água a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Até lá, com certeza, muita água tem que rolar.
Recursos de três ministérios para transposição e revitalização do rio foram revistos
Eduardo Amorim
Especial para a Agência Nordeste
BRASÍLIA - Um dos principais projetos do Governo Lula para o Nordeste, a transposição do São Francisco não consegue começar a fluir. O Ministério Público Federal chegou a interromper as obras, que foram retomadas em dezembro de 2007 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O debate público tem sido bastante acirrado, especialmente após as duas greves de fome em protesto contra a proposta, realizadas pelo bispo de Barra (BA), dom Luiz Flavio Cappio. Os problemas são tantos que, após o fim da CPMF, o relator do OGU, deputado federal José Pimentel (PT-CE), retirou mais de R$ 80 milhões das verbas previstas para revitalização e integração das bacias do rio na Lei Orçamentária 2008.
O relatório elaborado pelo deputado cearense deve ser votado nesta semana pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional. A proposta reduz o volume de investimentos previstos em pelo menos 12 ações dos ministérios da Integração Nacional, Saúde e Meio Ambiente. O relator é representante de uma das bancadas que mais defendem o projeto e tem sofrido tantas pressões que nem mesmo conseguiu ler o relatório na última quinta-feira, como era previsto. Por isso, se torna praticamente irreversível a redução nos investimentos para este ano.
Integrante da CMO, o deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA) justifica o "cancelamento" dos recursos. "O cronograma da integração das bacias do São Francisco não sofre prejuízos por isso. O Governo Federal não teria condições de realizar todos os investimentos que eram previstos para 2008. Teremos apenas de aumentar as verbas previstas para os próximos anos", afirmou. Ele faz questão de elogiar o trabalho do colega, considerado "organizado e transparente", mas admite que as bancadas de Governo e de Oposição ainda vão fazer a discussão pontual de remanejamento de verbas.
A opinião do presidente Nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, é bem diferente. "Acho que o Governo Lula tem perdido o pedal nesse assunto. Pessoalmente, não acredito que eles vão conseguir avançar as obras da transposição do São Francisco neste mandato", afirma. O líder tucano admite que tem restrições ao projeto e, além das reduções de verbas, lembra os problemas com licenças ambientais e também a falta de transparência nas licitações como obstáculos que irão dificultar o fluxo das obras de integração das bacias.
As ações que tiveram recursos subtraídos no relatório de José Pimentel dizem respeito tanto às obras de revitalização como às da transposição das águas em si. Os maiores cortes foram justamente no órgão gestor do projeto, que é o ministério da Integração Nacional. Foram "cancelados" R$ 23,2 milhões previstos para as obras do Eixo Leste, primeiro canal a ser implementado. Também foram cortadas verbas para ações que têm como objetivo a revitalização do rio: R$ 19, 2 milhões iriam para implantação de esgotamento sanitário, R$ 7 milhões para controle e recuperação de processos erosivos, R$ 1,1 milhão para sistemas públicos de coleta de lixo, R$ 594.000 para melhoria da hidrovia do São Francisco no trecho Hiboritama/Juazeiro e R$ 158.000 para obras de revitalização do rio.
Somente nestas seis ações, o ministro Geddel Vieira Lima, que a oposição acusa de ter sido crítico do projeto e hoje ser seu maior defensor, deixará de receber R$ 51 milhões. Mas as perdas do projeto não param no Ministério da Integração Nacional. Meio Ambiente teve cortes da ordem de R$ 1,46 milhão, que iriam para preservação e recuperação da bacia do São Francisco. E a Saúde foi o setor que teve os "cancelamentos" percentualmente mais altos: foram mais de R$ 19 milhões, que reduziram a disponibilidade em 2008 para R$ 28 milhões.
As ações mais afetadas no Ministério da Saúde foram as duas relativas a fornecimento de água para municípios e comunidades rurais às margens do São Francisco (Água para Todos), que perderam R$ 16,85 milhões. As ações relativas aos sistemas públicos de abastecimento de água (R$ 6,47 milhões), esgotamento sanitário (R$ 1,58 milhão) e à coleta de lixo (R$ 366.445,00) também sofreram cortes.Em recente debate no Senado Federal, o pesquisador da Articulação do Semi-árido (Asa Brasil), Luciano Silveira, defendeu as 530 obras propostas pelo Atlas Nordeste, consideradas "mais viáveis economicamente que as obras de transposição e que levará água para quem realmente precisa".
No entanto, os cortes atingiram até mesmo obras consideradas essenciais pelos críticos da integração de bacias como vem sendo implementada pelo Governo Federal.Ambientalistas ressaltam a importância do São Francisco e criticam a falta de diálogo para implantação deste projeto. Com uma extensão de 2.863 mil quilômetros, a bacia do rio se divide em 32 sub-bacias e 168 afluentes, sendo 99 rios perenes e 69 intermitentes. Representa dois terços da disponibilidade de água doce do Nordeste e percorre biomas como o Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e a Zona Costeira. Mais de 500 municípios estão sob sua influência, sendo que 101 ficam nas proximidades do rio.
As obras da transposição do São Francisco começaram em agosto de 2007, estão sendo executadas pelo 2º e 3º Batalhões de Engenharia de Construção do Exército e são uma das prioridades do Plano de Aceleração do Crescimento.
Durante entrevista coletiva, José Pimentel afirmou que em seu relatório não haviam sido cortados recursos do PAC. Através de sua assessoria, justificou que os recursos "cancelados" nas obras da transposição foram alocados em outras ações do programa, mas não relacionou os projetos que teriam recebido aporte. "O valor total no Orçamento para o Nordeste é de R$ 29,9 bilhões, sendo R$ 8,8 bilhões destinados a investimentos. A Região é a que recebeu maior volume para investimentos. Em segundo lugar vem o Sudeste, com R$ 6,07 bilhões", acrescentou.
Novo líder do DEM na Câmara dos Deputados, Antônio Carlos Magalhães Neto, achou grande o volume de recursos cortados para a transposição e acredita que o Governo Federal terá dificuldade para executar todas as ações, "os cortes são sinal de que está havendo problemas com as obras. Ficamos preocupados, pois existe uma tradição de grandes investimentos estarem mais concentrados no Sul e Sudeste e o Nordeste demanda mais recursos, especialmente para obras que atinjam as localidades mais carentes da Região".
O relator refuta a afirmação do líder dos Democratas: "Isto (da prioridade ao Sul e Sudeste) vigorou até 2002. Atualmente, não procede mais. O exemplo maior é a atualização dos recursos para a saúde na Região Norte para média e alta complexidade, tornando o investimento superior a R$ 102,00 por habitante. Além disso, já demonstramos o grande volume de investimentos para a Região e a manutenção das obras estruturantes".
Os oposicionistas afirmam que o relator até agora só negociou com a base governista e que não tiveram oportunidade de colocar suas opiniões sobre o relatório. A verdade é que o orçamento só deve ser aprovado pelo Congresso Nacional em março, pois Pimentel ainda atende diversas reivindicações de parlamentares de todas os estados.
O senador Sérgio Guerra admite a necessidade de cortes após o fim da CPMF, mas ressalta que as reduções de verbas em obras estruturantes precisam ser analisadas em seu mérito."O presidente Lula fez ao Nordeste promessas muito grandes, entre elas a de apoiar o projeto de siderurgia no Ceará, a de sustentar a definição de uma refinaria por Pernambuco, a de construir a Ferrovia Transnordestina, a de duplicar a BR-101 e a de efetivar a transposição das águas do Rio São Francisco. Todas essas promessas estão, sem exceção, prejudicadas; umas mais, outras menos", complementa o senador, ressaltando que o Governo Federal terá dificuldades para realizar tudo que tem planejado.
José Pimentel afirma ter tido um cuidado especial para atender o Nordeste, mantendo toda a programação que veio na proposta original e acrescentando recursos para a saúde, em especial, para a média e alta complexidade. "Também atendemos às emendas das bancadas estaduais, ampliando os recursos para todos os estados. Os cortes necessários foram realizados nas programações nacionais e não nos valores destinados aos estados. Cortamos, por exemplo, R$ 6,84 bilhões no custeio da máquina pública. Mas também tivemos o cuidado de não tirar recursos da Saúde, Educação e Segurança Pública".
O rio continua fluindo. Não tão limpo como os nordestinos gostariam. Enquanto isso, seguem as obras, gerando esperanças para empresários ávidos por uma nova área para a agricultura irrigada e sertanejos que sonham com água limpa em suas casas e propriedades. As críticas e discussões continuam, como acontece com tudo que é realmente importante. Mas fica a dúvida de quando os investimentos na integração das bacias do São Francisco começarão realmente a fluir com rapidez. Em 2025, diz o site do Ministério da Integração, deverá estar assegurada a oferta de água a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Até lá, com certeza, muita água tem que rolar.
23.2.08
Um pouco de frescura, para compensar o paletó, o excesso de trabalho e a secura de Brasília
Cantinho escondido (Marisa Monte)
Dentro de cada pessoa tem um cantinho
Escondido, decorado de saudades
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que frequente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão
Coração não tem barreira não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta-russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho o meu canto cativo pra voltar
Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho arde, dentro
Quando deu sábado eu estava ouvindo essa música e resolvi escolher o meu cantinho. Podia muito bem ser a pedra enorme em que brincava de me esconder, catava cajá e meti a cara numa queda de cavalo quando tinha 5 anos. Mais engraçado é minha lembrança de ficar sonhando liderando guerras e operações vietnamitas no mangue que dividia o campinho da Monsenhor Odilon Lobo do Sítio de Zé Donino. Em matéria de futebol, fico sempre dividido, até porque reencontrei Raquel dez anos depois no terreno que era dos meus amigos. Viva Lenine e o Poço da Panela! Podia ser também em frente aos pés de macaíba do meu pai, ainda planto Tuti e Pedro ali algum dia. E Chico também que ali só quem tomou banho de rio foi o meu filho. Se fosse praia seria Brasília Teimosa, pelos passeios de bicicleta com Rafa e Júlia também, mas principalmente pelo prazer de participar ativamente daquela obra e depois das futuras decepções que não apagam o prazer de ter vivenciado o sonho. No Rio, a pracinha da Tijuca, com o parquinho para Chico e a feijoada para passar a tarde ouvindo jazz e namorando na calçada. Barcelona é Parque Guell, Paris a entradinha “Antes do Por do Sol” do nosso (de Graça) apartamento, Lisboa ficaria bem em cima do bondinho. Mas não tenho a menor dúvida que meu cantinho é a Ladeira da Misericórdia. É que foi ali que Júlia me perguntou quem era Josué de Castro. E eu respondi paquerando ela com revólver de água. Podia ter sido mais direto para dizer que intelectual me enche o saco? Só Sonia Marques e a mãe de Nana que são excessões, pois dou essa vantagem para as mães pelo que elas já sofrem no dia-a-dia. Tantos atentados ao pudor naquele Alto da Sé, todos absolutamente inocentes e prazerosos. Depois da minha tristeza de 2008, fiquei esperando a minha última esperança até o fim do bloco. Só vi meu amigo tendo de encarar a mulher da vida dele vê-lo do lado de outra menina. E só pensei que tinha passado pela exata situação do outro lado da rua, exatamente ali no finzinho da ladeira, no mesmo sábado. Mas o que fica é a inocência dos meus 11 anos. O prazer inocente do meu primeiro Carnaval. Sobe ou desce? Sobe sim! O que fica é o beijo puro que roubei de Mariana ali no meio da ladeira. Passam os anos e fica a lembrança. Moi aussi. Te amo minha amiga querida, por mais que você goste de queimar meu filme.
Compro uma lembrança que seja forte, gostosa e intensa em um açude de Floresta!
Dentro de cada pessoa tem um cantinho
Escondido, decorado de saudades
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que frequente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão
Coração não tem barreira não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta-russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho o meu canto cativo pra voltar
Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho arde, dentro
Quando deu sábado eu estava ouvindo essa música e resolvi escolher o meu cantinho. Podia muito bem ser a pedra enorme em que brincava de me esconder, catava cajá e meti a cara numa queda de cavalo quando tinha 5 anos. Mais engraçado é minha lembrança de ficar sonhando liderando guerras e operações vietnamitas no mangue que dividia o campinho da Monsenhor Odilon Lobo do Sítio de Zé Donino. Em matéria de futebol, fico sempre dividido, até porque reencontrei Raquel dez anos depois no terreno que era dos meus amigos. Viva Lenine e o Poço da Panela! Podia ser também em frente aos pés de macaíba do meu pai, ainda planto Tuti e Pedro ali algum dia. E Chico também que ali só quem tomou banho de rio foi o meu filho. Se fosse praia seria Brasília Teimosa, pelos passeios de bicicleta com Rafa e Júlia também, mas principalmente pelo prazer de participar ativamente daquela obra e depois das futuras decepções que não apagam o prazer de ter vivenciado o sonho. No Rio, a pracinha da Tijuca, com o parquinho para Chico e a feijoada para passar a tarde ouvindo jazz e namorando na calçada. Barcelona é Parque Guell, Paris a entradinha “Antes do Por do Sol” do nosso (de Graça) apartamento, Lisboa ficaria bem em cima do bondinho. Mas não tenho a menor dúvida que meu cantinho é a Ladeira da Misericórdia. É que foi ali que Júlia me perguntou quem era Josué de Castro. E eu respondi paquerando ela com revólver de água. Podia ter sido mais direto para dizer que intelectual me enche o saco? Só Sonia Marques e a mãe de Nana que são excessões, pois dou essa vantagem para as mães pelo que elas já sofrem no dia-a-dia. Tantos atentados ao pudor naquele Alto da Sé, todos absolutamente inocentes e prazerosos. Depois da minha tristeza de 2008, fiquei esperando a minha última esperança até o fim do bloco. Só vi meu amigo tendo de encarar a mulher da vida dele vê-lo do lado de outra menina. E só pensei que tinha passado pela exata situação do outro lado da rua, exatamente ali no finzinho da ladeira, no mesmo sábado. Mas o que fica é a inocência dos meus 11 anos. O prazer inocente do meu primeiro Carnaval. Sobe ou desce? Sobe sim! O que fica é o beijo puro que roubei de Mariana ali no meio da ladeira. Passam os anos e fica a lembrança. Moi aussi. Te amo minha amiga querida, por mais que você goste de queimar meu filme.
Compro uma lembrança que seja forte, gostosa e intensa em um açude de Floresta!
17.2.08
A Veja por Luis Nassif (não deixem de ler!)
Muito informativo o trabalho que Luís Nassif vem fazendo para explicar um pouco do funcionamento da Veja. Uma das revistas de maior influência no dia-a-dia da elite e classe média brasileiras. Não gosto muito quando as pessoas falam que a revista ou, como é mais comum, a Rede Globo tem domínio total em seus campos de atuação. São casos de manipulação. Essa série mostra casos concretos, que mostram muito como funciona a mídia brasileira, nas principais capitais e, especialmente, as empresas que têm poderio nacional. Vale a pena dar uma lida com atenção.
http://luis.nassif.googlepages.com/home
Nassif só precisa segurar a onda de estar sendo processado e não perder o foco.
Na Escola Arco-íris, eu não sei bem como é feito, eles falam muito em formação para a recepção da Comunicação. Honestamente, crítico como sou, não vejo muito com bons olhos o jeito como eles devem fazer isso. Mas no mínimo acho super-interessante a idéia. E acho que uma boa maneira seria colocando os meninos para ler essa série de reportagens. Inside information.
http://luis.nassif.googlepages.com/home
Nassif só precisa segurar a onda de estar sendo processado e não perder o foco.
Na Escola Arco-íris, eu não sei bem como é feito, eles falam muito em formação para a recepção da Comunicação. Honestamente, crítico como sou, não vejo muito com bons olhos o jeito como eles devem fazer isso. Mas no mínimo acho super-interessante a idéia. E acho que uma boa maneira seria colocando os meninos para ler essa série de reportagens. Inside information.
7.2.08
Cara de palhaço
6.2.08
Evoluções carnavalescas

Já era Quarta-feira e o cansaço de fim de Eu acho é pouco não chegava. A dor das pernas, que tinham corrido Olinda de trás pra frente mais uma vez, ficou para trás ao encontrar Chico novamente. Levei ele para dentro do córdão.
- Você não que está sem camisa. (Paulinho)
Não queria fazer nenhuma confusão. Vim encostar ao lado da casa para assistir as evoluções do pirralho no estandarte do Eu acho é pouquinho. Quando a bateria mandou todo mundo abaixar, acertei um beijo na testa dele.
- Vai lá menino. Se fosse meu filho eu já estava derretendo de choro. (Ciara)
O pirralho tem um estilo próprio de evolução. Toma a brincadeira como obrigação. Meio que pra provar que no meio do Coutinho tem um Amorim. Ou que na pura desorganização tem um sentido. Uma evolução.
- Toma minha camisa Dado. Vai que isso tu não pode perder não. (Clemente)
Procurei seguir o estilo dele. Com as carreiras e paradinhas. Passos certos, sempre passando por trás de quem segura o estandarte do Eu acho é pouco. E fui jogando o vermelho e amarelo cada vez mais alto. Olhando para aquele menino que era só um projeto a tão pouco tempo.
- Agora sou eu que vou com Anna. (Luciana)
Fui encontrar Clemente que estava com minha camisa do Laço Branco, como quem diz que não precisa nem devolver o que era dele. Dessa vez, não teve palavras. Apenas um longo e carinhoso abraço de fim de Carnaval.
E lágrimas. Faço suas minhas gotas de felicidade. E vamos à vida que ela corre! Mas antes disso passei no Recife Antigo para ver o Patafu e bater cabeça com Xandinho e Raquel ouvindo Nirvana e um som totalmente de quando éramos adolescentes.
- Você não que está sem camisa. (Paulinho)
Não queria fazer nenhuma confusão. Vim encostar ao lado da casa para assistir as evoluções do pirralho no estandarte do Eu acho é pouquinho. Quando a bateria mandou todo mundo abaixar, acertei um beijo na testa dele.
- Vai lá menino. Se fosse meu filho eu já estava derretendo de choro. (Ciara)
O pirralho tem um estilo próprio de evolução. Toma a brincadeira como obrigação. Meio que pra provar que no meio do Coutinho tem um Amorim. Ou que na pura desorganização tem um sentido. Uma evolução.
- Toma minha camisa Dado. Vai que isso tu não pode perder não. (Clemente)
Procurei seguir o estilo dele. Com as carreiras e paradinhas. Passos certos, sempre passando por trás de quem segura o estandarte do Eu acho é pouco. E fui jogando o vermelho e amarelo cada vez mais alto. Olhando para aquele menino que era só um projeto a tão pouco tempo.
- Agora sou eu que vou com Anna. (Luciana)
Fui encontrar Clemente que estava com minha camisa do Laço Branco, como quem diz que não precisa nem devolver o que era dele. Dessa vez, não teve palavras. Apenas um longo e carinhoso abraço de fim de Carnaval.
E lágrimas. Faço suas minhas gotas de felicidade. E vamos à vida que ela corre! Mas antes disso passei no Recife Antigo para ver o Patafu e bater cabeça com Xandinho e Raquel ouvindo Nirvana e um som totalmente de quando éramos adolescentes.
Foi um Carnaval bem vivido. Ainda bem que a tristeza veio no sábado para chegar na Quarta em êxtase.
31.1.08
Avec
No Carnaval de PernambucoVocê acha que seu tempo de folião acabou depois que vieram as crianças? Então não conhece o Carnaval de Recife. A capital pernambucana e a vizinha cidade histórica de Olinda têm uma série de atrações que encantam desde bebês até os mais experientes. Para melhorar, quando bate o cansaço a gente ainda pode aproveitar para tirar um dia de folga nas praias de Calhetas, Porto de Galinhas ou mesmo na famosa Boa Viagem.
SÁBADO
O roteiro de diversão para quem vai curtir a farra com os filhos começa pelas ladeiras da Cidade Alta. Os pernambucanos são unânimes em dizer que o sábado é o melhor dia da festa em Olinda. Com as ruas de Recife lotadas pelo Galo da Madrugada, sobra espaço e sombra para quem quer começar a esquentar as baterias, acompanhando blocos anárquicos como o Trinca de Ás, que tem uma das melhores orquestras de frevo do Estado e sai todos os anos pelas ladeiras de Olinda no mesmo horário em que o maior bloco do mundo ocupa o Centro da Capital. Fique atento em Olinda às saídas de blocos infantis como o Eu acho é pouquinho, Patusquinho e Ceroulinha.
As programações das festividades tanto de Olinda como de Recife são distribuídas em locais específicos, tente lembrar de pegar no Aeroporto ou compre um dos principais jornais do Estado. Quando bater o cansaço vale a pena disputar uma mesa na Oficina do Sabor. A casa, comandada pelo chef Cesar Santos, é conhecida pelas suas abóboras recheadas com camarão, lagosta, charque e outras delícias. O restaurante faz parte da rede da Boa Lembrança, que distribui um prato pintado por um artista para os turistas levarem para casa, mas a melhor memória de lá é com certeza a imperdível caipirosca de frutas tropicais. Feita com a mistura certa de vodca e açúcar, para que a gente coma os pedaços de pitanga, laranja cravo, limão, acerola e frutas da época.
Uma dica: se você está com criança só arrisque o Galo da Madrugada em um excelente camarote. Meu preferido é o da Prefeitura do Recife. Mesmo os táxis que são o melhor veículo para o Carnaval do Recife deixam os foliões há pelo menos meia hora de caminhada, na hora da brincadeira os pequenos vão estar querendo sombra e água fresca. Na volta, colo.
DOMINGO
Se deu tudo certo no primeiro dia, então não deixe de colocar uma fantasia de super herói nas crianças. O Enquanto isso na Sala da Justiça é atualmente uma das maiores atrações do Carnaval de Olinda e sai todos os domingos, com concentração a partir das 9h, no Alto da Sé. Vale a pena subir a Ladeira da Misericórdia bem cedinho e comer uma tapioca enquanto você acompanha a multidão de gente fantasiada chegando. Então, não esqueça as roupas de Super Homem, Mulher Maravilha, Homem Aranha ou do Quarteto Fantástico, mas também vale o improviso.
Quando as duas orquestras levarem a multidão de super-heróis para curtir as ladeiras de Olinda, talvez seja a hora de dar uma última olhadinha na melhor vista que temos da Capital pernambucana. Se a criançada estiver sem agüentar, talvez seja a hora de dar uma parada no Pátio de Santa Cruz. No Centro do Recife, o antigo mercado, tem alguns restaurantes de comida típica e recebe shows de grupos eruditos e populares.
Precisando de uma folga? Se você tem passado o protetor solar direitinho a melhor folga durante o Carnaval de Pernambuco é passar um dia em uma das melhores praias do Estado. Calhetas fica no vizinho Município do Cabo de Santo Agostinho e tem uma vista belíssima, além de barezinhos com petiscos deliciosos. Já Porto de Galinhas é um pouco mais longe, são cerca de 40 minutos de distância pela mesma BR-101 Sul, que leva para essas duas praias e também para as mais distantes, porém tão belas e mais tranquilas, praias de Maragogi (São Bento, Japaratinga e Ponta de Mangue são lindíssimas, mas suas pousadas já estão bastante concorridas nesta época do ano).
Boa Viagem é outra opção, mas deixe bem claro para as crianças que os avisos de risco de ataque de tubarão são reais. O melhor da praia hoje em dia são as opções de petiscos. Amendoim assado e cozinhado, caldinho de feijão e para as crianças que não gostam de peixe, vale oferecer uma porção de agulhinha frita. Essa delícia, pode ser um ponto a mais para quebrar o preconceito infantil com as comidas do mar.
SEGUNDA Depois de dois dias de folia em Olinda, vai ser necessário quebrar um pouco o ritmo. Para quem quer continuar curtindo o Carnaval, uma boa opção é dar uma passada no hora bucólico bairro de Casa Forte. Um passeio pelas ruas do Poço da Panela, com uma parada na frente da Igreja histórica e uma olhadinha no Rio Capibaribe, podem ser interrompidos no máximo por uma pequena troça ou Urso. Vale a pena!
Quando o sol for começando a baixar é hora de finalmente ir conferir o Carnaval do Recife Antigo. Na Praça do Arsenal fica o Pólo Infantil, de lá saem vários blocos só de crianças. Tem até maracatu com batucada infantil, o Nação Erê de Brasília Teimosa, que até já gravou um disco com a trupe do Palavra Cantada - responsável por uma coleção de discos infantis que já rendeu três prêmios Sharp ao currículo da empresa.
Se está querendo provar a variedade de comidas típicas nordestinas uma opção é o Parraxaxá. O restaurante funciona apenas como self service e tem dois endereços, em Boa Viagem (Rua Baltazar Pereira, 32. 34637874) e Casa Forte (Av. 17 de Agosto, 807. 32684169). Vale a pena pela variedade e por oferecer opções que vão, com certeza, agradar a adultos e crianças.
TERÇA
Fuja de Olinda durante o dia. O mela-mela está liberado. Suas crianças não merecem ser deseducadas.
Uma boa opção de passeio é pegar um carro e ir curtir o colorido dos maracatus na Mata Sul pernambucana. Na terça-feira, o Município de Nazaré da Mata recebe o maior encontro desses tradicionais grupos em todo o Estado. O caminho pela BR-408 é agradável e vale a pena uma paradinha na Acerolândia, o local é conhecido por ser uma espécie de laboratório de novas plantações (o dono do lugar teria sido o primeiro a plantar a frutinha que dá nome à sua fazenda) e pelos deliciosos picolés de frutas com mel. Ninguém vai resistir.
Se você não agüenta imaginar o seu último dia de Carnaval longe dali, deixe as crianças com alguém e vá aproveitar a última saída do Eu acho é pouco. O bloco vermelho e amarelo coloca seu dragão na rua a partir das 18h e, além de uma famosa batucada de samba, conta com os acordes da Orquestra de Merinho, um dos mais experientes maestros do Carnaval pernambucano. Levar os pequenos para o último dia de Olinda? É no mínimo uma prova de coragem. Mas se eles chegarem ao encerramento desse bloco pode ter certeza que já serão verdadeiros foliões.
O encerramento é em clima familiar, na frente da casa dos organizadores do bloco, a batucada não pára antes da meia-noite. O sambão fica rolando até o último fio de vigor físico e quando o dragão é recolhido é difícil não ficar com uma ponta de saudosismo. “Oh, quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar...”. O Bacalhau do Batata é a opção para quem ainda não aceitar o fim da folia. Quer uma dica: escolha uma praia e vá curtir as memórias que no próximo ano tem mais.
28.1.08
Minha, sempre
Foi a primeira vez que a vi daquele jeito. Falamos pouco aquela noite. Mas reconheci em todos os seus poros a novidade. Eu a puxei para a cama e fizemos amor. Sua sobrancelha desarrumada. Os movimentos da boca. E especialmente quando senti o suor entre as suas pernas. Ela achou que eu estava com raiva. Senti isso enquanto ela prendia os lábios com os dentes. Só pensei que poderia mostrar para ela como poderia ser mais gostoso ainda. Ou não. Ela não gozou, e disse que o problema era dela. Penso, não nos encontramos nem em pensamentos. Por mais que nossos corpos estivessem entrelaçados. Ou quase isso. Dormimos e ela roubou o lençol. Quase nada. Continuamos juntos por meses ou anos à fio. A coisa hoje se perde na minha mente. Mas sinto que deixamos naquela noite uma centena de quilos da nossa leveza. Dali em diante, eu a estava enganando. Evitei que a dor se espalhasse pelas minhas entranhas. Mesmo assim não consigo decepar esse pedaço de mim. Minha vadia. Linda, sempre.
Ps: Fiz pensando no de Julieta. www.vacatussa.com
Ps: Fiz pensando no de Julieta. www.vacatussa.com
26.1.08
Tirei

Crédito: Gilberto Marcolino/Diacolor
Giba,
A foto já foi devidamente tirada do post sobre o aniversário de Paulinho, em 2004. E ai. Vai rolar uma grana pelo merchandising gratuito do seu site profissional? Para ver se vale alguma coisa estou colocando de novo a foto aqui na página do dia.
Um abraço
Dado
24.1.08
What about cocaine?
Eu juro que não gosto de cocaína. Mas o filme de Selton Mello tem no mínimo um excelente ritmo. O cara ir cheirado ver aquilo deve dar uma travação louca. Saí do cinema no maior ritmo, no banheiro uns adolescentes cheiravam umas carreiras. Um deles ainda tirou onda com os outros quando percebeu que eu tinha visto os três saindo juntos: "o cara vai pensar que nós somos um bando de gays".
Muito sensível pela maneira como retrata a relação de um traficante com a figura amada de seu pai. Mostra o Rio de Janeiro maravilhoso. Mostra o Rio de Janeiro marginal. Tudo bem que não tem cidade mais batida, mas tem senso de humor na maneira que faz isso. Uma história do meu tempo muito bem retratada. E mesmo passando um tempão mostrando ele na cadeia, o processo que ele enfrentou e a doença do pai dele o filme não perde o ritmo.
Meu nome não é Johny
Muito sensível pela maneira como retrata a relação de um traficante com a figura amada de seu pai. Mostra o Rio de Janeiro maravilhoso. Mostra o Rio de Janeiro marginal. Tudo bem que não tem cidade mais batida, mas tem senso de humor na maneira que faz isso. Uma história do meu tempo muito bem retratada. E mesmo passando um tempão mostrando ele na cadeia, o processo que ele enfrentou e a doença do pai dele o filme não perde o ritmo.
Meu nome não é Johny
22.1.08
A política e a contracepção
A Prefeitura do Recife promete distribuir em 2008 um milhão de camisinhas. Levando em conta que só no Galo da Madrugada teremos mais de um milhão de foliões diria que o número é pequeno. Todo mundo merece gozar o Carnaval em sua plenitude. De preferência os quatro dias. Diante disso, vou fazer minha parte e comprar as minhas. As que me derem no Aeroporto eu prometo guardar, porque quem está ali tem melhores condições financeiras que eu ou pelo menos um endividamento semelhante.
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi que agora a gestão inova ao implantar um sistema de distribuição de pílulas do dia seguinte. Uma idéia fantástica no sentido de lembrar às pessoas que dá para transar sem camisinha e durante a ressaca recorrer a um coquetel de toxinas para o organismo dela. Para um cara (ou menina) que odeia camisinha é só esquecer o medo de morrer de Aids e a festa está garantida. Por sinal, ridículo como a mídia nunca trata das mulheres que não gostam de camisinha.
Quem gosta?
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi que agora a gestão inova ao implantar um sistema de distribuição de pílulas do dia seguinte. Uma idéia fantástica no sentido de lembrar às pessoas que dá para transar sem camisinha e durante a ressaca recorrer a um coquetel de toxinas para o organismo dela. Para um cara (ou menina) que odeia camisinha é só esquecer o medo de morrer de Aids e a festa está garantida. Por sinal, ridículo como a mídia nunca trata das mulheres que não gostam de camisinha.
Quem gosta?
21.1.08
Tá chegando a hora
Cheguei em Brasília e nem parece que já é Carnaval. Vou guardar segredo por aqui. Nada de contar que sábado o Poço da Panela estava tomado de gente. Nada de zombar da cueca de Joelson ou de contar a cara de felicidade que Lenine estava ao tocar no fim da minha rua. (O show do Guaiamum Treloso foi em pleno Sítio de Zé Donino!!!). Diversão em família também pode ser absolutamente perfeito devia estar pensando aquele cidadão da Urca. Ou então fui eu que pensei isso mesmo.
Só sei de uma coisa, tomara que demore bem muito para chegar o show de Marisa Monte. Essa sensação de daqui a pouco é Carnaval é uma das melhores coisas. Por enquanto vou cuidar da vida que antes do Marco Zero tenho que dar uma passadinha no TSE.
Só sei de uma coisa, tomara que demore bem muito para chegar o show de Marisa Monte. Essa sensação de daqui a pouco é Carnaval é uma das melhores coisas. Por enquanto vou cuidar da vida que antes do Marco Zero tenho que dar uma passadinha no TSE.
22.12.07
Candomblé é Freud em garrafinha
Quando ouvi falar de Peões e Entreatos não tive a menor dúvida que o mais interessante seria o segundo filme. Eduardo Coutinho nunca tinha pego na minha veia. Assisti aos dois filmes no Cine Odeon e na saída, depois de um debate com os diretores, me lembro de ter pensado o quanto ter visto a obra de João Moreira Salles tinha valido a pena, porque tinha sido difícil aguentar o sono para ver aqueles conhecidos de Lula discorrendo sobre a juventude quando o petista ainda tinha sonhos e a realidade não tinha carcomido os nossos ideais. Os bastidores da eleição fizeram um dos melhores documentários da minha vida.
Jogo de Cena também e me fez ter vontade de rever Cabra marcado para morrer.
O novo filme de Eduardo Coutinho é puro teatro. A confusão entre realidade e ficção. Os depoimentos emocionados. Uma hora, ele pergunta para uma atriz se ela tinha preparado o choro e ela honestamente responde que tentou imitar a dona do depoimento, mas simplesmente não conseguiu evitar as lágrimas. Me faz pensar em o Alienista, somos todos mentirosos também além de loucos. E mesmo naquela tristeza toda que são as vidas das mulheres do filme, conseguimos rir e nos divertir.
Um dos melhores filmes que assisti em 2007. Fiquei impressionado com uma história sobre o candomblé. A atriz conta que foi para a casa de uma mâe de santo, que era sua tia hoje falecida. Passou a noite numa camarinha, cheia de galinhas mortas e ratos. Quando acordou foi levada para fora junto com uma pomba branca e ficou com medo que fossem matar o pássaro. "Entenda, estou lhe tirando da morte e essa é você", disse a velha deixando o bicho voar. Candomblé é Freud em garrafinha e tem filme que é puro condimento para nossos pensamentos.
Jogo de Cena também e me fez ter vontade de rever Cabra marcado para morrer.
O novo filme de Eduardo Coutinho é puro teatro. A confusão entre realidade e ficção. Os depoimentos emocionados. Uma hora, ele pergunta para uma atriz se ela tinha preparado o choro e ela honestamente responde que tentou imitar a dona do depoimento, mas simplesmente não conseguiu evitar as lágrimas. Me faz pensar em o Alienista, somos todos mentirosos também além de loucos. E mesmo naquela tristeza toda que são as vidas das mulheres do filme, conseguimos rir e nos divertir.
Um dos melhores filmes que assisti em 2007. Fiquei impressionado com uma história sobre o candomblé. A atriz conta que foi para a casa de uma mâe de santo, que era sua tia hoje falecida. Passou a noite numa camarinha, cheia de galinhas mortas e ratos. Quando acordou foi levada para fora junto com uma pomba branca e ficou com medo que fossem matar o pássaro. "Entenda, estou lhe tirando da morte e essa é você", disse a velha deixando o bicho voar. Candomblé é Freud em garrafinha e tem filme que é puro condimento para nossos pensamentos.
20.12.07
O roubo no Masp
Passei uma tarde no Masp na última vez que fui a São Paulo. Sozinho, tive bastante tempo para ficar pensando na vida. E nas coisas que estava observando. Como não sou nenhum teórico das artes plásticas, tive tempo também de ficar pensando na estrutura do museu.
Não é um museu do tamanho das grandes instituições européias. Não falo do Louvre ou do Reina Sophia. É bem menos estruturado que alguns museus de Berna, Barcelona e que o (meu preferido) Museu D`Orsay.
Não falo do acervo. A estrutura mesmo, não me pareceu tão boa quanto deveria ser. Pouca gente nos andares de cima, muita gente na exposição temporária do subterrâneo. Os seguranças todos cansados de guerra.
Me lembro de ter pensado em um assalto naquele local. A exata frase de resumo seria: se os caras forem profissionais eles conseguem. Mas isso não é nenhuma crítica ao museu. Putz, estou cansado de ouvir falar de assaltos a obras de arte nos principais museus europeus.
Vem um babaca da Usp dar declaração de que agora vai ser mais difícil trazer exposições internacionais para o Brasil. É o que Bernardo cansa de falar sobre o espírito brasileiro, a gente sabe que assalto a obras de arte por quadrilhas especializadas acontecem no mundo inteiro, mas precisa dizer que aqui é pior.
Seria legal se aparecessem depois uns ladrões italianos presos pela Polícia Federal brasileira. O que seria ruim é que se deixasse de investir no museu e de tentar trazer coisas de fora por conta de um assalto. Mas tenho certeza que o melhor museu brasileiro seria figurante em qualquer cidade de grande porte europeu. Temos muito a investir.
Não é um museu do tamanho das grandes instituições européias. Não falo do Louvre ou do Reina Sophia. É bem menos estruturado que alguns museus de Berna, Barcelona e que o (meu preferido) Museu D`Orsay.
Não falo do acervo. A estrutura mesmo, não me pareceu tão boa quanto deveria ser. Pouca gente nos andares de cima, muita gente na exposição temporária do subterrâneo. Os seguranças todos cansados de guerra.
Me lembro de ter pensado em um assalto naquele local. A exata frase de resumo seria: se os caras forem profissionais eles conseguem. Mas isso não é nenhuma crítica ao museu. Putz, estou cansado de ouvir falar de assaltos a obras de arte nos principais museus europeus.
Vem um babaca da Usp dar declaração de que agora vai ser mais difícil trazer exposições internacionais para o Brasil. É o que Bernardo cansa de falar sobre o espírito brasileiro, a gente sabe que assalto a obras de arte por quadrilhas especializadas acontecem no mundo inteiro, mas precisa dizer que aqui é pior.
Seria legal se aparecessem depois uns ladrões italianos presos pela Polícia Federal brasileira. O que seria ruim é que se deixasse de investir no museu e de tentar trazer coisas de fora por conta de um assalto. Mas tenho certeza que o melhor museu brasileiro seria figurante em qualquer cidade de grande porte europeu. Temos muito a investir.
12.12.07
Na tribuna do Senado, Simon critica Sarney e Lula
O Senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou de forma veemente o ex-presidente e atual senador pelo Amapá, José Sarney (PMDB), e o atual presidente Lula. De acordo com o gaúcho, os dois são responsáveis pelo fato de ele, Simon, não ter sido indicado pelo partido para a presidência do Senado. “Esse PMDB [de Sarney] não é o meu”. “Dr. Sarney passa, o PMDB fica”, complementou, ao justificar por que não deixará o partido.Pedro Simon também ressaltou que o presidente Lula interveio de forma “grosseira” e “vulgar” na sucessão da presidência do Senado.
O parlamentar subiu à tribuna, inicialmente, para felicitar a eleição de Garibaldi Alves (PMDB-RN). O peemedebista gaúcho era um dos candidatos do PMDB à presidência do Senado. No entanto, por 13 votos a seis, o partido escolheu Garibaldi Alves para substituir o também peemedebista Renan Calheiros (AL).
De acordo com Simon, apesar de ter sido lançado por senadores de diversos partidos, o seu nome não foi referendado pelo PMDB para suceder Renan porque ele é considerado “imprevisível” pelo governo Lula. “Eu sou previsível. Mas Vossa Excelência [Lula] não foi fiel ao seu passado”.O senador gaúcho, no entanto, considerou “positivo” o fato de ter sido registrado em ata da reunião do PMDB que o senador José Sarney não será candidato à presidência do Senado em 2009.
DO CONGRESSO EM FOCO
O parlamentar subiu à tribuna, inicialmente, para felicitar a eleição de Garibaldi Alves (PMDB-RN). O peemedebista gaúcho era um dos candidatos do PMDB à presidência do Senado. No entanto, por 13 votos a seis, o partido escolheu Garibaldi Alves para substituir o também peemedebista Renan Calheiros (AL).
De acordo com Simon, apesar de ter sido lançado por senadores de diversos partidos, o seu nome não foi referendado pelo PMDB para suceder Renan porque ele é considerado “imprevisível” pelo governo Lula. “Eu sou previsível. Mas Vossa Excelência [Lula] não foi fiel ao seu passado”.O senador gaúcho, no entanto, considerou “positivo” o fato de ter sido registrado em ata da reunião do PMDB que o senador José Sarney não será candidato à presidência do Senado em 2009.
DO CONGRESSO EM FOCO
O Franciscano
Dar sua cara à tapa. Oferecer a outra face. Não acredito mais em sair apanhado e satisfeito. Mesmo assim, fico feliz com o que fez o senador Pedro Simon. Mesmo ele tendo levado uma pisa.
Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy e José Nery começaram um movimento para indicar o gaúcho para a presidência do Senado. Queriam um homem público respeitável que começasse a refazer a imagem do Congresso Nacional, mais derrubada do que nunca após o apogeu do paulista Chinaglia e dos "severinos" Calheiros e Sarney.
O senador segurou até o último momento a sua vontade de assumir um papel relevante em Brasília. Mas acabou assumindo a candidatura, para uma derrota eleitoral por 13X6 dentro da Bancada do PMDB. Foi derrotado pela força do Governo Federal, que teme qualquer sinal de independência. E pela união de Calheiros e Sarney, que preferiram colocar um peixe morto na cadeira para guardarem a vaga deles para a próxima eleição.
O franciscano expôs mais uma vez sua situação: "tenho sido discriminado no PMDB nos últimos dez anos. Recebi um manifesto de apoio, com a assinatura de 34 senadores, que o partido nem sequer levou em consideração. Sou discriminado pelo Lula, pelo líder do partido e pelo Sarney". Teimo em acreditar que seria interessante uma voz na Presidência do Senado a trazer novos assuntos e levantar questões esquecidas pela "mão em que falta uma falange".
Apanhou. Mas registrou nos anais do Senado, no Estadão e aqui no blog agora a fantástica frase do Sarney: "Não serei candidato a nada na minha vida. Nem daqui a um ano, nem nunca mais na minha vida". Se fosse verdade teria sido pelo menos uma vitória parcial.
Se...
Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy e José Nery começaram um movimento para indicar o gaúcho para a presidência do Senado. Queriam um homem público respeitável que começasse a refazer a imagem do Congresso Nacional, mais derrubada do que nunca após o apogeu do paulista Chinaglia e dos "severinos" Calheiros e Sarney.
O senador segurou até o último momento a sua vontade de assumir um papel relevante em Brasília. Mas acabou assumindo a candidatura, para uma derrota eleitoral por 13X6 dentro da Bancada do PMDB. Foi derrotado pela força do Governo Federal, que teme qualquer sinal de independência. E pela união de Calheiros e Sarney, que preferiram colocar um peixe morto na cadeira para guardarem a vaga deles para a próxima eleição.
O franciscano expôs mais uma vez sua situação: "tenho sido discriminado no PMDB nos últimos dez anos. Recebi um manifesto de apoio, com a assinatura de 34 senadores, que o partido nem sequer levou em consideração. Sou discriminado pelo Lula, pelo líder do partido e pelo Sarney". Teimo em acreditar que seria interessante uma voz na Presidência do Senado a trazer novos assuntos e levantar questões esquecidas pela "mão em que falta uma falange".
Apanhou. Mas registrou nos anais do Senado, no Estadão e aqui no blog agora a fantástica frase do Sarney: "Não serei candidato a nada na minha vida. Nem daqui a um ano, nem nunca mais na minha vida". Se fosse verdade teria sido pelo menos uma vitória parcial.
Se...
4.12.07
Frase do Dia
"Ficar rico não vai, mas pode ter certeza que você vai pro céu! Aguentar essa pocilga não é para qualquer um", João Pedro Stedille (MST), após saber da absolvição de Renan Calheiros em plena Câmara dos Deputados.
3.12.07
Julgamento
Por mais que vá me estressar para caramba, fiquei feliz de o PT ter entrado com pedido de cassação contra Paulo Rubem. É o momento de julgar tudo que eu passei nos últimos anos. Da vitória de João Paulo, o convite que eu não cheguei a aceitar para começar aquela gestão, depois de participar de um momento em que as coisas estavam mudando e da decepção de sair com as piores impressões possíveis daquela gestão. Da entrada em um mandato relativamente independente, a luta para tomarmos posicionamento livre, as dificuldades impostas pelo isolamento e a derrota eleitoral. Depois assumir uma assessoria de imprensa de um parlamentar histórico do PT, como Paulo Rubem, e participar diretamente da decisão de sair do partido. Tendo sido derrotado na idéia de ir para o P-Sol.
Se perdermos o País perde um bom parlamentar. Se ganharmos o PT ficará com um carimbo do TSE dizendo que abandonou o seu histórico de lutas. O risco vale a pena.
Se perdermos o País perde um bom parlamentar. Se ganharmos o PT ficará com um carimbo do TSE dizendo que abandonou o seu histórico de lutas. O risco vale a pena.
Domingo na família dos outros
Fui passar o domingo na casa de um fotógrafo colombiano. Típico cara que vira meu amigo automaticamente. Filho de bolivianos, apaixonado pela Argentina, cozinheiro de primeira, pandeirista amador, casado com uma linda negra de raiz sambista, artesão e pai de uma menina lindíssima: Sofia.
Durante a cervejada minha paquerinha tinha dito. Nunca vi um cara que tivesse tanta saudade do seu filho. No meu chopp noturno com Bira veio a pergunta. Por que a fixação por crianças? Tinham duas, a pirralha tem dois anos e tinha também Pedro, que é um pouco mais velho que Chico.
Acho que as coisas que passamos realmente fazem a gente se fortalecer para as decisões que tomamos. Fui dormir ontem tranquilo. Com certeza de que não dá para perder a maioria dos domingos com Chico. As respostas, para perguntas que as vezes eu esqueço de me fazer, aparecem nas situações mais inusitadas.
Durante a cervejada minha paquerinha tinha dito. Nunca vi um cara que tivesse tanta saudade do seu filho. No meu chopp noturno com Bira veio a pergunta. Por que a fixação por crianças? Tinham duas, a pirralha tem dois anos e tinha também Pedro, que é um pouco mais velho que Chico.
Acho que as coisas que passamos realmente fazem a gente se fortalecer para as decisões que tomamos. Fui dormir ontem tranquilo. Com certeza de que não dá para perder a maioria dos domingos com Chico. As respostas, para perguntas que as vezes eu esqueço de me fazer, aparecem nas situações mais inusitadas.
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